Por Gazeta Digital
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16 de agosto de 2026
O estado de Mato Grosso acompanhou de perto a transição tecnológica da urna eletrônica, que este ano comemora seus 30 anos de funcionamento, com particularidades geográficas e operacionais marcantes no cenário nacional. O desenvolvimento do sistema eletrônico de votação teve início formal com o modelo UE96, implementado em 1996 sob um perímetro restrito de atuação nas eleições municipais, abrindo espaço para a integração do modelo após isso. No cenário mato-grossense, Cuiabá se apresentou como uma das capitais brasileiras que testaram esse primeiro modelo, marcando a adesão imediata da população local à nova tecnologia. “Em Mato Grosso, a urna eletrônica foi muito bem aceita. Cuiabá foi uma das primeiras cidades a terminar a votação. A população votou sem dificuldade, não houve nenhum tipo de transtorno, as filas, o andamento da votação ocorreu naturalmente”, explica o coordenador de Soluções Corporativas do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), Carlos Henrique Cândido. O servidor destaca que esse primeiro uso, com a urna criada com teclado numérico igual ao de um telefone, teclas em braille e impressora acoplada, atendeu a 30% do eleitorado nacional. À medida que as eleições avançavam, o processo de informatização em Mato Grosso expandiu-se de forma gradativa. Em 1998, o modelo UE98 foi utilizado na capital e em mais quatro polos regionais nas cidades de Sinop, Cáceres, Rondonópolis e Várzea Grande. Quando, então, a urna passou a exibir a foto dos candidatos e a extinguir a impressão direta do voto. No ano 2000, o equipamento ganhou saída de áudio e sensibilidade tátil, preparando o terreno para que, nas eleições de 2002, Mato Grosso e todo o Brasil passassem a ter votação 100% eletrônica. Em paralelo, a Justiça Eleitoral aprimorou continuamente as camadas de segurança e auditabilidade do sistema. A experiência de 2002 com módulos impressos externos demonstrou problemas práticos, como maior tempo de fila, avaria de impressoras e aumento de votos nulos. Isso resultou na substituição definitiva da impressão pelo Registro Digital do Voto (RDV) a partir de 2004. Nos anos seguintes, novos marcos foram consolidados, como a criação do sistema operacional Uenux em 2008, o início dos Testes Públicos de Segurança em 2009, a criptografia de hardware via ICP-Brasil, os Boletins de Urna com QR Code e a ampliação da acessibilidade para deficientes visuais e auditivos. Toda essa evolução técnica atua diretamente no combate a desinformação que busca semear dúvidas no eleitorado. “Então, existem fake news, existem fatos que nunca passaram por uma urna, existem histórias contadas, e isso vai criando no imaginário do eleitor a ideia da possibilidade de fraude”, pontuou Cândido. O servidor do TRE explica que existem mais de 30 barreiras contra manipulações, garantindo a proteção técnica do equipamento. “Para você fazer qualquer tipo de fraude, você tem que coordenar essas pessoas. As pessoas vão estar ali, vão estar fiscalizando. São mesários, são policiais, são juízes, são promotores. Olha, por exemplo, Mato Grosso. São 40 mil pessoas envolvidas numa eleição”, explicou. Partindo dessa hipótese de uma fraude intencional, seria necessário cooptar uma enorme parcela dessas pessoas sem que houvesse uma única denúncia, gravação de vídeo ou prova documental. “É quase impossível você ter um cenário de fraude, em que você reúne tanta gente, tanta gente para fraudar, e ninguém nunca tenha denunciado, ninguém nunca tenha mostrado a fraude. Então, isso leva à condição para o campo da falácia”, concluiu. A confiabilidade é assegurada pela ausência de qualquer conexão da urna com a internet e pelo rigoroso ciclo de vida do equipamento, que envolve desde a fabricação auditada até o procedimento de “aceite” realizado nas dependências do TRE-MT. Ainda, a participação de mais de 100 entidades fiscalizadoras, incluindo o Ministério Público, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), partidos políticos e Forças Armadas, somada às auditorias do Teste de Integridade no dia da votação e à publicação simultânea dos arquivos de log e Boletins de Urna na internet, assegura que o voto registrado nos municípios mato-grossenses seja auditável e protegido do início ao fim. Conheça a história das eleições em Mato Grosso O Tribunal Regional Eleitoral mantém uma exposição permanente do memorial, que é aberta ao público e detalha a história das eleições, a evolução da urna eletrônica e o trabalho da Justiça Eleitoral em Mato Grosso. No local, é possível conhecer os diversos modelos de urnas utilizados ao longo dos anos, além de entender como era a apuração de votos desde o período colonial. Para visitar, basta ir à Casa da Democracia, anexa ao TRE-MT, durante o horário de atendimento: de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 13h30.