Eleitores podem denunciar crimes eleitorais em MT

FolhaMax • 15 de agosto de 2026

A partir deste domingo (16), eleitores de Mato Grosso poderão utilizar o aplicativo Pardal para denunciar possíveis irregularidades nas Eleições Gerais de 2026. A ferramenta da Justiça Eleitoral funciona como um canal direto para o registro de denúncias relacionadas à propaganda eleitoral e outras condutas que possam violar a legislação.


O aplicativo estará disponível para smartphones e tablets e é gratuito. Para fazer o registro, o eleitor deverá se identificar por meio do e-Título ou da conta Gov.br. Apesar de a identificação ser obrigatória, os dados pessoais do denunciante permanecem protegidos por sigilo. A medida, segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), também busca evitar o uso automatizado da ferramenta por robôs e reduzir denúncias sem fundamento. Antes de enviar a reclamação, o eleitor deve reunir informações sobre o fato, como local, envolvidos e evidências. Fotos, vídeos, áudios e links podem ser anexados.


O sistema utiliza inteligência artificial para sugerir a categoria em que a denúncia se enquadra, mas o usuário poderá alterar a classificação antes do envio. Entre as situações que podem ser denunciadas estão propaganda eleitoral irregular na internet, disparos em massa, telemarketing, publicidade paga irregular, uso indevido de alto-falantes, carros de som, minitrios e trios elétricos, além de irregularidades envolvendo adesivos, outdoors e outros materiais de campanha.


Também podem chegar ao sistema denúncias relacionadas a práticas como compra de votos, abuso de poder econômico ou político e uso indevido da máquina pública, conforme a natureza do caso. Após o envio, a denúncia recebe um protocolo e passa pela Ouvidoria Eleitoral, onde é analisada e encaminhada ao setor ou órgão responsável. Dependendo do caso, poderá seguir para a zona eleitoral competente, para o Ministério Público Eleitoral ou para outros canais da Justiça Eleitoral.


Se houver elementos suficientes, a denúncia poderá resultar na abertura de um processo no sistema PJe. 1,6 mil denúncias em 2024 Nas últimas eleições municipais, em 2024, o Pardal recebeu 1.608 denúncias de propaganda irregular em Mato Grosso, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


O maior número envolveu candidatos a vereador, com 867 registros, seguido por candidatos a prefeito, com 430. Outras 298 denúncias eram relacionadas a partidos, coligações ou federações e 13 a candidatos a viceprefeito. Entre os municípios, Sinop liderou, com 183 denúncias. Na sequência apareceram Cuiabá, com 134, Rondonópolis, com 110, Lucas do Rio Verde, com 54, e Várzea Grande, com 43. Do total registrado naquele levantamento, 548 denúncias foram peticionadas, 976 foram baixadas do sistema e 84 permaneciam em andamento. Naquele momento, 31% dos registros haviam gerado peticionamento no PJe.


O levantamento de 2024 mostrou ainda que as denúncias relacionadas à internet foram as mais numerosas, com 461 registros. Também apareceram casos envolvendo bens públicos, banners, cartazes, faixas, adesivos, alto-falantes, outdoors e outros tipos de propaganda. A Justiça Eleitoral orienta que o Pardal seja utilizado de forma responsável, com informações objetivas e provas sempre que possível.


A ferramenta permite que o eleitor participe diretamente da fiscalização do processo eleitoral e acompanhe o encaminhamento da denúncia. Inteligência artificial é novidade A presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, destacou que a principal novidade do Pardal em 2026 está no uso de inteligência artificial para auxiliar o eleitor no preenchimento da denúncia.


Segundo ela, a tecnologia poderá ajudar principalmente quem não sabe exatamente como enquadrar uma situação ou quais provas apresentar. “Às vezes, o eleitor não sabe fazer o conteúdo, não sabe enquadrar o conteúdo. Será que isso aqui é uma denúncia? A inteligência sugere”, explicou a presidente. Serly ressaltou ainda que, apesar da identificação obrigatória, os dados do eleitor serão protegidos.


A medida busca impedir denúncias falsas ou automatizadas, sem expor quem utiliza o aplicativo de maneira legítima. “O eleitor vai ter que se identificar, mas essa identificação é protegida. Nós cumprimos a lei de proteção de dados. O eleitor vai fazer a denúncia dele e não será exposto”, afirmou. A desembargadora reforçou que as denúncias não terão limites ou prazos, o aplicativo ficará aberto mesmo depois do fim das eleições. 

Por RepórterMT 15 de agosto de 2026
O calendário político entra em nova fase neste fim de semana. A partir de hoje (15), às 19h, se encerra o prazo para que partidos políticos, federações e coligações requeiram à Justiça Eleitoral o registro de candidatas e candidatos aos cargos de presidente da república, governador, senador, deputado federal e deputado estadual. Com o fim da etapa de formalização das chapas, o cronograma do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) estabelece o domingo (16) como o marco inicial para a largada oficial da propaganda eleitoral.  A partir desta data, fica permitida a realização de comícios, carreatas, caminhadas e a distribuição de material gráfico, além da propaganda na internet. O que muda a partir de domingo A liberação das atividades de rua e na internet obedece a regras específicas estabelecidas pela legislação eleitoral para o período de campanha. Comícios: A realização de comícios e o uso de aparelhagem de sonorização fixa ficam autorizados entre 8h e 24h, com exceção do comício de encerramento da campanha, que pode ser prorrogado por mais duas horas. Carreatas e caminhadas: A circulação de carreatas, caminhadas e passeatas, com uso de carros de som ou minitrios, poderá ocorrer diariamente até as 22h, seguindo até a véspera do primeiro turno. Propaganda na internet e impulsionamento: Fica liberada a propaganda em páginas da web e redes sociais, inclusive com circulação paga ou impulsionada, modalidade permitida até 1 de outubro de 2026. Uso de alto-falantes: O funcionamento de alto-falantes e amplificadores de som nas ruas fica restrito ao horário das 8h às 22h, respeitando a distância mínima de 200 metros de órgãos públicos, hospitais, escolas, igrejas e quartéis. A partir desta mesma data, os cartórios eleitorais e as secretarias dos tribunais passam a funcionar em regime de plantão aos sábados, domingos e feriados para dar celeridade aos processos de registro de candidatura que antecedem o pleito de outubro.
Por Gazeta Digital 15 de agosto de 2026
Com a presença da segurança pública nas urnas, Mato Grosso tem 18 policiais com candidaturas registradas na Justiça Eleitoral neste ano. De partidos de direita, a maioria concorre a deputado federal e estadual, sendo dois que tentam reeleição no Congresso: os deputados federais Coronel Assis e Coronel Fernanda, ambos do Partido Liberal (PL). Eleito em 2022 pelo União Brasil, Assis vem pautando sua atuação no Congresso Nacional com o foco nas forças de segurança, consideradas tema central nessas eleições. Em 2026, o deputado ganhou destaque ao assumir a relatoria da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata sobre a redução da maioridade penal. Já a Coronel Fernanda é procuradora da Mulher na Câmara e para além da segurança pública, centra sua atuação também no agronegócio. Também do PL está na disputa o vereador de Cuiabá, Rafael Ranalli. Nome conhecido que concorre à federal é o do ex-secretário de Segurança de Mato Grosso, coronel Cesar Roveri (Pode), que esteve à frente da pasta desde 2023. Nos discursos e nas redes sociais, o candidato tem salientado os resultados alcançados enquanto secretário, como valorização da carreira militar e as ações em torno do programa Vigia Mais MT. Outro policial na chapa do Podemos que concorre a federal é o delegado Fred Murta, um dos mais beneficiados no financiamento coletivo, as chamadas vaquinhas virtuais, no qual já recebeu quase R$ 30 mil. Os demais policiais que disputam são Cabo Kelvin (Democrata), Cabo Menegatti (Novo) e Sargento Andréia Andrade (Democrata). Para estadual, Mato Grosso tem mais sete policiais nessas eleições, tendo como nome mais conhecido o do deputado Elizeu Nascimento (Novo), que tenta reeleição. Em busca de seu terceiro mandato na Assembleia, o parlamentar foi alvo de uma operação deflagrada pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (NACO), em abril, para investigar um suposto desvio de emendas parlamentares. Outros que concorrem a estadual: Wlad Mesquita e Cabo Vieira, pelo Republicanos; Pastor Sargento Gualterney e Sargento Jucá, pelo Novo; Sargento Casarin (Pode) e Sargento Salameico (PSDB). Ao Senado, está na disputa Coronel Darwin (Democrata), em sua primeira eleição. Único policial que disputa vaga ao governo do Estado, o sargento Laudicério Machado (Agir) não tem registro na Justiça Eleitoral, porém já confirmou sua candidatura ao Paiaguás e se coloca como grande defensor dos servidores públicos. Outro que ainda não teve registro mas já confirmou a indicação a deputado estadual é o policial e defensor da causa animal, Sargento Vidal (MDB).
Por Gazeta Digital 14 de agosto de 2026
Produtores rurais de Mato Grosso que aguardam a renegociação de dívidas prevista na Medida Provisória (MP) nº 1.376/2026 estão encontrando dificuldades para acessar as condições anunciadas pelo Governo Federal. Entidades do setor relatam casos de produtores que atendem aos requisitos, mas não conseguem efetivar as operações junto às instituições financeiras. A preocupação foi formalizada em um manifesto assinado pela Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e entidades do setor agropecuário, que cobram a conclusão das medidas necessárias para que a renegociação funcione efetivamente nas agências bancárias. Publicada em 15 de julho, a MP foi criada para atender produtores que tiveram perdas expressivas de faturamento provocadas por adversidades climáticas ou pela redução dos preços dos produtos financiados. A medida surgiu de uma articulação entre a Frente Parlamentar da Agropecuária, o presidente da Câmara dos Deputados e o Ministério da Fazenda, como alternativa ao Projeto de Lei (PL) nº 5.122/2023, que previa mecanismos mais amplos para a renegociação das dívidas rurais. A MP já recebeu regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN), por meio da Resolução nº 5.330. No entanto, algumas etapas complementares ainda precisam ser concluídas para que as operações previstas sejam efetivamente disponibilizadas e contratadas pelos produtores nas instituições financeiras. Entre as medidas apontadas estão a publicação de portaria do Ministério da Fazenda para autorizar a equalização das taxas de juros das operações de renegociação, a expedição de circular do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para disciplinar determinadas operações de investimento e a regulamentação do fundo garantidor previsto na MP. As regras contemplam situações como perdas de safra, redução de renda e impactos provocados por eventos climáticos ou pela queda dos preços dos produtos financiados. Prazo preocupa setor Para o presidente da Famato, Vilmondes Sebastião Tomain, o tempo é um dos principais pontos de preocupação, especialmente porque a renegociação está diretamente ligada à capacidade de financiamento dos produtores para a próxima safra. “Cada dia de atraso na regulamentação representa menos tempo para que o produtor reúna a documentação necessária, os profissionais façam as análises e os bancos concluam as operações. Precisamos que todas as regras estejam disponíveis e sejam operacionalizadas com urgência, para que a medida cumpra seu objetivo e o produtor tenha condições de reorganizar suas dívidas e acessar o crédito necessário para a próxima safra”, afirma Vilmondes. O acesso ao crédito para custeio precisa ocorrer dentro dos períodos estabelecidos pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). O calendário de plantio, portanto, não acompanha o tempo necessário para a conclusão dos procedimentos administrativos e financeiros. A medida provisória também estabelece prazos para a contratação das operações. Com isso, quanto maior o tempo gasto para colocar as medidas em funcionamento, menor será a margem para que produtores, técnicos e bancos concluam todas as etapas antes do início do plantio. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) orienta os produtores a reunir documentos relacionados às perdas e às operações de crédito. Além das etapas que dependem dos órgãos responsáveis, o próprio produtor precisa cumprir uma série de procedimentos para acessar a renegociação. É necessário comprovar o enquadramento nas regras e apresentar documentos que demonstrem as perdas sofridas. Em determinadas situações, será exigido laudo técnico elaborado por profissional habilitado, comprovando a relação entre as perdas registradas e as operações que serão liquidadas ou amortizadas por meio do novo crédito. O processo envolve análise individualizada, elaboração de documentos e avaliação pelas instituições financeiras. As entidades signatárias defendem que o Congresso Nacional aperfeiçoe a MP durante sua tramitação. A avaliação é de que o alcance atual é limitado e deixa produtores e estados fora dos critérios de elegibilidade. Para o setor, não basta a criação das linhas de renegociação. É preciso garantir que elas estejam efetivamente disponíveis nas instituições financeiras e que os produtores tenham tempo suficiente para reorganizar seus passivos, recuperar a capacidade de financiamento e contratar os recursos necessários para a continuidade da atividade rural. A Famato vem atuando ao longo de 2026 para ampliar o acesso ao crédito e buscar alternativas para o endividamento rural. Entre as ações estão a articulação pela renegociação das dívidas, a defesa de medidas no Plano Safra, a orientação aos produtores sobre prorrogação de financiamentos e os alertas sobre impedimentos socioambientais que podem dificultar a contratação de crédito. Em agenda com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, no mês de julho, a entidade também defendeu a criação de um fundo voltado ao apoio aos produtores rurais, como instrumento para ampliar a capacidade de enfrentamento das dificuldades financeiras e garantir melhores condições de acesso ao crédito. A Famato também tem levado as demandas do setor a órgãos federais e participado das discussões sobre as regras que impactam diretamente o financiamento da atividade rural.
Por Gazeta Digital 14 de agosto de 2026
A rodovia estadual MT-251 não poderá ser duplicada no trecho que passa pelo Parque Nacional de Chapada dos Guimarães. A decisão é do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que deu parecer contrário ao pedido da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra). “Estamos já pensando no próximo passo, pois estamos falando de vidas humanas. Queremos solucionar de vez essa questão da duplicação, pois essa negativa atrasa as obras que fazem parte da melhoria necessária para a população ir e vir com segurança para Chapada dos Guimarães”, disse o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo Oliveira. O pedido foi feito como uma forma de solucionar a questão do risco à segurança dos motoristas que passam pela via, especialmente no trecho conhecido como Portão do Inferno, onde há deslizamento de partes das rochas que contornam a pista. Em julho, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em instância federal, reivindicou a responsabilidade do licenciamento ambiental para as obras no Parque. Foi o Ibama que pediu parecer do ICMBio sobre os projetos. Além dessa duplicação, o governo do estado aguarda a liberação de uma licença para a construção de um túnel no Portão do Inferno, obra de grande porte que o a administração estadual entende ser a resolução definitiva do problema.
Por GazetaDigital 14 de agosto de 2026
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) não garantiu seu apoio ao candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro (PL). Questionado, o chefe do Executivo disse que a ideia é apoiar um nome que ajude a derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no seu projeto de reeleição. A fala foi feita nesta sexta-feira (14). Alvo de ataques de integrantes do PL em Mato Grosso e também do senador Jayme Campos, que se uniu ao partido bolsonarista após ter sua pré-candidatura descartada pelo União Brasil, Pivetta não quis cravar o nome do senador fluminense ao ser questionado. “A nossa decisão é apoiar um candidato que seja contra o PT, que seja contra esse sistema. Nós queremos ajudar o Brasil a aposentar o Lula. Vou trabalhar para isso”, afirmou. “Nós vamos definir isso [candidato a presidente apoiado pela sua chapa] no início da semana que vem”, disse. Ao longo da pré-campanha, Pivetta chegou a atuar nos bastidores para que a família Bolsonaro o escolhesse como o candidato da direita no estado, mas os esforços foram infrutíferos. Mato Grosso é considerado um dos maiores redutos bolsonaristas no Brasil. Em 2022, Jair Bolsonaro (PL) teve 65% dos votos no estado. Em 2018, quando ele foi eleito, a votação dele no estado foi de 66%. Esse “espólio” é disputado tanto por Pivetta, que se apresenta como o gestor que resolve os problemas do estado, como por Wellington Fagundes (PL), que é o candidato oficial do bolsonarismo no estado.
Por Ascom 14 de agosto de 2026
A carne bovina produzida em Mato Grosso no primeiro semestre de 2026 chegou a 88 países, alcançando uma receita de US$ 2,4 bilhões, com preço médio de US$ 6,1 mil a tonelada. No mesmo período em 2025, os frigoríficos mato-grossenses venderam para 77 países, com receita de US$ 1,47 bilhão e média de US$ 5,1 mil por tonelada. Com escoamento da produção, principalmente pelos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP), os frigoríficos mato-grossenses destinaram a maior parte da carne bovina exportada para a China, que importou 282,4 mil toneladas. Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 41 mil toneladas, seguidos pelo Chile, com 31 mil toneladas. No grupo dos dez maiores importadores também estão Rússia, Filipinas, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Itália e Países Baixos (Holanda), mercados que concentram parte significativa das exportações da proteína produzida no Estado. Além dos principais compradores, a carne bovina mato-grossense também chegou a mercados de menor volume, como Cabo Verde, Azerbaijão, Cazaquistão, Iraque, Porto Rico, Catar, Albânia e Líbia, demonstrando a diversificação dos destinos atendidos pela indústria frigorífica estadual. "A diversificação dos destinos das exportações é um fator estratégico para a competitividade da pecuária mato-grossense. Quanto maior o número de mercados compradores, menor é a exposição da cadeia produtiva a oscilações econômicas. Essa pulverização dos mercados proporciona maior previsibilidade para a indústria e para os pecuaristas, além de criar oportunidades para acessar nichos que remuneram melhor pela qualidade da carne", avalia o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.
Por RepórterMT 14 de agosto de 2026
A Polícia Civil de Mato Grosso concluiu o inquérito policial instaurado no âmbito da Operação Agro-Fantasma, que investigou um esquema de fraudes envolvendo a compra e a comercialização de grãos na região oeste do Estado. Ao final das investigações, quatro pessoas foram indiciadas pelos crimes de estelionato, associação criminosa e fraude processual. São eles: Sérgio Pereira de Assis, ex-deputado estadual de Mato Grosso do Sul; Mário Sérgio Cometki Assis; Wanderley Soares Barboza Júnior e Pedro Henrique Cardoso.  Mário e Pedro Henrique foram indiciados pelos crimes de estelionato em continuidade delitiva, associação criminosa e fraude processual. Sérgio e Wanderley foram indiciados por estelionato em continuidade delitiva e associação criminosa. A investigação foi conduzida pela Delegacia de Comodoro e teve como principal vítima um produtor rural que relatou prejuízos superiores a R$ 70 milhões em operações envolvendo a aquisição de grãos, a venda de uma aeronave e empréstimos bancários. Conforme apurado, os investigados utilizavam empresas do ramo do agronegócio para transmitir uma aparência de solidez financeira e conquistar a confiança de produtores rurais. Após estabelecerem credibilidade por meio do pagamento regular de algumas das primeiras operações, os investigados teriam convencido a vítima a realizar, em seu próprio nome, sucessivas compras de grãos de outros produtores, com pagamento a prazo. Os produtos eram posteriormente revendidos pelas empresas do grupo, geralmente à vista, gerando liquidez imediata. Com o aumento do volume das negociações, contudo, os pagamentos deixaram de ser realizados. Dessa forma, os produtores e as instituições financeiras permaneciam com os créditos a receber, enquanto o passivo das operações permanecia em nome da vítima. A análise dos documentos fiscais e de transporte apreendidos durante a investigação identificou indícios de incompatibilidades logísticas, repetição atípica de pesos, emissão de documentos em intervalos incompatíveis com o transporte efetivo das cargas e sucessivas revendas com margens negativas. Associação criminosa A investigação indicou que os quatro indiciados atuavam de forma coordenada e com funções definidas na prática das fraudes. Segundo a apuração, eles eram responsáveis por diferentes etapas das operações, como a negociação com fornecedores, a compra e a revenda dos grãos, a emissão de documentos fiscais e a movimentação dos valores obtidos com as vendas. Para a Polícia Civil, os fatos ultrapassavam uma simples falta de pagamento ou dificuldade financeira. A investigação apontou indícios de que as operações eram planejadas para obter vantagem econômica por meio de fraude. Indiciamento Ao concluir o inquérito, a Polícia Civil apontou a existência de elementos suficientes de autoria e materialidade dos crimes investigados. As questões relacionadas às empresas e a possíveis crimes contra a receita estadual e federal serão objeto de auditoria pela Sefaz-MT, com posterior encaminhamento às autoridades competentes, conforme o caso.
Por Gazeta Digital 14 de agosto de 2026
Os mortos em confronto com a Polícia Militar, na noite de quinta-feira (13), em Pontes e Lacerda (448 km ao oeste de Cuiabá) foram identificados e apontados como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Os suspeitos são Tales Mateus dos Santos Lima, 15; Vitor Coelho, 18; Lucas Vinícius Cosme Coelho, 18, e Rodrigo da Silva Santos, de 25 anos. Há ainda uma 5ª vítima que não foi identificada. Conforme as informações já divulgadas pelo , a ação começou após a Agência Regional de Inteligência (ARI do CR12) receber denúncias anônimas. A informação indicava que membros do PCC haviam disparado acidentalmente contra um próprio comparsa e, após levá-lo ao Hospital Vale do Guaporé, esconderam-se em uma casa sem número na Alameda 8. O local estaria sendo utilizado como esconderijo de armas e veículos usados em homicídios na região. A Força Tática e a Rotam foi até o local. O Confronto Ao chegarem à residência, as equipes policiais avistaram suspeitos armados no interior do imóvel. Um cerco tático foi montado pelas entradas da casa. Ao realizarem o adentramento e darem ordem para que largassem as armas, os policiais foram recebidos a tiros por um dos suspeitos. Diante da agressão, os agentes reagiram para cessar a ameaça. Paralelamente, a outra fração da equipe avançou pela lateral direita, onde outros indivíduos recuaram para um dos cômodos, portando armas. Houve nova troca de tiros após os suspeitos desobedecerem às ordens de rendição e apontarem armas contra a PM. Os suspeitos feridos chegaram a ser socorridos e encaminhados para uma unidade de saúde, mas 4 não resistiram aos ferimentos. Polícia Civil investiga.
Por Gazeta Digital 13 de agosto de 2026
Durante anúncio oficial de seu novo vice, Reinaldo Moraes (Novo), o senador e candidato ao governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL), amenizou a divisão em seu partido. Há meses o político enfrenta dificuldade em conquistar apoio dos correligionários e, na última semana, o prefeito de Campo Novo do Parecis, Edilson Piaia, pediu para deixar o grupo. Outros sequer apareceram na convenção do PL, já que incentivam à reeleição de Otaviano Pivetta. “Democracia, a coisa mais importante da democracia é exatamente o direito do contraditório. Um partido político, ele não pode ser unânime. A força do partido político é ter divergências entre as pessoas, pensamentos diferentes. Agora, a maioria vence. Todo o partido, se não tiver divergência, não serve”, discursou durante o anúncio, ao lado do presidente estadual do PL, Ananias Filho. Diante de tratativas malsucedidas e acusações de desrespeito, o pecuarista Reinaldo Moraes, conhecido como Rei do Porco, é o terceiro nome anunciado como vice na chapa do liberal. O primeiro foi o empresário Marcelo Maluf (Novo), que recebeu a garantia de que seria o “parceiro” de chapa do senador, mas acabou deixado para trás dias após a convenção do Novo definir apoio ao projeto do liberal. O segundo nome foi o médico Alencar Farina (PL), Bolsonarista recém-convertido. Aparentemente, o nome do Rei do Porco é definitivo. “Estou pronto, preparado, energizado para ser governador, porque eu aprendi muito ouvindo. E dando passos atrás também. Recuando em momento em que eu precisava aprender. Mudando ideias ao longo da minha vida”, concluiu.
Por Fato Capital 13 de agosto de 2026
Integração comercial amplia oportunidades para o agronegócio mato-grossense, mas exige contratos mais sofisticados, gestão de riscos e domínio das regras que disciplinam o comércio internacional A crescente integração do agronegócio de Mato Grosso com o mercado chinês coloca o Direito Internacional no centro das decisões estratégicas do setor. Mais do que produzir em escala e conquistar mercados, produtores, tradings, frigoríficos, cooperativas e investidores precisam compreender as regras que disciplinam contratos internacionais, padrões sanitários, mecanismos de pagamento, arbitragem, logística, responsabilidade contratual e eventuais barreiras comerciais. A dimensão econômica dessa relação ajuda a explicar a importância jurídica do tema. Em 2025, Mato Grosso exportou US$ 30,11 bilhões em mercadorias para 164 países, consolidando-se como o quarto maior estado exportador brasileiro. A China permaneceu entre os principais destinos da produção estadual. Na soja, a concentração é ainda mais expressiva. Dados de comércio exterior apontam que Mato Grosso exportou aproximadamente 27 milhões de toneladas da oleaginosa em 2025, com faturamento de US$ 10,7 bilhões. Desse volume, cerca de 19,1 milhões de toneladas tiveram a China como destino, o equivalente a aproximadamente 71% das exportações estaduais de soja. Na proteína animal, a exposição ao mercado asiático também é relevante. Mato Grosso exportou cerca de 978,4 mil toneladas de carne bovina em 2025, para 92 países, mantendo a China como principal destino, responsável por 54,8% do volume embarcado pelo Estado. Para o advogado Pérsio Landim, especialista em Direito Agrário e Gestão do Agronegócio, a internacionalização do campo exige uma mudança de mentalidade na gestão jurídica das propriedades e empresas rurais. “O conceito do agronegócio engloba toda a cadeia produtiva: antes, dentro e depois da porteira”, afirma Landim, destacando que a complexidade atual do setor exige conhecimento técnico e integração entre diferentes áreas do Direito. Essa visão ganha dimensão ainda maior quando a operação ultrapassa as fronteiras brasileiras. Uma negociação entre uma empresa mato-grossense e um comprador chinês, por exemplo, não envolve apenas preço, quantidade e prazo de entrega. O contrato precisa estabelecer com precisão a legislação aplicável, o foro ou mecanismo arbitral para solução de controvérsias, responsabilidades sobre transporte e seguro, critérios de inspeção, hipóteses de inadimplemento, força maior, padrões de qualidade e procedimentos para eventual revisão contratual. No comércio internacional, também assumem importância as regras de entrega e transferência de riscos, especialmente aquelas relacionadas aos Incoterms, além da definição da moeda da operação, garantias, instrumentos de pagamento e documentação necessária para o desembaraço das mercadorias. “O profissional que atua no agronegócio precisa compreender não apenas a legislação agrária, mas também aspectos ambientais, tributários, empresariais, registrais e contratuais. As decisões jurídicas impactam diretamente a rentabilidade, a continuidade da produção e a competitividade da atividade rural”, observa Landim. China transforma contrato em instrumento estratégico A relação com a China demonstra que o contrato internacional deixou de ser um documento acessório e passou a funcionar como instrumento de gestão de risco. A dependência comercial de determinados mercados pode criar exposição relevante para as cadeias produtivas. Em 2025, segundo levantamento do Cepea, a China manteve participação próxima de um terço das exportações brasileiras do agronegócio em valor e foi destino de quase 80% das exportações nacionais de soja em grão. O país asiático também respondeu por parcela significativa das compras brasileiras de carne bovina, celulose, açúcar, algodão e carne suína. No caso de Mato Grosso, a concentração aumenta a necessidade de planejamento. Uma alteração regulatória, sanitária, tarifária ou aduaneira no país comprador pode repercutir diretamente sobre preço, fluxo de caixa, logística e capacidade de cumprimento de contratos. O cenário de 2026 oferece um exemplo concreto. A política chinesa de cotas para carne bovina passou a pressionar as exportações brasileiras, com a utilização próxima do limite anual estabelecido para o produto e possibilidade de aplicação de tarifas adicionais sobre volumes que excedam a cota. Para o setor produtivo, situações como essa demonstram que risco comercial e risco jurídico caminham juntos. A previsibilidade de uma operação internacional depende não apenas da capacidade de produção, mas também da correta identificação das normas estrangeiras que podem afetar a operação. Arbitragem e prevenção de conflitos Outro ponto relevante é a escolha do mecanismo para solucionar eventuais controvérsias. Em contratos internacionais do agronegócio, a arbitragem pode representar uma alternativa à judicialização tradicional, especialmente em operações de maior complexidade econômica e técnica. A definição prévia da instituição arbitral, da sede da arbitragem, do idioma do procedimento e das regras aplicáveis pode evitar discussões posteriores sobre competência e jurisdição. Landim defende justamente uma atuação jurídica preventiva. Segundo ele, a profissionalização do agro exige que o Direito deixe de aparecer apenas quando o conflito já está instalado e passe a integrar o processo de tomada de decisão empresarial. Esse raciocínio é particularmente importante para Mato Grosso, onde a atividade agropecuária se desenvolveu em escala industrial e está diretamente conectada a cadeias globais de fornecimento. A internacionalização também exige atenção às normas sanitárias, ambientais e de rastreabilidade. Para acessar determinados mercados, não basta que a mercadoria seja produzida dentro dos parâmetros brasileiros: o exportador precisa demonstrar conformidade com os requisitos exigidos pelo país de destino e pelos agentes envolvidos na cadeia internacional. Do campo mato-grossense ao mercado asiático A expansão das relações comerciais entre Mato Grosso e China também vem sendo acompanhada por iniciativas institucionais de promoção comercial e atração de investimentos. O governo estadual mantém projetos voltados à aproximação com o mercado chinês, incluindo ações relacionadas à abertura de mercados, habilitação de frigoríficos e fortalecimento de cadeias como soja e carnes. Esse movimento amplia o espaço para investimentos, joint ventures, contratos de fornecimento de longo prazo e operações envolvendo capital estrangeiro. Consequentemente, surgem questões jurídicas relacionadas à estrutura societária, governança, tributação, propriedade, garantias, financiamento e eventual ingresso de investidores estrangeiros. Na avaliação de Landim, a sofisticação do agronegócio exige que o produtor seja tratado também como empresário e agente inserido em uma cadeia econômica global. Em artigo publicado anteriormente, o advogado já defendia que a produção agropecuária moderna é altamente tecnificada e que a gestão do agronegócio deve ser conduzida com planejamento e especialização. O desafio, portanto, não está apenas em ampliar o volume exportado, mas em estruturar juridicamente as relações que sustentam esse comércio. Para Mato Grosso, cuja economia rural possui forte inserção internacional, o Direito Internacional passa a ser uma ferramenta de competitividade. Contratos mais precisos, mecanismos eficientes de solução de conflitos, avaliação de riscos regulatórios e conhecimento das regras dos mercados compradores podem reduzir perdas e aumentar a segurança das operações. Em um cenário no qual China e Brasil aprofundam sua interdependência comercial, a vantagem competitiva do agro mato-grossense dependerá cada vez mais da combinação entre produtividade, logística, qualidade, sustentabilidade e segurança jurídica. “O conhecimento empírico não pode pairar sobre o setor que alimenta o mundo”, já advertiu Landim ao tratar da necessidade de integrar os operadores do Direito ao planejamento do agronegócio e às questões econômicas e internacionais que afetam o campo. A fronteira do agronegócio, nesse contexto, deixa de ser apenas geográfica. Ela passa também pelos contratos, pelas normas internacionais, pelos mecanismos de arbitragem e pelas decisões regulatórias tomadas a milhares de quilômetros das propriedades rurais. É nesse ambiente que o Direito Internacional ganha relevância estratégica para o produtor de Mato Grosso.