Haddad: queremos acabar com transgressões tributárias e equilibrar as contas

Redação • 26 de junho de 2025

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a alertar, em entrevista nesta terça-feira (24/5), que o Brasil figura entre os dez países de maior desigualdade. E que, diante desse cenário, qualquer necessidade de ajuste de contas para manter o equilíbrio e a sustentabilidade da economia passa pela escolha das prioridades: para onde destinar o orçamento público, e de onde arrecadar, são questões que devem se subordinar ao projeto de promover justiça social.


Haddad cita como exemplo o caso das casas de apostas eletrônicas, as bits, que nos governos anteriores não recolhiam nenhum centavo aos cofres públicos. Desde o final do governo Temer, passando por todo o governo Bolsonaro, as bets eram livres de impostos, igualando-se às Santas Casas. “Entre a bet e Santa Casa, vamos combinar, um está destruindo vidas, a outra está construindo vidas. Você vai isentar os dois? Isenta a Santa Casa e cobra o imposto de bet.”


Nesse sentido, a medida provisória enviada ao Congresso pretende retomar a proposta originária, do atual governo, de 12% para 18% sobre saldo não rateado entre os apostadores.


No governo anterior, deixou-se de arrecadar R$ 40 bilhões das bets. Nós passamos a cobrar. Mas nós queríamos cobrar 18%. O Congresso baixou para 12%. Nós, pela medida provisória, estamos voltando a cobrar 18%. Que, na minha opinião, é o mínimo que tem que ser cobrado dessas casas de aposta, que ganham muito dinheiro sem gerar emprego. E são bilhões de reais que deixam o país, porque uma boa parte tem sede fora do Brasil.”


O ministro considera ainda que o Legislativo trata hoje as propostas do Executivo com menos resistência e “simpatia maior” do que quando foram apresentadas.


Haddad trata da importância de se chegar a um acordo com o Congresso para que o andar de cima pague no mínimo o mesmo imposto pago pelo brasileiros mais pobres. O ministro lamenta ainda os conflitos no Oriente Médio, pelas mortes e a tragédia humanitária que causam, mas diz crer que, do ponto de vista da economia não há impactos consideráveis ao Brasil, graças à expansão das relações comerciais do País.


Fernando Haddad afirma ainda que todos os poderes e governantes devem ser críticos à criação de novos gastos que não sejam imprescindíveis, como a ampliação do número de deputados. “Nenhum aumento de gasto é bem-vindo”, diz, a menos que fosse uma coisa absolutamente imprescindível para o funcionamento do país.


“O aumento do número de deputados é imprescindível? Tem a ver com a saúde da população? Tem a ver com a catástrofe, como aconteceu no Rio Grande do Sul? Nós poupamos dinheiro no Rio Grande do Sul? Não. Nós estamos diante de uma emergência? Essa é a pergunta que tem que ressoar na cabeça de todo político. Não importa se você é prefeito, governador, presidente, ministro, deputado, senador”, pondera Fernando Haddad.


Ministro, eu já começo falando sobre IOF. Na semana passada foi aprovado o projeto para a derrubada do decreto da alta do IOF. Diante desse ambiente, eu gostaria que o senhor trouxesse para a gente se há clima para a votação da medida provisória (com propostas de ajustes nas contas públicas).


O objetivo do governo é um só: equilibrar as contas públicas, onerando quem não paga imposto e desonerando quem paga. Hoje, o trabalhador que ganha até R$ 5 mil paga imposto de renda. Esse imposto de renda até R$ 5 mil chega a 10% do salário do trabalhador.

Existem 141 mil pessoas no Brasil que ganham mais do que R$ 1 milhão por ano e pagam um imposto de renda médio de 2,5%. Eu te pergunto: é justo um milionário pagar 2,5% de imposto de renda e a professora de escola pública, policial militar, o bombeiro, a enfermeira pagar 10% do salário de imposto de renda? Não é mais justo isentar quem ganha pouco e cobrar de quem não paga nada, ou quase nada hoje?


A questão do IOF: o IOF é um imposto que sempre existiu sobre operações de crédito. Várias instituições financeiras começaram a driblar o imposto sobre operações financeiras, IOF, com uma metodologia de dizer que não é crédito. O governo fechou a porta dessa transgressão. Então não adianta inventarem um produto, dizer que é uma coisa e é outra, para burlar a legislação.


Vou pegar outro caso. Nós mandamos uma lei para o Congresso dizendo que das bets, desde o final do governo do Temer, passando por todo o governo Bolsonaro, não se cobrou imposto, igualando bet a Santa Casa. Entre a bet e a Santa Casa, vamos combinar, um está destruindo vidas, o outro está construindo vidas. Você vai isentar os dois? Isenta a Santa Casa e cobra o imposto de bet. No governo anterior, deixou-se de arrecadar R$ 40 bilhões das bets. Nós passamos a cobrar.


Mas nós queríamos cobrar 18%. O Congresso baixou para 12%. Nós, pela medida provisória, estamos voltando a cobrar 18%. Que, na minha opinião, é o mínimo que tem que ser cobrado dessas casas de aposta, que ganham muito dinheiro sem gerar emprego. E são bilhões de reais que deixam o país, porque uma boa parte tem sede fora do Brasil.


Então, quando se fala em aumentar a carga tributária ou baixar a carga tributária, a pergunta é: para quem que está aumentando?


Se eu estou aumentando a carga tributária de quem é rico e não paga nada, eu não estou aumentando a carga tributária. Se eu estou abrindo mão de um imposto que é o trabalhador de baixa renda que está pagando, ou de classe média que está pagando, eu estou fazendo benefício para o país.


Eu estou buscando justiça tributária e equilibrando as contas públicas. Todo mundo tem que contribuir, mas na justa medida das suas forças e das suas possibilidades. E isso não está acontecendo no Brasil, que é um dos dez países mais injustos do mundo do ponto de vista do tributo, do imposto.


Ministro, ainda aprofundando um pouquinho mais nessa medida provisória, ela tem outros pontos ali que nós observamos resistência dentro do Congresso. Diante desse cenário, há alguma outra saída, algo para ser apresentado ao Congresso Nacional ou é negociação política? Eu ouço que há um movimento internamente no Congresso até para tentar deixar a medida provisória vencer e perder a validade.


Eu não acredito, eu entendo esse jogo político, mas de dois anos e meio para cá, qual tem sido o padrão do Congresso Nacional? O Congresso faz lá as observações que ele deve fazer, mas no final das contas, o que tem acontecido? Mediante negociação, temos aprovado praticamente todas as medidas, mesmo aquelas que foram mal recebidas no primeiro momento, depois de explicadas, elas foram recalibradas e aprovadas.


O presidente (da Câmara) Hugo Motta e o presidente (do Senado) Davi Alcolumbre têm sido muito sensíveis à necessidade de equilibrar as contas públicas, fazendo o ônus recair sobre quem tem e não paga. E não são tantos brasileiros assim que não pagam, mas são os mais ricos. Essa que é a característica do nosso país, é o andar lá de cima, é o morador da cobertura que não está pagando condomínio, não é o morador do apartamento padrão.


Então nós temos que corrigir essa distorção. Historicamente, quando precisava fazer um ajuste de contas, como era feito o ajuste de contas? Congela o salário mínimo, congela a tabela do imposto de renda. Olha a maldade que se fez nesse país durante sete anos.

A primeira providência do presidente Lula foi passar a faixa de isenção para dois salários mínimos. Quem ganha até dois salários mínimos não paga nada no imposto de renda. E a partir de 1º de janeiro, R$ 5.000. Olha a diferença de uma situação para outra. Então, nós não vamos desistir de conversar com a sociedade, de explicar para a população o que está sendo decidido pelo Congresso Nacional.


Mesma coisa com a energia elétrica agora. Você viu esse bafafá todo em torno da energia elétrica?


Derrubaram os vetos do presidente Lula. Isso pode significar um aumento da conta de energia de R$ 26 bilhões distribuído pelos consumidores. O presidente Lula vetou, o Congresso derrubou o veto. O presidente Lula então mandou uma nova medida provisória dizendo que quem consome até 80 kW não paga mais conta de luz. São duas visões completamente diferentes de mundo.


Inclusive, ministro, o Congresso cobra um corte de gastos por parte do governo, mas, por exemplo, resiste a pautar cortes em benefícios tributários. O senhor acredita que o Congresso tenta desviar o foco para não se indispor com alguns setores?


Eu não gostaria de generalizar. Tem um perfil de parlamentar que é mais conservador e que está mais olhando para o lado das classes mais abastadas. E tem um outro tipo de parlamentar que está olhando para o dia a dia da vida de 70% da população, que é quem está pagando conta de luz cara, que é quem está pagando imposto ganhando pouco, faz parte de qualquer democracia essa disputa.


Acontecer nos Estados Unidos, na Europa, tudo bem. Mas nós temos um lado, esse governo escolheu o seu lado.

Quando a gente fala em baratear a conta de luz, sobretudo para quem consome pouco, quando dizemos que quem ganha até R$ 5 mil não tem que pagar imposto de renda, nós estamos pensando que isso vai fortalecer a economia, porque vai ampliar o mercado consumidor. Hoje as pessoas estão endividadas. 


Dando um outro exemplo, o crédito consignado. Todo o trabalhador celetista hoje pode fazer um crédito consignado, em vez de pagar 6% de taxa de juro por mês, que é o que o crédito direto ao consumidor está cobrando, ele pode, no consignado, pagar metade disso e daqui a um mês ele vai pagar menos do que a metade. 


Quando você faz isso, tem gente que fala “não, isso é populismo”. Como “populismo”? Você vai fazer uma família pagar 6% de juro ao mês, podendo oferecer para ela um instrumento que faz o juro cair à metade? Então isso é trabalhar em proveito de um país estruturalmente melhor. 


Isso não tem nada a ver com o que as redes sociais às vezes discutem. Nós estamos fazendo um país mais justo. Quando eu vejo, às vezes, numa rede social, “ah, o governo está aumentando o imposto”, a pergunta que eu faço é: “De quem? Do rico que não paga!” Estamos declaradamente fazendo isso.


Vou te dar um exemplo. Muitos bilionários no Brasil tinham fundos fora do Brasil, chamado offshore, geralmente em paraíso fiscal. Sabe quanto que eles pagavam no imposto? Zero.


No começo, quando nós mandamos a medida, muitos diziam no Congresso “não, isso não pode ser”, porque muita gente que eles conhecem tinha fundo offshore. Até o ex-presidente do Banco Central tinha conta em offshore, mas ele próprio declarou que era a favor da cobrança. Não é justo uma pessoa pagar imposto e eu, que tenho um fundo fora do país, em paraíso fiscal, não vou pagar?


Então é justo que o país, que quem não pagava, passasse a pagar, para aliviar o dia a dia daquele que trabalha 40, 50 horas por semana e, às vezes, não consegue fechar o mês. Nós temos que ajudar essa família a terminar o mês com dignidade, quem sabe até com uma pequena poupança.



O senhor chegou a comentar sobre a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, e esse projeto está lá na Câmara dos Deputados. O relator é o deputado Arthur Lira. O presidente da Câmara, Hugo Motta, chegou a dizer que a intenção é que esse projeto seja aprovado até setembro. O que a gente pode já trazer de informação em torno desse projeto?


A nossa proposta é muito clara e recebeu elogios de economistas de várias escolas de pensamento. O que nós estamos propondo para compensar a isenção é que quem ganha mais de um milhão por ano e que hoje paga menos de 10%, complemente para chegar a 10%. Ou seja, eu não estou cobrando 10 a mais, eu estou pedindo para ele chegar a 10. Então, suponha que eu ganhe um milhão e pague 50 mil de imposto durante o ano. Eu vou completar 10, eu vou pagar mais 50.


O deputado Arthur Lira esteve comigo e esteve com a minha equipe várias vezes e estará muitas outras. E ele tem a liberdade de pedir informações para a Receita e está buscando outras fontes, o que é muito legítimo da parte dele, explorar todas as possibilidades.

Mas eu quero crer que ele terá bom senso de, ao explorar todas as possibilidades, chegar no entendimento de que os ricos têm que pagar alguma coisa. Então, nós estamos tentando sensibilizá-lo. Eu vejo no Congresso uma simpatia maior hoje do que via dois meses atrás por esse projeto.


Agora, quais seriam essas outras fontes de compensação que Lira tem discutido e que não impactam os ricos?


Todas impactam o andar de cima, todas elas. Mesmo as que estão sendo exploradas, impactam sempre o andar de cima. Eu não posso me antecipar ao relatório do Arthur Lira. O que eu estou dizendo é que ele está explorando essas possibilidades com muita seriedade.

Estou otimista de que nós vamos chegar no final do ano com os mesmos resultados positivos que tivemos nos dois anos anteriores. Briga, discute, diverge, mas e aí? Vamos pelo país, vamos resolver e aí baixa o espírito de responsabilidade geral para nós avançarmos um pouco mais.


O caminho é longo, porque estava tudo muito bagunçado, mas nós estamos aí crescendo, gerando emprego. Estamos com a menor taxa de desigualdade da série histórica. O menor número de jovens “nem-nem” (que nem estuda, nem trabalha). Então, vamos preservar o que nós construímos até aqui e avançar.



Agora, ministro, o Senado está para votar um projeto que aumenta o número de deputados de 513 para 531. Na prática, isso onera ainda mais os cofres da União. E internamente, no Congresso Nacional, ainda tem toda a discussão em torno das emendas parlamentares. O presidente da Câmara, Hugo Motta, até chegou a apresentar um projeto recentemente que permite a deputados acumular aposentadoria com salários. Diante disso tudo, esse Congresso tem condições de cobrar o governo pelo corte de gastos?


A minha posição de princípio é o seguinte. Primeiro que o aumento de gasto público, quando você tem uma necessidade de fazer, e às vezes você tem uma pandemia, tem um conflito, tem uma recessão brutal, tem várias circunstâncias em que ele se faz necessário.


Nós estamos num momento, neste momento do Brasil, que eu penso que devemos congelar o debate sobre o aumento de gasto.

A menos que fosse uma coisa absolutamente imprescindível para o funcionamento do país. O aumento do número de deputados é imprescindível? Tem a ver com a saúde da população? Tem a ver com a catástrofe, como aconteceu no Rio Grande do Sul? Nós poupamos dinheiro no Rio Grande do Sul? Não. Você vai fazer economia com a vida daquelas pessoas? Não. Por que o Rio Grande do Sul se recuperou com a força que se recuperou? Tinha especialista que estava dizendo que era 10 anos para recuperar o estado. Nós recuperamos em um. Era uma emergência.


Nós estamos diante de uma emergência? Essa é a pergunta que tem que ressoar na cabeça de todo político. Não importa se você é prefeito, governador, presidente, ministro, deputado, senador. Hoje nós temos que ser muito cautelosos, porque quanto mais cautela, o Brasil tem a chance de entrar num ciclo virtuoso, crescer 3% por três, quatro anos.


Ministro, falando sobre o programa Acredita. Esse programa que pretende dar crédito, me corrija se eu estiver errada, a microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas. Em que momento está esse programa? Pelo que a gente tem acompanhado, está demorando para engatar.


Olha, o crédito no Brasil, ele está indo muito bem. Se você pegar a quantidade de imóveis vendidos pelo sistema de crédito, porque quem compra a vista imóvel no Brasil é muito pouca gente. A maioria compra financiado. Carro, nós saímos de uma produção de 1,8 milhão e devemos crescer esse ano, talvez a gente beire 3 milhões de unidades. A maioria vai ser vendida a crédito, financiada. Então, eu estou falando de duas coisas muito importantes, que é casa própria e automóvel.


Aí você pega crédito, capital de giro para pequena e média empresa, está indo muito bem. O Pronamp, que é um programa antigo que foi turbinado pelo governo, ele está rodando bem. O microcrédito, que estava restrito ao Nordeste, está sendo universalizado pelo Basa (Banco da Amazônia), Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. É aquele crédito barato para a pessoa do Bolsa Família, do CadÚnico, poder se emancipar e ter uma atividade econômica rentável. E o consignado do trabalhador, esse está voando.


Eu vou te dar um número que vai te surpreender. O consignado existe há 20 anos e conseguiu emprestar R$ 40 bilhões. Em três meses de consignado do trabalhador, emprestamos R$ 16 bilhões.


O que está faltando acontecer no Brasil com mais força? O crédito imobiliário para a classe média ainda é pequeno na comparação internacional. O Brasil tem crédito imobiliário na casa de 10% do PIB. Tem países como o Chile, que é 30%, na Austrália é mais do que 100% do PIB de crédito imobiliário.


Ministro, a repercussão da alta da Selic foi ruim inclusive dentro do governo. O Brasil voltou a ter uma das maiores taxas de juros reais do ranking mundial. Lula criticava publicamente o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e agora tem o indicado seu, Gabriel Galípolo, Diante desse cenário, o problema então não era o ex-presidente do BC, Roberto? O governo ficou frustrado com o Gabriel Galípolo?


Olha, sendo muito honesto, e quem é do ramo sabe que eu estou falando a verdade, essa alta foi contratada na última reunião da qual participou o Roberto Campos (no final do ano passado). É como se você estivesse estabelecendo uma contratação futura da taxa. Na última reunião do Copom, de dezembro, foi estabelecido que ia ter um aumento forte da taxa Selic. Não dá para dar cavalo de pau em política monetária. Você vai perder credibilidade, você vai perder o leme da economia. Então nós precisamos dar um pouco de tempo ao tempo. Mas, enfim, eu estou preocupado, evidentemente. É uma taxa de juro muito, muito restritiva.


Já que o senhor trouxe esse impacto internacional no Brasil, tem sido discutidas medidas junto ao presidente Lula para minimizar os possíveis impactos dessa guerra e da ampliação dessa guerra no Oriente Médio aqui no Brasil. Há exemplo do aumento do biocombustível na gasolina e no diesel, que é algo que está sendo discutido essa semana. Há outras medidas que já estão sendo discutidas?


Olha, primeiro que o Brasil é exemplo no mundo de substituição de combustível fóssil por biocombustível. O presidente Lula deu muita força para isso nos seus dois primeiros mandatos e voltou agora no terceiro mandato com força total. Então, nós estamos com força nisso e nós aprovamos uma lei no Congresso Nacional chamado Combustível do Futuro, que é um exemplo internacional de como fazer a transição.


Soltamos um edital para recuperação de pastagens degradadas com o objetivo de recuperar um milhão de hectares, em proveito do meio ambiente, da produção de alimentos. Então, o Plano de Transformação Ecológica do Brasil é exemplo no mundo. As pessoas estão olhando para o Brasil para saber o que o Brasil está fazendo.


Estamos desmatando menos, produzindo mais, aumentando a produtividade do campo, apoiando o campo. Só de isenção fiscal, o ano passado foram R$ 158 bilhões para o agronegócio. É o valor de todo o Bolsa Família. Isso ajuda no combate à inflação, gera oportunidade de emprego, de renda. Então, esse é o objetivo do governo.


Então, em relação à guerra especificamente, não há nenhuma medida sendo antecipada por parte do governo? Ou não há essa necessidade?


Eu lamento profundamente o que está acontecendo no mundo, porque é uma desgraça humanitária, a quantidade de pessoas que estão morrendo. Então, isso é pavoroso do ponto de vista humanitário.


Mas do ponto de vista da economia brasileira, pega o caso do tarifaço do Trump. O Brasil tem equilíbrio comercial com os Estados Unidos, até um pouco deficitário. E isso tem pouco impacto no Brasil. Porque o Brasil se abriu para a Europa, para a Ásia, China. Tem boa relação com os Estados Unidos sendo mantida, tem o Mercosul, que é um ativo da nossa região. Então, o multilateralismo pregado pelo presidente Lula é uma questão central para o Brasil. E, às vezes, se dá pouca importância para isso. E isso é muito importante num momento de conflito. Você não está agarrado a um bloco, você tem uma visão ampla.


Ministro, eu não poderia deixar de falar de ano eleitoral, 2026, está aí. E eu gostaria de falar um pouco sobre essa preparação. O presidente Lula tem uma tendência a ampliar gastos com programas sociais. Eu gostaria de te ouvir se é possível conciliar corte de gastos com essa preparação, com a eleição de 2026.


Olha, uma coisa eu diria para você com muita segurança, o presidente Lula não vai repetir o erro que foi cometido pelo governo em 2022. O governo, em 2022, bagunçou as contas públicas e perdeu a eleição. Então nós é que estamos arrumando a bagunça.


Lembra o desespero do governo Bolsonaro em gastar no último ano, baixando o preço da gasolina artificialmente, dando auxílio para todo mundo, resultou no quê? Resultou em derrota. Não é assim que se constrói um país. Então eu estou muito seguro de que nós estamos em um caminho sólido. Nós estamos fazendo as coisas com responsabilidade.

Por Gazeta Digital 16 de abril de 2026
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) disse nesta quinta-feira (16) que o Bonde Urbano Digital (BUD) não é, no momento, uma opção considerada pelo estado para circular no lugar do BRT. Conforme Pivetta, o preço é muito mais alto e o modal, ainda em testes no Paraná, traz incertezas para a sua administração. “Tem o bonde urbano também, que nós estamos conversando, mas o preço é altíssimo. Três vezes mais caro que as outras soluções. (...) Tem muitas perguntas sem respostas sobre o bonde urbano, então nós não vamos fazer nada... Já erramos uma vez, erramos feio uma vez. Não podemos errar nem um pouquinho nessa escolha”, afirmou em entrevista à Rádio Capital. Pivetta afirmou que, no momento, a sua predileção é por veículos movidos a biodiesel, já que este é um combustível produzido no estado. “Se tivesse que decidir hoje, [seria o] biodiesel”, afirmou. “Porque é o mais barato, é um combustível que nós produzimos, de baixa emissão, combustível renovável, é moderno e tem tudo a ver com Mato Grosso”, acrescentou na sequência. O governador disse, ainda, que em breve veículos começarão a fazer testes no trecho entre o Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, até as imediações do Hospital do Câncer, na Capital. Pivetta também criticou a escolha do veículo leve sobre trilhos (VLT) e afirmou que não havia viabilidade e que a decisão foi equivocada e irresponsável. “Porque foi uma obra iniciada em 2010 ou 2011, fez um regaço na vida do povo várzea-grandense e cuiabano, desalojou muita gente, desgraçou a vida de muita gente, canalizou recursos públicos de maneira equivocada em um veículo que não tinha viabilidade nenhuma, o VLT. Uma irresponsabilidade atrás da outra”, declarou.
Por Ascom 16 de abril de 2026
A Justiça Eleitoral de Mato Grosso informa que nos dias 20 e 21 de abril (segunda e terça-feira), os atendimentos estarão suspensos. A decisão vale para a sede do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) e para os Cartórios Eleitorais, devido ao feriado de Tiradentes. Os atendimentos retornarão normalmente na quarta-feira (22/04). A partir da volta do atendimento, o horário será estendido, das 8h às 18h, de segunda a sexta-feira nos Cartórios, Postos Eleitorais e Centrais de Atendimento. O objetivo é ampliar o acesso da população aos serviços eleitorais, até o dia 06 de maio, quando ocorre o fechamento do Cadastro Eleitoral. Os prazos processuais que iniciam ou completem nos dias de suspensão do expediente serão automaticamente prorrogados para o primeiro dia útil subsequente.  O feriado foi instituído, no âmbito federal, pela Lei n°662/1949. A medida consta na Portaria n° 511/2025, assinada pela presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves. Já a suspensão do expediente no dia 20 de abril consta na Portaria n° 158/2026, também assinada pela presidente do Tribunal.
Por RepórterMT 16 de abril de 2026
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, hoje (16.4), a Operação Passagem Oculta, para cumprimento de 12 ordens judiciais contra integrantes de um grupo criminoso envolvido no roubo contra a cooperativa de crédito Sicoob, ocorrido no final de junho de 2025, em Cuiabá.  As ordens judiciais, sendo quatro mandados de prisão preventiva, quatro mandados de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular itinerante, e quatro quebra de sigilo de dados, foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias - Polo Cuiabá. Os mandados são cumpridos nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande. As investigações, conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), tiveram como alvo quatro investigados apontados como integrantes da organização criminosa responsável pelo roubo circunstanciado cometido contra a agência da Cooperativa de Crédito, situada na Avenida das Torres, na Capital. O crime Na madrugada do crime, o grupo invadiu imóvel residencial no bairro Recanto dos Passáros que fazia divisa estrutural com a agência bancária. Na ocasião, três moradores da residência foram mantidos em cárcere privado por aproximadamente quatro horas, mediante emprego de arma de fogo. O objetivo do grupo criminoso era abrir uma passagem na parede divisória e subtrair valores estimados em até R$ 1 milhão. A ação criminosa foi parcialmente frustrada após intervenção da Polícia Militar, sendo que um dos envolvidos foi a óbito em confronto armado no local, e outro foi preso em flagrante, sendo posteriormente denunciado e condenado em processo autônomo. Investigações e mandados A partir do aprofundamento das diligências investigativas, a GCCO identificou a participação estruturada de outros quatro integrantes da organização, cada qual com função específica — execução, logística, transporte e vigilância. As condutas foram tipificadas como roubo circunstanciado majorado pelo emprego de arma de fogo, restrição de liberdade de vítimas e pelo concurso de pessoas. Diante das evidências, o delegado responsável pelas investigações, Igor Sasaki, representou pelas ordens judiciais contra os investigados, que foram deferidas pela Justiça. As prisões preventivas decretadas com fundamento nos arts. 312 e 313, inciso I, do Código de Processo Penal, para garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal e asseguramento da aplicação da lei penal, diante da gravidade concreta da conduta, do elevado grau de planejamento e da habitualidade delitiva de parte dos investigados. Operação Pharus A operação integra os trabalhos do planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026, por meio da Operação Pharus, dentro do Programa Tolerância Zero, voltado ao combate às facções criminosas em todo o Estado. Renorcrim As atividades em curso estão inseridas no cronograma da Operação Nacional da Renorcrim (Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas). A iniciativa é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) e sua Diopi (Diretoria de Operações Integradas e Inteligência). A Rede articula as unidades especializadas das Polícias Civis de todo o país, promovendo uma resposta unificada e de alta precisão contra as estruturas do crime organizado.
Por RepórterMT 16 de abril de 2026
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), registrou boletim de ocorrência após relatar a presença de dispositivos de escuta ilegal em seu gabinete. A denúncia foi formalizada junto à Polícia Civil na terça-feira (14). Até o momento, não há informações oficiais sobre a quantidade de equipamentos encontrados nem sobre os pontos exatos em que estariam instalados. O material recolhido foi encaminhado para perícia, que deve apontar a natureza dos dispositivos e eventual funcionamento. O caso abre um novo capítulo de tensão no cenário político de Várzea Grande, em meio a uma gestão marcada por embates com diferentes atores públicos. A suspeita de grampos ilegais amplia o grau de gravidade das disputas, agora sob investigação criminal.  Procurada, a assessoria de imprensa da Prefeitura informou que a administração não irá se pronunciar sobre o episódio neste momento.
Por Gazeta Digital 16 de abril de 2026
O engenheiro agrônomo Ricardo Simonetto morreu em uma grave batida envolvendo uma caminhonete e uma carreta, na noite dessa quarta-feira (15), na BR-364, entre os municípios de Sapezal e Campos de Júlio (480 km a 553 km a noroeste de Cuiabá). Ele era casado e deixou dois filhos. Segundo as informações, Ricardo estava participando da feira Parecis SuperAgro, em Campo Novo do Parecis. Ele retornava para Rondônia quando ocorreu acidente com um veículo de carga, que saía de uma fazenda, às margens da rodovia. O impacto foi tão forte que Ricardo não resistiu aos ferimentos e morreu na hora. Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) esteve no local e confirmou a morte. Cena do acidente foi isolada para os trabalhos da Perícia Oficial de Identificação Técnica (Politec). A dinâmica precisa do acidente será investigada pela Polícia Civil.
Por Fato Capital 15 de abril de 2026
A recuperação judicial tem se mostrado uma ferramenta crucial para diversos setores da economia brasileira, e no agronegócio, sua relevância é ainda mais destacada. O setor agropecuário, que ocupa uma posição central na economia nacional, enfrenta desafios constantes, como variações nos preços das commodities, questões climáticas imprevisíveis e flutuações de mercado, que muitas vezes podem levar empresas a dificuldades financeiras graves. Nesse contexto, a recuperação judicial surge como uma solução estratégica, oferecendo a oportunidade de reestruturação de dívidas e a preservação das operações produtivas.  De acordo com Pérsio Landim, advogado especializado em agroadvocacia, a recuperação judicial se apresenta como um mecanismo fundamental para a manutenção das atividades no agro. Landim explica que, muitas vezes, as crises enfrentadas pelas empresas do setor agropecuário são momentâneas e causadas por fatores externos, como a volatilidade no mercado internacional, problemas climáticos ou variações nos preços das commodities. Nesse cenário, a recuperação judicial permite que as empresas consigam uma negociação mais favorável com os credores, reestruturando suas dívidas e evitando a falência, o que seria devastador para a continuidade das operações. Um dos principais benefícios da recuperação judicial no setor agropecuário, segundo o especialista, é a possibilidade de reestruturação da dívida de forma mais flexível e adaptada às necessidades específicas das empresas. Isso inclui a negociação de prazos mais longos para pagamento, a obtenção de descontos nas dívidas ou até a conversão de parte da dívida em participação acionária. "O agronegócio tem uma dinâmica própria. As empresas precisam de um tempo maior para se reerguerem, principalmente porque muitos fatores externos influenciam o setor, como o clima e a cotação das commodities", afirma Landim. Outro ponto importante é a preservação dos ativos produtivos, como terras, maquinários e estoques de grãos, que são vitais para a continuidade das atividades no agro. A recuperação judicial oferece uma forma de proteger esses ativos, evitando que a empresa perca seus principais recursos produtivos. Landim enfatiza que manter esses ativos é essencial não apenas para o empresário, mas também para a economia local e até nacional, uma vez que muitas dessas empresas geram milhares de empregos e são responsáveis por parte significativa da produção agrícola do país. Além disso, a recuperação judicial tem um impacto positivo na preservação de empregos no setor, um ponto crucial, pois o agronegócio é um dos maiores empregadores do Brasil. Segundo o especialista, a continuidade das atividades produtivas permite que os trabalhadores permaneçam em seus postos de trabalho, contribuindo para a estabilidade social e econômica das regiões onde essas empresas estão localizadas. Contudo, apesar dos benefícios, Pérsio Landim aponta que o processo de recuperação judicial no Brasil ainda enfrenta desafios, especialmente em relação à agilidade. “O agro exige uma resposta mais rápida, pois a produção não pode esperar. A celeridade no processo de recuperação é um fator essencial para que a empresa não perca o ritmo da produção e consiga se reerguer rapidamente”, comenta. Além disso, ele destaca que seria benéfico que o sistema jurídico se adaptasse ainda mais às particularidades do setor agropecuário, como questões relacionadas às safras e aos contratos de fornecimento, que funcionam de maneira diferente de outros setores da economia. A conscientização sobre a importância da recuperação judicial tem crescido no setor agropecuário, embora ainda exista uma certa resistência por parte de alguns empresários, que muitas vezes preferem adiar a decisão até que a situação se torne irreversível. Para Landim, a educação sobre o processo e seus benefícios é fundamental. Ele acredita que, com um maior entendimento sobre como a recuperação judicial pode evitar a falência e permitir a reestruturação da empresa, mais empresários do agro buscarão essa alternativa quando enfrentarem dificuldades financeiras. Com a evolução do agronegócio brasileiro e o aumento da complexidade dos desafios que ele enfrenta, a recuperação judicial se torna uma ferramenta cada vez mais necessária. Ela oferece não apenas a possibilidade de superação de crises momentâneas, mas também a chance de adaptação e reinvenção, garantindo que o setor continue a crescer de forma sustentável. Em um cenário de incertezas econômicas e mudanças climáticas, a recuperação judicial representa uma oportunidade para que o agro se reestruture e se fortaleça. De acordo com Pérsio Landim, a chave para o futuro do setor está no uso cada vez mais estratégico dessa ferramenta, que, quando bem aplicada, pode garantir a longevidade e o sucesso das empresas, preservando sua produção e empregos, além de contribuir para o desenvolvimento da economia do país.
Por Mestres do Paladar 15 de abril de 2026
Os radares de fiscalização de velocidade em Várzea Grande serão reativados já na próxima semana. A confirmação foi feita pelo secretário municipal de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana (SMSPMU), Gerson Scarton, nesta terça-feira (14), na Câmara Municipal de Várzea Grande. Os equipamentos, que já estão instalados, passam agora pelos ajustes finais de sinalização e aferição. De acordo com o cronograma da Prefeitura de Várzea Grande (PVG), a operação começará com um período educativo de 30 dias. Durante esse intervalo, os condutores que excederem o limite não serão multados. “Provavelmente, na próxima semana entram em operação com aquele prazo educativo de 30 dias. Nesse período não haverá multa, é uma fase de orientação. Após isso, passam a funcionar de forma efetiva”, detalhou o secretário Scarton. Locais estratégicos O monitoramento eletrônico foi concentrado em trechos de grande fluxo e histórico de acidentes. Na Avenida da FEB, os dispositivos foram posicionados nos dois sentidos: para quem segue em direção à ponte Júlio Müller (proximidades da Boi Bom e Posto Concórdia) e no sentido contrário (próximo à Havan). A Avenida João Ponce de Arruda e a Rodovia Mário Andreazza também receberão fiscalização intensificada. Ao todo, serão cinco novos pontos de controle, todos com velocidade máxima permitida de 60 km/h. Segundo Cidomar Arruda, coordenador de Mobilidade Urbana, a medida atende a estudos técnicos e solicitações da própria comunidade por mais segurança. “Nosso objetivo é preservar vidas, reduzir acidentes e organizar melhor o fluxo, principalmente em trechos onde há travessias”, afirmou. A gestão municipal reforça que todos os pontos estarão devidamente sinalizados, conforme as normas do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), garantindo a transparência antes do início da aplicação das penalidades. PONTOS DE FISCALIZAÇÃO ELETRÔNICA: - Av. da FEB: Próximo à Ponte Nova (sentido bairro). - Av. da FEB: Bairro Manga (sentido centro). - Av. da FEB: Região do Manga (sentido bairro/centro). - Av. João Ponce de Arruda: Sentido Aeroporto. - Rodovia Mário Andreazza: Sentido Rodovia da Guarita.
Por Gazeta Digital 15 de abril de 2026
O professor da Universidade Federal de Rondonópolis, Jofran Oliveira, publicou uma carta emocionante pedindo perdão ao filho de 3 anos, Levi José Trindade e Oliveira, que morreu no dia 19 de março após ser esquecido dentro de um carro no estacionamento do campus. No texto, o pai relembra a chegada do menino e o impacto que ele teve na vida da família. “Tenho o maior orgulho do mundo em ser o seu papaizito. Para sempre serei”, escreveu logo no início da carta. Ao longo do relato, ele descreve momentos simples e afetivos do cotidiano, como o carinho com a mãe e a relação com a irmã. “Eu nunca vou abandonar você”, relembrou ao citar uma frase dita pela criança, que, segundo ele, ficou marcada para sempre. O professor também resgata lembranças da convivência familiar e da alegria que o filho levava para dentro de casa. “Você sempre espalhou muita alegria e amor por onde passava”, escreveu. Em outro trecho, descreve o vazio deixado pela ausência: “Nossa casa parece um museu em sua homenagem”. A parte mais forte da carta é quando ele reconhece a própria falha e pede perdão. “Como pude esquecer a minha vida naquele carro?”, questiona. Em seguida, admite o peso da culpa: “Sem desculpas, só culpa. Meu mundo explodiu, meu coração quebrou em mil pedaços”. O pai afirma ainda que desejou trocar de lugar com o filho e que carregará a dor para sempre. “Perdão, meu amor. Perdão, meu filhinho”, escreveu. Em outro trecho, completa: “A minha fragilidade nos levou a uma tragédia, e eu levarei essa dor dentro do meu coração pelo resto da minha vida”. Apesar da dor, ele diz buscar forças na fé e no apoio recebido. “Deus e uma comunidade imensa estão conosco”, destacou, ao mencionar o suporte de familiares, amigos e pessoas que se sensibilizaram com o caso. A carta teve grande repercussão e comoveu moradores de Mato Grosso, principalmente pela sinceridade e pela forma intensa como o pai expressa o luto e o arrependimento diante da perda.
Por RepórterMT 14 de abril de 2026
O conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Guilherme Antonio Maluf, mandou suspender de chamamento público da MT Participações e Projetos S.A. (MTPar), estimado em R$ 637 milhões, para regularização de área em disputa e construção de moradias populares em Cuiabá. A decisão está no Diário Ofical do TCE.  Empresa Engemat, não selecionada declarou que a MTPar permitiu que sua concorrente, a Ecomind, corrigisse falhas de documentação no início do processo e alega que não teve o mesmo tratamento. Para Maluf, a adoção de critérios distintos comprometer o certame. "A continuidade dos atos pode resultar na consolidação de situação fática de difícil reversão, com potencial repercussão sobre a regularidade da contratação e sobre a proteção ao erário”, diz trecho da decisão. Maluf determinou a imediata suspenção do processo e não emita ordem de serviço. A decisão tem caráter provisório e pode cair durante apreciação do Plenário do TCE-MT.
Por RepórterMT 14 de abril de 2026
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na manhã de hoje (14) a operação Mil Faces, com foco na desarticulação de um grupo criminoso especializado em invasões de dispositivos informáticos e furtos eletrônicos por meio da criação de centenas de cadastros fraudulentos em uma provedora de telefonia de grande porte.  Na operação são cumpridas 13 ordens judiciais, sendo dois mandados de prisão preventiva, cinco mandados de busca e apreensão, três mandados de sequestro de bens e valores e três mandados de afastamento de sigilo telemático, expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias - Polo Cuiabá. Os mandados são cumpridos na cidade de Poxoreu em Mato Grosso e na região metropolitana de Vitória, estado do Espírito Santo. Os suspeitos são investigados pela prática dos crimes de associação criminosa, invasão de dispositivo informático qualificada, falsidade ideológica e furto qualificado mediante fraude eletrônica. As penas dos crimes, somadas, podem chegar a 19 anos de prisão. A investigação, conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), teve origem após anomalias detectadas pela provedora de telefonia que, em investigação interna, identificou um esquema criminoso que utilizava inteligência artificial para burlar os sistemas internos de segurança biométrica da empresa, mediante reconhecimento facial. O grupo criminoso era especializado em utilizar tecnologias de Inteligência Artificial generativa para criar biometrias faciais falsas, as chamadas deepfakes. Uma vez validada a identidade falsa, os criminosos realizavam o SIM swap (troca indevida de chip), assumindo o controle total da linha telefônica das vítimas e, consequentemente, tendo acesso a diversos serviços financeiros e de telefonia dos clientes. Além dos danos causados à empresa, centenas de consumidores de todo o Brasil sofreram prejuízos acessórios, como subtração de valores em contas digitais e inúmeras compras indevidas. Segundo o delegado responsável pelas investigações, Guilherme da Rocha, o uso de ferramentas de inteligência artificial generativa para subverter sistemas de segurança demonstra a evolução da criminalidade e reforça a necessidade dos órgãos de polícia judiciária se manterem qualificados e capacitados para investigações cada vez mais técnicas e complexas. Apoios operacionais A operação contou com o apoio da Coordenadoria de Enfrentamento ao Crime Organizado (Cecor), da Delegacia Regional de Primavera do Leste e da Delegacia de Polícia de Poxoréu. A operação também teve apoio da Polícia Civil do Estado de Espírito Santo, a qual deu cumprimento a um mandado de prisão e a mandados de busca e apreensão contra um investigado que residia no município de Cariacica, região metropolitana de Vitória. Nome da operação A operação “Mil Faces” foi assim batizada em razão da dinâmica delitiva, uma vez que os criminosos geraram centenas de fotografias fraudulentas para burlar os sistemas de segurança biométrica da empresa. Operação Pharus A operação integra os trabalhos do planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026, por meio da Operação Pharus, dentro do Programa Tolerância Zero Contra Facções Criminosas, voltado ao combate à criminalidade em todo o Estado.