Pérsio Landim: "preservar o produtor rural é preservar a economia do Brasil"
O aumento dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro tem provocado debates intensos entre produtores rurais, credores e agentes do mercado financeiro. Em meio a esse cenário, o advogado especialista em Direito do Agronegócio, Pérsio Landim, defende que a recuperação judicial deve ser vista não como um sinal de fracasso, mas como um mecanismo estratégico de reorganização e preservação da atividade produtiva.
Segundo Landim, o agronegócio enfrenta desafios cada vez mais complexos, incluindo oscilações climáticas, aumento dos custos de produção, instabilidade nos preços das commodities e restrições de crédito. Para ele, a recuperação judicial surge como uma alternativa legal capaz de permitir que empresas e produtores rurais superem momentos de crise sem interromper suas atividades.
"A recuperação judicial não foi criada para beneficiar maus gestores ou incentivar a inadimplência. Ela existe para preservar empresas viáveis, proteger empregos, manter a produção e assegurar que os compromissos possam ser renegociados de forma organizada e transparente", afirma.
O especialista destaca que o agro brasileiro possui características próprias que justificam um olhar diferenciado sobre os processos de reestruturação financeira. Diferentemente de outros setores da economia, a atividade rural está sujeita a fatores imprevisíveis, como secas, geadas, excesso de chuvas e variações cambiais, elementos que podem comprometer uma safra inteira e gerar impactos financeiros de longo prazo.
Para Landim, impedir ou dificultar o acesso dos produtores à recuperação judicial pode trazer consequências negativas para toda a cadeia produtiva. "Quando uma propriedade rural deixa de produzir por falta de condições financeiras, não perde apenas o produtor. Perdem os trabalhadores, os fornecedores, os municípios e a economia regional", ressalta.
Nos últimos anos, decisões judiciais têm consolidado o entendimento de que produtores rurais que atendam aos requisitos legais podem recorrer ao instituto da recuperação judicial. Esse movimento, segundo o advogado, representa um avanço na segurança jurídica do setor.
"O objetivo principal é garantir a continuidade da atividade econômica. O produtor precisa de condições para renegociar suas dívidas, reorganizar seu fluxo de caixa e voltar a gerar riqueza. A recuperação judicial é uma ferramenta de reconstrução, não de privilégio", explica.
Landim também rebate críticas de que o mecanismo prejudicaria credores. Para ele, a recuperação judicial oferece um ambiente mais eficiente para negociação do que a simples execução individual das dívidas. "Na maioria dos casos, a recuperação organizada proporciona melhores perspectivas de pagamento aos credores do que a falência ou a paralisação das atividades produtivas", argumenta.
Diante do atual cenário econômico, o advogado defende que a recuperação judicial deve ser compreendida como parte da modernização das relações de crédito no campo. "O agronegócio é um dos pilares da economia brasileira. Preservar empresas e produtores viáveis significa preservar a capacidade produtiva do país. A recuperação judicial é uma solução jurídica que fortalece o setor e contribui para sua sustentabilidade de longo prazo", conclui.
Com participação significativa no PIB nacional e papel fundamental na geração de empregos e divisas, o agronegócio brasileiro continua enfrentando desafios estruturais. Para especialistas como Pérsio Landim, a recuperação judicial não representa o fim de uma atividade, mas a oportunidade de recomeçar de forma organizada, garantindo que o campo continue produzindo e impulsionando a economia do Brasil.










