Julgamento dos acusados pelo assassinato de advogado entra no segundo dia em Cuiabá

Persio Oliveira • 29 de julho de 2026

O Tribunal do Júri dos três acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri será retomado na manhã de hoje (29), no Fórum de Cuiabá. Após o primeiro dia de julgamento, quando seis testemunhas foram ouvidas, hoje será ouvido Coraci Raimundo de Oliveira, arrolado pela defesa do réu Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusado de intermediar o crime. A transmissão ocorre no canal do Youtube do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Nessa terça-feira (28), foram ouvidos os delegados Nilson André Farias de Oliveira, da Polícia Civil, e Marco Bontempo, da Polícia Federal, além de José Marcos Marini, Mariana Costa Pinto, Lucilene Gonçalves da Silva e Edson Ricardo Pick, também delegado da Polícia Civil.


Entre os depoimentos de maior repercussão, o delegado da Polícia Federal Marco Bontempo afirmou que a última mensagem recebida no celular de Zampieri, cerca de cinco minutos após o homicídio, foi enviada pelo desembargador aposentado Sebastião de Moraes Filho. Segundo ele, o conteúdo chamou a atenção dos investigadores pelo tom de despedida e passou a integrar as linhas de apuração do caso.


Já o delegado Nilson Farias relatou que a investigação identificou ligações telefônicas entre o coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini Devargas, o executor confesso Antônio Gomes da Silva e o fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo, apontado como possível mandante do crime. Conforme o delegado, também foram encontradas no celular de Caçadini fotografias da cena do assassinato, trechos do processo judicial envolvendo Aníbal e registros relacionados ao planejamento da execução.


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Os réus Antônio Gomes da Silva, Etevaldo Luiz Caçadini Devargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa respondem por homicídio triplamente qualificado. De acordo com a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Antônio efetuou os disparos que mataram o advogado, Etevaldo teria oferecido R$ 40 mil pela execução e Hedilerson intermediado o contato entre o suposto mandante e o executor.


Antes do início do julgamento, a defesa de Caçadini afirmou à imprensa que o militar é inocente, classificou-o como "preso político" e sustentou que ele nunca conheceu Roberto Zampieri.


A sessão é presidida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal – Justiça Militar e Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá.


O caso


Roberto Zampieri foi assassinado a tiros em 5 de dezembro de 2023, quando chegava ao escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.

Segundo as investigações, o crime teria sido motivado por uma disputa judicial envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, avaliada em cerca de R$ 100 milhões. O fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo e sua esposa, Elenice Ballarotti Laurindo, são apontados como os supostos mandantes do homicídio.


A execução do advogado também desencadeou outras investigações de grande repercussão nacional, entre elas a Operação Sisamnes, da Polícia Federal, que apura um suposto esquema de venda de decisões judiciais, e as apurações sobre o grupo autodenominado Comando C4 ("Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos"), investigado por homicídios sob encomenda.


Por Gazeta Digital 29 de julho de 2026
A corrida eleitoral de 2026 em Mato Grosso será disputada com os mesmos tetos de gastos de quatro anos, na campanha de 2022. Os valores, oficializados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), permitem que candidatos ao Palácio Paiaguás invistam até R$ 10.673.283,69. Conforme a publicação da portaria do TSE, no primeiro turno da campanha os candidatos investirão até R$ 7.115.522,46. Caso a disputa seja decidida em segundo turno, o candidato poderá utilizar um acréscimo de R$ 3.557.761,23, elevando o teto total para R$ 10,6 milhões. Para os candidatos ao Senado, o limite de gastos foi fixado em R$ 3.811.887,03. Já quem disputar uma vaga na Câmara dos Deputados poderá gastar até R$ 3.176.572,53, enquanto os candidatos à Assembleia Legislativa de Mato Grosso terão teto de R$ 1.270.629,01. Segundo o TSE, os valores foram mantidos porque não houve alteração na legislação eleitoral e o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) permaneceu em R$ 4,9 bilhões, o mesmo montante destinado às eleições de 2022. A Corte entendeu que um reajuste dos limites poderia comprometer o equilíbrio financeiro das campanhas e das políticas de inclusão previstas na legislação. O teto considera não apenas as despesas contratadas diretamente pelos candidatos, mas também transferências financeiras para outros candidatos ou partidos, além de doações estimáveis em dinheiro, como bens e serviços cedidos às campanhas. Quem ultrapassar o limite estabelecido estará sujeito ao pagamento de multa correspondente a 100% do valor excedente. Além da penalidade financeira, o excesso de gastos poderá caracterizar abuso de poder econômico e motivar ações na Justiça Eleitoral, com possibilidade de outras sanções previstas na legislação.
Por Persio Oliveira 29 de julho de 2026
O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado de Mato Grosso (Gaeco-MT) prestou apoio, na manhã desta quarta-feira (29), ao cumprimento de mandados judiciais em Cuiabá e Várzea Grande durante uma operação coordenada pelo Gaeco da Bahia contra uma organização criminosa investigada por estelionato eletrônico e lavagem de capitais. Ao todo, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros que ultrapassam R$ 10,8 milhões. As medidas foram autorizadas pela 1ª Vara das Garantias de Salvador (BA). Segundo as investigações, o grupo atuava de forma organizada na aplicação de golpes eletrônicos e na movimentação dos valores obtidos por meio das fraudes. De acordo com o Gaeco da Bahia, as principais vítimas eram idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade, abordados por criminosos por meio de aplicativos de mensagens. Os suspeitos utilizavam perfis falsos e se passavam por familiares ou conhecidos para conquistar a confiança das vítimas e convencê-las a realizar transferências bancárias. Além das prisões e buscas, a decisão judicial determinou o bloqueio de contas e outras medidas patrimoniais para garantir eventual ressarcimento às vítimas e impedir a ocultação dos recursos obtidos com os golpes. As diligências em Mato Grosso contaram com o apoio de equipes da Força Tática do 1º e 2º Comandos Regionais, além de policiais do Grupo de Apoio (GAP) do 1º e 3º Batalhões da Polícia Militar. O Gaeco é uma força-tarefa permanente coordenada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), com participação da Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e Sistema Socioeducativo.
Por Gazeta Digital 29 de julho de 2026
A concessionária Rota dos Grãos aguarda autorização da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) para iniciar a operação do sistema de pedágio eletrônico sem cancelas (Free Flow) na MT-130. A tecnologia, já instalada ao longo dos 140 quilômetros que ligam Primavera do Leste a Paranatinga (231 e 373 km de Cuiabá, respectivamente), visa dar mais fluidez ao escoamento da produção agrícola na região e ao trânsito. O método está em fase de teste e ainda não há cobranças. O modelo substituirá as paradas tradicionais por uma cobrança automática baseada no trecho efetivamente percorrido. Quando a operação for liberada, as praças de pedágio atuais passarão a funcionar com as cancelas abertas. Como vai funcionar O sistema conta com pórticos instalados em seis pontos estratégicos da rodovia: Veículos com TAG: A leitura é feita automaticamente ao passar pelos pórticos, sem necessidade de reduzir a velocidade. Veículos sem TAG: A placa é identificada por câmeras. O motorista tem até 30 dias para efetuar o pagamento pelo site oficial ( rotadosgraos130.com.br ) ou pelo aplicativo da concessionária. Para apoiar a transição, a Rota dos Grãos disponibilizará totens de autoatendimento na sede em Primavera do Leste e na Base de Serviços Operacionais, além de vans itinerantes para orientação ao longo da pista. Impactos operacionais e ambientais Segundo a concessionária, o fim das paradas e arranques nas praças de pedágio reduz o tempo de viagem e o consumo de combustível, diminuindo a emissão de CO₂ e a poluição sonora. "O Free Flow oferece uma cobrança mais justa, já que o usuário paga apenas pelo trecho percorrido. É uma tecnologia que traz fluidez e eficiência para uma rota estratégica do agronegócio", afirmou o CEO da Rota dos Grãos, Luiz Sette. Para o CFO da concessionária, Wagner Fernandes, a medida alia inovação e sustentabilidade: "Nosso objetivo é oferecer uma viagem mais segura e ágil, mantendo a excelência dos serviços prestados na rodovia."
Por Gazeta Digital 29 de julho de 2026
A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quarta-feira (29), a Operação Libertas, para cumprir 5 mandados de prisão preventiva e 4 de busca e apreensão contra integrantes de um grupo criminoso investigado por extorsões contra comerciantes de Nova Mutum (a 264 km ao norte de Cuiabá). A operação é conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Nova Mutum e apura a atuação de uma organização criminosa estruturada, com divisão de funções entre os integrantes. Segundo as investigações, membros de uma facção criminosa exigiam pagamentos periódicos de comerciantes da cidade sob ameaça. A cobrança funcionava como uma espécie de “taxa” para que os empresários pudessem manter normalmente suas atividades comerciais. Os valores exigidos variavam entre R$ 150 e R$ 300 por estabelecimento. As ameaças eram feitas de diferentes maneiras. Em alguns casos, os criminosos entravam em contato por telefone para cobrar os valores. Em outras situações, integrantes do grupo compareciam pessoalmente aos estabelecimentos para intimidar as vítimas e reforçar as cobranças. De acordo com a Polícia Civil, a prática criou um ambiente de medo entre os comerciantes, que eram constrangidos a realizar os pagamentos para evitar possíveis represálias. Prisões e buscas Ao todo, são cumpridos 5 mandados de prisão preventiva e 4 de busca e apreensão domiciliar em Cuiabá e Nova Mutum.Na Capital, os trabalhos contam com apoio da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc) e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core). Além das medidas cautelares, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros dos investigados e o sequestro de um veículo Honda HR-V EX, ano/modelo 2025/2026, avaliado em aproximadamente R$ 159,9 mil. O automóvel é apontado como possível produto ou proveito das atividades criminosas investigadas. Patrimônio incompatível Durante as investigações, um dos principais alvos chamou a atenção dos policiais pelo rápido crescimento patrimonial. Segundo a Polícia Civil, o investigado possui extenso histórico criminal e havia obtido progressão de regime em agosto de 2025. No entanto, não foram identificadas fontes formais de renda compatíveis com a aquisição do veículo Honda HR-V. A situação levantou suspeitas de que o automóvel pudesse ter sido adquirido com recursos provenientes das atividades criminosas, reforçando os indícios de lavagem de capitais. Por esse motivo, a Justiça determinou o sequestro do veículo. As medidas adotadas nesta quarta-feira têm como objetivo inteInterromper atuação do grupo criminoso, impedir a continuidade das extorsões e preservar a ordem pública. A operação também busca descapitalizar a organização criminosa, retirando recursos e bens que possam ter sido obtidos por meio das atividades ilícitas. Nome da operação O nome Libertas vem do latim e significa “liberdade”. Segundo a Polícia Civil, a denominação faz referência ao principal objetivo da investigação: devolver aos comerciantes de Nova Mutum a liberdade para exercer suas atividades econômicas sem sofrer ameaças, intimidações ou cobranças impostas por organizações criminosas.
Por Gazeta Digital 28 de julho de 2026
A gestão da prefeita Flávia Moretti (PL) garantiu, nesta terça-feira (28), o apoio do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) para buscar soluções para a dívida de precatórios de Várzea Grande, que supera R$ 1 bilhão. O principal encaminhamento foi a instalação de uma mesa técnica para construir alternativas que reduzam o impacto do passivo nas finanças do município. Ao defender a criação da mesa técnica, a prefeita Flávia Moretti destacou que a atual gestão herdou uma dívida construída ao longo de décadas e buscou o apoio do Tribunal de Contas para encontrar soluções conjuntas, garantindo segurança jurídica, equilíbrio fiscal e a continuidade dos serviços públicos. "Buscamos o Tribunal de Contas porque entendemos que esse é um problema histórico, que não pode ser enfrentado isoladamente pelo Município. Precisamos construir soluções junto aos órgãos de controle e ao Poder Judiciário para garantir segurança jurídica, preservar a capacidade financeira da Prefeitura e continuar investindo e prestando serviços de qualidade à população", afirmou. A prefeita ressaltou que, em apenas um ano e meio de gestão, o município já destinou mais de R$ 80 milhões ao pagamento de precatórios. Segundo ela, enquanto administrações anteriores desembolsavam entre R$ 700 mil e R$ 800 mil por mês, atualmente Várzea Grande paga cerca de R$ 6 milhões mensais para cumprir o cronograma de quitação das dívidas judiciais. "Temos um precatório de 1988 que hoje soma R$ 190 milhões. Cerca de 80% dos precatórios de Várzea Grande são de natureza alimentar, referentes a direitos trabalhistas, verbas indenizatórias e enquadramentos de servidores. Também há aproximadamente R$ 500 milhões em precatórios relacionados ao pagamento de contas de energia elétrica do DAE, acumuladas ao longo de décadas. Em gestões passadas, o município pagava entre R$ 700 mil e R$ 800 mil por mês. Hoje, nossa parcela mensal é de R$ 6 milhões, resultado da negociação de dívidas passadas somadas às parcelas atuais", explicou. Entre as medidas discutidas estão o apoio do TCE à aprovação do projeto de lei que autoriza acordos diretos entre o Município e os credores de precatórios, atualmente em tramitação na Câmara Municipal, além da discussão sobre mudanças na legislação estadual de distribuição do ICMS. A iniciativa foi proposta pela prefeita Flávia Moretti ao conselheiro Antônio Joaquim e conta com o apoio do presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo. A mesa técnica reúne representantes da Prefeitura de Várzea Grande, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), da Câmara Municipal, do Departamento de Água e Esgoto (DAE), da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) e de outras instituições envolvidas na construção de soluções para o passivo histórico do município. O presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, destacou que o problema foi construído ao longo de sucessivas administrações e reafirmou o compromisso da instituição em colaborar para que Várzea Grande encontre alternativas capazes de recuperar sua capacidade financeira. "Estamos discutindo, junto ao município, formas de amenizar essa situação, pois Várzea Grande vive um momento muito difícil. A prefeita Flávia está enfrentando problemas herdados de administrações anteriores. O município está inviabilizado por conta dessa dívida bilionária de precatórios. Ela está na gestão há apenas um ano e meio e não foi responsável pela origem desses problemas. O DAE, por exemplo, acumulou uma dívida superior a meio bilhão de reais por não conseguir quitar contas de energia elétrica ao longo dos anos", afirmou. O conselheiro Antônio Joaquim enfatizou que a mesa técnica deverá atuar em duas frentes prioritárias: apoiar a aprovação do projeto de lei que autoriza acordos diretos entre o Município e os credores de precatórios e discutir alterações na legislação estadual que modificou os critérios de distribuição do ICMS. "O debate avançou para além da instalação da mesa técnica. Precisamos entender por que o projeto que autoriza a negociação direta com os credores ainda não foi aprovado. Junto com o presidente Sérgio Ricardo, vamos dialogar com a Câmara Municipal para que essa matéria seja votada o quanto antes. Outro ponto importante é a legislação do ICMS, cuja alteração reduziu significativamente os recursos destinados às cidades mais populosas. Em Várzea Grande, essa mudança representou uma perda superior a R$ 400 milhões", pontuou. Atualmente, Várzea Grande desembolsa cerca de R$ 6 milhões por mês para cumprir o cronograma de pagamento dos precatórios. Além da dívida histórica, a situação financeira foi agravada pelo bloqueio judicial de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), pelas mudanças na distribuição do ICMS e pela incorporação dos precatórios do Departamento de Água e Esgoto (DAE) à dívida municipal, fatores que levaram a administração a decretar calamidade financeira.
Por Gazeta Digital 28 de julho de 2026
De olho em uma das vagas ao Senado por Mato Grosso nas eleições deste ano, o ex-governador Mauro Mendes (União) decidiu recalibrar o discurso e adotar um tom bem mais cauteloso em relação à ofensiva contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Em aceno de recuo, Mendes deu declarações em que relativiza o apoio ao pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, uma das principais pautas impostas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para conceder avais políticos na disputa eleitoral no estado. Se antes o pré-candidato do União Brasil usava falas mais assertivas para se alinhar à ala conservadora, indicando ter "coragem para assinar e votar" pelo afastamento de um integrante da Suprema Corte, agora o tom é de distanciamento pragmático dos processos legais. “Eu não conheço muito bem os processos, mas eu acho que tem muita coisa que precisa ter uma dosimetria, precisa melhorar essa relação das instituições e dos poderes, e o Congresso Nacional tem papel importante nisso”, afirmou Mendes durante entrevista à rádio Jovem Pan em Cuiabá. Leia também - TJMT mantém decretação de falência do Grupo Libra Bioenegia Ao tentar se equilibrar entre a prudência institucional e a retórica de firmeza, o ex-governador também distribuiu críticas aos parlamentares do campo conservador que adotam uma postura combativa apenas no campo virtual. “Tem que ter senadores ali com coragem, porque fazer videozinho, todo mundo faz. Tem muita gente aí que só faz barulho, tem muita gente que é macho nas redes sociais, na hora do vamos ver é uma gazela”, disparou Mendes. Apesar da fala mais contida sobre a abertura formal de um processo contra Moraes, o político fez questão de ressaltar o princípio da isonomia para não romper totalmente com a base antipetista. “Ninguém pode estar acima da lei. Se já fizemos impeachment de presidente, mais de uma vez, nesse país, já fizemos impeachment de governadores, de deputados, de juízes, de desembargadores. Um monte de gente já foi tirada do cargo porque fez coisa errada, então não tem como. Até o próprio ministro do Supremo defende que, se fizer coisa errada e comprovar, tem que tirar mesmo”, complementou. Ruído na base bolsonarista e cálculo eleitoral A mudança de tom promete gerar forte repercussão na militância e no eleitorado bolsonarista do estado, que trata o apoio ostensivo ao impeachment de ministros do STF como um teste de fidelidade indispensável. Para esse grupo, o tribunal, e de forma mais direta o ministro Alexandre de Moraes, promove uma perseguição sistemática à direita e ao próprio ex-presidente. O movimento de pragmatismo expõe o malabarismo político do ex-governador. Mauro Mendes tentou até o último momento construir uma aliança sólida e direta com Bolsonaro em Mato Grosso, visando capitalizar o expressivo voto conservador no estado para alavancar sua candidatura ao Senado. Contudo, ao recuar da pauta mais radical exigida pelo ex-presidente, Mendes tenta preservar pontes institucionais e afastar a imagem de radicalismo, assumindo o risco de abrir espaço para contestação interna dentro da própria direita local.
Por Gazeta Digital 28 de julho de 2026
Os rumores de que a deputada Janaina Riva (MDB) será vice de Otaviano Pivetta (Republicanos) na disputa pelo Governo do Estado ganham contornos cada vez mais concretos. Após a confirmação da parlamentar de que se reuniria com o vice-governador, Pivetta endossou as tratativas e disse que o encontro deve ocorrer até o fim desta semana. Para ele, o apoio da liderança do MDB é “importante e estratégico”. Na convenção do PSDB, nesta terça-feira (28), Pivetta afirmou que tem dialogado com partidos aliados para definir os rumos do grupo e obter o maior apoio possível. “Tenho conversado com todos os partidos e lideranças para fazer a coligação mais ampla possível, visando à governabilidade e à qualidade do governo. Não podemos fazer alianças que não sejam republicanas, com pessoas que não tenham objetivos comuns. A Janaina é uma liderança importante no cenário político de Mato Grosso e tem relevância estratégica. Estamos considerando e conversando com ela e com os partidos de sua base”, admitiu em entrevista. Questionado se o nome da deputada seria lançado ao Senado ou à sua chapa como vice, Pivetta desconversou. “Ela pode ser tanto senadora como vice, não tem nada decidido. A reunião deve acontecer até o fim desta semana”, disse. A confirmação da aproximação entre Janaina e Pivetta foi divulgada pelo jornal A Gazeta nesta terça-feira. Os rumores sobre a composição de chapa já circulavam há meses e ganharam força nas últimas semanas. A emedebista, no entanto, vinha negando a aliança e mantinha o discurso de que seu foco principal era a disputa ao Senado.
Por Gazeta Digital 28 de julho de 2026
Após 1h50 de atraso, teve início na manhã desta terça-feira (28) o júri popular dos acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto em dezembro de 2023, em Cuiabá. A primeira testemunha a ser ouvida é o delegado da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Nilson Farias. Delegado há 12 anos e há 3 atuando na especializada, ele presidiu as investigações desde o início, incluindo o inquérito que apurou os supostos mandantes do crime. Em depoimento, Nilson Farias relatou que esteve no local logo após o assassinato e descreveu a cena encontrada pela equipe policial. "Quando cheguei ao Bosque da Saúde, havia uma caminhonete com o advogado alvejado em seu interior. O local já estava preservado pela Polícia Militar, Politec e IML. Fizemos os procedimentos iniciais, conversamos com familiares e pessoas próximas para tentar compreender a dinâmica do homicídio", afirmou. O delegado contou ainda que a vítima foi encontrada no banco do motorista e que havia dinheiro em sua posse, além do celular, que permaneceu dentro do veículo. "Foram apreendidos mais de R$ 10 mil com ele. O celular também estava no carro", disse. Questionado pela defesa se esses elementos afastavam a hipótese de latrocínio, o delegado respondeu que nenhuma linha investigativa foi descartada naquele momento. "O fato de não terem levado o dinheiro já indicava um homicídio, mas, naquele estágio da investigação, nenhuma hipótese podia ser descartada", explicou. Durante o depoimento, Nilson Farias também informou que Roberto Zampieri possuía um veículo blindado, mas que, no dia do crime, utilizava outro automóvel, sem blindagem. Durante o depoimento, o delegado Nilson Farias afirmou que, ainda nas primeiras diligências, o irmão de Roberto Zampieri apontou um possível nome ligado ao crime e relatou uma situação considerada incomum pela família. Segundo o delegado, o irmão contou que, dias antes do assassinato, surgiu uma pessoa interessada em comprar uma fazenda. A proposta chamou a atenção da família, que chegou a considerar a história um "papo de maluco". Apesar da desconfiança dos familiares, conforme o depoimento, Roberto Zampieri acreditava que havia algo por trás da abordagem. "O irmão disse que o Roberto acreditava no que ninguém acreditava", relatou o delegado durante o julgamento. Mas, foi na oitiva do sócio da vítima que o delegado descobriu que a pessoa interessada em comprar a fazenda era Antônio Gomes, apontado como executor do crime. "Oitiva do sócio possibilitou identificar o cliente. Foi a partir daí que chegamos até Antônio Gomes", afirmou o delegado durante o julgamento. Buscava encontro Em depoimento ao Tribunal do Júri, o delegado Nilson Farias afirmou que Antônio Gomes da Silva esteve mais de uma vez no escritório de Roberto Zampieri antes do assassinato. Segundo a investigação, Antônio se apresentava como interessado na compra de uma fazenda e dizia que um sobrinho havia vendido terras no estado do Texas, nos Estados Unidos, e que teria cerca de R$ 200 milhões disponíveis para investir na negociação. Ainda conforme o delegado, o suspeito marcava encontros com o advogado, mas as reuniões não chegavam a acontecer. As imagens analisadas pela Polícia Civil mostram Antônio circulando pela cidade usando muletas e boina, em uma tentativa de dificultar sua identificação. "O que mais me intrigou foi o fato de ele esconder o rosto, aparentemente disfarçado, mas utilizar o nome verdadeiro", afirmou Nilson Farias. A partir das diligências, a DHPP identificou o hotel onde Antônio estava hospedado e iniciou um trabalho para reunir imagens de câmeras de segurança antes que fossem apagadas. Segundo o delegado, foi possível reconstruir o trajeto percorrido pelo suspeito. "Conseguimos fazer um mutirão para localizar as imagens e reconstruir o caminho feito por ele. Há registros dele circulando pela cidade antes e depois do crime", disse. Durante o julgamento, também foram exibidas imagens que mostram Antônio Gomes caminhando ao lado de outro homem, identificado pela investigação como Hedilerson Fialho Martins Barbosa, nas proximidades do local do homicídio, horas antes da execução. Nas gravações, Antônio aparece carregando uma caixa que, segundo a investigação, foi utilizada para transportar a arma do crime. O delegado explicou que o estojo foi posteriormente localizado e que havia preocupação em não deixá-lo no local porque a arma pertencia a Hedilerson. Delatou os amigos Ao responder aos questionamentos do Ministério Público, o delegado afirmou que não participou dos interrogatórios dos acusados, mas confirmou que Antônio Gomes confessou ter sido o executor do assassinato de Roberto Zampieri. Segundo o delegado, Antônio relatou que era amigo de Hedilerson Fialho Martins Barbosa, que o apresentou ao coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas. Inicialmente, o encontro teria ocorrido para a realização de um serviço de construção, mas, conforme a investigação, posteriormente surgiu a proposta para a execução do advogado. Ainda de acordo com o depoimento, Antônio delatou os dois corréus durante as investigações, apontando primeiro Hedilerson e, em seguida, o coronel Caçadini como envolvidos no crime. Nilson Farias também informou aos jurados que o exame de balística confirmou que a arma apreendida durante a investigação foi a mesma utilizada no homicídio de Roberto Zampieri. Atualizada às 10h05 - A sessão, presidida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, que estava marcada para começar 9h já está uma hora atrasada. A transmissão ainda não começou pelo canal oficial do TJMT. Representam a acusação os promotores do Ministério Público Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva. À imprensa, a defesa do coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, acusado de ser mandante do crime, afirmou que ele é "preso político" e que ele sequer conhecia a vítima. Busca no celular pelo endereço da vítima "Quando concluí o inquérito, eu não me senti confiante para indicar a Maria Angélica. O Antônio dizia que havia tratado com uma pessoa do sexo masculino, com sotaque italiano. Então, eu não tinha convencimento para apontá-la", afirmou. O delegado relatou que, com o avanço das investigações e a quebra de sigilos telemáticos, surgiram novos elementos que levaram a Polícia Civil até Aníbal Manoel Laurindo. Conforme o depoimento, a análise dos registros telefônicos mostrou que, após o assassinato, o coronel Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas fez uma ligação para Antônio Gomes da Silva e, na sequência, Antônio entrou em contato com Aníbal Manoel Laurindo. "Depois do crime houve uma ligação do Caçadini para o Antônio e, em seguida, do Antônio para o Aníbal", disse. A investigação também identificou uma disputa judicial envolvendo uma fazenda avaliada em R$ 100 milhões. Segundo Nilson Farias, foi nesse processo que a polícia encontrou um dos principais indícios da motivação do crime. O delegado afirmou que, em 9 de outubro de 2023, Roberto Zampieri protocolou um pedido de apresentação de provas na ação cível relacionada à propriedade rural. Na mesma data, de acordo com a quebra de dados, foi realizada uma pesquisa pelo endereço do advogado no celular de Caçadini. "Para nós, esse foi o estopim. É ali que começa a análise para a prática do homicídio", declarou. Ainda conforme o delegado, o cruzamento das provas reforçou a linha investigativa adotada pela DHPP. "Foi onde foi fechando a linha. Com a quebra de dados, isso ficou evidente. No dia do homicídio, eles também se comunicam", afirmou. Ao final do depoimento, Nilson Farias reiterou que a conclusão da Polícia Civil é de que Aníbal Manoel Laurindo atuou como um dos mandantes do assassinato de Roberto Zampieri. O júri Começa na manhã desta terça-feira (28), no Fórum de Cuiabá, o júri popular de Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto em dezembro de 2023. Os 3 respondem por homicídio qualificado por promessa de recompensa, recurso que dificultou a defesa da vítima, emprego de arma de fogo de uso restrito e concurso de pessoas. Conforme a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Antônio Gomes da Silva é apontado como o autor dos disparos que mataram o advogado. Já Hedilerson Fialho Martins Barbosa, integrante do Exército e instrutor de tiro, teria atuado como intermediário do crime, sendo responsável por contratar o executor e fornecer a arma utilizada na execução. O coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas é acusado de financiar o homicídio.
Por RepórterMT 28 de julho de 2026
Os três acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri vão a julgamento pelo Tribunal do Júri hoje (28), a partir das 9h, no Fórum de Cuiabá. A sessão será presidida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal – Justiça Militar e Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá. Sentam no banco dos réus Antônio Gomes da Silva , Etevaldo Luiz Caçadini Devargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa , denunciados pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) por homicídio triplamente qualificado. Ao longo do julgamento, estão previstas as oitivas de testemunhas de acusação e defesa, entre elas delegados da Polícia Civil e da Polícia Federal, investigadores, analistas de inteligência e outras pessoas ligadas à investigação do caso. A acusação será conduzida pelos promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva. Já a defesa será feita pelos advogados Felipe André Laranjo, Ronaldo Lara Junior, Sarah Quinetti Pironi, Jayme Rodrigues Carvalho Junior e Patrick Igor Lopes Alves. A sessão será transmitida ao vivo pelo canal oficial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso no YouTube. Segundo a denúncia do MPMT, Antônio Gomes da Silva teria sido o autor dos disparos que mataram o advogado. Etevaldo Luiz Caçadini Devargas é apontado como o responsável por oferecer a recompensa para a execução do crime, que, conforme os autos, teria sido de R$ 40 mil. Já Hedilerson Fialho Martins Barbosa é acusado de intermediar o contato entre o suposto mandante e o executor. O processo passou pela fase de instrução, com oitiva de testemunhas e interrogatório dos acusados. Após a decisão de pronúncia, as defesas recorreram, mas desistiram dos recursos, permitindo que o caso fosse levado a júri popular. Os três réus permanecem presos preventivamente. O crime  Roberto Zampieri foi assassinado a tiros em 5 de dezembro de 2023, quando chegava ao escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. De acordo com a denúncia aceita pela Justiça, o homicídio foi praticado mediante paga ou promessa de recompensa, com recurso que dificultou a defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito. Paralelamente ao processo que será julgado pelo Tribunal do Júri, há uma investigação em andamento para apurar a participação de possíveis mandantes do crime. O procedimento tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Cristiano Zanin.
Por Gazeta Digital 28 de julho de 2026
Deputada estadual Janaina Riva (MDB) confirma que terá reunião decisiva nesta semana com o governador e pré-candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos) para selar sua entrada na chapa governista como vice-governadora. Com isso, a parlamentar recuaria do projeto ao Senado. A possibilidade da dobradinha foi antecipada por A Gazeta na última semana, quando interlocutores nacionais e estaduais de MDB e Republicanos passaram a tratar a aliança como praticamente definida e celebraram o avanço das negociações para reunir os dois partidos na disputa pelo Palácio Paiaguás. As articulações já se arrastam há semanas, embora tanto Pivetta quanto Janaina evitem admitir publicamente a negociação. A própria deputada reconhece que ainda não conversou diretamente do assunto com o governador. As tratativas são conduzidas pelo empresário Eraí Maggi. Um dos principais objetivos da articulação que visa levar a emedebista ao Paiaguás é fortalecer o projeto de reeleição do senador Carlos Fávaro (PSD) - que conta com apoio declarado de Eraí. Nos bastidores, um dos principais pontos ainda em discussão para sacramentar a dobradinha é a sucessão estadual de 2030. A expectativa é de que um eventual entendimento inclua a participação efetiva de Janaina na futura administração e estabeleça um alinhamento político sobre a construção do projeto para a eleição seguinte. Apesar do avanço das conversas, a deputada mantém cautela e afirma que qualquer definição também depende do resultado da convenção do União Brasil, marcada para a próxima quinta-feira (30). REJEIÇÃO E ISOLAMENTO Outro fator que fortaleceu a aproximação foi a decisão do PL de rejeitar uma aliança com o MDB, embora os emedebistas tenham declarado apoio ao senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em 17 estados. Apesar dos esforços do senador e pré-candidato ao Governo do Estado, Wellington Fagundes (PL), sogro de Janaina, que defendia a composição com o MDB, prevaleceu o entendimento do deputado federal José Medeiros (PL), que também disputará uma das vagas ao Senado. Sem um palanque competitivo para sustentar uma candidatura ao Senado, a permanência de Janaina na disputa passou a ser vista como um movimento de maior risco político, sobretudo diante da estratégia do MDB de ampliar suas bancadas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Caso a aliança seja oficializada, Republicanos e MDB voltarão a integrar o mesmo bloco político liderado por Otaviano Pivetta e pelo ex-governador Mauro Mendes, mantendo também o União Brasil na base, caso prevaleça o grupo comandado por Mendes na convenção da legenda. A principal exceção seguirá sendo o PL.