Por Gazeta Digital
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28 de julho de 2026
Após 1h50 de atraso, teve início na manhã desta terça-feira (28) o júri popular dos acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto em dezembro de 2023, em Cuiabá. A primeira testemunha a ser ouvida é o delegado da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Nilson Farias. Delegado há 12 anos e há 3 atuando na especializada, ele presidiu as investigações desde o início, incluindo o inquérito que apurou os supostos mandantes do crime. Em depoimento, Nilson Farias relatou que esteve no local logo após o assassinato e descreveu a cena encontrada pela equipe policial. "Quando cheguei ao Bosque da Saúde, havia uma caminhonete com o advogado alvejado em seu interior. O local já estava preservado pela Polícia Militar, Politec e IML. Fizemos os procedimentos iniciais, conversamos com familiares e pessoas próximas para tentar compreender a dinâmica do homicídio", afirmou. O delegado contou ainda que a vítima foi encontrada no banco do motorista e que havia dinheiro em sua posse, além do celular, que permaneceu dentro do veículo. "Foram apreendidos mais de R$ 10 mil com ele. O celular também estava no carro", disse. Questionado pela defesa se esses elementos afastavam a hipótese de latrocínio, o delegado respondeu que nenhuma linha investigativa foi descartada naquele momento. "O fato de não terem levado o dinheiro já indicava um homicídio, mas, naquele estágio da investigação, nenhuma hipótese podia ser descartada", explicou. Durante o depoimento, Nilson Farias também informou que Roberto Zampieri possuía um veículo blindado, mas que, no dia do crime, utilizava outro automóvel, sem blindagem. Durante o depoimento, o delegado Nilson Farias afirmou que, ainda nas primeiras diligências, o irmão de Roberto Zampieri apontou um possível nome ligado ao crime e relatou uma situação considerada incomum pela família. Segundo o delegado, o irmão contou que, dias antes do assassinato, surgiu uma pessoa interessada em comprar uma fazenda. A proposta chamou a atenção da família, que chegou a considerar a história um "papo de maluco". Apesar da desconfiança dos familiares, conforme o depoimento, Roberto Zampieri acreditava que havia algo por trás da abordagem. "O irmão disse que o Roberto acreditava no que ninguém acreditava", relatou o delegado durante o julgamento. Mas, foi na oitiva do sócio da vítima que o delegado descobriu que a pessoa interessada em comprar a fazenda era Antônio Gomes, apontado como executor do crime. "Oitiva do sócio possibilitou identificar o cliente. Foi a partir daí que chegamos até Antônio Gomes", afirmou o delegado durante o julgamento. Buscava encontro Em depoimento ao Tribunal do Júri, o delegado Nilson Farias afirmou que Antônio Gomes da Silva esteve mais de uma vez no escritório de Roberto Zampieri antes do assassinato. Segundo a investigação, Antônio se apresentava como interessado na compra de uma fazenda e dizia que um sobrinho havia vendido terras no estado do Texas, nos Estados Unidos, e que teria cerca de R$ 200 milhões disponíveis para investir na negociação. Ainda conforme o delegado, o suspeito marcava encontros com o advogado, mas as reuniões não chegavam a acontecer. As imagens analisadas pela Polícia Civil mostram Antônio circulando pela cidade usando muletas e boina, em uma tentativa de dificultar sua identificação. "O que mais me intrigou foi o fato de ele esconder o rosto, aparentemente disfarçado, mas utilizar o nome verdadeiro", afirmou Nilson Farias. A partir das diligências, a DHPP identificou o hotel onde Antônio estava hospedado e iniciou um trabalho para reunir imagens de câmeras de segurança antes que fossem apagadas. Segundo o delegado, foi possível reconstruir o trajeto percorrido pelo suspeito. "Conseguimos fazer um mutirão para localizar as imagens e reconstruir o caminho feito por ele. Há registros dele circulando pela cidade antes e depois do crime", disse. Durante o julgamento, também foram exibidas imagens que mostram Antônio Gomes caminhando ao lado de outro homem, identificado pela investigação como Hedilerson Fialho Martins Barbosa, nas proximidades do local do homicídio, horas antes da execução. Nas gravações, Antônio aparece carregando uma caixa que, segundo a investigação, foi utilizada para transportar a arma do crime. O delegado explicou que o estojo foi posteriormente localizado e que havia preocupação em não deixá-lo no local porque a arma pertencia a Hedilerson. Delatou os amigos Ao responder aos questionamentos do Ministério Público, o delegado afirmou que não participou dos interrogatórios dos acusados, mas confirmou que Antônio Gomes confessou ter sido o executor do assassinato de Roberto Zampieri. Segundo o delegado, Antônio relatou que era amigo de Hedilerson Fialho Martins Barbosa, que o apresentou ao coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas. Inicialmente, o encontro teria ocorrido para a realização de um serviço de construção, mas, conforme a investigação, posteriormente surgiu a proposta para a execução do advogado. Ainda de acordo com o depoimento, Antônio delatou os dois corréus durante as investigações, apontando primeiro Hedilerson e, em seguida, o coronel Caçadini como envolvidos no crime. Nilson Farias também informou aos jurados que o exame de balística confirmou que a arma apreendida durante a investigação foi a mesma utilizada no homicídio de Roberto Zampieri. Atualizada às 10h05 - A sessão, presidida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, que estava marcada para começar 9h já está uma hora atrasada. A transmissão ainda não começou pelo canal oficial do TJMT. Representam a acusação os promotores do Ministério Público Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva. À imprensa, a defesa do coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, acusado de ser mandante do crime, afirmou que ele é "preso político" e que ele sequer conhecia a vítima. Busca no celular pelo endereço da vítima "Quando concluí o inquérito, eu não me senti confiante para indicar a Maria Angélica. O Antônio dizia que havia tratado com uma pessoa do sexo masculino, com sotaque italiano. Então, eu não tinha convencimento para apontá-la", afirmou. O delegado relatou que, com o avanço das investigações e a quebra de sigilos telemáticos, surgiram novos elementos que levaram a Polícia Civil até Aníbal Manoel Laurindo. Conforme o depoimento, a análise dos registros telefônicos mostrou que, após o assassinato, o coronel Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas fez uma ligação para Antônio Gomes da Silva e, na sequência, Antônio entrou em contato com Aníbal Manoel Laurindo. "Depois do crime houve uma ligação do Caçadini para o Antônio e, em seguida, do Antônio para o Aníbal", disse. A investigação também identificou uma disputa judicial envolvendo uma fazenda avaliada em R$ 100 milhões. Segundo Nilson Farias, foi nesse processo que a polícia encontrou um dos principais indícios da motivação do crime. O delegado afirmou que, em 9 de outubro de 2023, Roberto Zampieri protocolou um pedido de apresentação de provas na ação cível relacionada à propriedade rural. Na mesma data, de acordo com a quebra de dados, foi realizada uma pesquisa pelo endereço do advogado no celular de Caçadini. "Para nós, esse foi o estopim. É ali que começa a análise para a prática do homicídio", declarou. Ainda conforme o delegado, o cruzamento das provas reforçou a linha investigativa adotada pela DHPP. "Foi onde foi fechando a linha. Com a quebra de dados, isso ficou evidente. No dia do homicídio, eles também se comunicam", afirmou. Ao final do depoimento, Nilson Farias reiterou que a conclusão da Polícia Civil é de que Aníbal Manoel Laurindo atuou como um dos mandantes do assassinato de Roberto Zampieri. O júri Começa na manhã desta terça-feira (28), no Fórum de Cuiabá, o júri popular de Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto em dezembro de 2023. Os 3 respondem por homicídio qualificado por promessa de recompensa, recurso que dificultou a defesa da vítima, emprego de arma de fogo de uso restrito e concurso de pessoas. Conforme a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Antônio Gomes da Silva é apontado como o autor dos disparos que mataram o advogado. Já Hedilerson Fialho Martins Barbosa, integrante do Exército e instrutor de tiro, teria atuado como intermediário do crime, sendo responsável por contratar o executor e fornecer a arma utilizada na execução. O coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas é acusado de financiar o homicídio.