Pérsio Landim afirma que o agro brasileiro é superior no debate comercial entre Mercosul e União Europeia
A assinatura do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os países do Mercosul foi adiada para janeiro, conforme anunciou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, aos 27 Estados-membros nesta quinta-feira (18/12). A decisão ocorre em meio a fortes pressões políticas internas no bloco europeu e a manifestações de agricultores em Bruxelas, que protestam contra os potenciais impactos do tratado sobre a produção agrícola local.
Von der Leyen previa formalizar o acordo no próximo sábado (20/12), durante a cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu. Contudo, a falta de apoio de uma maioria qualificada entre os Estados-membros inviabilizou o avanço imediato das negociações, sobretudo diante da oposição explícita de países como França e Itália, que alegam preocupações relacionadas à concorrência e a padrões ambientais.
Para o advogado Pérsio Landim, especialista em direito econômico e em comércio internacional, o impasse revela mais um capítulo de um debate que extrapola questões técnicas e se insere no campo da proteção de mercados. Segundo ele, o agronegócio brasileiro reúne condições objetivas de competitividade que justificam sua posição de destaque no comércio global.
“O agro brasileiro é hoje um dos mais eficientes do mundo, tanto do ponto de vista produtivo quanto tecnológico. Trabalhamos com uma diversidade de produtos que poucos países conseguem oferecer, aliando escala, qualidade sanitária e rastreabilidade”, afirma Landim. “O que se observa na Europa é um receio de competir em igualdade de condições com um setor que evoluiu muito nas últimas décadas.”
O advogado destaca que o Brasil avançou significativamente em padrões de qualidade, sustentabilidade e conformidade regulatória, atendendo a exigências internacionais cada vez mais rigorosas. “Há um discurso recorrente que tenta associar o agro brasileiro a práticas ultrapassadas, o que não corresponde à realidade. A produção nacional incorpora inovação, boas práticas ambientais e controles técnicos compatíveis — e, em muitos casos, superiores, aos padrões europeus”.
Do ponto de vista jurídico e econômico, Landim avalia que o acordo Mercosul–UE representa uma oportunidade estratégica para ambas as partes, mas ressalta que o Brasil não pode aceitar entraves baseados em argumentos protecionistas. “O livre comércio pressupõe concorrência leal. Quando barreiras políticas se sobrepõem a critérios técnicos, o acordo perde racionalidade econômica”.
Enquanto o adiamento mantém o tratado em compasso de espera, o setor produtivo brasileiro acompanha o desenrolar das negociações com atenção. Para Landim, independentemente do calendário político europeu, o agronegócio nacional seguirá competitivo.
“O Brasil já demonstrou que consegue acessar mercados exigentes em todo o mundo. O agro brasileiro não é apenas competitivo: é diverso, seguro e de alta qualidade, atributos que o colocam em posição de protagonismo no comércio internacional.”










