“Nem todos os juízes têm expertise e coragem; são apenas carreiristas”

MidiaNews • 29 de dezembro de 2025

O desembargador Marcos Machado, do Tribunal de Justiça, enumerou os desafios da Justiça no Estado, como o enfrentamento ao crime organizado, tanto na eleição de 2026, como na vida diária do cidadão.


Professor, ele atua na formação de novos juízes e tem experiência como promotor de Justiça Criminal. Mas não deixa também de fazer a própria autocrítica do Poder Judiciário. O desembargador fez uma série de apontamentos ao Ministério Público e até de parte dos juízes do Estado.

 

"Precisamos de uma transformação por dentro do Judiciário. Nem todos os juízes têm expertise e se envolvem, têm coragem de atuar nessa atual realidade da criminalidade organizada. Muitos são carreiristas que querem chegar à Capital", disse em entrevista ao MidiaNews

 

O magistrado, que é vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) e corregedor eleitoral, apontou que a criminalidade está enraizada na atividade econômica, o que lhe dá sustentação, além do tráfico. 

 

“Nós precisamos olhar para o dinheiro, porque a criminalidade está com atividades lícitas. Veja o que aconteceu com a distribuição de metanol, o tamanho da empresa, 500 caminhões, tudo a serviço do tráfico de drogas”, disse sobre a infiltração do crime em negócios formais.

 

"O desafio chama-se facções criminosas e financiamentos para terem representantes em Câmaras Municipais, na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional. Temos que impedir candidaturas financiadas pelo crime organizado", acrescentou sobre desafios das eleições.

 

Ainda na entrevista, o desembargador falou sobre o afastamento de colegas desembargadores por suposta venda de sentenças, tráfico de drogas e da descriminalização da cannabis.


MidiaNews - Como analisa a atuação da nossa justiça criminal como um todo em Mato Grosso? 

 

Marcos Machado – Estamos num processo de evolução. Temos dificuldades de toda a ordem, inclusive de entendimentos, mas estamos numa crescente positiva. O que sempre destaco negativamente, e isso é um problema nacional, é a existência de duas polícias. Não vejo isso como uma atividade eficaz. Há uma disputa, inclusive confrontos, entre policiais civis e militares. 

 

Não vejo a militarização como uma atividade que se aproxima do sistema de justiça, embora defenda e reconheça a importância da atuação da polícia nas ruas, nas operações, nos confrontos, sobretudo contra a violência. Mas essa coordenação, sobretudo hierárquica da Polícia Militar, é um grande prejuízo. 

 

Imagina, você tem um tenente, um capitão, um tenente-coronel... Veja, essa estrutura é uma estrutura cara e com muitos mandantes, muitos chefes, digamos assim. E a nossa Constituição reserva para a Polícia Civil atividade investigatória. Veja como isso é um contrassenso. 

 

Nós temos hoje uma legislação que não é simples. Ela oferece uma série de direitos e coloca a vítima quase num lugar inexistente. Quando a vítima é o principal elemento. E você vê dificuldades imensas da vítima hoje ser atendida e bem atendida pelo Ministério Público, que deveria ser o grande advogado da vítima, mas o Ministério Público se burocratizou.

 

O Ministério Público cresceu muito internamente, é uma das instituições mais bem aparelhadas, com integrantes de altíssima qualidade técnica, moral e com atribuições constitucionais legais que poderiam fazer a transformação social. Mas, a meu ver, diminuiu, perdeu o espaço. Por falta de vocação de alguns, por interesse material de outros, cumprem contratos, digamos, obrigacionais, não se doam, não se dedicam. E isso vai fragilizando o sistema.

 

MidiaNews - Acha que é preciso uma mudança no Judiciário?


Marcos Machado – Precisamos de uma transformação por dentro do Judiciário. Nem todos os juízes têm expertise e se envolvem, têm coragem de atuar nessa atual realidade da criminalidade organizada. Muitos são carreiristas que querem chegar à Capital.

 

A atuação virtual, do sistema virtual e eletrônico, transformou o processo em números. Quando sabemos que atrás do processo tem vidas, tem direitos, tem sentimentos, tem interesses, tem dores, transforma o sistema realmente em algo muito complexo. 

 

Tem pessoas que se doam, se dedicam, tem um espírito cristão e uma uma tendência cidadã ou um perfil que envolve a responsabilidade individual e social em favor da sociedade e as coisas vão acontecendo. 

 

Nós temos pontos positivos, mas temos negativos. Agora, o que me assusta é que a criminalidade está sempre um passo à frente. E a gente buscando conter, atualizar, dialogar, mas a grande transformação, eu diria, precisa partir da Constituição. Precisamos ter um aparelhamento mais simples e mais obediente, mais sistematizado, mais disciplinado, como hoje o crime organizado é. Não sabemos quem é a autoridade hierarquicamente que determina e respeita. O juiz precisa ser respeitado, o policial precisa ser respeitado. 

 

MidiaNews - Em sua visão, o nosso sistema penal está ultrapassado e precisa de mudanças? O que fazer para impedir que presos continuem a ordenar crimes, mesmo dentro do nosso sistema penitenciário?

 

Marcos Machado - O sistema penitenciário ou prisional, é algo que precisa ser estudado comparativamente. A nossa legislação de execução penal, chamada LEP, precisa ser melhorada, aperfeiçoada, urgentemente. Ela já foi, já sofreu alterações. Mas eu acredito que algumas alterações são absolutamente prejudiciais ao bom andamento da execução penal. 

 

Nós temos três regimes, um deles não existe na prática, que é o semiaberto. Nós precisamos entender que a legislação precisa mudar. Quando não é a pena de prisão, regime fechado, temos que já prever uma pena direta, restritiva de direitos, pena pecuniária.

 

Então, o sistema prisional paga uma conta que, às vezes, não é dele. Porque a legislação cria um processo penal, precisava ser melhorado.

 

Mas vamos falar do sistema prisional. É preciso muita alteração. Há um relatório feito por um juiz, recentemente, que mostra a degradação de alguns serviços prisionais, que assustam, em Mato Grosso. Superlotação, falta de fornecimento de itens de higiene, alimentação, direitos, mas ao mesmo tempo temos atuação de líderes de dentro da unidade prisional, inclusive com uso de celular. 


Há crítica ao tratamento para líderes de facção criminosa que não poderiam ser daquela forma, teriam que estar em regimes diferenciados, teriam que estar reclusos e isolados.

 

Nós temos situações como, por exemplo, a visita íntima, que para muitos é uma uma desordem, um desequilíbrio moral. Ele está preso e está lá praticando sexo. O consumo de droga existe dentro do sistema prisional.

 

Nós tínhamos que ter a humildade de identificar os pontos fracos, não querer insistir naquilo que a gente vê que não evolui. É o chamado reinventar a roda. Eu defendo que visitemos modelos no mundo, experiências inclusive dentro de Estados brasileiros, para pouco a pouco melhorarmos.

 

Porque é impressionante como as ordens para matar, para roubar, para sequestrar, para traficar continuam saindo de dentro das unidades prisionais.

 

MidiaNews - O senhor é adepto da ideia de que precisamos de leis mais duras, como defende o governador Mauro Mendes, para combater a violência, a impunidade e o crime organizado?

 

Marcos Machado - O que precisamos é mudar alguns apenamentos. Você concebe que pode matar uma pessoa e se for condenada a homicídio, pode ser condenado a seis anos de prisão, mas como é menos de oito anos, já sai direto para o regime semiaberto? Você concebe isso? Tira a vida de uma pessoa e é condenado a seis anos por homicídio simples. 

 

A matança que temos em Mato Grosso já exigiria uma alteração da legislação nacional. Estamos numa verdadeira guerra civil e estamos com o apenamento dessa natureza. 

 

O legislador estabeleceu algumas proibições dizendo que não se pode conceder liberdade provisória para tráfico. O Supremo vem e diz, olha, não pode, isso é inconstitucional, mas como? O constituinte diz que não pode e o Poder Judiciário no controle de constitucionalidades, diz que pode. Então quer dizer que a nossa Constituição, o constituinte, o que ele fala não tem valor?

 

A partir do momento que você flexibiliza, relativiza o tráfico como um crime comum, aumenta o poder econômico que compensa. Um grama de cocaína custa, depende do lugar, de R$ 60 a R$ 100. Faz a conta em gramas, quanto custa um quilo e multiplica. São cargas de R$ 20 milhões, R$30 milhões, R$10 milhões, R$ 500 mil. 

 

Essas são as apreensões que a gente tem em Mato Grosso a todo momento. Imagina isso aqui, sem imposto, sem previdência, sem direitos trabalhistas. Então, o tráfico de drogas que oferece um alto poder econômico e um empoderamento, inclusive para financiamento.


Eu estava lendo uma reportagem sobre Porto de Galinhas. Fui lá há uns 10 anos, 8 anos. É a lei do silêncio, os comerciantes não falam mais nada. Por quê? Estão atemorizados. Se falar, você morre. Então, as pessoas estão se mudando, estão entregando seus comércios, porque as organizações criminosas estão explorando. 

 

Nós precisamos olhar para o dinheiro, porque a criminalidade está com atividades lícitas. Veja o que aconteceu com a distribuição de metanol, tamanho da empresa, 500 caminhões, tudo a serviço do tráfico de droga. São negócios, em tese lícitos, que operam com empregos, com recolhimento de tributos.

 

Eu acho que deveríamos ter uma atuação parlamentar mais forte. Sinceramente, mais forte. Todo mundo reclama do excesso do Supremo Tribunal Federal. Você ouve a todo momento. Eu como juiz ouço isso. Não posso ficar aqui tácito. 

 

Mas a Constituição deixa claro que o Senado Federal é órgão regulador do sistema em relação ao Supremo Tribunal. O que está fazendo o Senado Federal em relação a isso? Fica essa divisão, essa dualidade. Só se discute posição de esquerda e de direita. Posição ideológica. Nós estamos aqui ainda discutindo eleições passadas.

 

MidiaNews - O senhor defende uma reforma no nosso Código de Processo Penal? Em quais pontos? 


Marcos Machado – O Código de Processo Penal é de 1941 e vem sofrendo alterações ao longo dos anos. Agora, por fim, aprovaram o projeto de lei que estabeleceu a necessidade de uma higidez maior em relação à audiência de custódia e à prisão preventiva, que tinha sido de alguma forma relativizada em alterações anteriores. 

 

A reformulação existe há algum tempo, vem se aperfeiçoando, mas em alguns momentos retrocedeu. Isso foi um grande engano, eu mesmo passei por esse engano. Quando o ministro Sérgio Moro, atual senador, assumiu o Ministério da Justiça e apresentou um pacote anticrime, falei: que bom, ele com a experiência que tem, certamente o prestígio que tem, que havia, ninguém negará isso, vamos resolver muitos problemas. A lei foi mal apresentada, sofreu inúmeras emendas e são normas desastrosas, dúbias, que piorou o que já existia. 

 

O que precisamos efetivamente é que a Câmara ou o Senado, ouça juízes, promotores, delegados de polícia, advogados, que conhcem a realidade. O senador Jayme Campos apresentou um projeto que visa criminalizar o homicídio decorrente do tráfico de droga. Eu nunca vi tanta demora, tanta dificuldade técnico legislativo, de entendimentos, passa por consultores, passa por assessores, vai para comissão, aprova, muda o relator e agora está na Câmara.

 

Enquanto isso, as organizações, o crime, está avançando. As organizações criminosas não deixam a testemunha chegar na frente de um juiz, elas matam antes. Elas fazem as pessoas mudarem de cidade, amedrontam. Não conseguimos desvendar crimes, porque o que impera é a imposição das facções criminosas. Matam, afugentam e nós aqui assistindo discussões técnico-legislativas por cinco anos. 

 

Um dos auxiliares que tenho no Tribunal de Justiça, casado há 25 anos, tinha um enteado. O enteado, infelizmente, jovem, se envolve no tráfico de drogas. Foi duas vezes preso, na última vez, a organização criminosa a qual ele recolheu a droga para vender, cobrou R$ 30 mil. A polícia prendeu a droga e ele foi preso. E disseram: você vai pagar a droga. Se não pagar, vai morrer. Ele desesperado, comunica à mãe, uma senhora que vendia marmita, esposa desse meu auxiliar. Nunca me disse nada e fiquei sabendo depois do acontecido. E ela assume a dívida. 


Ela é trabalhadora, vende marmita. Passado mais ou menos 60 dias, 90 dias de cobrança, uma pessoa da organização criminosa mandou mensagem para ela: sabemos que a senhora produz marmita, precisamos de 30 marmitas em tal local aqui no Sucuri. Ela recebe o Pix. Eles pagam as trinta marmitas, ela vai no final do dia com as trinta marmitas num carro emprestado ao Sucuri. Chega num local determinado, em tese onde teria obras, era uma emboscada. Eles esfaqueiam a mulher durante a noite toda, arrancam os olhos com ela viva, a lançam como um animal e escrevem no capô do carro que "a dívida está paga". No dia seguinte aquele desespero, a polícia é muito eficaz, as câmeras localizaram a placa do carro passando em tal hora, identificaram o celular onde estava, desvendaram o crime em horas. 

 

Até onde nós vamos com uma situação dessa? Olha a crueldade, a covardia por conta de um produto ilícito que foi apreendido pelo Estado.

 

MidiaNews - O senhor é a favor da descriminalização das drogas? 

 

Marcos Machado – Sou a favor da legalização da cannabis. Eu concluí um trabalho de doutorado. Fiquei praticamente cinco anos na orientação de uma socióloga, professora Denise Bontempo, da Universidade de Brasília, UnB. Por conta própria, visitei três países no primeiro momento. Uruguai, Colômbia e Portugal.

 

No segundo momento, fui à Bolívia, aos Estados Unidos e cheguei à conclusão que nós precisamos observar alguns países que já estão à frente do Brasil em relação à cannabis e colocar dentro do nível do álcool, uma relação com o álcool. Tabaco, álcool, cafeína dentro dessa mesma categoria. Legalizar com alta tributação, com controle. 


Sujeito que fuma maconha, bebe e não dirige. Não pode fazer isso dentro de escola, em lugares públicos, como já tem acontecido em outros países, que a meu ver não pode. Virou como uma comparação com o tabaco. E tirar da atuação do tráfico em relação a cannabis. 

 

MidiaNews - Hoje, temos mais conhecimento, tecnologias e avanços. O ser humano está indo para a barbárie com os feminicídios. O que está acontecendo com a nossa sociedade? 

 

Marcos Machado – Vou te responder e aqui não vai nenhuma defesa religiosa. Não vou aqui me colocar como nenhum ativista. mas vou dizer o seguinte: falta de Deus.

 

Não é possível que nós admitamos um comportamento tão hostil, tão agressivo como você bem colocou. A violência sempre existiu, mas a crueldade, a covardia, está muito acentuada. As pessoas hoje perderam aquele sentimento de misericórdia, de condolência.

 

Eu pedi para um assessor retirar de alguns processos que estão sob minha relatoria ou na Câmara que atuo, crimes filmados pelas organizações criminosas, o chamado “salve”. A gente ouve isso e acha que não existe. Existe, estão filmados e estão nos processos. Eu peguei e falei: você pega os processos que tem vídeos, faz um PDF, que eu vou apresentar para os juízes que estão fazendo formação, para que entendam o que vão ver em audiências e se prepararem. 

 

Primeiro filme que passei, um jovem foi levado aqui em Lucas para o mato, ele vendia droga fora da facção. E começaram a matá-lo com um facão, só que o facão era cego, não era afiado. O facão batia no pescoço dele, ia cortando, mas em pedaços. E esse cara foi sangrando e gritando. Olha, um sofrimento terrível, terrível.

 

O que aconteceu com o juiz em formação? Tinha uma moça que saiu vomitando. A outra saiu correndo da sala, pediu para sair, a outra pediu pra desligar o vídeo. Os juízes que estavam para assumir esses casos não conseguiram. 


Nós, juízes criminais, estamos vendo isso a todo momento. Agora não é todo juiz que consegue ver essa cena, que mantém-se na jurisdição criminal. Enquanto isso, somos alvos de críticas a todo momento, de pressão, tem que produzir, tem que responder, tem que atender o advogado na hora que o advogado quer. Nós somos seres humanos também, o que estamos passando, nós juízes criminais, as pessoas não têm a mínima noção. 

 

As pessoas quanto mais distantes de Deus, são mais hostis, mais violentas, mais desarmoniosas, mais conflituosas. Eu venho de uma geração que tínhamos ensino religioso, tínhamos uma orientação bíblica desde criança.

 

Eu comecei na Justiça em 1988 como estudante de direito. Tenho 18 anos de Ministério Público, de advogado. Quase 15 do tribunal, nunca vi tanta crueldade na minha vida. Em 35 anos? Eu nunca vi tanta crueldade. Nunca.

 

MidiaNews - Houve o caso de Sinop do Presídio Ferrugem, com o juiz Marcos Faleiros sendo ameaçado e pressionado pelo próprio sistema penal do Estado. Qual sua avaliação do senhor desse episódio? 

 

Marcos Machado - Em relação ao juiz, até conversei com ele para entender o que havia acontecido. E isso está sendo objeto de apuração, inclusive há relatórios. Há versões e esse fato precisa ser esclarecido e não me atreveria a opinar sem conhecer a miúde. O que posso dizer dentro de uma leitura daquilo que foi publicado, daquilo que foi por ele relatado, que essa apuração sofreu uma reação por parte de policiais penais. 

 

O que não é algo incomum, extraordinário. Eu estava colocando isso até para um grupo de juízes, que não podemos ficar com receio nem do sistema, ou seja, de maus policiais, maus agentes públicos, nem do grupo de criminosos, que se nós fizermos isso, o cidadão, então nem se fala. Ele vai estar recluso na sua própria casa. 


O que vamos cumprir são as regras do jogo, a legislação. Nós queremos juízes que sejam corretos. Mas não juízes que não decidem corretamente, se omitem ou sejam injustos, fazem decisões que são injustas. Esse juiz tem que ter cuidado, porque pode vir a reação mesmo. 

 

Nós temos hoje promotores ameaçados, temos um e outro atentado de juiz. São situações pontuais. Temos outras situações muito claras em países que o juiz que resistiu naturalmente exercendo sua função, sofreu repressão, porque tem organizações criminosas que faz o Estado paralelo e quando há estado paralelo o Estado oficial não é reconhecido. 

 

Infelizmente, a gente precisa dizer a verdade. Nós não conseguimos combater com legalidade quem age contra nós com violência, em absoluta ilegalidade. Eu digo que se a regra do jogo for dar tiro em juiz, temos que devolver com tiro. Não tem como, porque senão quem morre são juízes. 

 

Então, é preciso identificar a potencialidade lesiva, a gravidade das ameaças para agir. E não ficar esperando. E eu disse a ele, falei: você precisa apurar isso com rigor, não ter dúvida do que aconteceu, porque uma coisa é atuar na legalidade, nas regras, outra coisa é você sofrer atentado. 

 

MidiaNews - Nós tivemos os desembargadores Sebastião de Mores Filho e João Ferreira Filho, alvos de Processo Administrativo Disciplinar e afastados de seus cargos, por um suposto esquema de venda de sentença. Esse caso parece ter provocado uma pressão dentro do Tribunal, é isso mesmo? 

 

Marcos Machado - Isso na verdade são fatos excepcionais. Todos lamentamos, porque isso recai negativamente sobre a imagem, o conceito, a confiabilidade, mas é preciso separar a atuação. A história de cada um e reservar o espaço que é apuração por parte do Conselho Nacional de Justiça. Assegurar a todos os magistrados afastados, o direito de defesa, que é sagrado, é constitucional, é algo que você está sujeito.

 

Todos sentem, claro que sim. Internamente, dentro do sistema, mas a vida continua. As pessoas vão e vêm. As pessoas são importantes dentro da história, dentro do momento, dentro de uma trajetória. Agora o volume de trabalho, a responsabilidade que todos temos e, sobretudo, as nossas atribuições não nos permite que o retrovisor seja maior que o parabrisa. 

 

O que temos e precisamos ter é o seguinte: cada um responde pelo seu CPF, cada um tem a sua obrigação, a sua responsabilidade, daquilo que fez, daquilo que não fez e precisa se explicar. Agora, nós, demais, temos também as nossas obrigações, nossas responsabilidades e a vida tem que seguir adiante. 

 

MidiaNews - Há provas contundentes sobre a suposta venda de sentença contra os desembargadores, pelas informações que vieram a público, após a morte do advogado Roberto Zampieri. O desembargador Sebastião já se aposentou por idade. Mas o senhor concorda que eles devem ser aposentados compulsoriamente?  

 

Marcos Machado - Aposentadoria compulsória é um instituto que vem sendo questionado há muito tempo. Há muito tempo. Alguns acham que é o verdadeiro prêmio. Outros defendem que o juiz tem que ter garantias justamente porque ele tem que ser um independente. Eu, quando promotor de justiça, passei por uma situação na carreira vendo um promotor de justiça aposentado compulsoriamente. Eu não me conformava com isso. Eu entendi que ele tinha que ser processado e condenado. 

 

Eu acho que precisa aperfeiçoar, Eu já ouvi no passado de um juiz desonesto, dizendo: "Olha, se me criarem muito caso eu vou realmente fazer o que acho que deve, se quiser, me aposenta, vou estar recebendo o mesmo valor". Com deboche. Achei aquilo o fim da picada, não é possível eu ouvir um negócio desses. Essa segurança para quem pratica desonestidade, precisa ser revista.

 

Eu acho que os afastamentos muitas vezes são absolutamente injustos, inadequados, porque a pessoa afastada perde a possibilidade de se defender adequadamente e ela já é pré-julgada, porque a partir do momento que ela é afastada já há um julgamento de que ele é condenado, é culpado. Então isso aí para o juiz é até, penso eu, inconveniente. Vou voltar com que estatura? Com que respeitabilidade? Eu acho que é uma pena antecipada, inclusive. 


MidiaNews - O senhor é vice-presidente e corregedor do TRE de Mato Grosso e vai estar à frente das eleições de 2026. Quais são os maiores desafios da Justiça Eleitoral para a eleição do ano que vem?

 

Marcos Machado – Eu não tenho dúvida do domínio, do controle, da precisão que a equipe de servidores e gestores do TRE já vem fazendo há alguns anos. Nós, desembargadores e juízes eleitos, somos passageiros lá.

 

O maior desafio que temos, a principal meta e a ação da Corregedoria é a biometria. O cadastro biométrico dos eleitores. Estamos no Estado todo com cerca de 90% da biometria dos eleitores. E precisamos buscar pelo menos mais 2% a 3% para alcançarmos o topo. Há situações adversas pela geografia, pela extensão territorial, pela característica agrária do Estado.

 

Temos populações indígenas distantes, assentamentos. Alguns que não querem, que não vão procurar o TRE, não aceitam, não querem nem saber da Justiça Eleitoral, não querem saber de participar nas eleições. Nós temos os presos que estão com direitos políticos suspensos. Então, a biometria é o grande objetivo nosso para termos eleições transparentes e resultados legítimos.

 

Outro desafio chama-se facções criminosas. Financiamentos que começaram já nas eleições passadas de organizações para terem representantes em Câmaras Municipais, na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional.


Esse é o grande desafio que tenho dito internamente no Tribunal, tenho buscado cooperação técnica para que possamos ter realmente o conhecimento do que está acontecendo e fazer as devidas impugnações e impedir candidaturas que têm lastro financiado pelo crime organizado.

 

MidiaNews – O que fazer neste caso para se ter o princípio eleitoral do equilíbrio na disputa? O que fazer para não ter esse desequilíbrio com a interferência das organizações criminosas? 

 

Marcos Machado – Primeiro, identificar quem são os candidatos que estão sendo apoiados por esses grupos, que não são um só, em todo Mato Grosso. Fazer uma atuação permanente de investigação. E isso já está acontecendo e, no momento certo, preterir candidaturas que vão influenciar resultados eleitorais.

 

Esse trabalho tem que ser contínuo, célere para que essas pessoas não sejam diplomadas, porque depois dá mais trabalho. Temos informes, temos suspeitas, mas tem que ser feito um trabalho. Tenho colocado isso inclusive para a presidência do Tribunal, da necessidade de se constituir uma equipe com cooperação, sobretudo das polícias. Não só a Polícia Federal, que tem pontos de atuação no Estado.

 

Nós temos que contar com o serviço de informação da Polícia Militar e contar sobretudo com a atuação da Polícia Civil, que tem delegados em todo o Estado de Mato Grosso.

 

Outro desafio que acredito que o TRE deve enfrentar é o trabalho de combater as fake news e a desinformação, que já vimos que é uma situação que ficou no processo eleitoral e não tem mais como voltar.

 

MidiaNews – O que o TRE tem feito nessa questão de combater fake news e desinformação no processo eleitoral?  

 

Marcos Machado – Eu acho que o pior já passou. O país, o Estado já passou por eleições e conheceu esses fenômenos. Hoje, temos uma equipe de comunicação no TRE altamente capacitada e experimentada em relação a isso. Já temos decisões dos tribunais regionais e também do Tribunal do Superior Eleitoral, o TSE, a respeito do tema. Sabemos o que pode e o que não pode, o que deve ser feito de forma preventiva e a legislação eleitoral.

 

Nós temos que contar com a cooperação, porque o processo eleitoral não é só do TRE. Depende de toda atuação político-partidária, não só de candidatos, mas de partidos. E tem a expectativa de que haja um comportamento ético por parte de candidatos e partidos.

 

Agora, se não houver, a legislação está aí para ser aplicada. Eu, particularmente, quando tenho oportunidade de presidir e ter voz no Tribunal, sempre deixo claro a importância do diálogo, da formação de entendimentos convergentes e rapidez nas decisões. Porque não podemos deixar situações da eleição passada entrar no processo do ano que vem.


MidiaNews - Quais situações da eleição passada precisam de decisão, por exemplo?

 

Desembargador Marcos Machado – Até hoje tem questionamento a respeito de cassação. Temos impugnação, por exemplo, de vereadores ainda sendo julgada, de prefeitos ainda, que são da eleição passada. Temos ainda processos criminais, então isso tudo não pode abalar o primeiro semestre que é preparatório para as eleições, temos que julgar isso. Temos que em março e abril acabar com as eleições municipais, ou seja, não ter processo para que nos dediquemos às eleições gerais.

 

MidiaNews - Como a Justiça eleitoral vai permanecer firme em suas decisões diante de um Estado onde tem parlamentares, que questionam os resultados e até a legitimidade do processo eleitoral?

 

Marcos Machado - A opinião é livre, é constitucional, é direito de expressão desde que você não ofenda, não incorra em calúnia, injúria e difamação. O pensar é livre, é só lutar até que você tenha opinião, até porque você identifica se está certo ou está errado.

 

Uma vez me perguntaram o que eu achava das urnas eletrônicas e naturalmente da segurança do sistema tecnológico do tribunal. Eu fui promotor, fui advogado numa edição municipal e fui promotor de outras duas. Quando a urna era de lona, quando a contagem era a cédula anotada na caneta azul em mesas cuja apuração começava sem ter hora para terminar. 

 

Não existe nada mais precário e inseguro, absolutamente impreciso, e aí cito o exemplo até dos mapas. Quantos erros eram anotados no final? Quantas fraudes foram colocadas, quantos gritos, quantas situações de pressão ali na localidade? Quantas urnas saíram e não chegaram?

 

O sujeito vir depois de 30 anos de evolução que já passamos, de algo que é perfeitamente auditável, e dizer: isso aí é ilegítimo, isso aqui deveria ter sido assim. Olha, sinceramente, não me permito discutir isso. 

Por Redação 16 de julho de 2026
O agronegócio brasileiro registrou, em 2025, o maior número de pedidos de recuperação judicial da série histórica. De acordo com dados da Serasa Experian, foram contabilizados 1.990 requerimentos no período, um crescimento de 56,4% em relação ao ano anterior e quase quatro vezes superior aos 534 casos registrados em 2023. Apesar da alta nas recuperações judiciais, os índices de inadimplência apresentam comportamentos distintos entre produtores rurais pessoas físicas e aqueles organizados como pessoas jurídicas. Informações do Banco Central mostram que a inadimplência nas operações de crédito rural com recursos direcionados a produtores pessoas físicas passou de 1,40% em 2021 para 4,37% em 2025, atingindo o maior patamar da série histórica, com aceleração mais intensa a partir de 2024. Já entre os produtores estruturados como pessoa jurídica, o cenário permaneceu mais estável. No período, a inadimplência variou entre 0,33% e 0,67%, encerrando 2025 em 0,52%. Para o advogado Pérsio Landim, especialista em agroadvocacia, os números demonstram que a recuperação judicial passou a integrar o planejamento estratégico das empresas do setor. "A recuperação judicial é um instrumento legal que permite ao produtor rural reorganizar suas dívidas, preservar a atividade econômica e manter a produção em funcionamento. Mais do que uma medida para enfrentar uma crise financeira, ela oferece condições para que o negócio seja reestruturado de forma sustentável, preservando empregos, contratos e a capacidade de geração de renda", afirma. Segundo Landim, o aumento dos pedidos também reflete um ambiente econômico mais desafiador para o agronegócio, marcado pela elevação dos custos de produção, oscilações climáticas e maior dificuldade de acesso ao crédito. "Quando utilizada no momento adequado e com planejamento, a recuperação judicial cria um ambiente de negociação entre devedor e credores, permitindo a construção de soluções que beneficiam todas as partes envolvidas. O objetivo não é deixar de pagar as obrigações, mas estabelecer condições viáveis para que elas sejam cumpridas", explica. Outro movimento observado no setor é o crescimento das recuperações envolvendo grupos econômicos e famílias produtoras. Dados do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (OBRE) mostram que, embora o número de processos tenha permanecido em 13 em 2025, o total de requerentes passou de 26 para 55, indicando que estruturas familiares e conglomerados passaram a buscar soluções conjuntas para reorganizar seus passivos. Na avaliação do especialista, esse comportamento evidencia uma mudança de postura dos produtores diante da gestão financeira. "Cada vez mais, produtores rurais e grupos empresariais compreendem que mecanismos jurídicos de reestruturação podem preservar o patrimônio, garantir a continuidade da atividade e fortalecer a empresa para retomar o crescimento após períodos de instabilidade", conclui.
Por Gazeta Digital 16 de julho de 2026
As obras de revitalização realizadas nos últimos anos não foram suficientes para garantir a conservação de 3 das principais praças do Centro Histórico de Cuiabá. Mesmo após receberem investimentos que, somados aos destinados a outros espaços públicos da região, se aproximam de R$ 1 milhão, as praças da República e Ipiranga voltaram a apresentar sinais de degradação. Na Praça Alencastro, os problemas ainda são menos evidentes, mas a falta de manutenção também já é perceptível e pode avançar, caso nada seja feito. A situação mais preocupante é a da Praça da República, localizada em frente à Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Inaugurada em 1922, a praça passou por uma ampla revitalização entre 2019 e 2021, quando recebeu novo paisagismo, iluminação em LED, reconstrução das calçadas e intervenções para ampliar a acessibilidade. Pouco mais de cinco anos após a conclusão das obras, parte dessas melhorias já apresenta sinais de desgaste. Pedras do pavimento estão soltas, há rachaduras, desplacamento do piso e desníveis que aumentam o risco de quedas e dificultam a circulação de pedestres. Bancos quebrados, lixeiras danificadas e a vegetação sem manutenção completam o cenário de abandono em um dos principais cartões-postais da capital. A degradação preocupa por atingir um espaço de intensa circulação de moradores, trabalhadores e turistas. Além de comprometer um patrimônio histórico, as condições da praça afetam diretamente a segurança e a acessibilidade. Idosos, pessoas com deficiência e pessoas com mobilidade reduzida enfrentam obstáculos diários para atravessar o local, principalmente por causa das irregularidades no piso e da falta de conservação da infraestrutura. Moradora da Capital, a aposentada Rosa Ares, de 64 anos, conta que evita atravessar a praça sozinha por causa das condições do piso. Segundo ela, o local, que deveria oferecer conforto e segurança, hoje exige atenção redobrada. Já tropecei aqui algumas vezes e tenho medo de cair. Uma praça dessas deveria estar bem cuidada, porque muita gente passa por aqui e não tem como andar direito, afirma. Já Zilma Godoy, de 52 anos, diz que o estado de conservação causa uma má impressão justamente em um dos principais cartões-postais da cidade. É um dos primeiros lugares por onde muita gente passa quando vem ao Centro Histórico. Quem visita Cuiabá encontra buracos e falta de conservação. Além da aparência ruim, quem usa cadeira de rodas, bengala ou empurra carrinho de bebê enfrenta dificuldades para circular, relata.
Por Agência Brasil 16 de julho de 2026
O governo brasileiro divulgou nota repudiando a decisão dos Estados Unidos (EUA), anunciada nesta quarta-feira (15), de impor tarifas de 25% sobre produtos vindos do Brasil. A medida estadunidense passa a valer a partir do próximo dia 22, com base em investigações feitas por Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). A nota, assinada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, destaca que o Brasil não reconhece a legitimidade dessas investigações, que não teriam amparo nas regras multilaterais de comércio. E acrescenta que não há justificativa para medidas unilaterais dos Estados Unidos contra o Brasil. “O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”. A nota diz ainda que a Lei de Reciprocidade brasileira será acionada "imediatamente", além de instrumentos para solução de conflitos no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). "O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC”. Alegações  A investigação iniciada há um ano pelo USTR concluiu que certas práticas brasileiras são descabidas e oneram ou restringem o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses. Entre as medidas citadas pelo USTR estão “práticas de comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais injustas; interferência anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal”. Em sua defesa, no entanto, o governo brasileiro diz que as alegações contra o Pix e a regulação de plataformas digitais são descabidas. “Bem como são absurdas as acusações sobre desmatamento. O Pix é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas”, informa a nota. Além disso, segue a nota, “a liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade. O mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos de forma incisiva os ilícitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros”. De acordo com a nota do governo brasileiro, nas audiências públicas promovidas pelo USTR na semana passada, houve 78 intervenções de representantes do setor privado dos dois países, das quais 63 foram contrárias ao tarifaço estadunidense. “Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil. Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no país sem pagar imposto de importação, e a alíquota média efetivamente aplicada sobre produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%”, diz a nota da Presidência. A nota conclui informando que o Brasil continuará adotando medidas para reduzir os danos causados à economia do país e aos brasileiros e que seguirá buscando diversificar parceiros comerciais para abrir novos mercados para os produtos brasileiros. “Por meio do Plano Brasil Soberano, manteremos medidas de proteção aos setores afetados por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas pelo governo dos EUA, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional”.
Por RepórterMT 15 de julho de 2026
Além da Capital Consig , outras seis empresas e seis empresários do setor financeiro foram alvo da Operação Fugazi, deflagrada pela Polícia Federal hoje (15). São citadas na investigação a Clickdigital Participações , Clickbank Instituição de Pagamentos , Bemcardes Benefícios , ABCCARD Cartões , Quiz Holding e Cartos Sociedade de Crédito Direto . Entre os empresários investigados estão Marcolino Medeiros Junior , Roberto Arduini Gomes Teixeira , Sven Stefan Padre Kuhn , Caspar Heinrich Menke , Yim Kyu Lee e Henrique Souza e Silva Peretto . A ação investiga supostas irregularidades na oferta de crédito consignado a servidores públicos, aposentados e pensionistas. Ao todo, a Justiça Federal em Mato Grosso expediu 13 mandados de busca e apreensão, cumpridos nos estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul. A decisão também determinou o bloqueio de valores e ativos financeiros, além do sequestro de bens móveis e imóveis vinculados aos investigados. Capital Consig critica operação A Capital Consig afirmou que recebeu a operação com surpresa e classificou as medidas como "desnecessárias e desproporcionais". Segundo a empresa, os documentos requisitados serão entregues e todas as informações solicitadas pelas autoridades serão prestadas.  A instituição declarou ainda que segue as normas do setor, passa por auditorias e mantém as atividades normalmente. As suspeitas permanecem sob investigação e, até o momento, não há informação sobre condenação dos envolvidos. Nota completa "Todos os documentos solicitados à empresa são entregues à Justiça no menor espaço de tempo. A empresa reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e o cumprimento de todas as normas aplicáveis às suas atividades. Além de estar sujeita à fiscalização e às diretrizes do Banco Central, instituição de reconhecida credibilidade, a Capital Consig passa regularmente por auditorias e processos de controle, sempre pautando sua atuação pela conformidade regulatória e pela governança. A empresa informa que está à inteira disposição das autoridades competentes e prestará todas as informações e documentos que forem solicitados, colaborando plenamente para o esclarecimento dos fatos. A Capital Consig confia no trabalho das instituições e segue desempenhando suas atividades normalmente, mantendo seu compromisso com clientes, parceiros e colaboradores. A empresa reforça seu compromisso com seus mais de 2 mil colaboradores diretos e indiretos, parceiros e clientes, reiterando seu empenho para que todos os fatos sejam esclarecidos com a maior celeridade e responsabilidade, preservando a continuidade de suas operações, sem prejuízo às pessoas que confiam em seu trabalho."
Por RepórterMT 15 de julho de 2026
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT) aprovou hoje (15), em primeira votação, o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) para 2027. O texto prevê que o Governo do Estado terá uma receita de R$ 42,1 bilhões para administrar no próximo ano e estabelece em 4,2% a estimativa para a Revisão Geral Anual (RGA), que é o reajuste inflacionário dos salários dos servidores públicos estaduais.  A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) serve como um rascunho oficial que dita as regras, metas e prioridades que o governo deve seguir para montar o orçamento final, definindo também os limites de repasses de dinheiro para o Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa, Ministério Público de Mato Grosso (MPT), Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Defensoria Pública. Para "limpar a pauta" e conseguir entrar em recesso parlamentar sem pendências, os deputados estaduais realizaram um mutirão de três sessões ordinárias consecutivas na mesma data, aprovando um total de 46 matérias, entre projetos de lei, indicações de melhorias e requerimentos. As sessões em plenário agora ficam suspensas, com retorno oficial convocado apenas para o dia 12 de agosto, às 9h. O projeto do orçamento de 2027 volta a ser votado em definitivo (segunda votação) somente em agosto. Até lá, o texto continua aberto para receber emendas dos parlamentares, que pretendem incluir verbas carimbadas prioritariamente para obras de revitalização do Centro Histórico de Cuiabá. O texto da LDO também dá o aval para a realização de novos concursos públicos em 2027, porém o governo estadual informou que as contratações dependem de o Estado se manter dentro dos limites de gastos com salários de pessoal exigidos pela LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). Na justificativa enviada aos deputados, o governo estadual reforçou que o equilíbrio das contas é o que garante a atração de investimentos privados e a ampliação de serviços públicos. Durante o mutirão de votações, a Assembleia também aprovou o projeto que autoriza o governo estadual a vender diretamente, sem necessidade de licitação tradicional, um terreno de propriedade pública para a Famato (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso). Os parlamentares aprovaram ainda dois decretos que autorizam a realização de consultas populares (plebiscitos) para resolver impasses de limites de municípios no interior do estado: Poxoréu e Primavera do Leste: Os moradores dessas duas cidades serão consultados sobre o desmembramento do distrito de Nova Poxoréu (hoje pertencente a Poxoréu) para que ele seja incorporado e passe a fazer parte do território de Primavera do Leste. Cotriguaçu e Colniza: As populações locais vão votar para decidir sobre a divisão das chamadas “Ilhas de Ocupação”, que fazem parte do Projeto de Assentamento Nova Cotriguaçu. No pacote de votações, os deputados aprovaram uma mudança na estrutura do Poder Judiciário enviada pelo Tribunal de Justiça, que altera a composição do conselho que supervisiona os Juizados Especiais Cíveis e Criminais do estado. Já o projeto de lei que autorizaria o Detran-MT (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso) a fechar convênios e termos de cooperação de serviços com a AND (Associação Nacional dos Detrans) teve a sua votação travada em plenário após receber um pedido de vista, que é o tempo regimental solicitado por um deputado para analisar melhor o projeto antes de devolvê-lo para votação.
Por Gazeta Digital 15 de julho de 2026
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi (PSB), afirmou que as declarações do secretário de Estado de Infraestrutura, Marcelo de Oliveira, e do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), sobre supostas irregularidades envolvendo a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), representam uma tentativa de desviar o foco. Isso porque o principal objetivo da comissão do parlamento é esclarecer os atrasos e cobrar a conclusão das obras do Bus Rapid Transit (BRT), que seguem sem prazo definido para serem entregues. Segundo Russi, a Assembleia não busca perseguir agentes públicos nem transformar a comissão em palco de disputas políticas, mas sim dar respostas à população sobre um empreendimento que acumula sucessivos adiamentos e provoca impactos diários no trânsito de Cuiabá e Várzea Grande. "Se aconteceu alguma coisa em 2012, isso deve ser apurado pelos órgãos competentes. Mas eu acho que isso desvia um pouco o foco do debate. A Assembleia quer saber por que a obra não termina. A população quer a conclusão do BRT", afirmou nesta quarta-feira (15). O presidente também rebateu interpretações de que a convocação do secretário Marcelo de Oliveira teria caráter de constrangimento. Para ele, convocações fazem parte das prerrogativas do Parlamento e têm como finalidade prestar esclarecimentos não apenas aos deputados, mas à sociedade. "A Assembleia não quer perseguir ninguém. Quem é convocado tem que prestar esclarecimentos. Esses esclarecimentos não são para os deputados, são para Mato Grosso, porque a imprensa acompanha e a população tem o direito de saber o que está acontecendo." Russi ainda defendeu uma postura mais rigorosa do Estado diante das empresas responsáveis pelos atrasos. Segundo ele, empreiteiras que abandonam contratos precisam sofrer sanções efetivas e o governo deve tornar públicas as medidas adotadas. "Uma empresa participa da licitação, gera expectativa, ganha o contrato e depois desiste. É preciso aplicar multa e mostrar para a sociedade quais providências estão sendo tomadas", disse. O presidente da ALMT lembrou ainda que sugeriu ao governo, ainda no ano passado, dividir a execução das obras em diferentes lotes para reduzir o risco de paralisações caso uma única empresa não conseguisse cumprir o contrato. Para Russi, a demora na conclusão do BRT produz desgaste político generalizado. "Essa obra gera desgaste para todo mundo.Para o governo, para a Assembleia, para a imprensa e, principalmente, para a população, que é quem enfrenta os transtornos todos os dias. Vamos concluir essa obra." Saída da audiência Russi também afirmou que Marcelo de Oliveira somente pôde deixar a audiência da CPI porque alegou problemas de saúde. Segundo o deputado, se não houvesse essa justificativa, o secretário deveria permanecer até o encerramento dos trabalhos. "Se não fosse pela saúde, ele não poderia abandonar a audiência. Teria que concluir o depoimento. Agora, a questão de saúde é humanitária. Qualquer pessoa pode passar mal." Oliveira deixou a audiência na última segunda-feira (13), afirmando que estava muito nervoso e que continuar falando poderia lhe causar um infarto. Antes de sair, transferiu as respostas aos questionamentos para integrantes da equipe técnica da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra). VLT entra no debate Um dia após a audiência, o governador em exercício, Otaviano Pivetta, afirmou que Marcelo de Oliveira deixou o plenário porque pretendia fazer revelações sobre supostos atos de corrupção relacionados ao antigo projeto do VLT, abandonado pelo Estado em favor do BRT. Segundo Pivetta, o secretário sustentaria que a campanha do deputado estadual Lúdio Cabral (PT) à Prefeitura de Cuiabá, em 2012, teria sido financiada com recursos provenientes do esquema de corrupção das obras do VLT. O governador, entretanto, não apresentou provas públicas para sustentar a afirmação. As declarações ocorreram após Marcelo afirmar, durante a audiência, que havia assuntos que gostaria de revelar, mas preferia não fazê-lo para evitar problemas de saúde. Sem comentar diretamente o teor das acusações, Max Russi afirmou que qualquer denúncia sobre possíveis irregularidades deve ser encaminhada ao Ministério Público, à Polícia Civil e aos demais órgãos de controle. "Recebeu uma denúncia, a obrigação de qualquer agente público é encaminhar aos órgãos competentes. Se não fizer isso, pode até responder por prevaricação. Mas quem investiga é o Ministério Público e a polícia" , defendeu. Para o presidente da Assembleia, contudo, o foco da CPI deve permanecer na fiscalização da execução do BRT, na responsabilização de empresas que descumpriram contratos e na cobrança por um cronograma definitivo para a entrega da obra, iniciada após o governo estadual desistir da implantação do VLT e optar pela mudança de modal.
Por RepórterMT 15 de julho de 2026
A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), defendeu a Ação Direta de Constitucionalidade (ADI) ingressada no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) pelo prefeito Abilio Brunini (PL) para tentar mudar as regras de votação da Câmara Municipal no Parlamento cuiabano. A medida visa mudança do Regimento Interno para que votações passem a ser definidas por maioria simples, derrubando a exigência de dois terços dos vereadores (17 dos 25 parlamentares).  A alteração facilita a reeleição de Paula Calil como presidente da Casa. Paula Calil conta atualmente com o apoio declarado de 14 vereadores para continuar na presidência, mas enfrenta um cenário difícil. Pelas regras atuais da Casa, ela precisa de pelo menos 17 votos para conseguir mudar o regimento e autorizar a reeleição consecutiva dentro da mesma legislatura. Se a mudança não passar, o grupo tem um plano B de apoiar o vereador Dilemário Alencar (União). Mas primeiro ela precisa que os vereadores aprovem o projeto que permite a reeleição sucessiva de cargos da Mesa Diretora, para que ela possa disputar. A matéria teve parecer favorável nas comissões e deve entrar em votação na quinta-feira (16). “Identificamos inconstitucionalidade no artigo 177. Poderíamos resolver de forma interna na Câmara de Cuiabá, através de um projeto de resolução, mas a presidente hoje não tem o apoio das demais vereadoras da Mesa Diretora. Caminhamos em projetos diferentes, então a gente não teria como viabilizar aqui internamente, e se eu estou como presidente, se eu identifiquei que há um erro, há uma inconstitucionalidade num artigo o que eu tenho que buscar essa correção para que o processo legislativo caminhe com o devido quórum legal. Meu dever é ser guardiã do regimento interno e é isso que a gente busca”, argumentou Paula à imprensa. À imprensa, Abilio nega que a ADI seja uma interferência do Executivo do Legislativo pela reeleição de Paula, e destaca a necessidade de que sejam aprovados projetos do Município por maioria simples e não por fórum qualificado. A desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho indeferiu o pedido de liminar para alteração urgente do regimento interno da Câmara, mas o mérito da matéria ainda será julgado. A parlamentar frisou que o projeto de resolução não representa uma garantia de recondução automática ao cargo, mas sim o restabelecimento de uma oportunidade democrática de disputa em igualdade de condições. " Quero deixar muito claro que é uma oportunidade de poder disputar a Mesa Diretora em igualdade com os demais concorrentes. Essa alteração do regimento não garante que a vereadora vai ser reconduzida à presidência, a gente está buscando apenas conseguir disputar. É uma busca válida de um grupo que tem um propósito ", concluiu a presidente.
Por Gazeta Digital 15 de julho de 2026
A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quarta-feira (15), a sexta fase da Operação Devastate e cumpriu 20 ordens judiciais contra investigados por integrar uma facção criminosa com atuação em Rosário Oeste (104 km ao norte de Cuiabá). A ação resultou no cumprimento de 8 mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão. As ordens foram expedidas pela Comarca de Rosário Oeste com base em investigações da Polícia Civil, que apontaram indícios de envolvimento dos alvos com o tráfico de drogas no município. Segundo a investigação, os suspeitos fazem parte de uma organização criminosa responsável pelo comércio de entorpecentes na cidade. A nova fase da operação busca desarticular a atuação do grupo e enfraquecer a estrutura da facção na região. O cumprimento dos mandados contou com o apoio de equipes da Regional de Várzea Grande e da Diretoria Metropolitana, que atuaram simultaneamente nos endereços dos investigados. As investigações continuam para identificar outros integrantes da organização criminosa e aprofundar a apuração de crimes relacionados ao tráfico de drogas e à atuação da facção em Rosário Oeste.
Por Agência Brasil 14 de julho de 2026
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, sugeriu nesta terça-feira (14) a criação de um selo para premiar os institutos de pesquisa que mais acertarem o resultado das eleições de outubro. A proposta foi feita durante reunião com representantes dos institutos de pesquisa. O encontro foi marcado para discutir novas balizas para a divulgação dos levantamentos após a decisão do TSE que suspendeu a divulgação de pesquisa da AtlasIntel para Presidente da República por suposto descumprimento das regras eleitorais. No entendimento de Nunes Marques, o Selo Acurácia Eleitoral pretende reconhecer o trabalho dos institutos com "maior grau de aderência aos resultados oficiais". "Trata-se de um mecanismo que visa à valorização das boas práticas e ao permanente aperfeiçoamento técnico das pesquisas eleitorais, por meio do reconhecimento público às empresas que demonstrarem elevada acurácia em seus resultados", justificou o ministro. Após o anúncio do presidente, o TSE abriu prazo para receber, até a próxima sexta-feira (17), sugestões para a definição dos critérios para a escolha dos vencedores do selo. Outro lado Em nota, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) criticou a proposta e ressaltou que as pesquisas medem a intenção de voto no momento em que são realizadas e não são "previsões nem promessas de resultado". "Entre a entrevista e a votação, eleitores mudam de opinião, deixam de votar ou alteram seu comportamento. Exigir que uma pesquisa acerte o resultado é confundir ciência com bola de cristal", afirmou a entidade.  A ABEP também demostrou preocupação com a intenção da Justiça Eleitoral de "assumir o papel de árbitro" da qualidade das pesquisas. "Entendemos que iniciativas dessa natureza precisam ser construídas em diálogo com a comunidade científica e com os institutos de pesquisa, para que não acabem estimulando práticas oportunistas e desvalorizando o rigor metodológico que deve orientar toda pesquisa séria", completou.
Por Agência Brasil 14 de julho de 2026
A estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a safra de cereais, leguminosas e oleaginosas deste ano é de 347,4 milhões de toneladas. O volume é 0,4% maior do que a do a colheita ano passado, o que representa mais de 1,3 milhão de toneladas a mais do que a de 2025, que foi de 346,1 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (14). Segundo o IBGE, a área a ser colhida é de 83,2 milhões de hectares, com aumento de 1,6 milhão de hectares frente a 2025, um crescimento de 1,9%. Em relação ao mês anterior, a área a ser colhida apresentou declínio de 60.985 hectares (-0,1%). O arroz, o milho e a soja são os três principais produtos deste grupo, que, somados, representaram 92,8% da estimativa da produção e respondem por 87,4% da área a ser colhida. Para a soja, a estimativa de produção foi de 174,8 milhões de toneladas. Quanto ao milho, a estimativa foi de 136,5 milhões de toneladas (29,7 milhões de toneladas de milho na 1ª safra e 106,8 milhões de toneladas de milho na 2ª safra). A produção do arroz (em casca) foi estimada em 11,2 milhões de toneladas; a do trigo, em 6,6 milhões de toneladas; a do algodão herbáceo (em caroço), em 9,1 milhões de toneladas; e a do sorgo, em 5,6 milhões de toneladas. Entre as grandes regiões, o volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou a seguinte distribuição, de acordo com o estudo: Centro-Oeste, 172,4 milhões de toneladas (49,6%); Sul, 92,4 milhões de toneladas (26,5%); Sudeste, 30,8 milhões de toneladas (8,9%), Nordeste, 29,8 milhões de toneladas (8,6%) e Norte, 22,2 milhões de toneladas (6,4%). Na produção pelas unidades da federação, Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 31,3%, seguido pelo Paraná (13,7%), Rio Grande do Sul (10,7%), Goiás (9,7%), Mato Grosso do Sul (8,4%) e Minas Gerais (5,5%), que, somados, representaram 79,3% do total.