“Nem todos os juízes têm expertise e coragem; são apenas carreiristas”

MidiaNews • 29 de dezembro de 2025

O desembargador Marcos Machado, do Tribunal de Justiça, enumerou os desafios da Justiça no Estado, como o enfrentamento ao crime organizado, tanto na eleição de 2026, como na vida diária do cidadão.


Professor, ele atua na formação de novos juízes e tem experiência como promotor de Justiça Criminal. Mas não deixa também de fazer a própria autocrítica do Poder Judiciário. O desembargador fez uma série de apontamentos ao Ministério Público e até de parte dos juízes do Estado.

 

"Precisamos de uma transformação por dentro do Judiciário. Nem todos os juízes têm expertise e se envolvem, têm coragem de atuar nessa atual realidade da criminalidade organizada. Muitos são carreiristas que querem chegar à Capital", disse em entrevista ao MidiaNews

 

O magistrado, que é vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) e corregedor eleitoral, apontou que a criminalidade está enraizada na atividade econômica, o que lhe dá sustentação, além do tráfico. 

 

“Nós precisamos olhar para o dinheiro, porque a criminalidade está com atividades lícitas. Veja o que aconteceu com a distribuição de metanol, o tamanho da empresa, 500 caminhões, tudo a serviço do tráfico de drogas”, disse sobre a infiltração do crime em negócios formais.

 

"O desafio chama-se facções criminosas e financiamentos para terem representantes em Câmaras Municipais, na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional. Temos que impedir candidaturas financiadas pelo crime organizado", acrescentou sobre desafios das eleições.

 

Ainda na entrevista, o desembargador falou sobre o afastamento de colegas desembargadores por suposta venda de sentenças, tráfico de drogas e da descriminalização da cannabis.


MidiaNews - Como analisa a atuação da nossa justiça criminal como um todo em Mato Grosso? 

 

Marcos Machado – Estamos num processo de evolução. Temos dificuldades de toda a ordem, inclusive de entendimentos, mas estamos numa crescente positiva. O que sempre destaco negativamente, e isso é um problema nacional, é a existência de duas polícias. Não vejo isso como uma atividade eficaz. Há uma disputa, inclusive confrontos, entre policiais civis e militares. 

 

Não vejo a militarização como uma atividade que se aproxima do sistema de justiça, embora defenda e reconheça a importância da atuação da polícia nas ruas, nas operações, nos confrontos, sobretudo contra a violência. Mas essa coordenação, sobretudo hierárquica da Polícia Militar, é um grande prejuízo. 

 

Imagina, você tem um tenente, um capitão, um tenente-coronel... Veja, essa estrutura é uma estrutura cara e com muitos mandantes, muitos chefes, digamos assim. E a nossa Constituição reserva para a Polícia Civil atividade investigatória. Veja como isso é um contrassenso. 

 

Nós temos hoje uma legislação que não é simples. Ela oferece uma série de direitos e coloca a vítima quase num lugar inexistente. Quando a vítima é o principal elemento. E você vê dificuldades imensas da vítima hoje ser atendida e bem atendida pelo Ministério Público, que deveria ser o grande advogado da vítima, mas o Ministério Público se burocratizou.

 

O Ministério Público cresceu muito internamente, é uma das instituições mais bem aparelhadas, com integrantes de altíssima qualidade técnica, moral e com atribuições constitucionais legais que poderiam fazer a transformação social. Mas, a meu ver, diminuiu, perdeu o espaço. Por falta de vocação de alguns, por interesse material de outros, cumprem contratos, digamos, obrigacionais, não se doam, não se dedicam. E isso vai fragilizando o sistema.

 

MidiaNews - Acha que é preciso uma mudança no Judiciário?


Marcos Machado – Precisamos de uma transformação por dentro do Judiciário. Nem todos os juízes têm expertise e se envolvem, têm coragem de atuar nessa atual realidade da criminalidade organizada. Muitos são carreiristas que querem chegar à Capital.

 

A atuação virtual, do sistema virtual e eletrônico, transformou o processo em números. Quando sabemos que atrás do processo tem vidas, tem direitos, tem sentimentos, tem interesses, tem dores, transforma o sistema realmente em algo muito complexo. 

 

Tem pessoas que se doam, se dedicam, tem um espírito cristão e uma uma tendência cidadã ou um perfil que envolve a responsabilidade individual e social em favor da sociedade e as coisas vão acontecendo. 

 

Nós temos pontos positivos, mas temos negativos. Agora, o que me assusta é que a criminalidade está sempre um passo à frente. E a gente buscando conter, atualizar, dialogar, mas a grande transformação, eu diria, precisa partir da Constituição. Precisamos ter um aparelhamento mais simples e mais obediente, mais sistematizado, mais disciplinado, como hoje o crime organizado é. Não sabemos quem é a autoridade hierarquicamente que determina e respeita. O juiz precisa ser respeitado, o policial precisa ser respeitado. 

 

MidiaNews - Em sua visão, o nosso sistema penal está ultrapassado e precisa de mudanças? O que fazer para impedir que presos continuem a ordenar crimes, mesmo dentro do nosso sistema penitenciário?

 

Marcos Machado - O sistema penitenciário ou prisional, é algo que precisa ser estudado comparativamente. A nossa legislação de execução penal, chamada LEP, precisa ser melhorada, aperfeiçoada, urgentemente. Ela já foi, já sofreu alterações. Mas eu acredito que algumas alterações são absolutamente prejudiciais ao bom andamento da execução penal. 

 

Nós temos três regimes, um deles não existe na prática, que é o semiaberto. Nós precisamos entender que a legislação precisa mudar. Quando não é a pena de prisão, regime fechado, temos que já prever uma pena direta, restritiva de direitos, pena pecuniária.

 

Então, o sistema prisional paga uma conta que, às vezes, não é dele. Porque a legislação cria um processo penal, precisava ser melhorado.

 

Mas vamos falar do sistema prisional. É preciso muita alteração. Há um relatório feito por um juiz, recentemente, que mostra a degradação de alguns serviços prisionais, que assustam, em Mato Grosso. Superlotação, falta de fornecimento de itens de higiene, alimentação, direitos, mas ao mesmo tempo temos atuação de líderes de dentro da unidade prisional, inclusive com uso de celular. 


Há crítica ao tratamento para líderes de facção criminosa que não poderiam ser daquela forma, teriam que estar em regimes diferenciados, teriam que estar reclusos e isolados.

 

Nós temos situações como, por exemplo, a visita íntima, que para muitos é uma uma desordem, um desequilíbrio moral. Ele está preso e está lá praticando sexo. O consumo de droga existe dentro do sistema prisional.

 

Nós tínhamos que ter a humildade de identificar os pontos fracos, não querer insistir naquilo que a gente vê que não evolui. É o chamado reinventar a roda. Eu defendo que visitemos modelos no mundo, experiências inclusive dentro de Estados brasileiros, para pouco a pouco melhorarmos.

 

Porque é impressionante como as ordens para matar, para roubar, para sequestrar, para traficar continuam saindo de dentro das unidades prisionais.

 

MidiaNews - O senhor é adepto da ideia de que precisamos de leis mais duras, como defende o governador Mauro Mendes, para combater a violência, a impunidade e o crime organizado?

 

Marcos Machado - O que precisamos é mudar alguns apenamentos. Você concebe que pode matar uma pessoa e se for condenada a homicídio, pode ser condenado a seis anos de prisão, mas como é menos de oito anos, já sai direto para o regime semiaberto? Você concebe isso? Tira a vida de uma pessoa e é condenado a seis anos por homicídio simples. 

 

A matança que temos em Mato Grosso já exigiria uma alteração da legislação nacional. Estamos numa verdadeira guerra civil e estamos com o apenamento dessa natureza. 

 

O legislador estabeleceu algumas proibições dizendo que não se pode conceder liberdade provisória para tráfico. O Supremo vem e diz, olha, não pode, isso é inconstitucional, mas como? O constituinte diz que não pode e o Poder Judiciário no controle de constitucionalidades, diz que pode. Então quer dizer que a nossa Constituição, o constituinte, o que ele fala não tem valor?

 

A partir do momento que você flexibiliza, relativiza o tráfico como um crime comum, aumenta o poder econômico que compensa. Um grama de cocaína custa, depende do lugar, de R$ 60 a R$ 100. Faz a conta em gramas, quanto custa um quilo e multiplica. São cargas de R$ 20 milhões, R$30 milhões, R$10 milhões, R$ 500 mil. 

 

Essas são as apreensões que a gente tem em Mato Grosso a todo momento. Imagina isso aqui, sem imposto, sem previdência, sem direitos trabalhistas. Então, o tráfico de drogas que oferece um alto poder econômico e um empoderamento, inclusive para financiamento.


Eu estava lendo uma reportagem sobre Porto de Galinhas. Fui lá há uns 10 anos, 8 anos. É a lei do silêncio, os comerciantes não falam mais nada. Por quê? Estão atemorizados. Se falar, você morre. Então, as pessoas estão se mudando, estão entregando seus comércios, porque as organizações criminosas estão explorando. 

 

Nós precisamos olhar para o dinheiro, porque a criminalidade está com atividades lícitas. Veja o que aconteceu com a distribuição de metanol, tamanho da empresa, 500 caminhões, tudo a serviço do tráfico de droga. São negócios, em tese lícitos, que operam com empregos, com recolhimento de tributos.

 

Eu acho que deveríamos ter uma atuação parlamentar mais forte. Sinceramente, mais forte. Todo mundo reclama do excesso do Supremo Tribunal Federal. Você ouve a todo momento. Eu como juiz ouço isso. Não posso ficar aqui tácito. 

 

Mas a Constituição deixa claro que o Senado Federal é órgão regulador do sistema em relação ao Supremo Tribunal. O que está fazendo o Senado Federal em relação a isso? Fica essa divisão, essa dualidade. Só se discute posição de esquerda e de direita. Posição ideológica. Nós estamos aqui ainda discutindo eleições passadas.

 

MidiaNews - O senhor defende uma reforma no nosso Código de Processo Penal? Em quais pontos? 


Marcos Machado – O Código de Processo Penal é de 1941 e vem sofrendo alterações ao longo dos anos. Agora, por fim, aprovaram o projeto de lei que estabeleceu a necessidade de uma higidez maior em relação à audiência de custódia e à prisão preventiva, que tinha sido de alguma forma relativizada em alterações anteriores. 

 

A reformulação existe há algum tempo, vem se aperfeiçoando, mas em alguns momentos retrocedeu. Isso foi um grande engano, eu mesmo passei por esse engano. Quando o ministro Sérgio Moro, atual senador, assumiu o Ministério da Justiça e apresentou um pacote anticrime, falei: que bom, ele com a experiência que tem, certamente o prestígio que tem, que havia, ninguém negará isso, vamos resolver muitos problemas. A lei foi mal apresentada, sofreu inúmeras emendas e são normas desastrosas, dúbias, que piorou o que já existia. 

 

O que precisamos efetivamente é que a Câmara ou o Senado, ouça juízes, promotores, delegados de polícia, advogados, que conhcem a realidade. O senador Jayme Campos apresentou um projeto que visa criminalizar o homicídio decorrente do tráfico de droga. Eu nunca vi tanta demora, tanta dificuldade técnico legislativo, de entendimentos, passa por consultores, passa por assessores, vai para comissão, aprova, muda o relator e agora está na Câmara.

 

Enquanto isso, as organizações, o crime, está avançando. As organizações criminosas não deixam a testemunha chegar na frente de um juiz, elas matam antes. Elas fazem as pessoas mudarem de cidade, amedrontam. Não conseguimos desvendar crimes, porque o que impera é a imposição das facções criminosas. Matam, afugentam e nós aqui assistindo discussões técnico-legislativas por cinco anos. 

 

Um dos auxiliares que tenho no Tribunal de Justiça, casado há 25 anos, tinha um enteado. O enteado, infelizmente, jovem, se envolve no tráfico de drogas. Foi duas vezes preso, na última vez, a organização criminosa a qual ele recolheu a droga para vender, cobrou R$ 30 mil. A polícia prendeu a droga e ele foi preso. E disseram: você vai pagar a droga. Se não pagar, vai morrer. Ele desesperado, comunica à mãe, uma senhora que vendia marmita, esposa desse meu auxiliar. Nunca me disse nada e fiquei sabendo depois do acontecido. E ela assume a dívida. 


Ela é trabalhadora, vende marmita. Passado mais ou menos 60 dias, 90 dias de cobrança, uma pessoa da organização criminosa mandou mensagem para ela: sabemos que a senhora produz marmita, precisamos de 30 marmitas em tal local aqui no Sucuri. Ela recebe o Pix. Eles pagam as trinta marmitas, ela vai no final do dia com as trinta marmitas num carro emprestado ao Sucuri. Chega num local determinado, em tese onde teria obras, era uma emboscada. Eles esfaqueiam a mulher durante a noite toda, arrancam os olhos com ela viva, a lançam como um animal e escrevem no capô do carro que "a dívida está paga". No dia seguinte aquele desespero, a polícia é muito eficaz, as câmeras localizaram a placa do carro passando em tal hora, identificaram o celular onde estava, desvendaram o crime em horas. 

 

Até onde nós vamos com uma situação dessa? Olha a crueldade, a covardia por conta de um produto ilícito que foi apreendido pelo Estado.

 

MidiaNews - O senhor é a favor da descriminalização das drogas? 

 

Marcos Machado – Sou a favor da legalização da cannabis. Eu concluí um trabalho de doutorado. Fiquei praticamente cinco anos na orientação de uma socióloga, professora Denise Bontempo, da Universidade de Brasília, UnB. Por conta própria, visitei três países no primeiro momento. Uruguai, Colômbia e Portugal.

 

No segundo momento, fui à Bolívia, aos Estados Unidos e cheguei à conclusão que nós precisamos observar alguns países que já estão à frente do Brasil em relação à cannabis e colocar dentro do nível do álcool, uma relação com o álcool. Tabaco, álcool, cafeína dentro dessa mesma categoria. Legalizar com alta tributação, com controle. 


Sujeito que fuma maconha, bebe e não dirige. Não pode fazer isso dentro de escola, em lugares públicos, como já tem acontecido em outros países, que a meu ver não pode. Virou como uma comparação com o tabaco. E tirar da atuação do tráfico em relação a cannabis. 

 

MidiaNews - Hoje, temos mais conhecimento, tecnologias e avanços. O ser humano está indo para a barbárie com os feminicídios. O que está acontecendo com a nossa sociedade? 

 

Marcos Machado – Vou te responder e aqui não vai nenhuma defesa religiosa. Não vou aqui me colocar como nenhum ativista. mas vou dizer o seguinte: falta de Deus.

 

Não é possível que nós admitamos um comportamento tão hostil, tão agressivo como você bem colocou. A violência sempre existiu, mas a crueldade, a covardia, está muito acentuada. As pessoas hoje perderam aquele sentimento de misericórdia, de condolência.

 

Eu pedi para um assessor retirar de alguns processos que estão sob minha relatoria ou na Câmara que atuo, crimes filmados pelas organizações criminosas, o chamado “salve”. A gente ouve isso e acha que não existe. Existe, estão filmados e estão nos processos. Eu peguei e falei: você pega os processos que tem vídeos, faz um PDF, que eu vou apresentar para os juízes que estão fazendo formação, para que entendam o que vão ver em audiências e se prepararem. 

 

Primeiro filme que passei, um jovem foi levado aqui em Lucas para o mato, ele vendia droga fora da facção. E começaram a matá-lo com um facão, só que o facão era cego, não era afiado. O facão batia no pescoço dele, ia cortando, mas em pedaços. E esse cara foi sangrando e gritando. Olha, um sofrimento terrível, terrível.

 

O que aconteceu com o juiz em formação? Tinha uma moça que saiu vomitando. A outra saiu correndo da sala, pediu para sair, a outra pediu pra desligar o vídeo. Os juízes que estavam para assumir esses casos não conseguiram. 


Nós, juízes criminais, estamos vendo isso a todo momento. Agora não é todo juiz que consegue ver essa cena, que mantém-se na jurisdição criminal. Enquanto isso, somos alvos de críticas a todo momento, de pressão, tem que produzir, tem que responder, tem que atender o advogado na hora que o advogado quer. Nós somos seres humanos também, o que estamos passando, nós juízes criminais, as pessoas não têm a mínima noção. 

 

As pessoas quanto mais distantes de Deus, são mais hostis, mais violentas, mais desarmoniosas, mais conflituosas. Eu venho de uma geração que tínhamos ensino religioso, tínhamos uma orientação bíblica desde criança.

 

Eu comecei na Justiça em 1988 como estudante de direito. Tenho 18 anos de Ministério Público, de advogado. Quase 15 do tribunal, nunca vi tanta crueldade na minha vida. Em 35 anos? Eu nunca vi tanta crueldade. Nunca.

 

MidiaNews - Houve o caso de Sinop do Presídio Ferrugem, com o juiz Marcos Faleiros sendo ameaçado e pressionado pelo próprio sistema penal do Estado. Qual sua avaliação do senhor desse episódio? 

 

Marcos Machado - Em relação ao juiz, até conversei com ele para entender o que havia acontecido. E isso está sendo objeto de apuração, inclusive há relatórios. Há versões e esse fato precisa ser esclarecido e não me atreveria a opinar sem conhecer a miúde. O que posso dizer dentro de uma leitura daquilo que foi publicado, daquilo que foi por ele relatado, que essa apuração sofreu uma reação por parte de policiais penais. 

 

O que não é algo incomum, extraordinário. Eu estava colocando isso até para um grupo de juízes, que não podemos ficar com receio nem do sistema, ou seja, de maus policiais, maus agentes públicos, nem do grupo de criminosos, que se nós fizermos isso, o cidadão, então nem se fala. Ele vai estar recluso na sua própria casa. 


O que vamos cumprir são as regras do jogo, a legislação. Nós queremos juízes que sejam corretos. Mas não juízes que não decidem corretamente, se omitem ou sejam injustos, fazem decisões que são injustas. Esse juiz tem que ter cuidado, porque pode vir a reação mesmo. 

 

Nós temos hoje promotores ameaçados, temos um e outro atentado de juiz. São situações pontuais. Temos outras situações muito claras em países que o juiz que resistiu naturalmente exercendo sua função, sofreu repressão, porque tem organizações criminosas que faz o Estado paralelo e quando há estado paralelo o Estado oficial não é reconhecido. 

 

Infelizmente, a gente precisa dizer a verdade. Nós não conseguimos combater com legalidade quem age contra nós com violência, em absoluta ilegalidade. Eu digo que se a regra do jogo for dar tiro em juiz, temos que devolver com tiro. Não tem como, porque senão quem morre são juízes. 

 

Então, é preciso identificar a potencialidade lesiva, a gravidade das ameaças para agir. E não ficar esperando. E eu disse a ele, falei: você precisa apurar isso com rigor, não ter dúvida do que aconteceu, porque uma coisa é atuar na legalidade, nas regras, outra coisa é você sofrer atentado. 

 

MidiaNews - Nós tivemos os desembargadores Sebastião de Mores Filho e João Ferreira Filho, alvos de Processo Administrativo Disciplinar e afastados de seus cargos, por um suposto esquema de venda de sentença. Esse caso parece ter provocado uma pressão dentro do Tribunal, é isso mesmo? 

 

Marcos Machado - Isso na verdade são fatos excepcionais. Todos lamentamos, porque isso recai negativamente sobre a imagem, o conceito, a confiabilidade, mas é preciso separar a atuação. A história de cada um e reservar o espaço que é apuração por parte do Conselho Nacional de Justiça. Assegurar a todos os magistrados afastados, o direito de defesa, que é sagrado, é constitucional, é algo que você está sujeito.

 

Todos sentem, claro que sim. Internamente, dentro do sistema, mas a vida continua. As pessoas vão e vêm. As pessoas são importantes dentro da história, dentro do momento, dentro de uma trajetória. Agora o volume de trabalho, a responsabilidade que todos temos e, sobretudo, as nossas atribuições não nos permite que o retrovisor seja maior que o parabrisa. 

 

O que temos e precisamos ter é o seguinte: cada um responde pelo seu CPF, cada um tem a sua obrigação, a sua responsabilidade, daquilo que fez, daquilo que não fez e precisa se explicar. Agora, nós, demais, temos também as nossas obrigações, nossas responsabilidades e a vida tem que seguir adiante. 

 

MidiaNews - Há provas contundentes sobre a suposta venda de sentença contra os desembargadores, pelas informações que vieram a público, após a morte do advogado Roberto Zampieri. O desembargador Sebastião já se aposentou por idade. Mas o senhor concorda que eles devem ser aposentados compulsoriamente?  

 

Marcos Machado - Aposentadoria compulsória é um instituto que vem sendo questionado há muito tempo. Há muito tempo. Alguns acham que é o verdadeiro prêmio. Outros defendem que o juiz tem que ter garantias justamente porque ele tem que ser um independente. Eu, quando promotor de justiça, passei por uma situação na carreira vendo um promotor de justiça aposentado compulsoriamente. Eu não me conformava com isso. Eu entendi que ele tinha que ser processado e condenado. 

 

Eu acho que precisa aperfeiçoar, Eu já ouvi no passado de um juiz desonesto, dizendo: "Olha, se me criarem muito caso eu vou realmente fazer o que acho que deve, se quiser, me aposenta, vou estar recebendo o mesmo valor". Com deboche. Achei aquilo o fim da picada, não é possível eu ouvir um negócio desses. Essa segurança para quem pratica desonestidade, precisa ser revista.

 

Eu acho que os afastamentos muitas vezes são absolutamente injustos, inadequados, porque a pessoa afastada perde a possibilidade de se defender adequadamente e ela já é pré-julgada, porque a partir do momento que ela é afastada já há um julgamento de que ele é condenado, é culpado. Então isso aí para o juiz é até, penso eu, inconveniente. Vou voltar com que estatura? Com que respeitabilidade? Eu acho que é uma pena antecipada, inclusive. 


MidiaNews - O senhor é vice-presidente e corregedor do TRE de Mato Grosso e vai estar à frente das eleições de 2026. Quais são os maiores desafios da Justiça Eleitoral para a eleição do ano que vem?

 

Marcos Machado – Eu não tenho dúvida do domínio, do controle, da precisão que a equipe de servidores e gestores do TRE já vem fazendo há alguns anos. Nós, desembargadores e juízes eleitos, somos passageiros lá.

 

O maior desafio que temos, a principal meta e a ação da Corregedoria é a biometria. O cadastro biométrico dos eleitores. Estamos no Estado todo com cerca de 90% da biometria dos eleitores. E precisamos buscar pelo menos mais 2% a 3% para alcançarmos o topo. Há situações adversas pela geografia, pela extensão territorial, pela característica agrária do Estado.

 

Temos populações indígenas distantes, assentamentos. Alguns que não querem, que não vão procurar o TRE, não aceitam, não querem nem saber da Justiça Eleitoral, não querem saber de participar nas eleições. Nós temos os presos que estão com direitos políticos suspensos. Então, a biometria é o grande objetivo nosso para termos eleições transparentes e resultados legítimos.

 

Outro desafio chama-se facções criminosas. Financiamentos que começaram já nas eleições passadas de organizações para terem representantes em Câmaras Municipais, na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional.


Esse é o grande desafio que tenho dito internamente no Tribunal, tenho buscado cooperação técnica para que possamos ter realmente o conhecimento do que está acontecendo e fazer as devidas impugnações e impedir candidaturas que têm lastro financiado pelo crime organizado.

 

MidiaNews – O que fazer neste caso para se ter o princípio eleitoral do equilíbrio na disputa? O que fazer para não ter esse desequilíbrio com a interferência das organizações criminosas? 

 

Marcos Machado – Primeiro, identificar quem são os candidatos que estão sendo apoiados por esses grupos, que não são um só, em todo Mato Grosso. Fazer uma atuação permanente de investigação. E isso já está acontecendo e, no momento certo, preterir candidaturas que vão influenciar resultados eleitorais.

 

Esse trabalho tem que ser contínuo, célere para que essas pessoas não sejam diplomadas, porque depois dá mais trabalho. Temos informes, temos suspeitas, mas tem que ser feito um trabalho. Tenho colocado isso inclusive para a presidência do Tribunal, da necessidade de se constituir uma equipe com cooperação, sobretudo das polícias. Não só a Polícia Federal, que tem pontos de atuação no Estado.

 

Nós temos que contar com o serviço de informação da Polícia Militar e contar sobretudo com a atuação da Polícia Civil, que tem delegados em todo o Estado de Mato Grosso.

 

Outro desafio que acredito que o TRE deve enfrentar é o trabalho de combater as fake news e a desinformação, que já vimos que é uma situação que ficou no processo eleitoral e não tem mais como voltar.

 

MidiaNews – O que o TRE tem feito nessa questão de combater fake news e desinformação no processo eleitoral?  

 

Marcos Machado – Eu acho que o pior já passou. O país, o Estado já passou por eleições e conheceu esses fenômenos. Hoje, temos uma equipe de comunicação no TRE altamente capacitada e experimentada em relação a isso. Já temos decisões dos tribunais regionais e também do Tribunal do Superior Eleitoral, o TSE, a respeito do tema. Sabemos o que pode e o que não pode, o que deve ser feito de forma preventiva e a legislação eleitoral.

 

Nós temos que contar com a cooperação, porque o processo eleitoral não é só do TRE. Depende de toda atuação político-partidária, não só de candidatos, mas de partidos. E tem a expectativa de que haja um comportamento ético por parte de candidatos e partidos.

 

Agora, se não houver, a legislação está aí para ser aplicada. Eu, particularmente, quando tenho oportunidade de presidir e ter voz no Tribunal, sempre deixo claro a importância do diálogo, da formação de entendimentos convergentes e rapidez nas decisões. Porque não podemos deixar situações da eleição passada entrar no processo do ano que vem.


MidiaNews - Quais situações da eleição passada precisam de decisão, por exemplo?

 

Desembargador Marcos Machado – Até hoje tem questionamento a respeito de cassação. Temos impugnação, por exemplo, de vereadores ainda sendo julgada, de prefeitos ainda, que são da eleição passada. Temos ainda processos criminais, então isso tudo não pode abalar o primeiro semestre que é preparatório para as eleições, temos que julgar isso. Temos que em março e abril acabar com as eleições municipais, ou seja, não ter processo para que nos dediquemos às eleições gerais.

 

MidiaNews - Como a Justiça eleitoral vai permanecer firme em suas decisões diante de um Estado onde tem parlamentares, que questionam os resultados e até a legitimidade do processo eleitoral?

 

Marcos Machado - A opinião é livre, é constitucional, é direito de expressão desde que você não ofenda, não incorra em calúnia, injúria e difamação. O pensar é livre, é só lutar até que você tenha opinião, até porque você identifica se está certo ou está errado.

 

Uma vez me perguntaram o que eu achava das urnas eletrônicas e naturalmente da segurança do sistema tecnológico do tribunal. Eu fui promotor, fui advogado numa edição municipal e fui promotor de outras duas. Quando a urna era de lona, quando a contagem era a cédula anotada na caneta azul em mesas cuja apuração começava sem ter hora para terminar. 

 

Não existe nada mais precário e inseguro, absolutamente impreciso, e aí cito o exemplo até dos mapas. Quantos erros eram anotados no final? Quantas fraudes foram colocadas, quantos gritos, quantas situações de pressão ali na localidade? Quantas urnas saíram e não chegaram?

 

O sujeito vir depois de 30 anos de evolução que já passamos, de algo que é perfeitamente auditável, e dizer: isso aí é ilegítimo, isso aqui deveria ter sido assim. Olha, sinceramente, não me permito discutir isso. 

Por Gazeta Digital 30 de agosto de 2026
Quando o eleitor mato-grossense for às urnas em outubro, precisará lidar com dois métodos de contabilização de votos distintos, sendo eles o sistema majoritário e o proporcional. Compreender essas diferenças e como o Poder Executivo atua lado a lado com o Poder Legislativo é a chave para uma decisão consciente e para o fortalecimento da representatividade do estado no cenário nacional. Nas eleições majoritárias para o governo do Estado e o Senado, a lógica é que o vencedor será aquele que receber mais votos e obter maioria absoluta. É o caso da disputa ao Palácio Paiaguás, que conta com seis candidatos: Maurício Coelho (Mobiliza), Natasha Slhessarenko (PSD), Otaviano Pivetta (Republicanos), Rafaell Milas (Missão), Sargento Laudicério Machado (Agir) e Wellington Fagundes (PL). As votações para a presidência também são calculadas dessa forma e, atualmente, contam com 13 candidatos: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Pablo Marçal (PRTB), Escritor Augusto Cury (Avante), Samara Martins (UP), Hertz Dias (PSTU), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO) e Veterinário Wilson Grassi (Democrata). Para que um deles seja vencedor, é necessário alcançar a maioria absoluta dos votos válidos (50% mais um voto) no primeiro turno ou, caso nenhum concorrente atinja essa marca, disputar o segundo turno seguindo a mesma regra. Esse mesmo padrão se repete para a disputa presidencial, governo e para o Senado Federal, em que o eleitor de Mato Grosso escolherá duas cadeiras em 2026, com mandatos de oito anos. Entretanto, a dinâmica muda ao escolher quem ocupará as 24 cadeiras da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e as oito vagas do estado na Câmara dos Deputados em Brasília. Para deputados estaduais e federais, o sistema adotado é o proporcional. Nesse modelo, o voto dado ao candidato também conta para o partido ou federação partidária. Assim, o que vai definir quantos deputados de cada partido ocuparão as cadeiras depende do cálculo do Quociente Eleitoral (total de votos válidos dividido pelo número de vagas). Em seguida, a votação total do partido é dividida pelo quociente eleitoral para descobrir o quociente partidário. É esse mecanismo que faz surgir os chamados “puxadores de votos”, que são candidatos com forte apelo eleitoral que atraem grande soma de votos para a legenda, ajudando a eleger colegas de chapa com votações menores. Porém, não é somente essa “puxada” que garante a vaga. Para evitar distorções, existe uma cláusula de barreira individual que exige que o candidato alcance pelo menos 10% do quociente eleitoral por conta própria, além de critérios específicos para a distribuição das sobras entre as legendas. Cooperação entre Executivo e Legislativo O governador de Mato Grosso e o presidente da República eleitos não administram sozinhos. A viabilização das grandes propostas de governo, seja para a infraestrutura, a logística, a saúde, o agronegócio ou a preservação ambiental. Todos os assuntos dependem fundamentalmente da articulação política com o Legislativo. Os deputados estaduais, federais e senadores são responsáveis por apreciar, votar e alterar o orçamento público, aprovar leis e fiscalizar o Executivo. Um governador sem apoio no parlamento enfrenta graves impasses de governabilidade, enquanto parlamentares distantes das demandas da população travam projetos estratégicos para a região.
Por Gazeta Digital 30 de agosto de 2026
Infiltradas na economia e na política, ditando regras de “convivência” em regiões, as facções criminosas expandem territorialmente e aumentam a sensação de insegurança. O medo se expressa no cidadão comum, que deixa de denunciar um crime para não sofrer represálias, e no comerciante que, para continuar vendendo, precisa pagar “mensalinho”. Quem vive na pele a “governança criminal” e o controle social das facções espera, do próximo governo, uma segurança pública que dê respostas. Já especialistas afirmam que o combate às organizações criminosas está entre as medidas mais necessárias a serem adotadas pelos novos representantes eleitos e um dos principais focos de ataque tem que ser o sistema prisional. Comerciante em Várzea Grande, J.C. conta que, por anos, sofreu terror psicológico exercido pelo Comando Vermelho. Ele era dono de um mercado em um bairro periférico do município e era obrigado a pagar uma “taxa de funcionamento” de até 5% sobre o faturamento mensal, sob a ameaça de incendiarem o estabelecimento. O local também tinha que funcionar como ponto de divulgação de uma “raspadinha da sorte”, que era desenvolvida pela organização criminosa. “Não tinha saída, eu era ameaçado e essa ameaça se estendia para toda a minha família. Sabe o que não é conseguir dormir direito? Eu vivia aterrorizado, tinha que vender para pagar fornecedores, funcionários, para sobreviver e ainda para custear uma facção. Minha mulher entrou em depressão”. Segundo o comerciante, a saída foi fechar as portas. “Começaram a cobrar um valor, depois passaram a monitorar o faturamento e aumentaram. Foi ficando inviável, não só pelo valor, mas pelo terror a que estávamos sujeitos. Eu espero de verdade que tenhamos uma resposta do poder público para não ficarmos reféns dos criminosos”. Dono de uma distribuidora, A.R.S. diz que a extorsão vivenciada deixou reflexos emocionais e financeiros. Ele confirma que a organização criminosa cobrava uma taxa compulsória de R$ 1 por cada garrafão de 20 litros vendido. Também era determinado que o produto fosse adquirido exclusivamente de empresas ligadas ao grupo criminoso. “Eu era obrigado a mostrar notas das águas que adquiria, também tinha que repassar valores de tudo que saía de venda. Outra exigência é que vendesse determinadas marcas de cigarros, contrabandeados. Eu ficava com medo deles por conta das ameaças e também ficava com medo de ser preso pelos produtos. Você vive sem paz. Não desejo que ninguém passe pelo que passei”. O cenário de terror também foi vivenciado por um motorista de uma empresa de embalagens. B.M.S. confirma que passa a maior parte do tempo viajando e que, na casa, ficam apenas a esposa e um filho menor de idade. Em um dos dias em que estava de folga, foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta que o chamaram para conversar. “Eles disseram que os moradores com melhores condições no bairro tinham que pagar uma taxa mensal de R$ 100 para a segurança da região. E aqueles que não concordassem com a taxa teriam a casa sinalizada como sem proteção, ou seja, poderia ser alvo de roubo. Achei que era brincadeira, mas fui conversar com alguns vizinhos, que também disseram a mesma coisa. A que ponto a gente chega. Ficar refém de criminosos que ditam regras. Precisamos de uma segurança pública de verdade, para que não tenhamos medo de sair de casa, de ser morto, roubado. A polícia precisa dar uma resposta”.
Por Agência Brasil 30 de agosto de 2026
Prorrogado no início de agosto, o Novo Desenrola Brasil, programa do governo federal voltado à renegociação de dívidas bancárias, termina na próxima segunda-feira (31). A iniciativa permite que pessoas físicas com débitos em atraso tenham acesso a descontos e condições de pagamento diferenciadas para regularizar a situação financeira. O programa atende consumidores com renda mensal de até cinco salários mínimos, atualmente equivalente a R$ 8.105, e tenham dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 91 dias e dois anos. O prazo, que terminaria em 2 de agosto, foi prorrogado até o fim deste mês. Não há previsão de uma nova extensão. A modalidade voltada às famílias renegociou, até o início da última semana de agosto, cerca de 5,03 milhões de dívidas. Os débitos somavam originalmente R$ 26,33 bilhões e, após os acordos, foram reduzidos para aproximadamente R$ 5,27 bilhões. Quem pode participar A modalidade Desenrola Famílias é destinada a pessoas físicas com renda mensal de até cinco salários mínimos. Além do critério de renda, a dívida precisa atender às regras do programa. Podem ser incluídos débitos: Contratados até 31 de janeiro de 2026; Com atraso entre 91 dias e dois anos; Registrados em instituição financeira participante. A própria instituição financeira verifica se o consumidor e a dívida atendem aos critérios, utilizando informações disponíveis em seus sistemas e no Sistema de Informações de Crédito (SCR) do Banco Central. Quais dívidas entram O programa contempla modalidades de crédito que costumam apresentar taxas de juros elevadas. Entre as operações que podem ser renegociadas estão: Cartão de crédito rotativo ou parcelado; Cheque especial; Crédito pessoal sem consignação em folha; Empréstimos pessoais utilizados para consolidar outras dívidas. A inclusão do débito, porém, depende da análise e da participação da instituição financeira responsável pela operação. Condições Quando a renegociação é feita por meio de uma nova operação de crédito, o programa estabelece condições específicas: Juros máximos de 1,99% ao mês; Prazo de até 48 meses; Parcela mínima de R$ 50; Limite de até R$ 15 mil por beneficiário em cada instituição financeira; Primeira parcela em até 35 dias; Possibilidade de desconto sobre a dívida original; Garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO). Na prática, o novo crédito substitui os débitos elegíveis por uma operação com condições definidas dentro dos limites do programa. Como fazer Não existe uma plataforma única do governo para formalizar a renegociação. O consumidor deve procurar diretamente a instituição financeira onde a dívida está registrada. O atendimento pode ser feito, conforme os canais disponibilizados por cada banco, pelo aplicativo, internet banking, site, telefone, WhatsApp ou agência física. Durante a negociação, a instituição informa se o débito é elegível e apresenta as condições disponíveis. Entre as instituições que participam da iniciativa estão Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e Nubank. Nome sai do cadastro A retirada da dívida dos cadastros de inadimplentes não ocorre simplesmente com a assinatura do acordo. Nas renegociações realizadas por meio da nova operação de crédito, a instituição financeira deve providenciar a retirada da dívida após o pagamento da primeira parcela. O consumidor, portanto, precisa cumprir as condições previstas no contrato para manter a regularização. FGTS pode ser usado Uma das possibilidades previstas no programa é usar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para amortizar ou quitar a dívida renegociada. Podem ser usados recursos de contas ativas e inativas, com prioridade para as contas inativas. O trabalhador pode utilizar o valor que for maior entre: Até R$ 1 mil; ou Até 20% do saldo disponível no FGTS. A utilização depende da contratação da operação e da autorização do trabalhador, além dos procedimentos com a instituição financeira. Para autorizar o uso do saldo, o trabalhador deve acessar o aplicativo FGTS, consultar o valor disponível e permitir o compartilhamento da quantia com o banco responsável pela dívida. Depois da autorização, os bancos têm prazo de até 30 dias para formalizar o contrato com a Caixa Econômica Federal, que fará a transferência do valor diretamente à instituição financeira. Banco é obrigado a renegociar? Não. A participação das instituições financeiras é voluntária. Mesmo quem atende aos critérios de renda e tem uma dívida que se enquadra nas regras só poderá renegociá-la pelo programa se o banco ou financeira responsável tiver aderido à iniciativa e oferecer a operação. E quem está em dia? O Novo Desenrola também possui uma modalidade diferente para consumidores que não estão inadimplentes. O Desenrola Adimplente é destinado a pessoas que mantêm os pagamentos em dia, mas desejam reduzir o custo de empréstimos já contratados. A proposta é substituir operações mais caras por um novo crédito com condições mais favoráveis antes que o consumidor entre em atraso. O programa também contempla regras específicas para outros públicos, como estudantes com dívidas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), produtores rurais e micro e pequenas empresas. Formalização O prazo de 31 de agosto vale para a formalização do acordo, não para a entrada do pedido. Como a instituição financeira precisa verificar a elegibilidade da dívida e apresentar as condições da operação, a recomendação é iniciar o atendimento antes do último dia do prazo. O consumidor também deve comparar as condições oferecidas, conferir o valor total a ser pago, a taxa de juros, o número de parcelas e as consequências de eventual novo atraso antes de concluir a renegociação.
Por BandaB 29 de agosto de 2026
A Casas Bahia conseguiu nesta sexta-feira (28) uma proteção temporária da Justiça de São Paulo contra ações de cobrança e execuções. A medida vale por 180 dias e foi determinada antes mesmo da análise definitiva do pedido de recuperação judicial apresentado pela empresa. A decisão foi tomada pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais. O objetivo é evitar uma busca de credores pelo patrimônio da varejista enquanto a empresa tenta reorganizar as finanças. As informações são do Metrópoles. A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial em 16 de agosto. De acordo com as informações apresentadas no processo, as dívidas do grupo são estimadas em R$ 17,3 bilhões. Na prática, a medida impede que os credores façam determinadas cobranças ou iniciem execuções durante o período de proteção definido pela Justiça. A decisão, no entanto, não significa o encerramento da recuperação judicial. Em meio à recuperação judicial, medida busca preservar operações da Casas Bahia A decisão da Justiça paulista também estabelece uma série de restrições para evitar que a crise financeira comprometa o funcionamento das Casas Bahia. A avaliação é de que a proteção temporária dá à empresa tempo para organizar as informações financeiras e avançar no processo de recuperação judicial. Segundo a defesa da empresa, credores e parceiros comerciais ficam impedidos de antecipar cobranças ou reter valores da varejista. A determinação também alcança fornecedores e serviços considerados essenciais para a operação. Casas Bahia terá prazo para apresentar documentos à Justiça Além da suspensão das cobranças, o Poder Judiciário determinou que a empresa corrija eventuais falhas e apresente documentos que ainda não foram entregues no processo. Salário mínimo pode chegar a R$ 1.741 em 2027, prevê o Governo Federal A rede de lojas terá o prazo de 10 dias para cumprir as determinações. Caso não atendam às exigências, o processo poderá sofrer consequências, inclusive com possibilidade de cancelamento da medida. Quem descumprir a decisão judicial poderá ser multado em R$ 50 mil por dia.
Por Gazeta Digital 29 de agosto de 2026
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou sem vetos a Lei Complementar 235/26 , com regras para mitigar no Brasil os recentes impactos econômicos no mercado internacional de energia, decorrentes do conflito entre Estados Unidos e Irã. O texto, publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira (28), reduz alíquotas de tributos federais sobre importação, produção e comercialização de óleo diesel rodoviário, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação. A perda de arrecadação será compensada por receitas extraordinárias da União. Segundo o Poder Executivo, com o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, somente entre janeiro e março de 2026, a arrecadação federal com petróleo e gás natural chegou a R$ 28 bilhões, contra R$ 9 bilhões no mesmo período do ano passado. Biocombustíveis e fertilizantes A lei é oriunda da versão da relatora na Câmara, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), para o Projeto de Lei Complementar 114/26, do deputado Paulo Pimenta (PT-RS). O Senado aprovou o texto após um ajuste na redação. Por recomendação da deputada, os benefícios para combustíveis fósseis deverão preservar a competitividade dos biocombustíveis. Assim, o governo concederá subvenção de R$ 1,2 bilhão aos produtores e cooperativas de etanol hidratado. A norma também beneficia produtores rurais com a suspensão do pagamento de tributos. Além disso, autoriza a União a conceder até R$ 5 bilhões em créditos para projetos de produção de fertilizantes e bioinsumos entre 2027 e 2031. Outros pontos A proposta também estipula regras para a destinação de recursos a hospitais inteligentes de alta complexidade e concede benefício fiscal para a Fifa durante a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, que será sediada no Brasil. Por fim, o texto traz também incentivos para o setor de minerais raros e estratégicos.
Por Ascom 29 de agosto de 2026
Uma carga de 23 tabletes de entorpecentes, entre maconha, pasta base e cocaína, foi apreendida pela Polícia Civil, na noite desta quinta-feira (27), em ação realizada pelos policiais civis da Delegacia de Tangará da Serra. O motorista do caminhão em que a droga era transportada foi autuado em flagrante por tráfico de drogas. A apreensão da droga ocorreu por volta das 23 horas, na rodovia MT-358, após a equipe de policiais da Delegacia de Tangará da Serra receber uma denúncia anônima de que um caminhão estaria transportando entorpecentes escondidos no estepe do veículo. Diante da denúncia, os policiais realizaram monitoramento nas imediações da rodovia e localizaram o veículo com as características informadas. O caminhão foi abordado e o motorista relatou inicialmente que transportava apenas uma carga de sal e uma motocicleta Honda Biz. Durante a vistoria, os policiais encontraram um pneu de caminhão compatível com o veículo. Após a abertura do pneu, os policiais localizaram 19 tabletes de maconha, três tabletes de pasta base de cocaína e um tablete de cocaína, totalizando 23 tabletes de drogas. Questionado sobre o material, o motorista confessou que havia recebido o pneu em Cuiabá e que deveria fazer a entrega da carga no município de Aripuanã. Ele afirmou ainda que receberia R$ 5 mil pelo transporte da droga e que aceitou realizar o serviço em razão de dívidas. O suspeito, a droga e o veículo foram encaminhados à 1ª Delegacia de Polícia de Tangará da Serra. Após o interrogatório, o homem foi autuado em flagrante por tráfico de drogas e permaneceu preso. As investigações prosseguem para esclarecer a origem da droga e identificar outros possíveis envolvidos no transporte e na distribuição dos entorpecentes. 
Por Redação 29 de agosto de 2026
As Eleições Gerais de 2026 recolocam em evidência uma questão que ultrapassa o debate político e alcança diretamente as relações de trabalho: os limites da manifestação de preferências eleitorais por empregadores e demais agentes que ocupam posições de autoridade. Embora a liberdade de expressão assegure a exteriorização de convicções políticas, esse direito não autoriza a utilização do poder econômico ou hierárquico para interferir na consciência e na escolha eleitoral do trabalhador. A questão assume especial relevância porque a relação de emprego é marcada pela subordinação jurídica. Nesse contexto, uma manifestação aparentemente espontânea pode adquirir caráter coercitivo quando acompanhada de ameaça, promessa de vantagem, discriminação, constrangimento ou qualquer outro mecanismo capaz de induzir o empregado a votar ou apoiar determinado candidato, partido ou corrente política. A proteção jurídica à liberdade de escolha decorre de um conjunto de normas constitucionais, eleitorais, civis e trabalhistas. Entre os dispositivos relacionados ao tema estão a Lei nº 9.029/1995, o Código Eleitoral, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a Lei das Eleições e as normas que protegem a liberdade de consciência, a igualdade e o livre exercício dos direitos políticos. A Resolução CSJT nº 355/2023 representa uma das principais referências normativas sobre o assunto no âmbito das relações de trabalho. O ato caracteriza o assédio eleitoral como conduta que envolve distinção, exclusão ou preferência fundada em convicção ou opinião política e estabelece como elementos relevantes práticas como coação, intimidação, ameaça, humilhação ou constrangimento destinadas a influenciar o voto ou a manifestação política de trabalhadores. O conceito afasta, portanto, uma interpretação segundo a qual qualquer manifestação política dentro de uma empresa configuraria automaticamente assédio eleitoral. A jurisprudência trabalhista vem estabelecendo uma análise baseada nas circunstâncias concretas de cada caso, considerando a existência de abuso, a posição de autoridade de quem pratica a conduta, a intensidade da pressão e os efeitos produzidos sobre a liberdade do trabalhador. Decisões de diferentes Tribunais Regionais do Trabalho demonstram essa preocupação. Há precedentes reconhecendo assédio eleitoral quando o empregador utiliza sua posição para mobilizar empregados em favor de determinada candidatura ou promove reuniões destinadas a direcionar suas escolhas. Em sentido oposto, também existem decisões afastando a caracterização do ilícito quando não demonstrada uma conduta efetivamente coercitiva ou abusiva. Esse entendimento evidencia uma distinção fundamental: manifestar uma preferência política é diferente de utilizar uma relação de poder para impor essa preferência a terceiros. O empregador mantém seu direito à liberdade de expressão, assim como qualquer cidadão. O poder diretivo, entretanto, encontra limites nos direitos fundamentais do trabalhador. A subordinação decorrente do contrato de trabalho não transfere ao empregador qualquer autoridade sobre a consciência política, a convicção ideológica ou o voto do empregado. O sigilo do voto constitui uma das principais garantias desse sistema. A escolha eleitoral pertence à esfera individual do cidadão e não pode ser condicionada à necessidade de demonstrar fidelidade política a superiores hierárquicos, colegas de trabalho ou grupos sociais. O Código Eleitoral também estabelece consequências penais para determinadas formas de interferência na liberdade eleitoral, especialmente quando envolvem violência, ameaça, coação, oferecimento ou promessa de vantagem relacionada ao voto. A gravidade dessas condutas decorre justamente do fato de atingirem não apenas um direito individual, mas a própria legitimidade do processo democrático.  Para as Eleições 2026, a Justiça Eleitoral reforçou a preocupação com o ambiente profissional. A Resolução TSE nº 23.755/2026 alterou a regulamentação da propaganda eleitoral e passou a prever expressamente a vedação à propaganda eleitoral e ao assédio eleitoral em ambientes de trabalho públicos ou privados, com responsabilização de quem der causa ou permitir a prática. A alteração normativa confere maior clareza a um tema que já vinha sendo enfrentado pela Justiça do Trabalho e por outros órgãos de fiscalização e proteção dos direitos políticos. Na avaliação do juiz-membro titular do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), Pérsio Oliveira Landim, o debate deve ser compreendido a partir de uma premissa essencial: a democracia pressupõe a existência de condições para que o cidadão exerça sua escolha de maneira autônoma e sem constrangimentos. Nesse sentido, o combate ao assédio eleitoral não significa restringir o debate político no ambiente profissional. O objetivo é impedir que uma relação de autoridade seja convertida em mecanismo de controle da vontade individual. A orientação preventiva, portanto, é que empresas estabeleçam parâmetros objetivos de conduta durante o período eleitoral, especialmente para gestores e profissionais responsáveis pela administração de pessoas. A manifestação individual de uma preferência política não deve ser confundida com práticas que possam induzir, constranger ou retaliar trabalhadores em razão de suas escolhas. A linha divisória está no abuso. Enquanto a liberdade de expressão protege o direito de manifestar uma opinião, o ordenamento jurídico não admite que essa liberdade seja utilizada como instrumento para limitar a liberdade política de outra pessoa. Nas Eleições 2026, preservar essa distinção representa mais do que uma questão de conformidade jurídica. Significa proteger a autonomia do eleitor e assegurar que a relação de trabalho não se transforme em espaço de condicionamento da cidadania.
Por Gazeta Digital 28 de agosto de 2026
Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (28), a Operação Arcanjo, para desarticular uma organização criminosa investigada por comprar, transportar e comercializar ouro de origem ilícita. O grupo teria negociado aproximadamente 17,3 quilos do minério e movimentado mais de R$ 5,2 milhões em recursos relacionados às operações investigadas. Ao todo, os policiais cumprem 22 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva em Cuiabá, Várzea Grande, Poconé e Pontes e Lacerda, em Mato Grosso, além de Campo Grande (MS) e São José do Rio Preto (SP). Segundo a investigação, a organização atuava em diferentes etapas da cadeia do ouro, envolvendo fornecedores, operadores financeiros, intermediários, transportadores e compradores. O esquema teria início na região de Poconé, onde o minério era adquirido de garimpeiros que atuavam de forma ilegal. Os pagamentos eram realizados pelo núcleo financeiro do grupo, inclusive com o uso de contas bancárias de terceiros para dificultar o rastreamento da origem e do destino dos valores. Após a aquisição, o ouro era levado para São José do Rio Preto, onde era recebido e mantido em um estabelecimento utilizado para a custódia e posterior comercialização do minério. Na cidade paulista, o ouro era intermediado até chegar aos compradores finais, completando o ciclo de circulação e venda do material. As investigações também identificaram mecanismos que, segundo a PF, eram utilizados para ocultar e dissimular os valores obtidos com as negociações. Parte do dinheiro era pulverizada por meio de transferências eletrônicas e saques de grandes quantias em espécie. A análise financeira permitiu aos investigadores reconstruir parte da estrutura e da dinâmica do grupo criminoso, apontando a participação de diferentes integrantes em funções específicas dentro do esquema. Os investigados podem responder, em tese, pelos crimes de usurpação de matéria-prima pertencente à União, lavagem de dinheiro e associação criminosa, além de outros delitos que possam ser identificados durante o avanço das diligências.
Por Veja 28 de agosto de 2026
O número de empresas brasileiras em recuperação judicial atingiu o maior patamar da série histórica do Monitor RGF-BIZDOC, iniciada em julho de 2023, com dados referentes ao segundo trimestre daquele ano. Ao final de junho, 6.341 companhias estavam nessa situação na base restrita do levantamento, que exclui microempresas, filiais e negócios inativos. O estoque cresceu 6,2% no primeiro semestre, abaixo dos 7,3% registrados no mesmo período de 2025. Na base completa, que reúne todos os CNPJs com registro de recuperação judicial, a alta chegou a 8%. Casos de grandes empresas como Oi e Braskem ajudam a dar dimensão ao ambiente de deterioração financeira. A Braskem passou a preparar uma recuperação extrajudicial depois de buscar proteção contra credores. A petroquímica enfrenta uma combinação de crise global no setor, dívida elevada e problemas específicos da companhia. A alavancagem da Braskem, relação entre a dívida líquida e a geração de caixa, saltou de 0,94 vez em 2021 para 14,74 vezes em 2025. No primeiro trimestre de 2026, alcançou 16,81 vezes. A dívida líquida da companhia é estimada em aproximadamente 9,4 bilhões de dólares. Além do endividamento em dólar, a empresa é pressionada pela dependência da nafta, pelos passivos relacionados ao afundamento do solo em Maceió e pelas dificuldades de sua operação no México. A crise global da petroquímica, provocada pelo excesso de capacidade produtiva, derrubou as margens de grandes grupos, mas a Braskem foi a única entre as principais companhias do setor analisadas pela pela RGF-BIZDOC a chegar ao default e à proteção contra credores. Crise avança entre empresas menores Os dados mostram uma mudança no perfil da insolvência empresarial. O crescimento das recuperações começa a desacelerar entre empresas grandes e muito grandes, mas ganha força entre micro, pequenas e médias companhias. As falências também voltaram a crescer em 2026, depois de permanecerem praticamente estáveis no ano passado. O movimento ocorre em um ambiente de juros elevados, crédito caro e dificuldades para renegociar dívidas acumuladas. Entre as grandes companhias, a recuperação extrajudicial vem ganhando espaço. O mecanismo permite negociar dívidas com grupos específicos de credores e costuma ser mais ágil e flexível, embora ofereça proteção menos abrangente do que a recuperação judicial. Raízen, GPA e Oncoclínicas estão entre os casos destacados pelo Monitor. Agro lidera deterioração O agronegócio apresenta a pior evolução financeira entre os setores analisados. O Monitor identificou 1.263 empresas do segmento em recuperação judicial, aumento de 21,4% no primeiro semestre e de 66% em doze meses. Uma em cada cinco empresas em recuperação pertence ao agro ou à sua cadeia. Na construção civil, 1.105 CNPJs estavam em recuperação judicial ao final de junho, alta de 5,7% em doze meses. O setor também contabiliza 179 empresas falidas, das quais 94 atuavam na construção de edifícios. O levantamento mostra que as incorporadoras costumam recorrer à recuperação judicial para preservar imóveis e projetos, enquanto as empreiteiras, que trabalham com margens mais estreitas, apresentam maior frequência de falências. Entre os casos destacados estão a Rossi Residencial, que teve seu plano aprovado em 2026, e a PDG Realty, cuja reestruturação envolve estimado em 5,7 bilhões de reais. 
Por Gazeta Digital 28 de agosto de 2026
O senador Omar Aziz (PSD-AM) apresentou, nesta quinta-feira (27), o relatório da PEC 221/2019, que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais no Brasil. Como o próprio parlamentar já havia anunciado anteriormente, ele manteve integralmente o texto aprovado pela Câmara dos Deputados e rejeitou as 12 emendas apresentadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O texto será apreciado pelo colegiado na próxima semana, durante o último esforço concentrado do Congresso Nacional para a votação de matérias legislativas antes das eleições, no dia 4 de outubro. Veja o que prevê o texto da PEC: - Dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos - Salário não poderá ser reduzido por causa diminuição da jornada - Dois meses após a promulgação da PEC, a jornada máxima passa das atuais 44 para 42 horas semanais. - Um ano depois do fim desse primeiro período, cai definitivamente para 40 horas. A manutenção do texto como veio da Câmara evita que eventuais alterações da proposta pelos senadores obrigassem o retorno da matéria para uma última análise dos deputados. A tramitação da matéria, aprovada no fim de maio na Câmara, só foi destravada há pouco mais de 10 dias, após uma reaproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Já nesta última quarta-feira (26), um almoço entre Lula, Alcolumbre e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), selou a pauta de votação para o esforço concentrado da próxima semana. Apesar de garantir a votação da PEC do fim da escala na CCJ, o presidente do Senado foi cauteloso e não prometeu que o texto possa ser votado em Plenário. Na Câmara, a PEC do fim da escala, que tem forte apelo popular, foi aprovada em dois turnos por amplas margens de votação: 472 a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo. A previsão é que a CCJ do Senado vote o texto na próxima quarta-feira (2). Se a comissão aprovar o parecer, a PEC ainda precisará passar pelo Plenário do Senado em dois turnos, com o mínimo de 49 votos favoráveis em cada votação. Argumentos do relator Um dos principais argumentos apresentados por Omar Aziz para manter o parecer favorável à PEC é o de que as jornadas superiores a 40 horas atingem principalmente trabalhadores de menor renda e escolaridade. O parlamentar usou estatísticas de uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), baseada em informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2023, que apontam que 80% dos vínculos com jornada superior a 40 horas têm salário contratual de até dois salários mínimos, enquanto 90% recebem até três salários mínimos. Também sustentou que mais de 83% dos vínculos de trabalhadores com ensino médio completo ou menos cumprem jornada superior a 40 horas semanais, proporção que cai para 53% entre os de ensino superior completo. "A jornada prolongada não é, portanto, fenômeno neutramente distribuído na estrutura produtiva: recai de modo desproporcional sobre os trabalhadores de menor renda e menor escolaridade. Reduzi-la é, nessa exata medida, providência de justiça distributiva, e não apenas de política laboral", argumentou. Aziz também defende a mudança como forma de reduzir os efeitos negativos de jornadas extensas. O parecer afirma que períodos maiores de descanso contribuem para a recuperação física e mental, além de reduzir a exposição a situações de adoecimento e acidentes de trabalho. O relator rejeitou todas as emendas apresentadas, incluindo aquelas que buscavam manter a jornada de 44 horas semanais, permitir jornadas superiores às 40 horas por meio de negociação coletiva, alongar o período de transição para a nova jornada ou adiar a entrada em vigor dos dois dias de repouso semanal.