“Nem todos os juízes têm expertise e coragem; são apenas carreiristas”

MidiaNews • 29 de dezembro de 2025

O desembargador Marcos Machado, do Tribunal de Justiça, enumerou os desafios da Justiça no Estado, como o enfrentamento ao crime organizado, tanto na eleição de 2026, como na vida diária do cidadão.


Professor, ele atua na formação de novos juízes e tem experiência como promotor de Justiça Criminal. Mas não deixa também de fazer a própria autocrítica do Poder Judiciário. O desembargador fez uma série de apontamentos ao Ministério Público e até de parte dos juízes do Estado.

 

"Precisamos de uma transformação por dentro do Judiciário. Nem todos os juízes têm expertise e se envolvem, têm coragem de atuar nessa atual realidade da criminalidade organizada. Muitos são carreiristas que querem chegar à Capital", disse em entrevista ao MidiaNews

 

O magistrado, que é vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) e corregedor eleitoral, apontou que a criminalidade está enraizada na atividade econômica, o que lhe dá sustentação, além do tráfico. 

 

“Nós precisamos olhar para o dinheiro, porque a criminalidade está com atividades lícitas. Veja o que aconteceu com a distribuição de metanol, o tamanho da empresa, 500 caminhões, tudo a serviço do tráfico de drogas”, disse sobre a infiltração do crime em negócios formais.

 

"O desafio chama-se facções criminosas e financiamentos para terem representantes em Câmaras Municipais, na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional. Temos que impedir candidaturas financiadas pelo crime organizado", acrescentou sobre desafios das eleições.

 

Ainda na entrevista, o desembargador falou sobre o afastamento de colegas desembargadores por suposta venda de sentenças, tráfico de drogas e da descriminalização da cannabis.


MidiaNews - Como analisa a atuação da nossa justiça criminal como um todo em Mato Grosso? 

 

Marcos Machado – Estamos num processo de evolução. Temos dificuldades de toda a ordem, inclusive de entendimentos, mas estamos numa crescente positiva. O que sempre destaco negativamente, e isso é um problema nacional, é a existência de duas polícias. Não vejo isso como uma atividade eficaz. Há uma disputa, inclusive confrontos, entre policiais civis e militares. 

 

Não vejo a militarização como uma atividade que se aproxima do sistema de justiça, embora defenda e reconheça a importância da atuação da polícia nas ruas, nas operações, nos confrontos, sobretudo contra a violência. Mas essa coordenação, sobretudo hierárquica da Polícia Militar, é um grande prejuízo. 

 

Imagina, você tem um tenente, um capitão, um tenente-coronel... Veja, essa estrutura é uma estrutura cara e com muitos mandantes, muitos chefes, digamos assim. E a nossa Constituição reserva para a Polícia Civil atividade investigatória. Veja como isso é um contrassenso. 

 

Nós temos hoje uma legislação que não é simples. Ela oferece uma série de direitos e coloca a vítima quase num lugar inexistente. Quando a vítima é o principal elemento. E você vê dificuldades imensas da vítima hoje ser atendida e bem atendida pelo Ministério Público, que deveria ser o grande advogado da vítima, mas o Ministério Público se burocratizou.

 

O Ministério Público cresceu muito internamente, é uma das instituições mais bem aparelhadas, com integrantes de altíssima qualidade técnica, moral e com atribuições constitucionais legais que poderiam fazer a transformação social. Mas, a meu ver, diminuiu, perdeu o espaço. Por falta de vocação de alguns, por interesse material de outros, cumprem contratos, digamos, obrigacionais, não se doam, não se dedicam. E isso vai fragilizando o sistema.

 

MidiaNews - Acha que é preciso uma mudança no Judiciário?


Marcos Machado – Precisamos de uma transformação por dentro do Judiciário. Nem todos os juízes têm expertise e se envolvem, têm coragem de atuar nessa atual realidade da criminalidade organizada. Muitos são carreiristas que querem chegar à Capital.

 

A atuação virtual, do sistema virtual e eletrônico, transformou o processo em números. Quando sabemos que atrás do processo tem vidas, tem direitos, tem sentimentos, tem interesses, tem dores, transforma o sistema realmente em algo muito complexo. 

 

Tem pessoas que se doam, se dedicam, tem um espírito cristão e uma uma tendência cidadã ou um perfil que envolve a responsabilidade individual e social em favor da sociedade e as coisas vão acontecendo. 

 

Nós temos pontos positivos, mas temos negativos. Agora, o que me assusta é que a criminalidade está sempre um passo à frente. E a gente buscando conter, atualizar, dialogar, mas a grande transformação, eu diria, precisa partir da Constituição. Precisamos ter um aparelhamento mais simples e mais obediente, mais sistematizado, mais disciplinado, como hoje o crime organizado é. Não sabemos quem é a autoridade hierarquicamente que determina e respeita. O juiz precisa ser respeitado, o policial precisa ser respeitado. 

 

MidiaNews - Em sua visão, o nosso sistema penal está ultrapassado e precisa de mudanças? O que fazer para impedir que presos continuem a ordenar crimes, mesmo dentro do nosso sistema penitenciário?

 

Marcos Machado - O sistema penitenciário ou prisional, é algo que precisa ser estudado comparativamente. A nossa legislação de execução penal, chamada LEP, precisa ser melhorada, aperfeiçoada, urgentemente. Ela já foi, já sofreu alterações. Mas eu acredito que algumas alterações são absolutamente prejudiciais ao bom andamento da execução penal. 

 

Nós temos três regimes, um deles não existe na prática, que é o semiaberto. Nós precisamos entender que a legislação precisa mudar. Quando não é a pena de prisão, regime fechado, temos que já prever uma pena direta, restritiva de direitos, pena pecuniária.

 

Então, o sistema prisional paga uma conta que, às vezes, não é dele. Porque a legislação cria um processo penal, precisava ser melhorado.

 

Mas vamos falar do sistema prisional. É preciso muita alteração. Há um relatório feito por um juiz, recentemente, que mostra a degradação de alguns serviços prisionais, que assustam, em Mato Grosso. Superlotação, falta de fornecimento de itens de higiene, alimentação, direitos, mas ao mesmo tempo temos atuação de líderes de dentro da unidade prisional, inclusive com uso de celular. 


Há crítica ao tratamento para líderes de facção criminosa que não poderiam ser daquela forma, teriam que estar em regimes diferenciados, teriam que estar reclusos e isolados.

 

Nós temos situações como, por exemplo, a visita íntima, que para muitos é uma uma desordem, um desequilíbrio moral. Ele está preso e está lá praticando sexo. O consumo de droga existe dentro do sistema prisional.

 

Nós tínhamos que ter a humildade de identificar os pontos fracos, não querer insistir naquilo que a gente vê que não evolui. É o chamado reinventar a roda. Eu defendo que visitemos modelos no mundo, experiências inclusive dentro de Estados brasileiros, para pouco a pouco melhorarmos.

 

Porque é impressionante como as ordens para matar, para roubar, para sequestrar, para traficar continuam saindo de dentro das unidades prisionais.

 

MidiaNews - O senhor é adepto da ideia de que precisamos de leis mais duras, como defende o governador Mauro Mendes, para combater a violência, a impunidade e o crime organizado?

 

Marcos Machado - O que precisamos é mudar alguns apenamentos. Você concebe que pode matar uma pessoa e se for condenada a homicídio, pode ser condenado a seis anos de prisão, mas como é menos de oito anos, já sai direto para o regime semiaberto? Você concebe isso? Tira a vida de uma pessoa e é condenado a seis anos por homicídio simples. 

 

A matança que temos em Mato Grosso já exigiria uma alteração da legislação nacional. Estamos numa verdadeira guerra civil e estamos com o apenamento dessa natureza. 

 

O legislador estabeleceu algumas proibições dizendo que não se pode conceder liberdade provisória para tráfico. O Supremo vem e diz, olha, não pode, isso é inconstitucional, mas como? O constituinte diz que não pode e o Poder Judiciário no controle de constitucionalidades, diz que pode. Então quer dizer que a nossa Constituição, o constituinte, o que ele fala não tem valor?

 

A partir do momento que você flexibiliza, relativiza o tráfico como um crime comum, aumenta o poder econômico que compensa. Um grama de cocaína custa, depende do lugar, de R$ 60 a R$ 100. Faz a conta em gramas, quanto custa um quilo e multiplica. São cargas de R$ 20 milhões, R$30 milhões, R$10 milhões, R$ 500 mil. 

 

Essas são as apreensões que a gente tem em Mato Grosso a todo momento. Imagina isso aqui, sem imposto, sem previdência, sem direitos trabalhistas. Então, o tráfico de drogas que oferece um alto poder econômico e um empoderamento, inclusive para financiamento.


Eu estava lendo uma reportagem sobre Porto de Galinhas. Fui lá há uns 10 anos, 8 anos. É a lei do silêncio, os comerciantes não falam mais nada. Por quê? Estão atemorizados. Se falar, você morre. Então, as pessoas estão se mudando, estão entregando seus comércios, porque as organizações criminosas estão explorando. 

 

Nós precisamos olhar para o dinheiro, porque a criminalidade está com atividades lícitas. Veja o que aconteceu com a distribuição de metanol, tamanho da empresa, 500 caminhões, tudo a serviço do tráfico de droga. São negócios, em tese lícitos, que operam com empregos, com recolhimento de tributos.

 

Eu acho que deveríamos ter uma atuação parlamentar mais forte. Sinceramente, mais forte. Todo mundo reclama do excesso do Supremo Tribunal Federal. Você ouve a todo momento. Eu como juiz ouço isso. Não posso ficar aqui tácito. 

 

Mas a Constituição deixa claro que o Senado Federal é órgão regulador do sistema em relação ao Supremo Tribunal. O que está fazendo o Senado Federal em relação a isso? Fica essa divisão, essa dualidade. Só se discute posição de esquerda e de direita. Posição ideológica. Nós estamos aqui ainda discutindo eleições passadas.

 

MidiaNews - O senhor defende uma reforma no nosso Código de Processo Penal? Em quais pontos? 


Marcos Machado – O Código de Processo Penal é de 1941 e vem sofrendo alterações ao longo dos anos. Agora, por fim, aprovaram o projeto de lei que estabeleceu a necessidade de uma higidez maior em relação à audiência de custódia e à prisão preventiva, que tinha sido de alguma forma relativizada em alterações anteriores. 

 

A reformulação existe há algum tempo, vem se aperfeiçoando, mas em alguns momentos retrocedeu. Isso foi um grande engano, eu mesmo passei por esse engano. Quando o ministro Sérgio Moro, atual senador, assumiu o Ministério da Justiça e apresentou um pacote anticrime, falei: que bom, ele com a experiência que tem, certamente o prestígio que tem, que havia, ninguém negará isso, vamos resolver muitos problemas. A lei foi mal apresentada, sofreu inúmeras emendas e são normas desastrosas, dúbias, que piorou o que já existia. 

 

O que precisamos efetivamente é que a Câmara ou o Senado, ouça juízes, promotores, delegados de polícia, advogados, que conhcem a realidade. O senador Jayme Campos apresentou um projeto que visa criminalizar o homicídio decorrente do tráfico de droga. Eu nunca vi tanta demora, tanta dificuldade técnico legislativo, de entendimentos, passa por consultores, passa por assessores, vai para comissão, aprova, muda o relator e agora está na Câmara.

 

Enquanto isso, as organizações, o crime, está avançando. As organizações criminosas não deixam a testemunha chegar na frente de um juiz, elas matam antes. Elas fazem as pessoas mudarem de cidade, amedrontam. Não conseguimos desvendar crimes, porque o que impera é a imposição das facções criminosas. Matam, afugentam e nós aqui assistindo discussões técnico-legislativas por cinco anos. 

 

Um dos auxiliares que tenho no Tribunal de Justiça, casado há 25 anos, tinha um enteado. O enteado, infelizmente, jovem, se envolve no tráfico de drogas. Foi duas vezes preso, na última vez, a organização criminosa a qual ele recolheu a droga para vender, cobrou R$ 30 mil. A polícia prendeu a droga e ele foi preso. E disseram: você vai pagar a droga. Se não pagar, vai morrer. Ele desesperado, comunica à mãe, uma senhora que vendia marmita, esposa desse meu auxiliar. Nunca me disse nada e fiquei sabendo depois do acontecido. E ela assume a dívida. 


Ela é trabalhadora, vende marmita. Passado mais ou menos 60 dias, 90 dias de cobrança, uma pessoa da organização criminosa mandou mensagem para ela: sabemos que a senhora produz marmita, precisamos de 30 marmitas em tal local aqui no Sucuri. Ela recebe o Pix. Eles pagam as trinta marmitas, ela vai no final do dia com as trinta marmitas num carro emprestado ao Sucuri. Chega num local determinado, em tese onde teria obras, era uma emboscada. Eles esfaqueiam a mulher durante a noite toda, arrancam os olhos com ela viva, a lançam como um animal e escrevem no capô do carro que "a dívida está paga". No dia seguinte aquele desespero, a polícia é muito eficaz, as câmeras localizaram a placa do carro passando em tal hora, identificaram o celular onde estava, desvendaram o crime em horas. 

 

Até onde nós vamos com uma situação dessa? Olha a crueldade, a covardia por conta de um produto ilícito que foi apreendido pelo Estado.

 

MidiaNews - O senhor é a favor da descriminalização das drogas? 

 

Marcos Machado – Sou a favor da legalização da cannabis. Eu concluí um trabalho de doutorado. Fiquei praticamente cinco anos na orientação de uma socióloga, professora Denise Bontempo, da Universidade de Brasília, UnB. Por conta própria, visitei três países no primeiro momento. Uruguai, Colômbia e Portugal.

 

No segundo momento, fui à Bolívia, aos Estados Unidos e cheguei à conclusão que nós precisamos observar alguns países que já estão à frente do Brasil em relação à cannabis e colocar dentro do nível do álcool, uma relação com o álcool. Tabaco, álcool, cafeína dentro dessa mesma categoria. Legalizar com alta tributação, com controle. 


Sujeito que fuma maconha, bebe e não dirige. Não pode fazer isso dentro de escola, em lugares públicos, como já tem acontecido em outros países, que a meu ver não pode. Virou como uma comparação com o tabaco. E tirar da atuação do tráfico em relação a cannabis. 

 

MidiaNews - Hoje, temos mais conhecimento, tecnologias e avanços. O ser humano está indo para a barbárie com os feminicídios. O que está acontecendo com a nossa sociedade? 

 

Marcos Machado – Vou te responder e aqui não vai nenhuma defesa religiosa. Não vou aqui me colocar como nenhum ativista. mas vou dizer o seguinte: falta de Deus.

 

Não é possível que nós admitamos um comportamento tão hostil, tão agressivo como você bem colocou. A violência sempre existiu, mas a crueldade, a covardia, está muito acentuada. As pessoas hoje perderam aquele sentimento de misericórdia, de condolência.

 

Eu pedi para um assessor retirar de alguns processos que estão sob minha relatoria ou na Câmara que atuo, crimes filmados pelas organizações criminosas, o chamado “salve”. A gente ouve isso e acha que não existe. Existe, estão filmados e estão nos processos. Eu peguei e falei: você pega os processos que tem vídeos, faz um PDF, que eu vou apresentar para os juízes que estão fazendo formação, para que entendam o que vão ver em audiências e se prepararem. 

 

Primeiro filme que passei, um jovem foi levado aqui em Lucas para o mato, ele vendia droga fora da facção. E começaram a matá-lo com um facão, só que o facão era cego, não era afiado. O facão batia no pescoço dele, ia cortando, mas em pedaços. E esse cara foi sangrando e gritando. Olha, um sofrimento terrível, terrível.

 

O que aconteceu com o juiz em formação? Tinha uma moça que saiu vomitando. A outra saiu correndo da sala, pediu para sair, a outra pediu pra desligar o vídeo. Os juízes que estavam para assumir esses casos não conseguiram. 


Nós, juízes criminais, estamos vendo isso a todo momento. Agora não é todo juiz que consegue ver essa cena, que mantém-se na jurisdição criminal. Enquanto isso, somos alvos de críticas a todo momento, de pressão, tem que produzir, tem que responder, tem que atender o advogado na hora que o advogado quer. Nós somos seres humanos também, o que estamos passando, nós juízes criminais, as pessoas não têm a mínima noção. 

 

As pessoas quanto mais distantes de Deus, são mais hostis, mais violentas, mais desarmoniosas, mais conflituosas. Eu venho de uma geração que tínhamos ensino religioso, tínhamos uma orientação bíblica desde criança.

 

Eu comecei na Justiça em 1988 como estudante de direito. Tenho 18 anos de Ministério Público, de advogado. Quase 15 do tribunal, nunca vi tanta crueldade na minha vida. Em 35 anos? Eu nunca vi tanta crueldade. Nunca.

 

MidiaNews - Houve o caso de Sinop do Presídio Ferrugem, com o juiz Marcos Faleiros sendo ameaçado e pressionado pelo próprio sistema penal do Estado. Qual sua avaliação do senhor desse episódio? 

 

Marcos Machado - Em relação ao juiz, até conversei com ele para entender o que havia acontecido. E isso está sendo objeto de apuração, inclusive há relatórios. Há versões e esse fato precisa ser esclarecido e não me atreveria a opinar sem conhecer a miúde. O que posso dizer dentro de uma leitura daquilo que foi publicado, daquilo que foi por ele relatado, que essa apuração sofreu uma reação por parte de policiais penais. 

 

O que não é algo incomum, extraordinário. Eu estava colocando isso até para um grupo de juízes, que não podemos ficar com receio nem do sistema, ou seja, de maus policiais, maus agentes públicos, nem do grupo de criminosos, que se nós fizermos isso, o cidadão, então nem se fala. Ele vai estar recluso na sua própria casa. 


O que vamos cumprir são as regras do jogo, a legislação. Nós queremos juízes que sejam corretos. Mas não juízes que não decidem corretamente, se omitem ou sejam injustos, fazem decisões que são injustas. Esse juiz tem que ter cuidado, porque pode vir a reação mesmo. 

 

Nós temos hoje promotores ameaçados, temos um e outro atentado de juiz. São situações pontuais. Temos outras situações muito claras em países que o juiz que resistiu naturalmente exercendo sua função, sofreu repressão, porque tem organizações criminosas que faz o Estado paralelo e quando há estado paralelo o Estado oficial não é reconhecido. 

 

Infelizmente, a gente precisa dizer a verdade. Nós não conseguimos combater com legalidade quem age contra nós com violência, em absoluta ilegalidade. Eu digo que se a regra do jogo for dar tiro em juiz, temos que devolver com tiro. Não tem como, porque senão quem morre são juízes. 

 

Então, é preciso identificar a potencialidade lesiva, a gravidade das ameaças para agir. E não ficar esperando. E eu disse a ele, falei: você precisa apurar isso com rigor, não ter dúvida do que aconteceu, porque uma coisa é atuar na legalidade, nas regras, outra coisa é você sofrer atentado. 

 

MidiaNews - Nós tivemos os desembargadores Sebastião de Mores Filho e João Ferreira Filho, alvos de Processo Administrativo Disciplinar e afastados de seus cargos, por um suposto esquema de venda de sentença. Esse caso parece ter provocado uma pressão dentro do Tribunal, é isso mesmo? 

 

Marcos Machado - Isso na verdade são fatos excepcionais. Todos lamentamos, porque isso recai negativamente sobre a imagem, o conceito, a confiabilidade, mas é preciso separar a atuação. A história de cada um e reservar o espaço que é apuração por parte do Conselho Nacional de Justiça. Assegurar a todos os magistrados afastados, o direito de defesa, que é sagrado, é constitucional, é algo que você está sujeito.

 

Todos sentem, claro que sim. Internamente, dentro do sistema, mas a vida continua. As pessoas vão e vêm. As pessoas são importantes dentro da história, dentro do momento, dentro de uma trajetória. Agora o volume de trabalho, a responsabilidade que todos temos e, sobretudo, as nossas atribuições não nos permite que o retrovisor seja maior que o parabrisa. 

 

O que temos e precisamos ter é o seguinte: cada um responde pelo seu CPF, cada um tem a sua obrigação, a sua responsabilidade, daquilo que fez, daquilo que não fez e precisa se explicar. Agora, nós, demais, temos também as nossas obrigações, nossas responsabilidades e a vida tem que seguir adiante. 

 

MidiaNews - Há provas contundentes sobre a suposta venda de sentença contra os desembargadores, pelas informações que vieram a público, após a morte do advogado Roberto Zampieri. O desembargador Sebastião já se aposentou por idade. Mas o senhor concorda que eles devem ser aposentados compulsoriamente?  

 

Marcos Machado - Aposentadoria compulsória é um instituto que vem sendo questionado há muito tempo. Há muito tempo. Alguns acham que é o verdadeiro prêmio. Outros defendem que o juiz tem que ter garantias justamente porque ele tem que ser um independente. Eu, quando promotor de justiça, passei por uma situação na carreira vendo um promotor de justiça aposentado compulsoriamente. Eu não me conformava com isso. Eu entendi que ele tinha que ser processado e condenado. 

 

Eu acho que precisa aperfeiçoar, Eu já ouvi no passado de um juiz desonesto, dizendo: "Olha, se me criarem muito caso eu vou realmente fazer o que acho que deve, se quiser, me aposenta, vou estar recebendo o mesmo valor". Com deboche. Achei aquilo o fim da picada, não é possível eu ouvir um negócio desses. Essa segurança para quem pratica desonestidade, precisa ser revista.

 

Eu acho que os afastamentos muitas vezes são absolutamente injustos, inadequados, porque a pessoa afastada perde a possibilidade de se defender adequadamente e ela já é pré-julgada, porque a partir do momento que ela é afastada já há um julgamento de que ele é condenado, é culpado. Então isso aí para o juiz é até, penso eu, inconveniente. Vou voltar com que estatura? Com que respeitabilidade? Eu acho que é uma pena antecipada, inclusive. 


MidiaNews - O senhor é vice-presidente e corregedor do TRE de Mato Grosso e vai estar à frente das eleições de 2026. Quais são os maiores desafios da Justiça Eleitoral para a eleição do ano que vem?

 

Marcos Machado – Eu não tenho dúvida do domínio, do controle, da precisão que a equipe de servidores e gestores do TRE já vem fazendo há alguns anos. Nós, desembargadores e juízes eleitos, somos passageiros lá.

 

O maior desafio que temos, a principal meta e a ação da Corregedoria é a biometria. O cadastro biométrico dos eleitores. Estamos no Estado todo com cerca de 90% da biometria dos eleitores. E precisamos buscar pelo menos mais 2% a 3% para alcançarmos o topo. Há situações adversas pela geografia, pela extensão territorial, pela característica agrária do Estado.

 

Temos populações indígenas distantes, assentamentos. Alguns que não querem, que não vão procurar o TRE, não aceitam, não querem nem saber da Justiça Eleitoral, não querem saber de participar nas eleições. Nós temos os presos que estão com direitos políticos suspensos. Então, a biometria é o grande objetivo nosso para termos eleições transparentes e resultados legítimos.

 

Outro desafio chama-se facções criminosas. Financiamentos que começaram já nas eleições passadas de organizações para terem representantes em Câmaras Municipais, na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional.


Esse é o grande desafio que tenho dito internamente no Tribunal, tenho buscado cooperação técnica para que possamos ter realmente o conhecimento do que está acontecendo e fazer as devidas impugnações e impedir candidaturas que têm lastro financiado pelo crime organizado.

 

MidiaNews – O que fazer neste caso para se ter o princípio eleitoral do equilíbrio na disputa? O que fazer para não ter esse desequilíbrio com a interferência das organizações criminosas? 

 

Marcos Machado – Primeiro, identificar quem são os candidatos que estão sendo apoiados por esses grupos, que não são um só, em todo Mato Grosso. Fazer uma atuação permanente de investigação. E isso já está acontecendo e, no momento certo, preterir candidaturas que vão influenciar resultados eleitorais.

 

Esse trabalho tem que ser contínuo, célere para que essas pessoas não sejam diplomadas, porque depois dá mais trabalho. Temos informes, temos suspeitas, mas tem que ser feito um trabalho. Tenho colocado isso inclusive para a presidência do Tribunal, da necessidade de se constituir uma equipe com cooperação, sobretudo das polícias. Não só a Polícia Federal, que tem pontos de atuação no Estado.

 

Nós temos que contar com o serviço de informação da Polícia Militar e contar sobretudo com a atuação da Polícia Civil, que tem delegados em todo o Estado de Mato Grosso.

 

Outro desafio que acredito que o TRE deve enfrentar é o trabalho de combater as fake news e a desinformação, que já vimos que é uma situação que ficou no processo eleitoral e não tem mais como voltar.

 

MidiaNews – O que o TRE tem feito nessa questão de combater fake news e desinformação no processo eleitoral?  

 

Marcos Machado – Eu acho que o pior já passou. O país, o Estado já passou por eleições e conheceu esses fenômenos. Hoje, temos uma equipe de comunicação no TRE altamente capacitada e experimentada em relação a isso. Já temos decisões dos tribunais regionais e também do Tribunal do Superior Eleitoral, o TSE, a respeito do tema. Sabemos o que pode e o que não pode, o que deve ser feito de forma preventiva e a legislação eleitoral.

 

Nós temos que contar com a cooperação, porque o processo eleitoral não é só do TRE. Depende de toda atuação político-partidária, não só de candidatos, mas de partidos. E tem a expectativa de que haja um comportamento ético por parte de candidatos e partidos.

 

Agora, se não houver, a legislação está aí para ser aplicada. Eu, particularmente, quando tenho oportunidade de presidir e ter voz no Tribunal, sempre deixo claro a importância do diálogo, da formação de entendimentos convergentes e rapidez nas decisões. Porque não podemos deixar situações da eleição passada entrar no processo do ano que vem.


MidiaNews - Quais situações da eleição passada precisam de decisão, por exemplo?

 

Desembargador Marcos Machado – Até hoje tem questionamento a respeito de cassação. Temos impugnação, por exemplo, de vereadores ainda sendo julgada, de prefeitos ainda, que são da eleição passada. Temos ainda processos criminais, então isso tudo não pode abalar o primeiro semestre que é preparatório para as eleições, temos que julgar isso. Temos que em março e abril acabar com as eleições municipais, ou seja, não ter processo para que nos dediquemos às eleições gerais.

 

MidiaNews - Como a Justiça eleitoral vai permanecer firme em suas decisões diante de um Estado onde tem parlamentares, que questionam os resultados e até a legitimidade do processo eleitoral?

 

Marcos Machado - A opinião é livre, é constitucional, é direito de expressão desde que você não ofenda, não incorra em calúnia, injúria e difamação. O pensar é livre, é só lutar até que você tenha opinião, até porque você identifica se está certo ou está errado.

 

Uma vez me perguntaram o que eu achava das urnas eletrônicas e naturalmente da segurança do sistema tecnológico do tribunal. Eu fui promotor, fui advogado numa edição municipal e fui promotor de outras duas. Quando a urna era de lona, quando a contagem era a cédula anotada na caneta azul em mesas cuja apuração começava sem ter hora para terminar. 

 

Não existe nada mais precário e inseguro, absolutamente impreciso, e aí cito o exemplo até dos mapas. Quantos erros eram anotados no final? Quantas fraudes foram colocadas, quantos gritos, quantas situações de pressão ali na localidade? Quantas urnas saíram e não chegaram?

 

O sujeito vir depois de 30 anos de evolução que já passamos, de algo que é perfeitamente auditável, e dizer: isso aí é ilegítimo, isso aqui deveria ter sido assim. Olha, sinceramente, não me permito discutir isso. 

Por Gazeta Digital 31 de maio de 2026
Um golpista de 58 anos foi preso na sexta-feira (29) acusado de subtrair R$ 80 mil de um idoso sob a promessa de recuperar uma área rural. A prisão foi feita pela Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Estelionato de Várzea Grande. Os pagamentos indevidos se prolongaram por um ano e a farsa foi descoberta quando o criminoso mentiu sobre viagem ao Canadá, mas estava na região metropolitana de Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, o golpe baseava-se em falsas promessas de recuperação de uma área de terras em Nossa Senhora do Livramento, que pertenceu ao pai da vítima. Para sustentar a mentira, o criminoso alegava ter forte influência política e trâmite livre com altas autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Ele chegou a inventar que um político famoso compraria as terras e, posteriormente, mudou a versão, afirmando que mineradoras estrangeiras pagariam milhões pela área. Manipulado, o idoso chegou a recolher assinaturas de 37 herdeiros para o negócio fictício e passou a esconder os pagamentos da família, que já desconfiava do esquema. O estopim para a prisão ocorreu após a vítima transferir R$ 1,5 mil sob a justificativa de que o suspeito estava em viagem de negócios no exterior. Ao descobrir que o homem nunca havia saído do estado, o idoso acionou a polícia. O suspeito foi autuado em flagrante por estelionato pelo delegado João Paulo de Andrade Farias e encaminhado para audiência de custódia. As investigações continuam para apurar se há outras vítimas do golpista.
Por GazetaDigital 31 de maio de 2026
Antes conhecida como “Cidade Verde”, Cuiabá tem hoje apenas 26% de área arborizada, segundo pesquisa do curso de Engenharia Florestal em Ciências Florestais e Ambientais da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O índice evidencia a perda gradual de cobertura vegetal na capital, onde o verde passou a disputar espaço com imóveis, estacionamentos, calçadas impermeabilizadas e obras urbanas. Só nas últimas três décadas, Cuiabá perdeu 17% de suas áreas verdes, de acordo com dados disponibilizados do MapBiomas. A área, que soma mais de 55 mil hectares, é equivalente a 714 vezes o Parque Mãe Bonifácia. Nessa semana, a discussão voltou ao centro do debate após a retirada de cinco grandes árvores na rua Baltazar Navarro, no bairro Poção. As imagens dos troncos cortados reacenderam o alerta sobre a forma como Cuiabá tem tratado sua arborização urbana. Em uma das capitais mais quentes do país, árvores adultas ainda são vistas como entraves ao desenvolvimento, embora exerçam papel essencial para o conforto térmico, a qualidade do ar e a saúde da população. Pela cidade, a perda de arborização é facilmente percebida em grandes vias, em trechos centrais, como na avenida Historiador Rubens de Mendonça (CPA), na Isaac Póvoas, nas proximidades da Generoso Ponce e na região da Prainha, onde é possível caminhar por duas ou três quadras sem encontrar uma árvore sequer nas calçadas. Na avenida do CPA, as obras do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), que foram iniciadas em 2014, retiraram mais de 2,5 mil árvores. Havia a estimativa de reposição e transplante de espécies. No entanto, dados do governo à época apontaram que menos de 10% do total de árvores removidas foi efetivamente replantado com sucesso na região. Na região central, praças como Alencastro, Ipiranga e do Porto, além da região próxima ao Morro da Luz, o Largo do Rosário, também tiveram árvores centenárias cortadas. Mas a falta de arborização não se restringe apenas às avenidas impactadas por obras. A situação se repete em bairros de diferentes perfis sociais, de áreas populares a regiões de classe média e média alta. No bairro, Consil, por exemplo, na rua Oriente Tenuta com rua F, pelo menos oito árvores foram cortadas recentemente, sem nenhuma explicação. Para a professora Jaçanan Eloisa Milani, do Departamento de Engenharia Florestal da UFMT, a arborização urbana precisa ser tratada como parte da infraestrutura verde da cidade, com função tão estratégica quanto vias, drenagem e edificações. “A arborização deve ser integrada ao planejamento urbano como estrutura funcional para tornar as cidades mais sustentáveis, resilientes e menos vulneráveis ao calor extremo”.
Por GazetaDigital 31 de maio de 2026
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) lançou, nesta terça-feira (26), o Gabinete de Gestão Integrada (GGI), que vai coordenar a condução e a segurança das eleições gerais de 2026 em todos os 142 municípios de Mato Grosso. No evento foi anunciada a integração da Justiça Eleitoral com os sistemas de monitoramento do governo estadual e em rodovias federais. O prazo para a integração das 16 mil câmeras do programa Vigia Mais MT é de 70 dias. Já a Polícia Rodoviária Federal (PRF) também vai fornecer imagens das rodovias do estado, permitindo localizar qualquer veículo por meio da identificação das placas. “A resposta tem que ser ali, na hora. Com essa cooperação, por meio do sistema via TRE nós conseguimos dar a resposta mais imediata possível”, acrescentou a juíza Edna Coutinho, que é quem vai estar a frente do GGI. Ao todo, serão 51.679 pessoas atuando diretamente no processo eleitoral. Mato Grosso possui 2,64 milhões de eleitores que votarão em 1.529 locais de votação em todas as cidades do estado, incluindo 110 considerados de difícil acesso e 61 colégios eleitorais em terras indígenas. O GGI é o responsável por assegurar a entrega das urnas em todas essas regiões e articular os órgãos de segurança e instituições chamadas a participar do gabinete. “Vão ser feitas reuniões com espaço de dez dias, porque o material demanda um pouco mais de tempo. Então vai ter reuniões periódicas e, no final, deve ser dia sim e dia não, mas a ideia é se articular esses órgãos de segurança, essas entidades que vão trabalhar no processo eleitoral”, afirmou a juíza. O GGI será composto por representantes da Semob de Cuiabá, Energisa, DAE-VG, Águas Cuiabá, Oi Soluções (telefonia e internet), Correios (logística e entrega de urnas), Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Corpo de Bombeiros, PRF, Marinha do Brasil, Exército, Polícia Federal, Polícia Judiciária Civil, Polícia Militar e Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). “O GGI não julga [as eventuais irregularidades identificadas], quem julga são os membros do TRE, que é quem julga candidatura, julga propaganda. Nós vamos estar na parte de representação. Tudo o que for do interesse de investigação vai ser traçado para a força de segurança responsável”, explicou a magistrada. Em declaração aos jornalistas, a presidente do Tribunal, desembargadora Serly Marcondes Alves, disse que participou de uma reunião com o novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nessa segunda (25), quando foram apresentadas as prioridades do novo presidente, ministro Nunes Marques, que vai conduzir o processo eleitoral nacionalmente a partir de Brasília. Conforme a desembargadora, todas as exigências feitas pelo ministro já são adotadas em Mato Grosso, colocando o TRE-MT na dianteira nacional do processo eleitoral.
Por RepórterMT 30 de maio de 2026
Cuiabá recebe, nos dias 25 e 26 de julho de 2026, o CISITEA – Congresso Internacional Semeando a Inclusão do Autismo, encontro voltado ao debate sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O evento será realizado no Cenarium Rural, no Centro Político Administrativo, e deve reunir cerca de 2 mil participantes, entre profissionais da saúde, educação, familiares e gestores públicos. A programação contará com palestras e atividades conduzidas por 20 especialistas de diferentes áreas, como neurologia, psicologia, terapia ocupacional e educação. Entre os nomes confirmados estão o neuropediatra Dr. Paulo Liberalesso, o psicólogo Dr. Thiago Lopes, a terapeuta ocupacional Dra. Natália Rocha, a neuropsicopedagoga Janaine Assis e a empresária Sarita Melo, que abordará a vivência das famílias atípicas.  O encontro tem como foco ampliar o acesso ao conhecimento sobre o autismo, promover a troca de experiências e contribuir para o fortalecimento da rede de apoio no estado. A proposta é estimular práticas mais inclusivas e qualificadas, tanto no atendimento quanto na convivência social. Além das discussões técnicas, o congresso também pretende oferecer um espaço de escuta e acolhimento para profissionais e familiares, reconhecendo os desafios enfrentados no dia a dia e a importância do cuidado com quem acompanha pessoas autistas.
Por RepórterMT 30 de maio de 2026
A terceira edição do MT Warriors Championship será realizada neste sábado (30), às 19h, no Palácio das Artes Marciais Iusso Sinohara, anexo à Arena Pantanal, em Cuiabá. Com entrada gratuita, o evento reúne atletas de diferentes estados brasileiros em um card 100% profissional de kickboxing. Os ingressos devem ser retirados antecipadamente pelo site sympla.com.br . Participam desta edição atletas de Mato Grosso, Paraná, Bahia, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. A competição contará com 10 lutas e uma superestrutura preparada para receber o público, incluindo ringue oficial, iluminação especial, ambiente climatizado, decoração temática e painel de LED P2 de alta definição. O espaço possui capacidade para mais de mil pessoas, entre arquibancadas e área exclusiva para convidados e patrocinadores. Para garantir o ingresso, basta acessar o site sympla.com.br e preencher os dados solicitados, como nome completo e e-mail. O ticket será enviado diretamente para o e-mail cadastrado. As vagas são limitadas. O campeão do GP da noite garantirá vaga para disputar o cinturão da categoria até 85,100 kg contra Adriano Oliveira, vencedor da primeira edição do MT Warriors Championship. Além das disputas masculinas, o card principal terá duas lutas femininas, cujas vencedoras avançam para a disputa de cinturão prevista para a edição de agosto. A pesagem oficial dos competidores será realizada um dia antes do evento. A competição também terá transmissão ao vivo pelo YouTube. “Estamos com uma expectativa muito grande para esta terceira edição do MT Warriors. Será uma noite histórica para o kickboxing em Mato Grosso. Convido toda a população para prestigiar o evento, torcer pelos nossos atletas e viver essa experiência conosco no Palácio das Artes Marciais” , ressaltou o presidente da Federação de Kickboxing do Estado de Mato Grosso (FKBEMT), Mateus Wesley Nogueira Noya. O MT Warriors Championship conta com apoio do Governo de Mato Grosso e com a chancela da Confederação Brasileira de Kickboxing Profissional (CBKB PRO) e da World Association of Kickboxing Organizations Professional (WAKO PRO), garantindo reconhecimento nacional e internacional aos atletas participantes. INGRESSOS https://www.sympla.com.br/evento/mato-grosso-warriors-championship-3-edicao/3428269?algoliaID=e2c714dd1f81190596d8321a948b9f63 SERVIÇO  Assunto: MT Warriors Championship será realizado neste sábado em Cuiabá Data: Sábado (30 de maio), às 19h Local: Palácio das Artes Marciais Iusso Sinohara – anexo à Arena Pantanal, em Cuiabá
Por RepórterMT 29 de maio de 2026
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso (Ficco-MT) deflagrou hoje (29) a Operação Check-in, em Cuiabá e Sinop (a 481 km da capital). A ação cumpre três mandados de busca e apreensão, a fim de aprofundar investigação acerca de fraudes no cumprimento de penas impostas a condenados vinculados à organização criminosa.  A investigação teve início a partir de indícios de que apenados vinham apresentando informações falsas ao Poder Judiciário, especialmente quanto ao endereço e vínculos empregatícios, com a finalidade de simular o regular cumprimento do regime semiaberto. No curso das apurações, verificou-se que os investigados utilizavam documentos fraudulentos e realizavam deslocamentos pontuais exclusivamente para atender os comparecimentos obrigatórios em juízo, enquanto, na prática, mantinham residência em outras localidades. Apurou-se, ainda, que um dos investigados reside em área sob influência de facção na cidade do Rio de Janeiro. A ação foi realizada de forma conjunta, com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MT). Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, de fraude processual, de falsidade ideológica, de uso de documento falso, além de outros delitos que venham a ser identificados no decorrer das investigações. A FICCO/MT é uma força-tarefa composta pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, Polícia Militar de Mato Grosso e Sistema Penitenciário de Mato Grosso que tem por objetivo realizar uma atuação conjunta e integrada no combate ao crime organizado no estado.
Por Gazeta Digital 29 de maio de 2026
O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Sérgio Ricardo, vê com preocupação a denúncia do prefeito Abilio Brunini (PL) sobre um suposto superfaturamento na aquisição de livros didáticos que pode chegar a R$ 80 milhões. As investigações serão estendidas para a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), conforme o conselheiro, já que a pasta também adquiriu livro por quase mil reais. Além disso, segundo o presidente do TCE, há uma correlação muito forte na aquisição de livros didáticos. “O Estado também adquiriu muitos livros, e isso não é nenhuma acusação aqui, não é nenhum apontamento, mas o Tribunal de Contas, através do relator das contas da Secretaria de Educação do Estado, já está fazendo algumas análises e eu vou colocar também dentro dessa análise a aquisição de todos os livros que foram adquiridos pela Secretaria de Estado de Educação’, disse Sérgio Ricardo ao lado do prefeito Abilio Brunini durante visita ao gestor da Capital. O chefe da Corte de Contas disse que chamou sua atenção os valores apresentados pelo prefeito e a forma que foram feitos os pagamentos. Ao denunciar o suposto superfaturamento, Abilio disse que foram adquiridos livros por R$ 800 a unidade. “Os valores chegando a quase R$ 1 mil por um livro. Por isso que eu quero ver todos os livros, eu quero pegar aí alguns, 10, 20, 30 livros. Eu vou pegar esses livros, quero reunir os professores, quero que eles me digam, me mostrem o que eles entenderam desses livros, se eles utilizaram esses livros. Então, é uma situação bastante importante porque trata-se de recurso público e trata-se de educação de Cuiabá, de Educação de Mato Grosso”, completou. Sérgio Ricardo ainda afirmou que a Prefeitura de Cuiabá já teria pago R$ 49 milhões em livros, sendo alguns de R$ 370 e que só não houve mais compras porque o prefeito Abilio interrompeu as aquisições. Ao solicitar também uma auditoria no Estado, Sérgio Ricardo coloca o ex-secretário municipal de Educação, Amauri Monge, mais uma vez pressionado, já que ele foi secretário adjunto do Estado entre 2019 e 2025, sendo indicado pelo atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos), hoje governador do Estado. Na época, Amauri Monge chegou a sofrer denúncias do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep) sobre aquisição de livros que teria o mesmo conteúdo dos que são fornecidos pelo governo federal. As investigações foram arquivadas pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Amauri é réu no Estado do Paraná também por aquisição de livros. A denúncia de Abilio foi realizada na quarta-feira (27), após anunciar uma auditoria interna que teria identificado o pagamento de R$ 21 milhões em livros de baixa qualidade e que teria sido feito por IA (Inteligência Artificial), durante 2025 e 2026, quando o secretário municipal foi Amauri Monge.
Por Gazeta Digital 29 de maio de 2026
O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, questionou a qualidade dos livros adquiridos pela prefeitura de Cuiabá, afirmando ter encontrado erros ortográficos e de concordância. Ele também questionou quem teria selecionado os livros supostamente 'superfaturados' dentro da secretaria municipal de Educação. “Eu quero saber quem foi o gênio, o secretário que decidiu por isso. Quero ver se estão usando essa coleção do Theo que está com erro. Em vez de usar a palavra “mas”, eles usaram “mais”. Eu quero ver se estão usando esses livros, para saber se tem erro de concordância e português. Eu já denunciei a própria empresa por erros, porque sou muito atento a isso. Quero saber se a editora arrumou. Eu quero saber os secretários, os gênios que contrataram isso”, disse Sérgio Ricardo, durante visita técnica nesta sexta-feira (29) ao Almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação. Ele também voltou a afirmar que irá investigar se o governo do Estado adquiriu os mesmos livros didáticos que o prefeito Abilio Brunini (PL) denunciou um suposto superfaturamento de cerca de R$ 80 milhões na aquisição desses materiais durante a gestão do ex-secretário municipal de Educação, Amauri Monge entre 2025 e 2026. “Eu quero saber se esses livros também, todos, se eles também foram adquiridos pelo governo do Estado, para a Secretaria Estadual. Eu quero ver toda a correlação que existe entre as aquisições desses livros, que foram adquiridos pelo Estado, uma vez que o secretário era o mesmo. Ele deixou a Secretaria do Estado e veio para a Secretaria do Município”, disse nesta sexta-feira (29) durante visita técnica ao Almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação. Durante a visita espetacularizada e com a presença da imprensa, o conselheiro chegou a questionar o prefeito se alguém o teria indicado. Abilio negou que houve indicação. “Nós estávamos procurando, na saída da antiga secretária Solange, uma pessoa que tivesse conhecimento, bastante conhecimento da área da educação. O Amauri tem bastante conhecimento. Entre capacidade técnica, capacidade de gestão na área da educação, conhecimento sobre como organizar e como tocar uma Secretaria de Educação, ele é um dos melhores quadros que tem essa capacidade”, disse Abilio. O prefeito alegou ainda que não se discute a capacidade do ex-secretário, mas sim os motivos que levaram à compra dos materiais didáticos, já que existiriam outras prioridades na educação, como limpeza e reforma. “Eu fiz uma denúncia sobre o porquê foi feita a aquisição desse material. Eu não estou discutindo se ele é capaz ou não é capaz de gerir a Secretaria de Educação. Eu estou discutindo o porquê foi feita a aquisição de tanto material, material pedagógico, num volume de valor que chega a quase R$ 80 milhões. No início de janeiro, por exemplo, quando a gente iniciou o ano letivo, antes de iniciar, a gente repassou um recurso para a Secretaria de Educação que era para ser repassado para as escolas municipais, para que elas pudessem comprar material de limpeza, etc., preparar as escolas para o retorno às aulas, e foi priorizado o pagamento de R$ 21 milhões”, justificou. A visita ocorre após o prefeito ter denunciado o suposto superfaturamento de quase R$ 80 milhões e que iria encaminhar a denúncia ao próprio TCE e Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
Por RepórterMT 29 de maio de 2026
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), defendeu que, para solucionar o impasse com o estado do Pará em relação aos municípios situados na região da Cachoeira das Sete Quedas, o ideal é a realização de um plebiscito entre os moradores dos seis municípios em disputa, para que decidam a qual estado desejam pertencer.  Em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (28), o governador destacou que Mato Grosso é o estado que tem prestado serviços de saúde, educação e mobilidade à região. “ Se não houver outra solução, com as pessoas que moram nessa região, para que eles decidam em qual estado eles querem participar, se é o Pará ou se é o Mato Grosso ”, declarou o republicano. O impasse territorial se arrastou por cerca de 20 anos e foi encerrado em 2020, quando o STF decidiu manter o limite entre Mato Grosso e Pará. Na ocasião, Mato Grosso buscava o reconhecimento, como parte de seu território, de uma extensão de terra incorporada ao Pará em 1922. No entanto, o estado voltou a questionar o entendimento em uma nova ação protocolada em maio de 2023, na qual reivindica novamente o reconhecimento de parte da área. A disputa envolve uma área equivalente ao território do estado de Sergipe e abrange seis municípios paraenses: Jacareacanga, Novo Progresso, Altamira, São Félix do Xingu, Cumaru do Norte e Santana do Araguaia. Diante do embate, a governadora Hana Ghassan (MDB) afirmou que “não cederia um palmo de terra” a Mato Grosso. Ao ser questionado sobre como avaliava a fala da chefe do Executivo paraense, Pivetta tratou o posicionamento com indiferença e frisou que Mato Grosso é quem tem acolhido a população da região e garantido os serviços básicos. “Para falar a verdade eu tratei isso com pouca importância. Esse assunto está judicializado. Quem cuida dessa região de Mato Grosso é o governo de Estado de Mato Grosso, nós que damos assistência, estrada, saúde. Nós que dispomos os lugares para que esse povo que mora nessa região encontra para a suas necessidades”, pontuou. Ficou marcada para o dia 10 de junho a primeira audiência no STF, na tentativa de buscar uma conciliação entre os estados.
Por Gazeta Digital 28 de maio de 2026
Os senadores Wellington Fagundes (PL) e Jayme Campos (União) assinam uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para que os patrões e funcionários decidam sobre a escala de trabalho que será utilizada, criando uma alternativa legal para a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A medida é uma resposta ao avanço do projeto de lei que acaba com a jornada de trabalho de 44 horas no Brasil, que foi encaminhado para análise do Senado após aprovação na Câmara. "Trata-se de uma PEC de iniciativa do senador Rogério Marinho, assinada por mim como líder do Bloco Vanguarda. Esse projeto de emenda à constituição vai justamente nessa linha: ampliar direitos e opções para o trabalhador, respeitando a realidade de cada setor da economia e permitindo uma transição responsável para o Brasil", disse o senador Wellington ao . Segundo a proposta, na prática, o trabalhador vai receber por hora trabalhada e não um valor fixo mensal, como estabelece a CLT. Os autores dizem textualmente que o empregador e o trabalhador poderão escolher “entre o regime tradicional da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou uma jornada flexível baseada em horas trabalhadas”. Além disso, não está previsto nenhum impedimento para que o empregador exija uma jornada de 44 horas, como é a praticada atualmente na chamada escala 6 por 1, tema de debate e derrubada pela Câmara dos Deputados. O texto fala em “acordo individual, convenção coletiva de trabalho ou livre pactuação contratual” feita diretamente entre funcionário e empregador, sendo que o acordo prevalecerá sobre as negociações coletivas. Além disso, o projeto prevê que o valor mínimo da hora trabalhada será o equivalente ao salário mínimo nacional ou ao piso da respectiva categoria profissional. O mesmo critério de definição do valor da hora trabalhada será usado para o cálculo dos demais direitos trabalhistas, como férias, décimo terceiro salário, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), dentre outros. "Eu defendo que qualquer mudança nessa área seja feita com muita responsabilidade, pensando no trabalhador, mas também nos impactos sobre a produtividade, a geração de empregos e o custo de vida da população. Precisamos encontrar um equilíbrio para avançar sem provocar aumento de preços, inflação ou insegurança para quem emprega e para quem trabalha", concluiu o parlamentar. Na justificativa, os parlamentares signatários alegam que a ideia é “ampliar a liberdade e autonomia do trabalhador”, permitindo que ele escolha a sua jornada de trabalho e a proporção da sua remuneração conforme as suas necessidades. “A PEC, portanto, promove a liberdade de escolha e o poder de decisão para o trabalhador, permitindo que ele determine sua jornada e remuneração proporcional. Essa abordagem moderniza as relações de trabalho, respeitando a autonomia do trabalhador e proporcionando maior flexibilidade para adaptar-se a diferentes contextos e necessidades”, conclui.