Por Redação
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23 de setembro de 2026
Advogado especialista em agroadvocacia destaca a importância de hedge, futuros, opções, barter e proteção cambial diante da volatilidade do mercado A gestão de risco ganhou espaço estratégico no agronegócio diante da combinação de volatilidade nos preços das commodities, oscilações cambiais, riscos climáticos, custos de produção e mudanças nos mercados globais. Para produtores e empresas da cadeia, administrar essas variáveis passou a ser parte da gestão da margem e não apenas uma decisão de comercialização. Segundo o advogado Pérsio Landim, especialista em agroadvocacia, a definição de uma estratégia de proteção deve partir da identificação das exposições econômicas e contratuais de cada operação. “Gestão de risco começa pelo diagnóstico da exposição. Antes de escolher entre futuros, opções, barter ou qualquer outra estrutura, é necessário compreender a formação do preço, os custos, os compromissos assumidos e a margem que o negócio pretende preservar”, afirma Landim. Hedge deixa de ser instrumento restrito ao mercado financeiro No agronegócio, o hedge pode ser utilizado para reduzir a exposição a movimentos adversos nos preços de commodities e no câmbio. Produtores, indústrias, tradings, cooperativas e demais agentes da cadeia podem apresentar necessidades distintas de proteção, de acordo com sua posição no mercado. A estratégia, portanto, não está necessariamente associada à tentativa de antecipar o melhor momento de compra ou venda. O objetivo é administrar a volatilidade e conferir maior previsibilidade ao resultado. “O hedge não deve ser analisado pela capacidade de acertar o topo ou o fundo do mercado. A questão central é verificar se a proteção foi adequada à exposição existente e se contribuiu para preservar a margem definida pelo negócio”, explica. Futuros e opções ampliam as alternativas de proteção Contratos futuros são utilizados para administrar riscos relacionados aos preços das commodities, enquanto as opções permitem estruturar estratégias com diferentes níveis de proteção e participação em eventuais movimentos favoráveis do mercado. Na soja, por exemplo, a análise de risco precisa considerar não apenas as referências internacionais, mas também câmbio, prêmio, basis, logística e condições regionais de oferta e demanda. Para Landim, essa visão integrada é essencial para evitar uma avaliação limitada da exposição. “No agro, não basta observar a cotação da commodity. É preciso entender quais componentes efetivamente formam o preço recebido ou o custo assumido pela empresa e quais deles estão sujeitos à volatilidade.” Barter também exige gestão de exposição O barter, amplamente utilizado na comercialização agrícola, também deve ser analisado sob a ótica de gestão de risco. A operação pode relacionar o fornecimento de insumos à entrega futura de produção, criando uma relação antecipada entre custos e comercialização. Nesse contexto, produtividade, volume comprometido, condições contratuais, preço de referência e risco climático precisam ser avaliados conjuntamente. “O barter não elimina o risco. Ele reorganiza parte da exposição da operação. Por isso, o produtor precisa compreender exatamente quais obrigações assumiu, qual produção está comprometida e quais são as consequências de eventos que possam afetar o cumprimento do contrato”, afirma Landim. Câmbio e risco contratual entram na mesma análise A exposição cambial também é relevante para empresas que exportam, importam ou possuem receitas e despesas vinculadas ao dólar. Dependendo da estrutura da operação, a variação da moeda pode alterar significativamente a margem. Além dos instrumentos financeiros, a gestão de risco envolve ainda aspectos jurídicos. Cláusulas contratuais, garantias, obrigações, eventos de inadimplemento, mecanismos de liquidação e responsabilidades das partes podem produzir impactos econômicos relevantes. “No agronegócio, risco financeiro e risco jurídico muitas vezes estão conectados. Uma operação precisa ser analisada não apenas pelo preço ou pela margem projetada, mas também pelas obrigações que serão assumidas e pelos mecanismos previstos para situações adversas”, ressalta o advogado. Gestão de risco é gestão de margem A evolução das ferramentas de proteção acompanha uma mudança na própria lógica da comercialização agrícola. O foco deixa de estar exclusivamente na previsão do comportamento dos preços e passa para a administração da exposição e da margem. Para Pérsio Landim, a decisão de não proteger determinada posição também precisa ser consciente. “Não fazer hedge não significa ausência de risco. Significa manter determinada exposição aberta. O ponto fundamental é que produtores e empresas conheçam essa exposição, estabeleçam limites e tomem decisões compatíveis com sua capacidade financeira e seus objetivos.” Em um mercado sujeito à influência simultânea de clima, câmbio, oferta global, demanda, custos e condições logísticas, a gestão de risco se consolida, assim, como uma competência estratégica para o agronegócio. Mais do que tentar prever o próximo movimento do mercado, o desafio é identificar as variáveis que podem afetar o resultado, estabelecer níveis aceitáveis de exposição e utilizar instrumentos financeiros e contratuais de forma integrada para proteger a sustentabilidade da operação.