Com gol em todos os jogos até agora, Vini Jr busca feito raro em Copas

Agência Brasil • 25 de junho de 2026

Ser convocado, entrar em campo numa partida de Copa do Mundo, fazer um gol que vai alegrar todo um país, sensações indescritíveis para qualquer jogador de futebol. Imagine então marcar gols em todas as partidas de uma Copa. É um privilégio para pouquíssimos atletas ao longo da história.

Em 2026, Vinícius Júnior fez gols nos três jogos da Seleção Brasileira, totalizando quatro. O marroquino Ismael Saibari também não sabe o que é passar em branco: três partidas e três gols, incluindo um no goleiro Alisson, logo na estreia.


Outros quatro atacantes – que só fizeram dois jogos até agora – também foram implacáveis. O argentino Lionel Messi fez cinco gols (três diante da Argélia e dois contra a Áustria) e pode conseguir esse feito de anotar gols em todos os jogos em que participar.


Na Copa de 2022, Messi marcou em seis dos sete jogos, ficou faltando só um golzinho nas redes da Polônia, na primeira fase


O norueguês Erling Haaland, de 25 anos, em sua primeira Copa do Mundo, é de uma regularidade impressionante. Fez dois gols em cada jogo, diante do Iraque e do Senegal. É o mesmo feito de Kylian Mbappé, o francês que, contra os mesmos adversários, também marcou dois gols em cada jogo.

Com quatro gols cada um, eles vão se enfrentar pela 3ª rodada do Grupo I nesta sexta-feira (26), valendo não só a liderança da chave, mas também a continuidade da artilharia ininterrupta.



O alemão Deniz Undav fez um gol diante de Curaçao e outro dois contra a Costa do Marfim e integra a lista dos possíveis artilheiros de todos os jogos. O holandês Crysencio Summerville também está no mesmo caminho: um gol diante do Japão, outro diante da Suécia, assim como o japonês Daichi Kamada, homem gol que deixou sua marca contra a Holanda e contra a Tunísia.
 

Esses oito jogadores atuais podem conseguir igual feito que só outros quatro artilheiros conseguiram ao longo da história das Copas: entrar para o clube dos que marcaram em todos os jogos, da estreia até a última partida, o que requer uma constância que poucos mantém


Na Copa do Mundo da França, em 1938, o húngaro György Sárosi fez dois gols nas oitavas-de-final contra as Índias Orientais Holandesas; um gol nas quartas-de-final contra a Suíça; outro gol nas semifinais contra a Suécia e, na decisão contra a Itália, voltou a marcar um gol, embora tenha ficado com o vice-campeonato.


Na Copa do Mundo do Brasil, em 1950, o uruguaio Alcides Ghiggia – atacante de renome no Peñarol – fez o suficiente para se eternizar neste clube tão restrito: um gol em cada um dos quatro jogos da “Celeste” naquele Mundial: um diante da Bolívia, um na Espanha, um na Suécia e um nas redes de Barbosa, aos 34 minutos do 2º tempo, gol decisivo que tirou o título da Seleção Brasileira, em pleno Maracanã.


O marroquino Just Fontaine jogava pela França na Copa da Suécia de 1958. Atuando com a camisa 17, Fontaine foi mais impressionante ainda: 13 gols em seis jogos. Bastava entrar em campo, que fazia gols.


Na primeira fase, fez três gols no Paraguai, dois na Iugoslávia (atual Sérvia) e um na Escócia. Nas quartas-de-final, ele continuou sua missão e fez dois gols na Irlanda do Norte. Nas semifinais, contra o Brasil, fez um gol na derrota francesa por 5 a 2. Assim, foi disputar o terceiro lugar contra a Alemanha Ocidental, e anotou mais quatro gols. Curiosamente, nenhum deles de pênalti.


No México, em 1970, Jairzinho foi apelidado de “Furacão da Copa” pelas suas belas atuações e, especialmente, por ter feito gols em todos os seis jogos da Seleção que alcançaria o tricampeonato mundial. 


O goleador do Botafogo fez dois na Tchecoslováquia, um na Inglaterra e um na Romênia, na primeira fase. Nas quartas-de-final, mostrou serviço mais uma vez contra o Peru. Nas semifinais, fez outro gol contra o Uruguai e na finalíssima, contra a Itália, também deixou sua marca, numa regularidade impressionante.


Ronaldo, o Fenômeno, quase igualou essa marca na Copa de 2002. Foi o artilheiro isolado, foi campeão, mas faltou marcar um golzinho na partida das quartas-de-final contra a Inglaterra para entrar para o “clube”, o que só vem a provar o quanto “bater o ponto” em todos os jogos é uma missão das mais complexas na maior competição do futebol mundial.

Por Radar Digital 9 de agosto de 2026
As exportações do agronegócio de Mato Grosso do Sul alcançaram o equivalente a R$ 29 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 12,4% sobre igual período do ano passado. Soja e carne bovina lideraram as vendas, enquanto a expansão do etanol de milho ampliou o processamento da produção agrícola dentro do Estado. Os valores das exportações foram convertidos pela cotação de R$ 5,10. Segundo levantamento do Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), divulgado pela Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), o volume embarcado entre janeiro e junho chegou a 10,15 milhões de toneladas, alta de 7,9%. O agronegócio respondeu por aproximadamente 96% de tudo o que Mato Grosso do Sul vendeu ao exterior no período. A participação mostra o peso das cadeias agropecuárias, agroindustriais e florestais na geração de receita externa para o Estado. O faturamento cresceu mais do que o volume exportado, indicando melhora no valor médio dos produtos embarcados. O desempenho foi puxado principalmente pela soja e pela carne bovina, que concentraram 55,4% da receita externa do agro sul-mato-grossense. A soja liderou as exportações, com receita de R$ 10,1 bilhões no semestre. O valor aumentou 30,5% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o volume embarcado cresceu 21,4%. O grão respondeu sozinho por 34,8% das vendas externas do agronegócio estadual. A diferença entre o crescimento da receita e o avanço do volume corresponde a uma elevação de aproximadamente 7,5% no valor médio da soja exportada. O resultado ajudou a compensar parte da pressão provocada pela queda dos preços no mercado interno. O desempenho das exportações foi sustentado pelo aumento da produção. Mato Grosso do Sul colheu 16,744 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, crescimento de 19% sobre o ciclo anterior. A produtividade média subiu 16,5% e atingiu 60,4 sacas por hectare. A área cultivada aumentou 2,1%. Os números mostram que a maior parte do crescimento veio do rendimento das lavouras, e não da expansão territorial. O avanço da produção estadual acompanha uma safra brasileira maior. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima crescimento de 5,3% na produção nacional de soja em 2025/26. O aumento do volume, porém, não garante melhora proporcional da renda do produtor. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) projetam queda de 9,18% nos preços da soja e retração de 4,60% no valor bruto da produção da oleaginosa em 2026. Na prática, a maior produtividade ajuda a diluir parte dos custos por hectare, mas o resultado financeiro continua condicionado às cotações, ao custo dos insumos, aos juros, à armazenagem e ao frete. A carne bovina apresentou o maior crescimento entre as principais cadeias exportadoras de Mato Grosso do Sul. A receita chegou a aproximadamente R$ 6 bilhões no primeiro semestre, alta de 47,9% na comparação anual. O volume embarcado aumentou 23,4%, enquanto a proteína respondeu por 20,6% das exportações do agronegócio estadual. A receita cresceu quase o dobro do volume, o que representa uma elevação próxima de 20% no valor médio da carne vendida ao exterior. Esse movimento pode refletir preços internacionais mais elevados e maior participação de cortes de valor superior na pauta exportadora. O desempenho também evidencia a força da demanda externa pela carne brasileira. As vendas cresceram mesmo com redução no número de bovinos abatidos em Mato Grosso do Sul. O total passou de 2,12 milhões de animais no primeiro semestre de 2025 para 2,09 milhões neste ano, queda de 1,6%. A combinação de menos animais abatidos com aumento das exportações indica maior direcionamento da produção ao mercado internacional e melhor remuneração média dos produtos embarcados. No cenário nacional, a bovinocultura de corte foi a única atividade pecuária acompanhada pela CNA e pelo Cepea a apresentar aumento no valor bruto da produção, com alta de 3,49%. A demanda internacional foi apontada como um dos principais fatores de sustentação da cadeia. O avanço da soja e da carne em Mato Grosso do Sul contrasta com a perda de renda registrada pelo agronegócio brasileiro no início do ano. O Produto Interno Bruto (PIB) do setor recuou 2,01% no primeiro trimestre, depois de interromper, no fim de 2025, uma sequência de resultados positivos. O ramo agrícola caiu 3,62%, pressionado pela desvalorização dos produtos, enquanto o ramo pecuário cresceu 0,70%. A redução dos preços superou os ganhos obtidos com o aumento da produção em diversas atividades. Todos os segmentos que compõem o PIB do agronegócio apresentaram retração. A produção dentro da porteira caiu 4,15%; os insumos recuaram 2,15%; os serviços ligados ao setor diminuíram 1,25%; e a agroindústria apresentou baixa de 1,03%. Além do crescimento das exportações, Mato Grosso do Sul amplia a industrialização do milho. A produção total de etanol deverá alcançar 4,93 bilhões de litros na safra 2025/26, aumento de 12% em relação ao ciclo anterior. O avanço será puxado pelo etanol de milho, cuja produção deverá crescer 33,9%, de 1,59 bilhão para 2,13 bilhões de litros. O combustível produzido a partir da cana-de-açúcar deverá permanecer praticamente estável, com redução de 0,33%. Com esse resultado, o milho deverá responder por cerca de 43% de todo o etanol produzido em Mato Grosso do Sul no ciclo. A expansão das usinas cria uma alternativa de comercialização para o cereal e reduz a necessidade de transportar toda a produção por longas distâncias até os portos. A indústria também gera coprodutos destinados à alimentação animal, como os grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDG. Esses produtos podem atender confinamentos, granjas e fábricas de ração, aproximando a produção de milho das cadeias de carne bovina, suína e de aves. No País, a CNA e o Cepea estimam que o valor da produção de biocombustíveis cresça 9,67% em 2026, acompanhado de aumento de 8,49% no volume produzido. A ampliação da capacidade industrial sustenta a expansão do etanol de milho. Os números de Mato Grosso do Sul mostram duas frentes de crescimento. Soja e carne bovina ampliam a receita obtida no mercado internacional, enquanto o etanol de milho aumenta o processamento da matéria-prima dentro do Estado. O desafio é transformar o crescimento da produção e das exportações em renda efetiva. Com preços agrícolas pressionados, o resultado do produtor continuará dependendo do controle dos custos, da disponibilidade de crédito, da capacidade de armazenagem e da eficiência da logística.
Por RepórterMT 9 de agosto de 2026
Termina às 19h do dia 15 de agosto o prazo para os partidos registrarem as candidaturas para as eleições deste ano. Com o fim das convenções partidárias, cujo prazo para realização terminou na quarta-feira (5), agora os partidos devem registrar os candidatos nos tribunais eleitorais.  Para candidatos a presidente e a vice-presidente da República, as solicitações serão feitas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE); para senador, deputado federal, governador e vice-governador, deputado distrital e deputado estadual, nos tribunais regionais eleitorais. Dos 30 partidos registrados no TSE, 13 têm candidatos à Presidência da República. Os demais anunciaram apoio a candidatos de legendas diferentes à sua ou declararam neutralidade na corrida presidencial. A decisão pela neutralidade é um sinal de que o partido volta seus esforços para os estados, em um trabalho para ter bancadas significativas nas assembleias legislativas, na Câmara dos Deputados e no Senado. Candidatos a presidente da República confirmados nas convenções nacionais: Augusto Cury (Avante) Clariana Barão (DC) Edmilson Costa (PCB) Flávio Bolsonaro (PL) Hertz Dias (PSTU) Leonardo Avalanche (PRTB) Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Renan Santos (Missão) Romeu Zema (Novo) Ronaldo Caiado (PSD) Rui Costa Pimenta (PCO) Samara Martins (UP) Wilson Grassi Júnior (Democrata) Essas candidaturas, no entanto, precisam ser confirmadas com o registro junto ao TSE. Consulta Após registrado, o candidato aparece no sistema do tribunal eleitoral, que pode ser consultado por qualquer cidadão. No sistema DivulgaCand é possível encontrar informações detalhadas sobre todos os candidatos que pediram registro à Justiça Eleitoral, entre as quais as suas contas eleitorais e as dos partidos políticos.
Por Gazeta Digital 8 de agosto de 2026
O feminicídio não encerra a tragédia na perda da vida da mulher, uma vez que, após o crime de gênero, ergue-se uma estatística dolorosa e invisível com os filhos que sobrevivem ao trauma e subitamente se encontram desamparados. Em Mato Grosso, a violência doméstica e familiar continua a fazer vítimas fatais com alto impacto na infância e na adolescência. Diante desse cenário de vulnerabilidade, a atuação do Poder Público e das instituições do sistema de Justiça torna-se o único caminho para reestruturar essas vidas. Segundo o Observatório Calianda, Mato Grosso registrou 512 órfãos de feminicídio nos últimos seis anos. A contagem passou a ser contabilizada em 2020. Caliandra A aprovação da Lei Federal nº 14.717/2023 representou um divisor de águas no país ao instituir uma pensão especial aos dependentes órfãos em razão do feminicídio, voltada a famílias com renda mensal por pessoa igual ou inferior a um salário mínimo. Contudo, em Cuiabá, já se antecipava esse debate nacional por meio do trabalho conjunto da prefeitura e da Secretaria Municipal das Mulheres, com o amparo financeiro já sendo concedido localmente antes da norma federal entrar em vigor. Essa linha de frente de acolhimento está sob tutela da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso, por meio do Núcleo de Defesa das Mulheres. A instituição busca não apenas a garantia de direitos jurídicos, mas o acolhimento humanizado das famílias enlutadas. A defensora pública Rosana Leite Antunes de Barros explica o empenho do órgão em ofertar suporte integral nos momentos mais críticos. “O Núcleo de Defesa das Mulheres recebe, ampara e acolhe os familiares das mulheres vítimas de feminicídio, na tentativa de trazer um alento e respeito nesse momento de dor. Encaminhamos os familiares para o atendimento multidisciplinar e para a assistência social, se necessário for”, afirmou ao . A complexidade do feminicídio extrapola as barreiras do luto. Em uma grande parcela dos casos, o agressor é o próprio companheiro ou ex-companheiro da vítima, muitas vezes também o pai dos menores. “Temos muitas situações de cometimento de feminicídios de companheiro contra a sua companheira, e que possuem prole em comum. Assim, em muitos casos, os filhos e filhas acabam ficando órfãos e órfãs de mãe e pai. A perda da genitora e do genitor inesperadamente e de uma só vez gera traumas sem precedentes socialmente e psicologicamente”, destaca. No campo jurídico e previdenciário, contudo, avanços significativos têm mitigado a burocracia para assegurar a subsistência dos filhos. A defensora destaca que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tem concedido a pensão especial de maneira rápida, sem exigir que as famílias aguardem o desfecho do demorado processo criminal. “O agressor ou familiares ligados a ele são impedidos de administrar valores ou benefícios pagos em nome das crianças ou adolescentes. O autor do feminicídio perde o poder familiar, o direito de ter a guarda, sendo considerado indigno de receber herança ou bens da vítima”, explica a defensora. Na prática, a rede familiar materna é a principal referência de acolhimento. “Geralmente essas crianças e adolescentes acabam sendo destinados e destinadas ao cuidado da família materna. Em impossibilidade da família materna, em regra, são identificadas as pessoas com as quais essas crianças e adolescentes possuem mais afinidade, e passam a exercer a guarda ou tutela”, detalha a defensora pública. A efetividade da pensão assistencial tem se mostrado uma ferramenta indispensável para estabilizar os lares que acolhem essas crianças, impedindo que a miserabilidade se some à dor da perda. Segundo acompanhamento do Núcleo de Defesa das Mulheres, os valores têm chegado às mãos de quem realmente necessita. “Esse auxílio tem sido uma política pública de extrema importância para a continuidade da criação e educação dessas crianças e adolescentes. As famílias que acompanhamos pelo Núcleo de Defesa das Mulheres da Defensoria Pública, que estavam dentro dos requisitos para alcançarem o benefício, estão conseguindo fazer uso”, avalia Rosana Leite. Apesar desses avanços, a avaliação da Defensoria Pública aponta para a urgência de dar um salto qualitativo nas respostas estatais. Para além da transferência de renda, é imperativo estruturar uma “Política Nacional de Proteção e Atenção Integral aos Órfãos e às Órfãs do Feminicídio”, capaz de articular diferentes áreas governamentais em uma estratégia permanente de suporte. A proposta abrange o mapeamento nacional dos órfãos, suporte psicológico continuado e apoio educacional da infância até a faculdade. Além disso, prevê a ampliação do auxílio a quem assume a guarda, maior celeridade na proteção patrimonial dos bens da vítima e prioridade para as novas famílias acolhedoras em programas habitacionais como o Minha Casa Minha Vida. Acolhimento e Orientação às Famílias Assumir a criação dos netos ou sobrinhos após a perda trágica de uma mãe é um ato de profundo amor, mas também um desafio gigante para avós, tios e parentes. Para a Defensoria Pública, garantir que esses guardiões não fiquem desamparados é um dever fundamental do Estado. “Reforço que a Defensoria Pública está à disposição para que os familiares e responsáveis pelos órfãos e pelas órfãs dos feminicídios possam buscar os respectivos direitos. O amparo a essas crianças e adolescentes por familiares e outros responsáveis é um múnus de extremo valor. Assim, essas pessoas que desempenharão mencionada responsabilidade necessitam de todo apoio do Poder Público”, concluiu.
Por Gazeta Digital 8 de agosto de 2026
Orçamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) alcançará R$ 20,5 bilhões em 2026. Com esse volume de recursos, a autarquia reforça a carteira de obras em Mato Grosso, que inclui a continuidade da BR-158, o avanço da BR-242, a conclusão das intervenções na BR-070 e a execução do Contorno Norte de Cuiabá. As ações foram apresentadas durante o Programa Nacional de Ampliação e Modernização da Malha Rodoviária Federal e a campanha Compromisso Infra Rodovias, realizada nesta quinta-feira (6), na Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), em Cuiabá. Na BR-158, o Ministério dos Transportes prevê aporte de R$ 100 milhões para garantir a continuidade das obras entre o fim de 2026 e o início de 2027, elevando a meta anual de pavimentação de 20 para 25 quilômetros. Na BR-070, o Dnit conclui a contenção de talude na região do rio Araguaia para finalizar o contorno de Barra do Garças. A BR-242 possui 3 lotes em licenciamento ambiental, com expectativa de licença prévia ainda neste mês. O Lote A terá projeto atualizado para início das obras em 2027, enquanto os demais trechos passarão por nova licitação. O Contorno Norte de Cuiabá, com 51,7 quilômetros, é executado em parceria entre os governos federal (60%) e estadual (40%), com o 1º lote, de cerca de 20 km, em andamento. O Dnit também destacou os resultados da manutenção da malha federal em Mato Grosso. Atualmente, são 31 contratos ativos de conservação, que somam R$ 1,98 bilhão e atendem 3.495 km, equivalente a 100% das rodovias federais pavimentadas sob responsabilidade da autarquia no Estado. Com a intensificação dos serviços de recuperação do pavimento, sinalização, drenagem e conservação, o Índice de Condição da Manutenção (ICM) subiu de 69% para 81% entre março e abril de 2026. Apenas 1% da malha foi classificada em condição péssima, refletindo o avanço das ações de manutenção e melhoria da infraestrutura rodoviária. O coordenador de Engenharia e superintendente regional do Dnit em Mato Grosso, Marcelo Costa Sortica de Souza, afirmou que a expansão da malha federal exige mais recursos para acompanhar o crescimento das rodovias incorporadas ao sistema nacional. Segundo ele, há diversos contratos prontos para execução, mas limitados pela falta de orçamento. O Dnit destacou que o orçamento da autarquia voltou a crescer após cair de R$ 18 bilhões, em 2014, para R$ 6 bilhões, em 2021, alcançando R$ 18,2 bilhões em 2025 e previsão de R$ 20,5 bilhões em 2026. Para o órgão, o reforço financeiro permitirá destravar obras prioritárias, acelerar investimentos em rodovias, ferrovias e hidrovias, reduzir gargalos logísticos e fortalecer o escoamento da produção em Mato Grosso.
Por Gazeta Digital 8 de agosto de 2026
As eleições de 2026 devem representar poucas mudanças em relação à composição atual na Assembleia Legislativa e bancada federal. Depois das convenções partidárias e da definição das chapas, o cenário político mostra a forte aposta dos parlamentares na continuidade dos mandatos. Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, dos 24 deputados, 23 confirmaram candidatura à reeleição, o que representa 95,8% da atual composição. A única exceção é Janaina Riva (MDB), que deixou a disputa proporcional para concorrer ao Senado. Na Câmara dos Deputados, dos oito nomes que compõem atualmente a bancada mato-grossense, seis vão tentar renovar o mandato, o equivalente a 75%. José Medeiros (PL) disputa uma vaga no Senado, enquanto Fábio Garcia (União) foi confirmado como candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Otaviano Pivetta (Republicanos). Com isso, apenas duas das oito cadeiras federais estarão obrigatoriamente livres para uma mudança de titularidade em 2027. Buscam a reeleição Nelson Barbudo (PL) Rodrigo da Zaeli (PL) Coronel Fernanda (PL) Coronel Assis (União Brasil) Juarez Costa (Republicanos) Emanuelzinho (PSD) Disputam outros cargos: José Medeiros (PL) – candidato ao Senado Fábio Garcia (União Brasil) – candidato a vice-governador A configuração é diferente daquela projetada no início do ano, quando a expectativa era de que sete dos oito deputados tentassem a permanência na Câmara. A definição das chapas majoritárias alterou o cenário e retirou Fábio Garcia da disputa proporcional. Na AL, quase tentam ficar Se na Câmara a taxa de permanência já é elevada, na Assembleia Legislativa o índice se aproxima da totalidade da Casa. Dos 24 deputados estaduais, 23 foram confirmados como candidatos à reeleição. Janaina Riva é a única que mudou de projeto e disputará o Senado. Buscam a reeleição: Beto Dois a Um (Podemos) Carlos Avallone (PSDB) Chico Guarnieri (PRD) Diego Guimarães (Republicanos) Dilmar Dal Bosco (União Brasil) Dr. Eugênio (Republicanos) Dr. João (MDB) Eduardo Botelho (MDB) Elizeu Nascimento (PL) Fabinho Tardin (Podemos) Faissal Calil (PL) Gilberto Cattani (PL) Juca do Guaraná (PSDB) Júlio Campos (União Brasil) Lúdio Cabral (PT) Max Russi (Podemos) Nininho (Republicanos) Paulo Araújo (Republicanos) Sebastião Rezende (União Brasil) Thiago Silva (MDB) Valdir Barranco (PT) Valmir Moretto (Republicanos) Wilson Santos (PSD). Disputa outro cargo: Janaina Riva (MDB) – candidata ao Senado. Com as chapas definidas após as convenções, os candidatos agora entram na fase inicial da disputa eleitoral. O primeiro turno das eleições de 2026 será realizado em 4 de outubro, quando os eleitores escolherão presidente, governador, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais. Caso haja necessidade de segundo turno para presidente ou governador, a votação ocorrerá em 25 de outubro. As datas estão previstas no calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Por Agência Brasil 7 de agosto de 2026
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou nesta sexta-feira (7) o Conselho Consultivo sobre Integridade Informacional para monitorar o uso indevido da inteligência artificial e a difusão de desinformação durante a campanha eleitoral. O grupo será responsável pelo assessoramento do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, nas ações para manter a normalidade do processo eleitoral. Profissionais de diversas áreas vão participar do grupo, entre eles especialistas em tecnologia da informação, segurança pública, relações internacionais e saúde pública. Os nomes dos participantes ainda não foram escolhidos pelo TSE. As reuniões serão mensais. O conselho está previsto para funcionar até 31 de dezembro. IA Em março, o TSE aprovou regras sobre o uso de inteligência artificial durante as eleições gerais de outubro. As normas valem para candidatos e partidos. Os ministros proibiram que provedores de IA permitam, ainda que solicitado pelos usuários, sugestões de candidatos para votar. O objetivo é evitar a interferência de algoritmos na livre escolha dos eleitores.  Para combater a misoginia digital, o TSE proibiu postagens nas redes sociais com montagens envolvendo candidatas e fotos e vídeos com nudez e pornografia. A Corte eleitoral também reafirmou que os provedores de internet poderão ser responsabilizados pela Justiça se não retirarem perfis falsos e postagens ilegais de seus usuários. Eleições O primeiro turno das eleições será realizado no dia 4 de outubro, quando serão eleitos deputados federais, estaduais, distritais, governadores, senadores e o presidente da República. O segundo turno está marcado para o dia 25 de outubro na disputa para os cargos de governador e presidente. Os eleitores voltarão às urnas se nenhum dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos válidos, excluindo brancos e nulos, no primeiro turno.
Por Agência Brasil 7 de agosto de 2026
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (7) que a Polícia Federal (PF) tome providências em relação ao mais recente relatório do Tribunal de Contas da União (TCU). O documento apontou possíveis irregularidades de R$ 55,4 milhões na execução das chamadas “emendas Pix” entre os anos de 2020 e 2024. Dino enviou o relatório do TCU, recebido por ele em 31 de julho, ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, “a fim de que verifique a existência de indícios de crimes, e, se for o caso, proceda à juntada aos procedimentos já instaurados e/ou à abertura de novos”, ordenou o ministro. Pela decisão, a análise deve priorizar as “hipóteses de danos ao Erário já apontados pela Egrégia Corte de Contas”. As emendas Pix ficaram assim conhecidas por se tratarem de transferências diretas especiais. Essa modalidade dificultava a identificação do parlamentar responsável pela emenda ao orçamento e do beneficiário final da destinação. Provocado, o STF passou a fiscalizar a execução desse tipo de emenda parlamentar, de modo a garantir que sejam atendidos critérios estabelecidos na Constituição para a rastreabilidade e transparência na aplicação de recursos públicos. Dino é o relator da ação sobre o tema. Dados O relatório do TCU analisou cem transferências especiais, destinadas a 74 entes federados, totalizando o volume de R$ 198.109.222,97 de recursos fiscalizados. As conclusões apontaram mais de R$ 26,3 milhões em prejuízo ao erário em decorrência do comprometimento da transparência e rastreabilidade dos recursos. Outros R$ 14,9 milhões em danos foram causados pelo pagamento de despesas “sem comprovação jurídica/fiscal idônea, estranhas à finalidade da transferência especial” ou “sem comprovação da quantidade ou do objeto realizado”, diz o documento. Em outro grupo de irregularidades, foram provocados prejuízos de R$ 14,1 milhões com a “inexecução total ou parcial do objeto” e o “superfaturamento de preços” na aplicação das emendas parlamentares. Diante dos achados, Dino afirmou que os dados “demonstram a persistência de um estado de inconstitucionalidade, o qual justifica a necessidade de adoção de novas medidas para a conformação da execução das ‘emendas individuais’ aos parâmetros constitucionais de transparência e rastreabilidade”.
Por RepórterMT 7 de agosto de 2026
O Partido Liberal (PL) confirmou hoje (7) o nome do médico Alencar Farina (PL) para ocupar a vaga de candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo senador Wellington Fagundes (PL).  A consolidação do nome do médico ocorre após intensas articulações de bastidores na reta final do prazo partidário, resultando no recuo da indicação do empresário Marcelo Maluf (Novo), que era tido como o nome cotado pela aliança. A definição ocorreu após o fechamento das negociações conduzidas pela cúpula liberal. Anteriormente, a vaga vinha sendo mantida em aberto no bloco enquanto o grupo dialogava sobre composições com outras legendas no estado, incluindo o Podemos, presidido no Estado de Mato Grosso pelo deputado estadual Max Russi, sigla que acabou optando por compor a coligação de apoio à candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Com o cenário desenhado nas negociações do grupo, o nome do médico passa a integrar formalmente o projeto majoritário encabeçado por Wellington Fagundes, trazendo a representação da área da saúde para a composição majoritária, enquanto o Novo mantém suas candidaturas aos cargos proporcionais de deputado federal e deputado estadual.
Por Compre Rural 7 de agosto de 2026
Setor registrou 517 pedidos de recuperação judicial no agro no primeiro trimestre de 2026, envolvendo R$ 38 bilhões em passivos; avanço mostra que a pressão financeira deixou de ser um problema restrito ao produtor rural. A recuperação judicial deixou de ser um problema concentrado dentro das propriedades rurais. Depois de atingir produtores pressionados por quebras de safra, margens menores, juros elevados e dívidas acumuladas, a dificuldade financeira começou a avançar sobre empresas que vendem insumos, recebem grãos, industrializam matérias-primas, armazenam a produção e transportam cargas. No primeiro trimestre de 2026, o agronegócio brasileiro registrou 517 pedidos de recuperação judicial, crescimento de 33% em relação aos 389 processos contabilizados no mesmo período do ano anterior. Juntos, os produtores e as empresas envolvidos acumulavam aproximadamente R$ 38 bilhões em passivos, segundo levantamento da NEOT Tecnologia e Informação. Os dados confirmam que o recorde observado em 2025 não representou o fim do ciclo de deterioração. No ano passado, a Serasa Experian contabilizou 1.990 solicitações de recuperação judicial ligadas ao agronegócio, alta de 56,4% em relação a 2024 e o maior resultado desde o início da série histórica, em 2021. Mais do que uma sequência de empresas recorrendo à Justiça, os números funcionam como um termômetro antecipado da saúde financeira de toda a economia do agronegócio. Quando o produtor perde capacidade de pagamento, o problema não permanece dentro da fazenda. Ele aparece posteriormente no caixa de revendas, cooperativas, tradings, agroindústrias, transportadoras e instituições financeiras. O efeito dominó começou no produtor Os produtores rurais ainda concentram a maior parcela dos novos processos. Dos 517 pedidos registrados entre janeiro e março de 2026, 305 foram apresentados por produtores, equivalentes a 59% do total. Na sequência aparecem as revendas e distribuidoras de insumos, com 83 processos. Agroindústrias e usinas somaram 62 casos, enquanto empresas de logística, armazenagem e transporte responderam por outros 41 pedidos. A distribuição revela como a crise financeira atravessa os diferentes elos da cadeia. Uma lavoura que produz menos do que o esperado reduz a capacidade do produtor de pagar financiamentos, fornecedores, arrendamentos e contratos de troca. A revenda que não recebe perde liquidez para cumprir seus compromissos com a indústria. A indústria reduz prazos, limita vendas financiadas e passa a exigir mais garantias. Bancos e cooperativas, por sua vez, tornam-se mais seletivos na concessão de novos recursos. O resultado é um ambiente de crédito mais caro e restrito justamente quando o setor precisa financiar uma nova safra. “O produtor deixa de pagar primeiro. Depois de cerca de três trimestres, esse efeito aparece nas empresas que dependem dele”, afirmou Claudio Damasceno, sócio sênior da RGF, ao analisar o avanço da crise para além das propriedades. A defasagem ajuda a entender por que as recuperações judiciais continuam crescendo mesmo quando há melhora pontual na produção ou nos preços agrícolas. O pedido protocolado hoje pode refletir uma perda ocorrida vários meses ou até anos antes. R$ 31,5 bilhões estão concentrados nas maiores dívidas O passivo de R$ 38 bilhões também mostra que os processos não possuem o mesmo peso econômico. Do total identificado pela NEOT, R$ 31,5 bilhões estavam concentrados em operações com dívidas superiores a R$ 30 milhões. Os outros R$ 6,5 bilhões pertenciam a produtores e empresas com passivos abaixo desse valor. Apenas dez companhias possuíam dívidas superiores a R$ 300 milhões. Embora representassem uma parcela pequena dos processos, esses grupos concentravam parte significativa da exposição financeira. A recuperação judicial de uma grande empresa rural ou agroindustrial pode envolver centenas de credores, propriedades em diferentes estados, contratos de arrendamento, máquinas financiadas, Cédulas de Produto Rural, garantias sobre safras e operações cruzadas entre pessoas físicas e empresas do mesmo grupo econômico. Por isso, contar apenas o número de pedidos não é suficiente. Também é necessário observar o tamanho das dívidas e a posição ocupada pelo devedor dentro da cadeia. Uma cerealista pode ser devedora de bancos e, ao mesmo tempo, credora de produtores. Uma revenda pode dever à indústria enquanto ainda aguarda o pagamento de agricultores. Quando um desses elos perde liquidez, o impacto tende a ser transferido para os demais. Clima, preços baixos e juros formaram uma combinação perigosa Os eventos climáticos e as frustrações de safra foram mencionados em 85% das petições analisadas pela NEOT. A queda no preço das commodities apareceu em 75% dos processos, enquanto o descasamento entre o custo dos insumos e o valor recebido pela produção foi citado em 68%. Os juros elevados aparecem em 60% das ações. Dívidas relacionadas a investimentos realizados anteriormente, como compra de terras, máquinas, estruturas de armazenagem ou expansão de área, foram mencionadas em 52%. Os percentuais demonstram que raramente existe uma única causa para a recuperação judicial. Em muitos casos, produtores e empresas ampliaram seus investimentos durante períodos de preços mais favoráveis e maior disponibilidade de crédito. Posteriormente, encontraram custos financeiros maiores, redução das cotações e problemas climáticos que limitaram a produtividade. Como parte relevante das despesas é contratada antes do plantio, o resultado financeiro depende de uma produtividade e de um preço que ainda não são conhecidos. Quando ambos ficam abaixo das projeções, a receita pode não ser suficiente para cobrir os compromissos já assumidos. Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, afirma que o ambiente restritivo de crédito, os custos elevados e o nível de alavancagem continuaram pressionando o caixa das operações rurais. “A recuperação judicial deve ser o último recurso a ser utilizado”, declarou o executivo ao defender planejamento financeiro e renegociação das dívidas antes do agravamento da situação. Barter ampliou a exposição das revendas O crescimento das recuperações entre revendas de insumos também chama atenção para um dos principais modelos de financiamento das lavouras brasileiras: as operações de barter. Nesse tipo de negociação, o produtor recebe sementes, fertilizantes e defensivos antes do plantio e se compromete a pagar com uma quantidade previamente definida de grãos depois da colheita. O modelo reduz a necessidade de desembolso imediato na propriedade, mas transfere parte do risco da produção para revendas, cooperativas e tradings. Quando a safra fica abaixo do esperado ou o produtor não consegue cumprir o contrato, a empresa que antecipou os insumos deixa de receber os grãos ou o valor correspondente. A perda afeta diretamente seu capital de giro. O crescimento dos pedidos entre revendas indica que uma parcela do risco, antes concentrada nos bancos, passou a ser dividida por toda a estrutura de financiamento do agronegócio. Bancos aparecem como credores na maioria dos processos. Também estão expostas cooperativas de crédito, empresas de insumos, tradings, fundos de direitos creditórios e Fiagros. O avanço das recuperações tende, portanto, a produzir uma consequência adicional: fornecedores e financiadores passam a restringir limites, revisar garantias e cobrar mais pelo risco. Mesmo produtores financeiramente organizados podem encontrar condições mais duras no próximo ciclo. Soja lidera em quantidade; usinas preocupam proporcionalmente A cadeia da soja concentrou 45,1% dos processos registrados no primeiro trimestre de 2026. A pecuária de corte apareceu com 16,5%, enquanto a cadeia da cana-de-açúcar respondeu por 9,1%. A liderança da soja em números absolutos está relacionada ao tamanho da atividade, à extensão da área cultivada e à quantidade de produtores, revendas, cerealistas e prestadores de serviço envolvidos. O setor sucroenergético, entretanto, merece uma leitura específica. Embora reúna menos pedidos em números absolutos, usinas e destilarias continuam aparecendo entre as maiores incidências proporcionais de insolvência quando o número de empresas em recuperação é comparado ao universo de companhias em atividade. Dados da RGF Analytics apontam que a cadeia sucroalcooleira encerrou o segundo trimestre de 2026 com 125 empresas em recuperação judicial, aumento de 5,9% em relação ao trimestre anterior. A vulnerabilidade está ligada à própria estrutura do setor. Uma usina precisa financiar simultaneamente a produção agrícola, a renovação dos canaviais, a manutenção industrial e a compra de matéria-prima. O desempenho financeiro depende da produtividade da cana, da eficiência da indústria, dos preços do açúcar e do etanol, do câmbio e do custo do capital. Uma empresa pode possuir ativos valiosos e capacidade produtiva, mas ainda enfrentar falta de caixa para cumprir dívidas contratadas em outro cenário econômico. Por isso, o sucroenergético funciona como um dos pontos mais sensíveis da atual crise de liquidez. Transporte rodoviário pode ser o próximo elo pressionado A próxima etapa da deterioração financeira pode aparecer com maior intensidade em setores que nem sempre são classificados formalmente como parte do agronegócio, mas dependem diretamente da produção rural. O transporte rodoviário de cargas é um dos principais exemplos. Quando o produtor reduz a compra de fertilizantes e defensivos, diminui o volume de insumos transportados até as propriedades. Se há quebra de safra, menos grãos seguem para armazéns, indústrias e portos. Quando uma usina, cerealista ou agroindústria reduz suas operações, também cai a demanda por fretes. Além disso, transportadoras podem ter pagamentos a receber de empresas que ingressaram em recuperação judicial, transformando serviços já realizados em créditos sujeitos a renegociação. Os 41 pedidos registrados entre empresas de logística, armazenagem e transporte no primeiro trimestre indicam que parte desse movimento já começou. A queda da renda rural também reduz a renovação de caminhões, máquinas e implementos, afeta o consumo de combustível e limita a contratação de serviços nos municípios dependentes do agronegócio. O problema deixa, assim, de ser apenas financeiro e passa a interferir na atividade econômica regional. Recuperação judicial não significa falência A recuperação judicial foi criada para permitir que empresas economicamente viáveis reorganizem suas dívidas, preservem a atividade produtiva e negociem coletivamente com os credores. O pedido, portanto, não significa necessariamente que a empresa encerrará suas operações. Mas a proteção da Justiça não cria receita, não recupera produtividade e não corrige uma estrutura de custos desequilibrada. Sem ajustes operacionais, venda de ativos, renegociações possíveis de cumprir e recuperação das margens, o processo pode apenas adiar o problema. Diante do aumento dos casos, o Conselho Nacional de Justiça estabeleceu em 2026 novas diretrizes para a análise das recuperações envolvendo produtores rurais. Entre as exigências estão a comprovação do tempo de atividade, a organização das informações patrimoniais e a apresentação de dados que permitam avaliar a viabilidade da operação. “O produtor rural que busca a recuperação judicial precisa encontrar um Judiciário que compreenda o ciclo da safra”, afirmou o ministro do Superior Tribunal de Justiça Raul Araújo. Um termômetro da economia do agronegócio As recuperações judiciais registradas hoje refletem, em muitos casos, investimentos e dívidas assumidos anos atrás. Mesmo uma safra positiva pode não ser suficiente para eliminar passivos acumulados. O produtor pode colher mais e continuar pressionado por financiamentos antigos. A revenda pode aumentar as vendas e ainda carregar créditos de difícil recebimento. A agroindústria pode operar normalmente, mas enfrentar vencimentos incompatíveis com sua geração de caixa. É por isso que o crescimento das recuperações deve ser observado como um indicador mais amplo. Os processos mostram onde a liquidez diminuiu, quais setores perderam capacidade de investimento e até que ponto as dificuldades surgidas dentro das propriedades foram transferidas para outros participantes da cadeia.  A crise financeira já atravessou a porteira. O desafio agora é evitar que a reorganização das dívidas resulte em uma restrição prolongada ao crédito, à compra de insumos, à movimentação de cargas e à capacidade produtiva do agronegócio brasileiro.
Por Agência Brasil 7 de agosto de 2026
Há exatos 20 anos, era sancionada a Lei Maria da Penha, um dos principais marcos no combate à violência contra as mulheres no Brasil. Ao definir a violência doméstica, a lei nº 11.340/2006 enfrentou à naturalização das agressões que aconteciam, em geral, entre quatro paredes. Embora o país tenha alcançado avanços importantes a partir dessa lei, ainda há desafios como a subnotificação, a dificuldade no acesso à Justiça e os altos índices de feminicídio. Só em 2025, foram 1.568 mulheres vítimas de feminicídio no Brasil, um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Desde a tipificação desse crime, em março de 2015, ao menos 13.703 mulheres já foram assassinadas por sua condição de ser mulher. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Para a advogada Luciane Mezarobba, que atende exclusivamente mulheres, a Lei Maria da Penha é uma ferramenta avançada de enfrentamento à violência. “Ela elevou o combate à violência contra a mulher, nos âmbitos familiares, doméstico e amoroso, a um problema público, superando aquela velha e obtusa máxima de que ‘em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher’.” A lei reconheceu ainda que essa violência não é apenas física, ela pode ser psicológica, sexual, patrimonial, moral e vicária. “Com isso, condutas até então normalizadas e mesmo socialmente aceitas, como constranger, humilhar, manipular, ridicularizar, insultar e explorar, inclusive financeiramente a mulher, nos contextos doméstico, amoroso e familiar, constituem violência e serão punidas”, disse Luciane, em entrevista à Agência Brasil. Ela mencionou que a lei seguiu sendo aprimorada ao longo dos anos. A violência vicária, por exemplo, foi incluída na lei em 2026. Ela acontece quando o agressor utiliza terceiros — como filhos, familiares ou pessoas da rede de apoio — a fim de atingir a vítima. “São avanços consistentes e que seguramente já salvaram muitas vidas, apesar dos terríveis números de feminicídio e violência contra a mulher que nos assombram diariamente.” Para a socióloga e cientista política Bruna Camilo, uma das principais contribuições de uma lei é dar nome àquilo que está acontecendo. “Antes da lei, era uma agressão como qualquer outra. As mulheres não tinham a quem recorrer nem ao que recorrer. Elas achavam que era o destino delas, era uma naturalização absurda da violência contra as mulheres”, disse. Ela ressaltou que não basta a existência da lei, é preciso que ela seja aplicada em todo o sistema de justiça. “Se [as disposições] fossem todas seguidas, certamente seria uma lei extremamente forte no nosso país. Ela é muito importante, é inegável, traz um norte para o nosso país, só que infelizmente ela não é cumprida em todo o seu teor.” Descumprimento de medida protetiva O sistema de proteção à mulher falhou no caso de Júlia*, que denunciou uma agressão do ex-companheiro e pai de seu filho. Acompanhada pela Defensoria Pública no processo de pensão e guarda, a vítima solicitou também a medida protetiva de urgência contra o agressor, o que foi concedido pela Justiça paulista. No entanto, a aplicação desse dispositivo da lei nunca aconteceu. “A medida de manter o ex-companheiro longe acaba não sendo monitorada de forma alguma. Não é só comigo. Várias mulheres pedem a medida protetiva, ela é registrada, só que ela não é praticada”, relatou Júlia. O limite mínimo de distância fixado pelo juiz, em que o agressor fica proibido de ultrapassar em relação à vítima, não foi cumprido. Isso porque o agressor morava há menos de 1 quilômetro de Júlia e fazia trajetos pelo bairro em que passava em frente à casa da vítima com frequência, mesmo sabendo que ele precisava manter distância. “Ninguém fiscaliza, ninguém faz nada, é como se não tivesse [a medida protetiva]. Tanto que eu até larguei de mão, por mais que ele tenha me ameaçado e tudo mais, eu larguei de mão porque não adianta. E aí eu estou correndo só com a [ação de] pensão mesmo”, acrescentou Júlia. No primeiro semestre desse ano, houve descumprimento de 13.301 medidas protetivas de urgência no estado de São Paulo. O resultado representa um aumento de 18,7% em relação ao mesmo período de 2025, quando 11.209 medidas foram descumpridas. Os dados são da Secretaria da Segurança Pública do estado (SSP). Um desses casos levou ao feminicídio de Carla Carolina Miranda da Silva, esfaqueada pelo agressor em via pública, na capital paulista, em janeiro deste ano. A vítima já havia denunciado o agressor por violência doméstica e tinha medida protetiva determinando que ele não se aproximasse. Desafios para aplicação da lei Bruna Camilo avalia que as medidas para o combate à violência doméstica vão além da sanção da lei. Segundo ela, as delegacias precisam acolher as mulheres de forma que se sintam seguras para denunciar. Além disso, juízes e promotores devem considerar que a punição da violência doméstica é importante e não pode ser minimizada. “Nossa sociedade é patriarcal, ela é construída [com base] na misoginia e no machismo. A sociedade precisa se reeducar em relação à violência contra as mulheres. Então, muita coisa tem que melhorar”, disse Bruna, em relação aos desafios para o combate à violência doméstica. Um caso de grande repercussão, exemplo do machismo e da misoginia, foi o atropelamento de Tainara Souza Santos, arrastada - presa embaixo do veículo - por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê, em novembro do ano passado. Na ocasião, a vítima teve as pernas severamente mutiladas. Ela chegou a ser socorrida, passou por cirurgias, mas morreu na noite de 24 de dezembro, aos 31 anos, deixando dois filhos. De acordo com a investigação, a vítima teve um relacionamento breve com o autor da agressão, que não aceitou o término. Segundo o delegado do caso, na ocasião, havia “sensação de posse, em um total desprezo à condição de gênero e de mulher, autêntica tentativa de feminicídio”. A advogada Luciane avalia que a lei está bem assimilada e absorvida na rotina forense. No entanto, um desafio para a aplicação da lei é a grande demanda diante de um sistema sobrecarregado. “Vejo os atores jurídicos ocupados, em regra, em viabilizar sua efetivação, com o acolhimento às vítimas e a punição aos agressores”, relatou.  “Todavia, não é raro encontrar equipamentos públicos desatualizados, desequipados, com poucos funcionários, e alguns deles sem a sensibilidade e o preparo necessários. Há um volume grande de trabalho e um contingente insuficiente para atendê-lo”, ponderou Luciane. A advogada relatou que uma cliente recentemente passou pelo constrangimento de aguardar por cinco horas para ser ouvida sobre uma denúncia. “[Esse tempo todo] vendo outras mulheres em situação de extremo sofrimento e desespero chegando, o que a fez, inclusive, minimizar a própria dor e violência que sofreu.” Quem é Maria da Penha? Ativista pelos direitos da mulher, Maria da Penha Maia Fernandes deu nome à lei que criou mecanismos para combater a violência doméstica e familiar, da qual ela foi vítima. Em 1983, Maria da Penha sofreu dupla tentativa de feminicídio por parte do marido, Marco Antonio Heredia Viveros. Primeiro, ele deu um tiro pelas costas enquanto ela dormia, o que a deixou paraplégica. O agressor declarou à polícia, na época, que teria sido uma tentativa de assalto, versão que foi posteriormente desmentida pela perícia. Quatro meses depois, quando ela voltou para casa após cirurgias e tratamento, o agressor a manteve em cárcere privado por 15 dias e tentou eletrocutá-la durante o banho. Apesar de dois julgamentos, em 1991 e 1996, e duas sentenças, o criminoso seguiu em liberdade. Em 1998, o caso ganhou uma dimensão internacional com uma denúncia na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (CIDH/OEA). Em 2001, após receber quatro ofícios da comissão, o Estado brasileiro foi responsabilizado por negligência, omissão e tolerância em relação à violência doméstica praticada contra as mulheres. Uma das recomendações era completar, rápida e efetivamente, o processamento penal do responsável pela agressão. Viveros foi preso em 29 de outubro de 2002 em Natal. Em março de 2004, ele conseguiu ir para o regime semiaberto e, em fevereiro de 2007, conseguiu a liberdade condicional, segundo informações do Ministério Público do Ceará. Violência digital A violência digital, que tem ganhado maior alcance com a tecnologia, pode ser entendida como uma extensão da violência contra as mulheres. As agressões que estavam concentradas “entre quatro paredes” tomaram também as redes sociais e podem acontecer por meio de mensagens por aplicativo. O objetivo, no entanto, é o mesmo: intimidar, humilhar, ameaçar ou controlar as mulheres. “A violência digital pode sim ser enquadrada na Lei Maria da Penha, porque existe ali a violência moral, que fere a dignidade da mulher, embora já tenha alguns projetos de lei e algumas leis que falem sobre segurança digital e punição de pessoas que cometem violência digital contra mulheres”, afirmou a cientista política Bruna Camilo . Ela citou a Lei Lola, a Lei Carolina Dieckmann e o ECA digital. Este último não trata de mulheres especificamente, mas de crianças, e isso envolve meninas. “Já existem iniciativas importantes, mas a gente precisa da aplicabilidade dessas leis, para que a gente consiga iniciar a mudança cultural da nossa sociedade.” * A fonte preferiu não se identificar.