Bandidos fingem ser diretor de empresa e dão golpe de quase R$ 200 mil

RepórterMT • 9 de junho de 2026

A Polícia Civil de Mato Grosso cumpre 48 ordens judiciais, na manhã de hoje (8.6), dentro da Operação Interface, ofensiva interestadual deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul com foco na desarticulação de um grupo criminoso especializado em estelionatos eletrônicos mediante a aplicação do golpe do “Falso Executivo”.


Na operação, são cumpridas um total de 87 ordens judiciais, sendo 60 mandados de busca e apreensão e 27 mandados de prisão nos estados de Mato Grosso e Rio Grande do Norte. Também serão realizados os bloqueios de todas as contas bancárias vinculadas aos investigados.


Em Mato Grosso, os trabalhos são coordenados pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, sendo cumpridos 32 mandados de busca e apreensão e 16 de prisão, com alvos na Capital e em Várzea Grande.


O cumprimento das ordens judiciais conta com apoio das equipes da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá, Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos (DERFVA) e 2ª Delegacia de Polícia de Cuiabá. 


A investigação, conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, do Departamento de Polícia Metropolitana (3DP/2DPRM/DPM) da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, revelou uma rede criminosa com atuação em Mato Grosso e Rio Grande do Norte, com uso de “conteiros” e pulverização de valores para dificultar o rastreamento financeiro.


Os trabalhos investigativos e operacionais contaram com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), da Coordenação-Geral de Crimes Cibernéticos (CGCIBER/Diopi/Senasp), do Ministério da Justiça, e das Polícias Civis dos estados de Mato Grosso e do Rio Grande do Norte.


Esquema


As investigações apontam que o grupo criminoso especializado em golpes eletrônicos causou um prejuízo superior a R$ 193 mil a uma empresa do setor industrial no estado do Rio Grande do Sul. O esquema utilizava aplicativos de mensagens para se passar por executivos de empresas e induzir funcionários do setor financeiro a realizar transferências bancárias para contas controladas pelos criminosos.


A fraude que deu início às investigações ocorreu em 2025, quando uma das vítimas, assistente financeira de uma indústria, realizou pagamentos para terceiros, acreditando receber instruções legítimas do presidente da empresa. O esquema demonstra um exemplo do crescimento dos golpes corporativos praticados por grupos criminosos especializados em engenharia social.


De acordo com a investigação, a assistente financeira recebeu mensagens de um número de telefone que exibia a fotografia do presidente da empresa. Como o executivo estava em viagem e frequentemente solicitava pagamentos a fornecedores por meio de mensagens, a funcionária não identificou qualquer irregularidade.


Seguindo as orientações recebidas, ela realizou transferências bancárias para contas indicadas pelo suposto diretor. Os valores foram distribuídos entre diferentes destinatários. Somente dois dias depois, ao perceber que os pagamentos eram elevados e haviam sido solicitados em curto espaço de tempo, a funcionária desconfiou da situação. Ao verificar o número utilizado, constatou que ele não correspondia ao telefone verdadeiro do presidente da empresa.



Investigação


A partir do registro da ocorrência, a investigação foi iniciada com a finalidade de identificar os responsáveis. As diligências apontaram que o golpe foi executado a partir do estado de Mato Grosso, especialmente da região de Cuiabá. Após a concretização do golpe, os valores eram transferidos para outros criminosos residentes em outro estado.


As apurações revelaram ainda a existência de uma estrutura criminosa organizada, composta por diferentes funções. Entre elas estão os chamados “conteiros”, pessoas que cedem suas contas bancárias para receber recursos provenientes de crimes; os “tripeiros”, responsáveis por recrutar esses titulares de contas em troca de comissões; e os gerentes do esquema.


A investigação também identificou o executor e o articulador do golpe. Os suspeitos possuem extensa ficha criminal por crimes semelhantes.


Pulverização financeira


Ainda dentro do esquema, os investigados empregavam uma estratégia de pulverização financeira para dificultar a recuperação dos valores e o rastreamento dos recursos. O dinheiro era rapidamente fragmentado e transferido para dezenas de contas em diferentes estados brasileiros, muitas delas vinculadas a instituições financeiras digitais de menor expressão no mercado.


“A técnica permite retardar bloqueios judiciais e dificulta a identificação dos verdadeiros beneficiários do esquema”, explicou o delegado Bruno Palmiro, da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá.


A delegada responsável pelas investigações, Luciane Bertoletti, destaca que esse tipo de golpe tem se tornado cada vez mais comum no ambiente corporativo brasileiro. “Os criminosos estudam a estrutura das empresas, identificam executivos e funcionários com acesso ao setor financeiro e utilizam fotografias, nomes e informações públicas para criar perfis falsos extremamente convincentes”, destacou a delegada.


A Polícia Civil alerta que as empresas devem adotar protocolos rígidos de confirmação para qualquer solicitação de transferência bancária, especialmente quando envolver alteração de contas, pagamentos urgentes ou valores expressivos. A orientação é que toda movimentação financeira relevante seja validada por mais de um canal de comunicação e, sempre que possível, por contato direto com o responsável pela solicitação.


Operação Pharus


As investigações integradas e o apoio operacional integram os trabalhos do planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026, por meio da Operação Pharus.


A operação representa mais um passo no combate aos grupos criminosos especializados em fraudes eletrônicas, modalidade que vem movimentando milhões de reais em todo o país e exigindo atuação integrada entre unidades policiais, instituições financeiras e órgãos de inteligência.


Por Redação 13 de setembro de 2026
Inteligência artificial, dados, automação e novas ferramentas de gestão estão transformando a operação rural, e já começam a exigir uma nova arquitetura jurídica para contratos e relações comerciais do agronegócio O agronegócio brasileiro atravessa uma transformação tecnológica que vai muito além da mecanização e da agricultura de precisão. Inteligência artificial (IA), sensoriamento remoto, imagens de satélite, telemetria, sistemas de gestão, automação de máquinas e análise massiva de dados passaram a integrar a rotina de propriedades rurais, tradings, agroindústrias, instituições financeiras e fornecedores de insumos. A mudança altera não apenas a produtividade e a eficiência operacional, mas também a forma como decisões são tomadas, riscos são mensurados e relações jurídicas são estruturadas dentro da cadeia do agro. Para o advogado Pérsio Landim, especialista em agronegócio, o avanço tecnológico do setor já produz efeitos concretos sobre a atividade empresarial rural e sobre a elaboração dos instrumentos contratuais. “O agro nunca foi tão tecnológico. Hoje, a propriedade rural produz não apenas grãos, fibras, proteínas ou energia, mas também uma quantidade enorme de dados. E esses dados passaram a ter valor econômico, estratégico e jurídico”, afirma Pérsio Landim. A incorporação da IA é um dos pontos mais relevantes dessa transformação. Algoritmos já são utilizados para cruzar informações climáticas, histórico de produtividade, características do solo, imagens de satélite e dados de máquinas, permitindo antecipar problemas, recomendar intervenções e apoiar decisões relacionadas a plantio, aplicação de insumos, irrigação e colheita. O impacto, entretanto, não se limita ao campo. A tecnologia começa a modificar a própria estrutura das relações contratuais do agronegócio. Contratos mais sofisticados A evolução tecnológica cria espaço para contratos com maior grau de precisão na definição de obrigações, métricas de desempenho, critérios de remuneração e mecanismos de monitoramento. Em determinadas operações, dados produzidos por máquinas, sensores ou plataformas podem integrar a própria dinâmica de execução contratual. Isso é particularmente relevante em contratos de fornecimento, prestação de serviços agrícolas, operações de barter, arrendamento, parceria rural, compra e venda de commodities, financiamento e contratos envolvendo tecnologia aplicada à produção. “Os contratos do agro precisam acompanhar a sofisticação da atividade econômica. Não basta estabelecer preço, prazo e objeto. Em operações tecnologicamente mais complexas, é necessário discutir governança de dados, critérios de medição, responsabilidades sobre sistemas, auditoria, disponibilidade das informações e consequências jurídicas de uma falha tecnológica”, explica Landim. A tendência é que determinadas cláusulas passem a tratar de temas que até pouco tempo estavam ausentes dos instrumentos tradicionais: titularidade e acesso aos dados, padrões de interoperabilidade, segurança da informação, uso de algoritmos, responsabilidade por decisões automatizadas, níveis de serviço e mecanismos de auditoria. A questão ganha relevância porque o dado gerado no processo produtivo pode envolver diferentes agentes. Uma máquina pode coletar informações em uma propriedade; o fabricante pode armazená-las em uma plataforma; uma empresa de tecnologia pode processá-las; e uma instituição financeira ou compradora pode utilizar determinados indicadores para avaliar risco ou desempenho. Nesse cenário, definir contratualmente quem pode acessar, utilizar, compartilhar e explorar essas informações deixa de ser uma questão meramente operacional. Da agricultura de precisão à agricultura orientada por dados A agricultura de precisão representou uma primeira grande ruptura ao permitir que a produção fosse administrada a partir de informações espacialmente detalhadas. A etapa seguinte é a integração desses dados em sistemas capazes de identificar padrões e produzir recomendações em tempo real. É nesse ponto que a IA ganha relevância. Em vez de apenas armazenar informações sobre uma lavoura, sistemas mais avançados conseguem processar grandes volumes de dados e gerar modelos preditivos. O objetivo é transformar informação em decisão. Para o produtor, isso pode significar redução de desperdícios, melhor alocação de recursos e maior previsibilidade. Para empresas da cadeia, significa também maior capacidade de avaliação de risco e de planejamento de operações. Mas a sofisticação tecnológica traz uma questão jurídica fundamental: quem responde quando uma decisão baseada em tecnologia produz um resultado inadequado? “Quanto maior a participação da tecnologia na tomada de decisão, mais importante se torna estabelecer uma matriz clara de responsabilidades. Se um algoritmo recomenda determinada conduta, é preciso compreender qual é o papel do usuário, do fornecedor da tecnologia e dos demais agentes envolvidos na operação”, observa o advogado. O novo contrato do agro A evolução não significa necessariamente abandonar os contratos tradicionais. O movimento é de complementação e sofisticação. Um contrato de fornecimento, por exemplo, pode incorporar indicadores objetivos obtidos por sistemas tecnológicos para aferição de qualidade, produtividade ou cumprimento de determinadas condições. Em operações de crédito, informações provenientes de sistemas de gestão e monitoramento podem contribuir para a análise de risco. Também surgem oportunidades para contratos estruturados em torno de desempenho, com remuneração vinculada a métricas verificáveis. O desafio jurídico está em transformar esses parâmetros tecnológicos em obrigações contratuais suficientemente claras para reduzir disputas futuras. “A tecnologia permite medir aquilo que antes era difícil de mensurar. O contrato precisa aproveitar essa capacidade, mas sem criar uma falsa sensação de objetividade. Dados também precisam ser contextualizados, auditáveis e submetidos a critérios previamente definidos pelas partes”, afirma Landim. Segurança, dados e governança A expansão das plataformas digitais também aumenta a superfície de risco das operações rurais. Informações sobre produtividade, localização de propriedades, estoques, custos, capacidade de produção e planejamento podem possuir elevado valor comercial. A governança dessas informações passa, portanto, a fazer parte da gestão estratégica do negócio. Além da proteção de dados pessoais quando houver tratamento de informações enquadradas na legislação aplicável, empresas e produtores precisam considerar questões de confidencialidade, segredo empresarial, propriedade intelectual e regras contratuais de acesso e compartilhamento de dados. Para o setor jurídico, o desafio é acompanhar uma realidade em que a infraestrutura tecnológica já faz parte da operação econômica. “O jurídico precisa deixar de entrar apenas no final da negociação. No agro conectado, advogado, produtor, empresa de tecnologia e gestor precisam conversar desde a estruturação da operação. Muitas das contingências futuras serão determinadas por decisões tomadas antes mesmo da assinatura do contrato”, diz Landim. Tecnologia como infraestrutura do negócio O movimento de digitalização do agro indica que tecnologia deixou de ser um diferencial isolado para se tornar infraestrutura da atividade produtiva. A propriedade rural conectada passa a operar com uma combinação de ativos físicos e digitais: máquinas, equipamentos, sistemas, dados, plataformas e modelos analíticos. A gestão desses elementos exige, consequentemente, uma visão integrada de negócios, tecnologia e direito. Para os produtores, isso significa avaliar não apenas o retorno econômico de uma nova solução tecnológica, mas também suas implicações contratuais e estratégicas. Para as empresas fornecedoras, significa estruturar contratos capazes de disciplinar adequadamente níveis de serviço, responsabilidades, dados e riscos. E, para o Direito do Agronegócio, significa acompanhar uma cadeia produtiva em que a inovação tecnológica está modificando a própria arquitetura das relações empresariais. “O agro continuará sendo uma atividade profundamente ligada à terra, ao clima e à produção. Mas a competitividade será cada vez mais determinada pela capacidade de transformar dados em decisões. O contrato, por sua vez, terá de acompanhar essa evolução e dar segurança jurídica para relações econômicas cada vez mais digitais”, conclui Pérsio Landim. A próxima fronteira, portanto, não está apenas em produzir mais. Está em produzir com mais informação, previsibilidade e capacidade de decisão. No agro, a tecnologia já não é uma promessa de futuro, é parte da operação presente.
Por RepórterMT 12 de setembro de 2026
Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra um idoso, de 68 anos, ferido e com sangramento dentro de uma unidade do supermercado Comper, localizado na Avenida Barão de Melgaço, em Cuiabá. Segundo a testemunha Vitória Brito, ele agredido por uma funcionária do estabelecimento, que o acusou de furto. O caso aconteceu na manhã de hoje (12). Nas imagens, é possível observar ferimentos e sangramento nos braços do cliente. À reportagem, Vitória disse que o idoso fazia compras normalmente quando uma funcionária do setor de prevenção de perdas começou a acusá-lo de furto. Diante disso, ele teria se alterado e xingado a trabalhadora. Ainda conforme a testemunha, a funcionária empurrou e deu socos no cliente. Em seguida, teria pegado um bastão de madeira e desferido vários golpes contra a cabeça e os braços do idoso. “A agressão só parou porque outras pessoas que estavam no local intervieram e a seguraram” , relatou Vitória. A testemunha afirmou que prestou os primeiros socorros e utilizou panos para tentar conter o sangramento. Segundo ela, o idoso apresentava cortes profundos e sangrava bastante. “Eu fui pessoalmente prestar socorro ao senhor. Peguei alguns panos para tentar estancar o sangramento, pois ele teve ferimentos graves e cortes bem profundos” , contou. Enquanto o cliente recebia atendimento, Vitória ficou responsável pelas sacolas e conferiu os produtos com a nota fiscal. Segundo ela, todos os itens encontrados estavam registrados no comprovante de pagamento. “Verifiquei toda a mercadoria e a nota fiscal. Tudo o que estava na sacola constava no comprovante de pagamento. Não havia nenhum item sem nota” , afirmou. Pessoas que frequentam a região relataram a Vitória que o idoso é cliente assíduo do supermercado e costuma fazer compras no local durante as manhãs, algumas vezes acompanhado pelos netos. Uma equipe do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) realizou os primeiros atendimentos. Segundo informações da corporação a equipe da Unidade de Urgência (UR) foi acionada, por volta de 08h12, para a ocorrência e realizou o atendimento pré-hospitalar com curativos e encaminhou o idoso para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Verdão para procedimentos médicos. Com um número de telefone fornecido pelo idoso, Vitória conseguiu entrar em contato com os filhos dele, que foram até o local para acompanhar a situação. O RepórterMT tentou falar com o supermercado, mas não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação do estabelecimento.
Por Agência Brasil 12 de setembro de 2026
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, que adote medidas para garantir aos ministros que participarão do julgamento de terça-feira (15) acesso à íntegra dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Em ofício encaminhado neste sábado (12), Gilmar reforçou um pedido apresentado pelo ministro Cristiano Zanin e defendeu que, se o relator do caso, André Mendonça, não disponibilizar os arquivos, a própria Polícia Federal seja acionada com urgência para fornecer cópias do material aos gabinetes dos ministros. O pedido envolve a mídia extraída do celular de Vorcaro, que permanece sob custódia da Polícia Federal para preservação da cadeia de provas. O julgamento está relacionado à análise de um relatório da PF elaborado a partir do conteúdo do aparelho de Vorcaro. O documento identificou mensagens trocadas entre o ex-banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes. A Corte deverá avaliar questões relacionadas à validade do relatório e à possibilidade de investigação envolvendo Moraes no caso Master. Acesso aos dados  Gilmar argumentou que o acesso ao material deve ser assegurado de forma igualitária aos ministros que participarão da análise. Segundo o decano, o fato de uma cópia da mídia estar disponível ao gabinete de Mendonça, sem que o mesmo conteúdo seja distribuído aos demais integrantes do colegiado, comprometeria a paridade interna do tribunal. “Tal providência é necessária para que seja assegurado a todos os Ministros o conhecimento de todas as informações relevantes para o julgamento.” O ministro afirmou ainda que o compartilhamento integral permitiria que cada integrante do STF formasse sua convicção jurídica com base no conjunto completo das informações, e não em “sínteses parciais” do conteúdo. Versão de Mendonça Mendonça informou a Zanin que o aparelho físico original não está sob sua posse e permanece armazenado pela PF. O relator afirmou que dispõe de uma cópia de segurança em disco rígido criptografado, enviada pela Polícia Federal em março de 2026, que permanece lacrada. O ministro disse ainda que nunca manuseou o material e que a cópia foi preservada como uma espécie de “contraprova” para o caso de perda dos arquivos originais. Mendonça também argumentou que a divulgação integral dos dados poderia prejudicar investigações ainda em andamento, com risco de comprometer o sigilo e a eficiência da persecução penal. O relator rejeitou a alegação de que haveria desigualdade entre os ministros e afirmou que não detém acesso a elementos de informação que não estejam formalmente incorporados ao processo. Segundo Mendonça, a defesa de Vorcaro teve acesso à íntegra dos dados porque o material é devolvido aos advogados depois da extração das informações. Moraes critica Alexandre de Moraes também se manifestou sobre a condução do caso. O ministro acusou Mendonça de promover um levantamento “seletivo e direcionado” do sigilo e afirmou que a medida protegeria “determinado grupo político”. Moraes também sustentou que não cabe ao relator escolher quais documentos devem estar disponíveis aos demais integrantes do colegiado. As declarações fazem parte da disputa interna no STF sobre a extensão do acesso às informações obtidas pela PF a partir do celular de Vorcaro. Reunião de casos Nessa sexta-feira (11), Gilmar Mendes enviou outro ofício para pedir que Fachin assuma a condução dos processos relacionados ao caso e que as questões envolvendo a atuação de Mendonça sejam consideradas no julgamento de terça-feira. O decano afirmou ter “sérias dúvidas” sobre se o processo está efetivamente pronto para ser analisado pelo Plenário. Segundo ele, ainda precisam ser esclarecidos pontos como a natureza do procedimento, quem é investigado, qual é o objeto da apuração e qual questão concreta será submetida aos ministros. O ministro também defendeu que processos relacionados aos mesmos fatos e provas sejam reunidos sob a condução da Presidência do STF. Na avaliação de Gilmar Mendes, a tramitação separada pode resultar em decisões contraditórias e dificultar a compreensão do caso pelo colegiado. Julgamento na terça Caso a sessão seja mantida, o decano sugeriu que Fachin apresente inicialmente ao Plenário uma visão geral dos fatos. O ministro também defendeu que sejam analisadas questões preliminares antes da discussão do mérito. Entre elas está o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que seja reconhecida a nulidade do relatório da Polícia Federal produzido a partir do celular de Vorcaro. O acesso integral ao conteúdo do aparelho se tornou, assim, um dos principais pontos de disputa antes do julgamento marcado para terça-feira (15), quando o STF deverá analisar as questões relacionadas ao relatório da PF e à eventual investigação envolvendo Alexandre de Moraes no caso Master.
Por Ascom 12 de setembro de 2026
Os Estados Unidos ganharam espaço entre os destinos da carne bovina produzida em Mato Grosso em agosto. Os embarques para o mercado norte-americano cresceram 50,4% em relação a julho, em um movimento de maior participação de outros compradores internacionais da proteína mato-grossense. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em agosto foram embarcadas 8,2 mil toneladas para os Estados Unidos, frente a 5,4 mil toneladas em julho. O avanço dos Estados Unidos ocorreu em um mês marcado pela diversificação dos destinos. De acordo com a Secex, as exportações para os mercados fora da China cresceram 31,11% na comparação mensal. Além dos Estados Unidos, outros países registraram aumento expressivo nas compras em agosto. Os embarques para a Rússia avançaram 80,62%, enquanto as vendas para as Filipinas cresceram 57,11% na comparação com julho. Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, o desempenho reforça a importância de se manter uma carteira ampla de compradores internacionais. “Quando diferentes mercados ampliam suas compras, a cadeia ganha mais alternativas para o escoamento da produção e fica menos exposta às oscilações de um único destino. A pecuária de Mato Grosso tem capacidade produtiva, qualidade e escala para atender compradores com diferentes perfis e exigências. Por isso, a diversificação é estratégica para dar maior estabilidade às exportações e fortalecer a presença da carne mato-grossense no comércio internacional”, afirma o diretor de Projetos do Imac. No total, os frigoríficos de Mato Grosso exportaram 72,30 mil toneladas equivalentes-carcaça (TEC) de carne bovina em agosto, movimentando US$ 351,34 milhões. Para Andrade, ampliar a presença em diferentes países também contribui para consolidar a imagem da carne produzida. “Estar presente em diferentes mercados mostra a capacidade da pecuária de Mato Grosso de atender demandas distintas. Essa presença internacional é importante não apenas para o volume comercializado, mas para construir relações comerciais de longo prazo e posicionar a carne mato-grossense entre compradores de diferentes regiões do mundo”.
Por RepórterMT 11 de setembro de 2026
Trabalhadores dos Correios em Mato Grosso aderiram à greve nacional da categoria por tempo indeterminado, aprovada em assembleias realizadas nessa quinta-feira (10) em várias regiões do país. A paralisação começou às 22h, após os profissionais rejeitarem a proposta apresentada pela empresa durante as negociações da campanha salarial.  De acordo com nota da Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect), a decisão representa “uma nova etapa da Campanha Salarial, após as negociações terminarem sem acordo” . Um dos principais pontos de divergência envolve o plano de saúde dos empregados, aposentados e seus familiares. A federação afirma que a direção dos Correios pretende alterar a condição da empresa como mantenedora do benefício. Para a Findect, a proposta preocupa os trabalhadores “pelos riscos que pode trazer ao custeio e à garantia da assistência médica” . A entidade classifica o plano de saúde como um “direito essencial dos trabalhadores, aposentados e suas famílias” . A paralisação foi aprovada após sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Conforme a nota, “a categoria buscou uma solução negociada” , mas a empresa manteve sua posição em relação ao plano de saúde, considerado um ponto fundamental pelos trabalhadores. Com a greve, os sindicatos pretendem ampliar a mobilização dentro das unidades e pressionar a direção dos Correios e o governo federal pela apresentação de uma nova proposta. “O momento agora é de ampliar a mobilização, fortalecer a organização nas unidades e cobrar uma resposta da direção dos Correios e do governo federal” , declarou a Findect. A federação também afirmou que os trabalhadores reivindicam “uma proposta que preserve direitos, proteja o plano de saúde e respeite quem mantém a empresa funcionando diariamente em todo o Brasil” . A Findect informou que continuará acompanhando a paralisação ao lado dos sindicatos filiados e reafirmou “sua disposição para negociar uma saída que atenda às reivindicações dos trabalhadores” . Ao final da nota, a entidade reforçou a manutenção do movimento: “A categoria deu seu recado nas assembleias. A partir das 22h desta quinta-feira, é greve por tempo indeterminado. Unidade e mobilização em defesa dos direitos e do plano de saúde” .
Por Agência Brasil 11 de setembro de 2026
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 24 horas para que o ministro André Mendonça retire o sigilo de todos os documentos relacionados à Operação Compliance Zero, que apura corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias ligadas ao antigo Banco Master. Fachin atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), para quem a divulgação de apenas parte do material passa uma "ideia equivocada” de que a transparência do caso pode estar comprometida. A divulgação de todo o material já havia sido requerida na noite de quinta-feira (9) por Fachin. Mendonça atendeu ao pedido horas depois, divulgando 15 procedimentos de investigação derivados da Compliance Zero. Relator do caso no Supremo, Mendonça manteve, contudo, o sigilo sobre algumas linhas de investigação, o que motivou a PGR a pedir acesso à integralidade dos documentos. Pela decisão de Fachin desta sexta-feira (11), todos os documentos devem ser disponibilizados, “ressalvadas exclusivamente as diligências em andamento ou a serem realizadas, para os quais se pudesse antever possíveis prejuízos à sua efetividade”, escreveu o presidente do Supremo. A ordem de Fachin para a retirada do sigilo sobre a investigação ocorre na esteira de uma crise institucional sem precedentes no Supremo, com a divulgação recíproca de relatórios comprometedores e pedidos de investigação mútuos protagonizados pelos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. Fachin determinou a remessa de todo o material para os gabinetes dos demais ministros, para que possam analisar os documentos e provas antes de julgar, na próxima terça-feira (15), um outro pedido da PGR, dessa vez para que um relatório da PF ligando Vorcaro a Moraes seja anulado. Neste relatório, cujo sigilo foi levantado por Mendonça, constam dezenas de mensagens que a PF diz terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes. Nelas, o ex-banqueiro demonstra ter relação de proximidade com o ministro. Mendonça pediu ao plenário que decida sobre investigar ou não Moraes. A PGR, contudo, alega que o ministro já avançou irregularmente nas investigações, sem a autorização do plenário, o que tornaria nulo o material. Sigilo  Entre as apurações mantidas sob sigilo por Mendonça está a que diz respeito ao suposto repasse de R$ 61 milhões para financiar a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a PF, há suspeita de que o dinheiro tenha sido entregue por Daniel Vorcaro, dono do Master, a pedido do senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Outra investigação mantida sob segredo de Justiça diz respeito à ligação do senador Jaques Wagner (PT-BA) com o advogado Augusto Ferreira Lima, antigo sócio do Master.
Por Agência Brasil 11 de setembro de 2026
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou nesta sexta-feira (11) um ofício ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, apontando o que diz ser uma “escolha seletiva” na divulgação de documentos sobre as investigações do caso Master pelo seu colega de Corte, o ministro André Mendonça. Moraes requereu a retirada de “todo e qualquer sigilo” dos documentos relativos à Operação Compliance Zero, que apura a corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. Relator do caso Master no Supremo, Mendonça levantou na noite de quinta-feira (10) o sigilo sobre 15 procedimentos de investigação derivados da operação. A medida foi tomada após solicitação formal feita por Fachin, na esteira de uma crise institucional sem precedentes no Supremo.  No requerimento enviado a Mendonça, Fachin pediu a divulgação de todos os documentos, “ressalvado apenas o que diga respeito a diligências cujo sigilo seja imprescindível à realização da medida”, escreveu o presidente do STF. Escolha subjetiva Moraes indicou que Mendonça manteve o sigilo sobre 180 documentos com base em uma “escolha subjetiva”, conforme escreveu. Para ele, isso impede que os demais ministros analisem todas as provas ligadas à Compliance Zero. O ministro requereu o “imediato levantamento de todo e qualquer sigilo, sem exceção, dos procedimentos contidos ou relacionados à PET 15.556, evitando-se escolha seletiva e direcionamento subjetivo e garantindo-se total isonomia e o respeito ao Devido Processo Legal, devendo a Diretoria de TI certificar quantos procedimento efetivamente existem”. Mendonça manteve sob sigilo, por exemplo, as apurações sobre o suposto repasse de R$ 61 milhões de Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Outra investigação mantida sob segredo de Justiça diz respeito à ligação do senador Jaques Wagner (PT-BA) com o advogado Augusto Ferreira Lima, antigo sócio do Master. Julgamento Alexandre de Moraes solicitou ainda que seja incluído na pauta da sessão plenária marcada para a próxima terça-feira (15) o pedido de investigação que fez contra Mendonça. Ao marcar a sessão, Fachin incluiu em pauta apenas um pedido de investigação de Mendonça contra Moraes, que aparece nas investigações do Master como interlocutor direto de Vorcaro. Para Moraes, um pedido tem “total conexão” com o outro e os dois devem ser julgados em conjunto, para evitar “risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual”. Entenda Na semana passada, Moraes encaminhou a Fachin o que disse ser um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) que sugere que Mendonça estaria direcionando as investigações do caso Master de modo a atingir desafetos políticos. O documento, contudo, não é assinado ou traz o timbre da corporação, e também estampa na capa o aviso de se tratarem de análises “sem valor probatório”. A atitude de Moraes se deu em resposta à retirada de sigilo, por Mendonça, de um relatório parcial da Compliance Zero que traz 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Vorcaro ao ministro Moraes. Nas mensagens, o ex-banqueiro demonstra ter proximidade com Moraes e aparenta ter encaminhado a ele um contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, Vorcaro parece buscar junto a Moraes informações sobre uma possível operação da PF para prendê-lo. As respostas do interlocutor ao ex-banqueiro não puderam ser resgatadas, informaram os investigadores. Até o momento, Moraes nega qualquer contato com o ex-banqueiro.
Por Poder 360 11 de setembro de 2026
O Grupo Marabraz pediu à Justiça de São Paulo proteção de 180 dias contra cobranças de credores. A varejista quer também a manutenção de serviços essenciais, como fornecimento de água, energia, internet e telefone. O pedido foi protocolado em emenda à petição de recuperação judicial apresentada em 15 de agosto de 2026. As informações são de Guilherme W. Almeida, da Folha de S.Paulo. A solicitação envolve ainda a suspensão de cobranças, a liberação de recursos financeiros bloqueados e a garantia de acesso a imóveis retomados por locadores para retirada de bens e mercadorias. Esse tipo de proteção costuma ser concedido automaticamente depois de a Justiça aceitar o pedido de recuperação judicial. Empresas costumam solicitar a antecipação dos efeitos enquanto o Judiciário analisa o pedido de reestruturação. SERVIÇOS ESSENCIAIS A Marabraz listou na petição fornecedoras consideradas “indispensáveis ao funcionamento de suas lojas e demais estruturas necessárias à continuidade da operação”. A Redecard, uma das empresas incluídas no pedido, segundo a reportagem, contestou o enquadramento. A empresa de pagamentos afirmou à Justiça que o contrato com a varejista foi rescindido por inadimplemento acumulado em 25 de novembro de 2025 e que seus serviços não integram a cadeia produtiva do grupo. A varejista também pede que locadores com ordem de despejo contra o grupo não impeçam o acesso aos imóveis pelo tempo necessário à retirada de bens e mercadorias. A petição inicial traz uma relação de endereços e proprietários afetados..
Por RepórterMT 11 de setembro de 2026
A perícia não encontrou indícios de que o avião que caiu e matou 3 pessoas, na quinta-feira (10), em Água Boa (730 km ao leste de Cuiabá), tenha realizado uma tentativa de pouso de emergência. Segundo a análise preliminar da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), a aeronave atingiu o solo de forma praticamente vertical e com grande violência, sem sinais de arraste pela vegetação. O gerente regional da Politec em Água Boa, Paulo Barbosa, explicou que a equipe foi acionada para realizar o levantamento pericial no local e fazer a remoção dos três corpos para a unidade da instituição. “Fizemos voo, vimos uma zona de mata e sem vestígio de vegetação. A impressão é que o avião caiu quase na vertical, não teve arraste. Bateu com violência, há desgaste na terra e depois pegou fogo e carbonizou as vítimas”, relatou à imprensa local. Conforme o perito, os vestígios encontrados na área não são compatíveis, a princípio, com uma aeronave que tenha tentado realizar um pouso forçado. A dinâmica exata da queda, porém, ainda será investigada. Vítimas Os 3 corpos foram encaminhados para a Politec, onde aguardam os procedimentos de identificação. Segundo Barbosa, também serão coletadas amostras para exames de DNA. “É muito recente, não recebemos acionamento de nenhum possível familiar, mas é necessário para comparar o material genético no DNA”, explicou. A perícia identificou duas vítimas na parte dianteira da aeronave, sendo o piloto e outro ocupante. Um terceiro corpo estava na parte traseira, identificado preliminarmente como passageiro. Devido à intensidade do incêndio após a queda, os corpos foram carbonizados, o que dificulta o processo de identificação. Investigação As circunstâncias que provocaram a queda ainda não foram esclarecidas. A informação inicial é de que uma equipe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) deve chegar a Água Boa para auxiliar nos trabalhos de investigação. A Politec também informou que não foi possível identificar, neste primeiro momento, eventual carga transportada pela aeronave. De acordo com o perito, foi encontrada uma estrutura semelhante a uma caixa de alimentos, mas não havia carga preservada no local. Caso houvesse outros materiais a bordo, eles podem ter sido consumidos pelas chamas. A investigação deverá analisar os destroços, os vestígios encontrados na área e outras informações sobre o voo para determinar as causas e a dinâmica do acidente.
Por Gazeta Digital 10 de setembro de 2026
O Plenário do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE) manteve, por unanimidade, a suspensão de licitação estimada em R$ 30 milhões para contratação de serviços de software pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), sob a relatoria do conselheiro José Carlos Novelli. A medida visa prevenir danos ao erário em um valor global que poderá alcançar R$ 150 milhões ao longo de dez anos. A cautelar apontou vícios procedimentais na reabertura da licitação, erros no índice de produtividade, inconsistências contratuais, uso de mapa salarial como piso obrigatório com desclassificação automática, além de exigências cumulativas de qualificação econômica e respostas insuficientes da Sefaz. Em defesa, a secretaria argumentou que o prazo de reabertura foi lícito por não alterar formalmente o edital, reconhecendo que tentou sanar erros técnicos administrativamente e que o modelo de “sprint” era apenas uma métrica de planejamento. “Após a análise de impugnações e pedidos de esclarecimentos que repercutiram na formulação das propostas, inclusive com reconhecimento de custos omitidos, correções em planilhas e erro material no índice de produtividade, o certame foi reaberto com prazo exíguo de cinco dias úteis para a sessão pública. Ainda que não tenha havido alteração formal do edital, o reconhecimento de falhas relevantes pela administração repercutiu materialmente na formulação das propostas, razão pela qual demandaria a correção e republicação do edital, com reabertura do prazo mínimo de dez dias úteis, conforme a Lei de Licitação (14.133/2021)”, destacou o conselheiro. O relator também apontou que a administração reconheceu o erro na fórmula de produtividade, mas acabou repetindo o equívoco na equação e argumentou a existência de erros na redação. “A administração reconheceu a existência de erro material na redação da fórmula de produtividade, contudo, ao indicar a fórmula supostamente correta, repetiu exatamente a equação anterior, mantendo a falha redacional. Não bastasse, deixou de promover as devidas correções nos documentos do certame, perpetuando irregularidade que compromete o cálculo do Índice de Produtividade e inviabiliza a aplicação de glosas a contratados improdutivos, em inobservância ao dever de saneamento do feito e, consequentemente, aos princípios da transparência, da eficiência e da segurança jurídica, previstos no art. 5º da Lei de Licitações”, observou. Para Novelli, a escolha do modelo contratual de “sprints” com equipes fixas gerou questionamentos por se assemelhar a postos de trabalho, e a exigência de mapa salarial foi considerada uma intervenção indevida na gestão das empresas. “Embora formalmente estruturada por sprints, reproduziria, na prática, modelo de postos de trabalho com dedicação exclusiva de mão de obra e equipes fixas, sem efetiva vinculação a metas de produtividade, em contrariedade ao estudo técnico preliminar, que teria descartado essa modelagem”, acrescentando que a qualificação econômica exigida poderia restringir a competitividade do certame. Ainda, ao defender a manutenção da medida cautelar em razão do elevado valor da contratação e do risco de irreversibilidade, o conselheiro avaliou que a operação se apresenta com uma difícil reversão dos efeitos, principalmente por conta dos vícios adotados e formação de preços. “Desse modo, eventual correção posterior poderia exigir a anulação de atos já praticados, com maior custo administrativo, insegurança jurídica e potencial prejuízo ao atendimento das necessidades que motivaram a realização do processo licitatório. Não se vislumbra, por outro lado, perigo de dano inverso relevante, especialmente diante da notícia de que a Sefaz mantém contratos simultâneos para serviços de desenvolvimento e manutenção de softwares”, concluiu.