Agro brasileiro no centro das discussões globais
O Brasil ocupa posição única no cenário mundial: somos, ao mesmo tempo, referência na produção de alimentos e exemplo de preservação ambiental. Enquanto muitos países ainda buscam conciliar segurança alimentar e sustentabilidade, o produtor rural brasileiro já demonstra, na prática, que essa equação é possível. Ainda assim, por muitos anos, enfrentamos críticas e narrativas que distorcem a realidade do nosso agro.
Participar da 30ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP), realizada em Belém, representou uma oportunidade histórica de reposicionar o debate e mostrar ao mundo, com dados concretos, que somos parte fundamental da solução climática global.
Nosso país tem o Código Florestal mais rigoroso do planeta. Segundo dados da Embrapa Territorial, dentro das propriedades rurais, 29% do território brasileiro é destinado exclusivamente à preservação. Atualmente, 65,6% da área nacional permanece coberta por vegetação nativa, sendo 44% sob responsabilidade dos imóveis rurais. As atividades agropecuárias ocupam apenas 31,3% de todo o território. Ou seja: produzimos alimentos para o mundo mantendo intocada a maior parte do Brasil.
Diante disso, não bastava seguirmos apenas afirmando essa verdade. Era hora de mostrá-la ao mundo. E foi exatamente o que fizemos na COP30. A CNA, em parceria com o Sebrae e a Embrapa Amazônia Oriental, inaugurou a AgriZone, com o Pavilhão AgroBrasil. Pela primeira vez, a agropecuária brasileira ganhou uma vitrine própria para mostrar sua sustentabilidade, tecnologia e compromisso ambiental.
Colocamos no centro das discussões internacionais aquilo que o produtor rural pratica todos os dias: produzir com responsabilidade, reduzir emissões, inovar, preservar, gerar renda e garantir alimento de qualidade para bilhões de pessoas. Apresentamos resultados da pecuária de baixa emissão, do etanol de milho, da biodigestão, da bioenergia do setor sucroenergético e tantas outras soluções que colocam o Brasil na liderança das práticas ESG.
O reflexo dessa participação foi imediato: pela primeira vez em uma COP, o agro brasileiro deixou de ser apontado como parte do problema climático global. Um resultado que demonstra maturidade, organização e união, um legado que precisa ser permanente, dentro e fora das COPs.
ssa mesma união é essencial diante de um desafio urgente que enfrentamos: a grave crise da pecuária leiteira. A queda acentuada nos preços pagos ao produtor e o aumento das importações de leite em pó colocam em risco uma das cadeias mais importantes para a economia, para a segurança alimentar e para milhões de famílias brasileiras. Precisamos agir juntos, produtores, cooperativas, indústrias e entidades, na defesa do futuro dessa atividade.
O Sistema Faemg Senar segue firme ao lado do produtor rural em todas as regiões e cadeias produtivas. Nosso compromisso é representar, qualificar e apoiar quem sustenta este país. E continuaremos mostrando com dados, resultados e orgulho aquilo que verdadeiramente somos: um Brasil que produz, preserva e alimenta.
*Antônio Pitangui de Salvo é produtor rural, engenheiro agrônomo e presidente do Sistema Faemg Senar










