Narcotráfico e legislação frouxa: a batalha da Polícia da fronteira em MT

Persio Oliveira • 23 de novembro de 2025

A penumbra da noite que cobre as estradas e vicinais nas cidades que limitam o território de Mato Grosso com a Bolívia guarda muitos mistérios, mas nenhum deles parece causar efeito nos policiais do grupo especializado na segurança da fronteira do Estado, o Gefron.


O mapa deles é a memória construída ao longo dos anos, transitando dia e noite pelos milhares de quilômetros de terras mato-grossenses dos quais são responsáveis por fiscalizar, manter rondas ostensivas e fazer frente às ações repressivas.

 

O domínio do Gefron se estende por 980 km de extensão, entre trechos secos e aquáticos, que abrange 28 municípios. Quatro deles, Cáceres, Porto Esperidião, Vila Bela da Santíssima Trindade e Pontes e Lacerda estão na fronteira direta com a Bolívia.

 

Os principais crimes enfrentados são o tráfico de drogas, contrabando e descaminho de bens e valores, roubo e furto de veículos e invasão de propriedade.

 

Já que é desse limite sensível do território que partem os principais carregamentos de cocaína, pasta-base e armas provenientes da Bolívia. E para lá, também seguem veículos fruto de crime do Brasil.

 

Para sufocar as atividades ilícitas e formar uma espécie de "gargalo" por onde os criminosos serão obrigados a passar, existem três postos fixos estrategicamente implantados: a base operacional em Porto Esperidião, o Limão, em Cáceres, e o Matão, em Pontes e Lacerda.

 

Durante três dias, uma pequena fração desse percurso pelo qual o efetivo é responsável foi apresentado à reportagem do MidiaNews pelo 1º tenente da Polícia Militar Roger Garcia, um dos oficiais que opera na base, acompanhado do soldado Leão e do sargento Delgado. 


Na saída da base, alguns integrantes da equipe ligam para as famílias. Pode ser o último contato por horas ou dias antes de entrarem na estrada. As jornadas, nome dado às escalas dos policiais, variam de 7 a 14 dias, mas podem se estender por dias a fio em grandes operações. O efetivo é majoritariamente de Cuiabá e Várzea Grande, mas alguns moram em cidades próximas.

 

Já na estrada, a feição dos policiais muda. Cada um segura seu fuzil SIG Sauer 762, e ao som de "El Campanero", de Los de Akino, seguem para o posto Matão. O trabalho é contínuo, e a atenção é requerida o tempo inteiro, não apenas no asfalto ou nas “cabriteiras”, por onde os criminosos transitam com os veículos furtados e roubados.

 

Seguindo pela MT-265, a cerca de cinco quilômetros da base, começam a surgir as vicinais que dão acesso direto à Bolívia, e marcam o início de uma região onde já ouve intensa atividade criminosa. Já na BR-174, sentido a Pontes e Lacerda, o soldado Leão aponta à esquerda para uma conhecida "cabriteira", chamada Estrada Vila Cardoso.

 

"Já pegamos muitos ali, nessa estrada. Hoje já não passam tanto. Eles sabem que a gente está por aqui", contou.

 

Segundo ele, essa vicinal é como uma trincheira, que dá acesso à Pontes e Lacerda, Cáceres e, consequentemente, à Bolívia, o que destaca que, na área, cada desvio pode ser usado para o crime.

 

No trajeto, um caminhão incendiado às margens da rodovia ressaltou o foco no trabalho ostensivo dos policiais. O Gefron não atende acidentes comuns, mas atua se houver vítimas presas às ferragens ou necessidade imediata de socorro. O foco principal continua sendo o crime fronteiriço.

 

"Nós temos uma missão bem definida. Não que a gente não atue nunca nesses casos. Por exemplo, uma equipe se deparou com um acidente, vindo de Rondônia, um corpo de instrução. Viu as vítimas presas às ferragens e fizeram o resgate. Era uma situação em que a vida de quem estava ali estava em risco. Em situação de bens materiais, a gente não intervém", explicou o tenente Garcia.


No posto Matão, a equipe foi avisada sobre o "efetivo extra" que estava chegando e foi recebida com um jantar simples, mas feito com capricho. A refeição foi uma junção do que a cozinheira deixou pronto do almoço: arroz, feijão, mandioca frita, farofa de carne, e porco frito, além do frango cozinhado na hora por um dos policiais.

 

Já tarde da noite, os policiais do posto realizaram três abordagens a veículos diferentes que passaram por lá. O tenente Garcia explicou que por anos aquele trecho foi muito utilizado por criminosos, mas a instalação do posto asfixiou a atividade criminosa ali.

 

Apesar de o fluxo criminoso ter diminuído, ainda exige vigilância e cuidado nas vistorias. Primeiro, um caminhão-guincho foi parado, depois um ônibus de viagem, e novamente o guincho, que retornava com uma Fiat Strada recém batida. Todos os motoristas foram entrevistados e os veículos minuciosamente fiscalizados. Após constatada nenhuma irregularidade, seguiram viagem.

 

Ao fim da apresentação do Matão, a equipe retornou para a base operacional, chegando por volta de 0h40. No dia seguinte, o mesmo efetivo, composto pelo tenente Garcia, o soldado Leão e o sargento Delgado, apresentam o posto Limão, em Cáceres. 

 

Dessa vez, os policiais decidiram entrar em uma das "cabriteiras", chamada Laranjal, por onde ainda há fluxo de veículos fruto de furto ou roubo. Logo se deparam com um Volkswagen Gol. Em abordagem padrão, eles sinalizam ordem de parada e imediatamente todos na viatura desembarcam com os fuzis empunhados.

 

É nessa hora que o ambiente fica tenso, o “clima” muda de forma abrupta. A postura dos policiais é intimidante, e mostra, na prática, o que o tenente Garcia havia contado sobre a importância da preparação psicológica do policial, através do olhar, da postura, do tom de voz e a forma de se mover durante uma abordagem.

 

Em outra ocasião, a suspeita pairou sobre um Ford EcoSport que estava com o porta-malas lotado de objetos. De início, os policiais acreditavam que se tratava de contrabando e ordenaram a parada. O motorista, nervoso, desceu do veículo para a vistoria e derrubou a chave no chão. 

 

Apesar do comportamento suspeito, nada criminoso foi encontrado, apenas uma arma de airsoft regularizada, que ele tentou esconder empurrando o encosto do banco traseiro sobre o objeto.


Essa postura intimidante é uma das táticas de pressão emocional que os policiais usam também nas operações na mata, onde o cenário pode mudar rapidamente. Segundo Garcia, a maior parte dos fugitivos desiste do confronto ao se deparar com a presença dos policiais. É uma vitória sem troca de tiros.

 

Apesar da imponência, as abordagens seguem o princípio da proporcionalidade. O policial reage na medida em que o suspeito oferece risco. A conduta é rígida, mas técnica, o que trouxe notoriedade ao Gefron, e os próprios integrantes afirmam que os criminosos reconhecem essa reputação.

 

Quando ocorrem as apreensões de drogas, por exemplo, e a quantidade não corresponde ao volume transportado, as facções suspeitam da mula, não dos policiais.

   
É assim que o Gefron mantém controle sobre uma das regiões mais complexas e estratégicas de Mato Grosso, onde cada estrada, por menor que pareça, pode ser uma rota do crime.

 

As funções, o arsenal e os treinamentos

 

Os policiais seguem funções dentro do Gefron. Há espaço para todos, o que faz com que seja um ecossistema muito bem equilibrado e amparado com um arsenal de ponta, que inclui fuzis SIG Sauer 716G2, pistolas 9 mm, equipamentos de visão noturna e térmica, e munições específicas para cada operação. 

 

Entre as funções, há o patrulhamento móvel, a patrulha de interdição, que fazem os adentramentos na mata, os cachorreiros, responsáveis pelo trabalho com os cães farejadores, a equipe de inteligência e os policiais que atuam no setor administrativo.

 

O patrulhamento móvel, também chamado de volante, é como o descrito no próprio nome. São os policiais que patrulham as estradas, vicinais. A interdição, por sua vez, trabalha com o rastreamento das mulas do tráfico e criminosos escondidos nas matas. 


Nessas áreas fechadas, quem domina são eles, por meio de intenso treinamento que os permitem identificar movimentações mínimas, rastros e padrões de passagem que, para qualquer outro olhar, passariam despercebidos. 

 

As operações na mata são parte essencial do trabalho, devido à geografia da região.

 

Em 2023, cinco operadores da patrulha da interdição participaram da operação Canguçu, uma caçada aos ladrões do "Novo Cangaço", que portando armamento de grosso calibre, assaltaram a seguradora Brink's em Confresa.

 

Na ocasião, os operadores ficaram 42 dias no rastro dos assaltantes, e conseguiram localizar e reunir informações sobre os fugitivos que tentaram se esconder na mata em Tocantins. Esse resultado foi um dos mais prolíficos da história da patrulha da interdição.

 

O soldado Leão, em uma das operações, camuflado na mata, embaixo de chuva, avistou a poucos metros um grupo de seis mulas com carregamento de 17 kg de drogas.

 

A tecnologia também é grande aliada dos policiais. No centro da inteligência, instalada na base operacional, os policiais monitoram pontos estratégicos por meio das câmeras OCR, do programa Vigia Mais MT, que fazem leitura de placas.

 

Alguns deles foram treinados em cursos para analisar imagens e adulterações em veículos. São treinamentos específicos, com cursos voltados exclusivamente à identificação de irregularidades.

 

No canil do Gefron, em Cáceres, atua uma das três mulheres que integram o Gefron, a investigadora da Polícia Civil, Vanessa de Paula. Lá, os policiais trabalham com quatro cães da raça malinois, chamados Aika, Tupã, Alpha e Loki. Todos são treinados para farejar drogas.


Em uma das ações, a investigadora levou Aika para farejar um caminhão frigorífico suspeito. Em poucos minutos, a cadela encontrou mais de 700 kg de cocaína e pasta-base escondidos entre o carregamento de carne.


No pátio do canil, foi demonstrado como Tupã, reconhecido como o mais enérgico da matilha, conseguia em um tempo curtíssimo encontrar droga escondida próximo ao escapamento de uma Hilux SW4. O veículo utilizado na demonstração havia sido furtado em outubro e, recuperado, e aguardava devolução ao proprietário.

 

Impulsão no desenvolvimento 

 

A presença do grupo também modificou a dinâmica das cidades. A construção de novos asfaltos, como o da região do Matão, acompanha o avanço da segurança. Dessa forma, aumentam investimentos, moradores, propriedades rurais e consequentemente a produção da região. 

 

O policiamento trouxe o que faltava: segurança para que o comércio se movimente livremente, e expandisse o olhar do Estado na infraestrutura local. De janeiro a outubro deste ano, o Gefron foi responsável pela apreensão de 19,5 toneladas de drogas, número superior a todo ano de 2024.

 

Nos últimos sete anos, os policiais ainda apreenderam 64 aeronaves monomotor e 1.976 veículos, como motocicletas, carros, caminhonetes e carretas, que são utilizados tanto para o transporte de drogas quanto para dar apoio a grupos de traficantes.

 

Isso se converte em interesse pela região. Apesar de ainda haver estradas de terra, vários trechos, não só os da proximidade da comunidade Matão, foram recentemente asfaltados. A "calma" faz com que a vida seja digna nas regiões afastadas da Capital.

 


São imensidões de fazendas com criações de bois, plantações e chácaras, além da movimentação de carretas que transportam cargas pela região.

 

A população local, antes desconfiada, hoje abriga policiais em missões longas, oferece comida, água, combustível e informações. Entre crianças e adultos, muitos já identificam o efetivo de longe, e agradecem pelo trabalho.

 

Brechas da legislação

 

Uma das grandes queixas das forças de segurança, principalmente as que lidam com crimes do dia a dia, é a facilidade com que os criminosos são liberados após a prisão. O tenente-coronel Airton Feitosa, coordenador adjunto do Gefron, criticou a frouxidão do Código Penal, e cobrou por mudanças que tornem a legislação mais dura. 

 

"A forma com que a lei atua, essa série de chances, literalmente essa frouxidão, acaba por decepcionar bastante os operadores de fronteira. É muito mais comum do que se imagina, fazemos a prisão de pessoas que já foram presas, até por nós mesmos, outras vezes", disse o tenente-coronel.

 

É comum ouvir dos agentes de segurança que frequentemente vêem rostos conhecidos nas abordagens. Eles sabem que se trata de uma pessoa com histórico criminal extenso, mas o que podem fazer é dar o flagrante, caso haja alguma ocorrência. De outra forma, o que cabe a eles, quando não há um crime em curso, é liberar o criminoso.

 

"O ano passado nós tivemos dois casos clássicos, onde um juiz plantonista liberou duas pessoas que faziam um transporte de 450 quilos de entorpecente, de cocaína. Esse caso, eu cito porque até o governador do estado, Mauro Mendes, se pronunciou publicamente, foi à imprensa falar sobre isso", contou.

 


"Outra situação ocorreu conosco também na região de fronteira onde nós fizemos a apreensão de uma carga de quase meia tonelada de cocaína, e menos de 60 dias depois essas mesmas pessoas que foram presas, estavam transportando mais meia tonelada. Ou seja, já tinham saído e já estavam praticando o crime de tráfico novamente".

 

"De toda forma isso mexe com o policial. Nos deixa decepcionados, mas não é o bastante para nos fazer parar de lutar. Com certeza isso é algo que nos deixa triste, porque a gente vê o quanto o nosso país tem condições de crescer, condições de se tornar uma referência em todas as áreas e ainda lutamos. Mas estamos atrasados nesse quesito de punibilidade", completou.

 

Fundação do Gefron

 

Em 13 de março de 2002, através do Decreto Estadual 3994, foi implementada a criação da Polícia da fronteira. O efetivo, que atualmente conta com policiais militares, policiais civis e até bombeiros, foi pensado especificamente para o trabalho especializado de prevenção e repressão aos crimes transfronteiriços. 

 

Em entrevista à Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), em 2022, o criador do Gefron, o coronel da reserva da Polícia Militar, Leovaldo Emanoel Sales da Silva, contou que foi algo inédito e que mudou a realidade do policiamento na região, que na época vivia realidade de extrema violência. 

 

"Ninguém acreditava. Todo mundo pensou que eu estava louco, que eu estava deslumbrando algo fora da realidade. Nós construímos as bases e adquirimos, na época, 34 caminhonetes, 12 motocicletas, armamento para cada policial como pistolas e fuzis automático. Mato Grosso passou a ser o quarto estado da federação a operar com fuzil Sniper. O efetivo era de 105 policiais, sendo 80 PM e 25 PJC", contou.

 

Essa decisão, que o coronel chama de "aventura séria", elevou a região a ser uma área segura e produtiva. O Gefron, que opera seus recursos de forma independente a cada ano, foca em desenvolver as habilidades dos policiais com cursos, arsenal de ponta e também nas estruturas, que precisam sempre de olhar atento do Estado.

Por Gazeta Digital 31 de maio de 2026
Um golpista de 58 anos foi preso na sexta-feira (29) acusado de subtrair R$ 80 mil de um idoso sob a promessa de recuperar uma área rural. A prisão foi feita pela Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Estelionato de Várzea Grande. Os pagamentos indevidos se prolongaram por um ano e a farsa foi descoberta quando o criminoso mentiu sobre viagem ao Canadá, mas estava na região metropolitana de Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, o golpe baseava-se em falsas promessas de recuperação de uma área de terras em Nossa Senhora do Livramento, que pertenceu ao pai da vítima. Para sustentar a mentira, o criminoso alegava ter forte influência política e trâmite livre com altas autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Ele chegou a inventar que um político famoso compraria as terras e, posteriormente, mudou a versão, afirmando que mineradoras estrangeiras pagariam milhões pela área. Manipulado, o idoso chegou a recolher assinaturas de 37 herdeiros para o negócio fictício e passou a esconder os pagamentos da família, que já desconfiava do esquema. O estopim para a prisão ocorreu após a vítima transferir R$ 1,5 mil sob a justificativa de que o suspeito estava em viagem de negócios no exterior. Ao descobrir que o homem nunca havia saído do estado, o idoso acionou a polícia. O suspeito foi autuado em flagrante por estelionato pelo delegado João Paulo de Andrade Farias e encaminhado para audiência de custódia. As investigações continuam para apurar se há outras vítimas do golpista.
Por GazetaDigital 31 de maio de 2026
Antes conhecida como “Cidade Verde”, Cuiabá tem hoje apenas 26% de área arborizada, segundo pesquisa do curso de Engenharia Florestal em Ciências Florestais e Ambientais da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O índice evidencia a perda gradual de cobertura vegetal na capital, onde o verde passou a disputar espaço com imóveis, estacionamentos, calçadas impermeabilizadas e obras urbanas. Só nas últimas três décadas, Cuiabá perdeu 17% de suas áreas verdes, de acordo com dados disponibilizados do MapBiomas. A área, que soma mais de 55 mil hectares, é equivalente a 714 vezes o Parque Mãe Bonifácia. Nessa semana, a discussão voltou ao centro do debate após a retirada de cinco grandes árvores na rua Baltazar Navarro, no bairro Poção. As imagens dos troncos cortados reacenderam o alerta sobre a forma como Cuiabá tem tratado sua arborização urbana. Em uma das capitais mais quentes do país, árvores adultas ainda são vistas como entraves ao desenvolvimento, embora exerçam papel essencial para o conforto térmico, a qualidade do ar e a saúde da população. Pela cidade, a perda de arborização é facilmente percebida em grandes vias, em trechos centrais, como na avenida Historiador Rubens de Mendonça (CPA), na Isaac Póvoas, nas proximidades da Generoso Ponce e na região da Prainha, onde é possível caminhar por duas ou três quadras sem encontrar uma árvore sequer nas calçadas. Na avenida do CPA, as obras do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), que foram iniciadas em 2014, retiraram mais de 2,5 mil árvores. Havia a estimativa de reposição e transplante de espécies. No entanto, dados do governo à época apontaram que menos de 10% do total de árvores removidas foi efetivamente replantado com sucesso na região. Na região central, praças como Alencastro, Ipiranga e do Porto, além da região próxima ao Morro da Luz, o Largo do Rosário, também tiveram árvores centenárias cortadas. Mas a falta de arborização não se restringe apenas às avenidas impactadas por obras. A situação se repete em bairros de diferentes perfis sociais, de áreas populares a regiões de classe média e média alta. No bairro, Consil, por exemplo, na rua Oriente Tenuta com rua F, pelo menos oito árvores foram cortadas recentemente, sem nenhuma explicação. Para a professora Jaçanan Eloisa Milani, do Departamento de Engenharia Florestal da UFMT, a arborização urbana precisa ser tratada como parte da infraestrutura verde da cidade, com função tão estratégica quanto vias, drenagem e edificações. “A arborização deve ser integrada ao planejamento urbano como estrutura funcional para tornar as cidades mais sustentáveis, resilientes e menos vulneráveis ao calor extremo”.
Por GazetaDigital 31 de maio de 2026
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) lançou, nesta terça-feira (26), o Gabinete de Gestão Integrada (GGI), que vai coordenar a condução e a segurança das eleições gerais de 2026 em todos os 142 municípios de Mato Grosso. No evento foi anunciada a integração da Justiça Eleitoral com os sistemas de monitoramento do governo estadual e em rodovias federais. O prazo para a integração das 16 mil câmeras do programa Vigia Mais MT é de 70 dias. Já a Polícia Rodoviária Federal (PRF) também vai fornecer imagens das rodovias do estado, permitindo localizar qualquer veículo por meio da identificação das placas. “A resposta tem que ser ali, na hora. Com essa cooperação, por meio do sistema via TRE nós conseguimos dar a resposta mais imediata possível”, acrescentou a juíza Edna Coutinho, que é quem vai estar a frente do GGI. Ao todo, serão 51.679 pessoas atuando diretamente no processo eleitoral. Mato Grosso possui 2,64 milhões de eleitores que votarão em 1.529 locais de votação em todas as cidades do estado, incluindo 110 considerados de difícil acesso e 61 colégios eleitorais em terras indígenas. O GGI é o responsável por assegurar a entrega das urnas em todas essas regiões e articular os órgãos de segurança e instituições chamadas a participar do gabinete. “Vão ser feitas reuniões com espaço de dez dias, porque o material demanda um pouco mais de tempo. Então vai ter reuniões periódicas e, no final, deve ser dia sim e dia não, mas a ideia é se articular esses órgãos de segurança, essas entidades que vão trabalhar no processo eleitoral”, afirmou a juíza. O GGI será composto por representantes da Semob de Cuiabá, Energisa, DAE-VG, Águas Cuiabá, Oi Soluções (telefonia e internet), Correios (logística e entrega de urnas), Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Corpo de Bombeiros, PRF, Marinha do Brasil, Exército, Polícia Federal, Polícia Judiciária Civil, Polícia Militar e Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). “O GGI não julga [as eventuais irregularidades identificadas], quem julga são os membros do TRE, que é quem julga candidatura, julga propaganda. Nós vamos estar na parte de representação. Tudo o que for do interesse de investigação vai ser traçado para a força de segurança responsável”, explicou a magistrada. Em declaração aos jornalistas, a presidente do Tribunal, desembargadora Serly Marcondes Alves, disse que participou de uma reunião com o novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nessa segunda (25), quando foram apresentadas as prioridades do novo presidente, ministro Nunes Marques, que vai conduzir o processo eleitoral nacionalmente a partir de Brasília. Conforme a desembargadora, todas as exigências feitas pelo ministro já são adotadas em Mato Grosso, colocando o TRE-MT na dianteira nacional do processo eleitoral.
Por RepórterMT 30 de maio de 2026
Cuiabá recebe, nos dias 25 e 26 de julho de 2026, o CISITEA – Congresso Internacional Semeando a Inclusão do Autismo, encontro voltado ao debate sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O evento será realizado no Cenarium Rural, no Centro Político Administrativo, e deve reunir cerca de 2 mil participantes, entre profissionais da saúde, educação, familiares e gestores públicos. A programação contará com palestras e atividades conduzidas por 20 especialistas de diferentes áreas, como neurologia, psicologia, terapia ocupacional e educação. Entre os nomes confirmados estão o neuropediatra Dr. Paulo Liberalesso, o psicólogo Dr. Thiago Lopes, a terapeuta ocupacional Dra. Natália Rocha, a neuropsicopedagoga Janaine Assis e a empresária Sarita Melo, que abordará a vivência das famílias atípicas.  O encontro tem como foco ampliar o acesso ao conhecimento sobre o autismo, promover a troca de experiências e contribuir para o fortalecimento da rede de apoio no estado. A proposta é estimular práticas mais inclusivas e qualificadas, tanto no atendimento quanto na convivência social. Além das discussões técnicas, o congresso também pretende oferecer um espaço de escuta e acolhimento para profissionais e familiares, reconhecendo os desafios enfrentados no dia a dia e a importância do cuidado com quem acompanha pessoas autistas.
Por RepórterMT 30 de maio de 2026
A terceira edição do MT Warriors Championship será realizada neste sábado (30), às 19h, no Palácio das Artes Marciais Iusso Sinohara, anexo à Arena Pantanal, em Cuiabá. Com entrada gratuita, o evento reúne atletas de diferentes estados brasileiros em um card 100% profissional de kickboxing. Os ingressos devem ser retirados antecipadamente pelo site sympla.com.br . Participam desta edição atletas de Mato Grosso, Paraná, Bahia, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. A competição contará com 10 lutas e uma superestrutura preparada para receber o público, incluindo ringue oficial, iluminação especial, ambiente climatizado, decoração temática e painel de LED P2 de alta definição. O espaço possui capacidade para mais de mil pessoas, entre arquibancadas e área exclusiva para convidados e patrocinadores. Para garantir o ingresso, basta acessar o site sympla.com.br e preencher os dados solicitados, como nome completo e e-mail. O ticket será enviado diretamente para o e-mail cadastrado. As vagas são limitadas. O campeão do GP da noite garantirá vaga para disputar o cinturão da categoria até 85,100 kg contra Adriano Oliveira, vencedor da primeira edição do MT Warriors Championship. Além das disputas masculinas, o card principal terá duas lutas femininas, cujas vencedoras avançam para a disputa de cinturão prevista para a edição de agosto. A pesagem oficial dos competidores será realizada um dia antes do evento. A competição também terá transmissão ao vivo pelo YouTube. “Estamos com uma expectativa muito grande para esta terceira edição do MT Warriors. Será uma noite histórica para o kickboxing em Mato Grosso. Convido toda a população para prestigiar o evento, torcer pelos nossos atletas e viver essa experiência conosco no Palácio das Artes Marciais” , ressaltou o presidente da Federação de Kickboxing do Estado de Mato Grosso (FKBEMT), Mateus Wesley Nogueira Noya. O MT Warriors Championship conta com apoio do Governo de Mato Grosso e com a chancela da Confederação Brasileira de Kickboxing Profissional (CBKB PRO) e da World Association of Kickboxing Organizations Professional (WAKO PRO), garantindo reconhecimento nacional e internacional aos atletas participantes. INGRESSOS https://www.sympla.com.br/evento/mato-grosso-warriors-championship-3-edicao/3428269?algoliaID=e2c714dd1f81190596d8321a948b9f63 SERVIÇO  Assunto: MT Warriors Championship será realizado neste sábado em Cuiabá Data: Sábado (30 de maio), às 19h Local: Palácio das Artes Marciais Iusso Sinohara – anexo à Arena Pantanal, em Cuiabá
Por RepórterMT 29 de maio de 2026
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso (Ficco-MT) deflagrou hoje (29) a Operação Check-in, em Cuiabá e Sinop (a 481 km da capital). A ação cumpre três mandados de busca e apreensão, a fim de aprofundar investigação acerca de fraudes no cumprimento de penas impostas a condenados vinculados à organização criminosa.  A investigação teve início a partir de indícios de que apenados vinham apresentando informações falsas ao Poder Judiciário, especialmente quanto ao endereço e vínculos empregatícios, com a finalidade de simular o regular cumprimento do regime semiaberto. No curso das apurações, verificou-se que os investigados utilizavam documentos fraudulentos e realizavam deslocamentos pontuais exclusivamente para atender os comparecimentos obrigatórios em juízo, enquanto, na prática, mantinham residência em outras localidades. Apurou-se, ainda, que um dos investigados reside em área sob influência de facção na cidade do Rio de Janeiro. A ação foi realizada de forma conjunta, com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MT). Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, de fraude processual, de falsidade ideológica, de uso de documento falso, além de outros delitos que venham a ser identificados no decorrer das investigações. A FICCO/MT é uma força-tarefa composta pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, Polícia Militar de Mato Grosso e Sistema Penitenciário de Mato Grosso que tem por objetivo realizar uma atuação conjunta e integrada no combate ao crime organizado no estado.
Por Gazeta Digital 29 de maio de 2026
O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Sérgio Ricardo, vê com preocupação a denúncia do prefeito Abilio Brunini (PL) sobre um suposto superfaturamento na aquisição de livros didáticos que pode chegar a R$ 80 milhões. As investigações serão estendidas para a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), conforme o conselheiro, já que a pasta também adquiriu livro por quase mil reais. Além disso, segundo o presidente do TCE, há uma correlação muito forte na aquisição de livros didáticos. “O Estado também adquiriu muitos livros, e isso não é nenhuma acusação aqui, não é nenhum apontamento, mas o Tribunal de Contas, através do relator das contas da Secretaria de Educação do Estado, já está fazendo algumas análises e eu vou colocar também dentro dessa análise a aquisição de todos os livros que foram adquiridos pela Secretaria de Estado de Educação’, disse Sérgio Ricardo ao lado do prefeito Abilio Brunini durante visita ao gestor da Capital. O chefe da Corte de Contas disse que chamou sua atenção os valores apresentados pelo prefeito e a forma que foram feitos os pagamentos. Ao denunciar o suposto superfaturamento, Abilio disse que foram adquiridos livros por R$ 800 a unidade. “Os valores chegando a quase R$ 1 mil por um livro. Por isso que eu quero ver todos os livros, eu quero pegar aí alguns, 10, 20, 30 livros. Eu vou pegar esses livros, quero reunir os professores, quero que eles me digam, me mostrem o que eles entenderam desses livros, se eles utilizaram esses livros. Então, é uma situação bastante importante porque trata-se de recurso público e trata-se de educação de Cuiabá, de Educação de Mato Grosso”, completou. Sérgio Ricardo ainda afirmou que a Prefeitura de Cuiabá já teria pago R$ 49 milhões em livros, sendo alguns de R$ 370 e que só não houve mais compras porque o prefeito Abilio interrompeu as aquisições. Ao solicitar também uma auditoria no Estado, Sérgio Ricardo coloca o ex-secretário municipal de Educação, Amauri Monge, mais uma vez pressionado, já que ele foi secretário adjunto do Estado entre 2019 e 2025, sendo indicado pelo atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos), hoje governador do Estado. Na época, Amauri Monge chegou a sofrer denúncias do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep) sobre aquisição de livros que teria o mesmo conteúdo dos que são fornecidos pelo governo federal. As investigações foram arquivadas pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Amauri é réu no Estado do Paraná também por aquisição de livros. A denúncia de Abilio foi realizada na quarta-feira (27), após anunciar uma auditoria interna que teria identificado o pagamento de R$ 21 milhões em livros de baixa qualidade e que teria sido feito por IA (Inteligência Artificial), durante 2025 e 2026, quando o secretário municipal foi Amauri Monge.
Por Gazeta Digital 29 de maio de 2026
O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, questionou a qualidade dos livros adquiridos pela prefeitura de Cuiabá, afirmando ter encontrado erros ortográficos e de concordância. Ele também questionou quem teria selecionado os livros supostamente 'superfaturados' dentro da secretaria municipal de Educação. “Eu quero saber quem foi o gênio, o secretário que decidiu por isso. Quero ver se estão usando essa coleção do Theo que está com erro. Em vez de usar a palavra “mas”, eles usaram “mais”. Eu quero ver se estão usando esses livros, para saber se tem erro de concordância e português. Eu já denunciei a própria empresa por erros, porque sou muito atento a isso. Quero saber se a editora arrumou. Eu quero saber os secretários, os gênios que contrataram isso”, disse Sérgio Ricardo, durante visita técnica nesta sexta-feira (29) ao Almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação. Ele também voltou a afirmar que irá investigar se o governo do Estado adquiriu os mesmos livros didáticos que o prefeito Abilio Brunini (PL) denunciou um suposto superfaturamento de cerca de R$ 80 milhões na aquisição desses materiais durante a gestão do ex-secretário municipal de Educação, Amauri Monge entre 2025 e 2026. “Eu quero saber se esses livros também, todos, se eles também foram adquiridos pelo governo do Estado, para a Secretaria Estadual. Eu quero ver toda a correlação que existe entre as aquisições desses livros, que foram adquiridos pelo Estado, uma vez que o secretário era o mesmo. Ele deixou a Secretaria do Estado e veio para a Secretaria do Município”, disse nesta sexta-feira (29) durante visita técnica ao Almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação. Durante a visita espetacularizada e com a presença da imprensa, o conselheiro chegou a questionar o prefeito se alguém o teria indicado. Abilio negou que houve indicação. “Nós estávamos procurando, na saída da antiga secretária Solange, uma pessoa que tivesse conhecimento, bastante conhecimento da área da educação. O Amauri tem bastante conhecimento. Entre capacidade técnica, capacidade de gestão na área da educação, conhecimento sobre como organizar e como tocar uma Secretaria de Educação, ele é um dos melhores quadros que tem essa capacidade”, disse Abilio. O prefeito alegou ainda que não se discute a capacidade do ex-secretário, mas sim os motivos que levaram à compra dos materiais didáticos, já que existiriam outras prioridades na educação, como limpeza e reforma. “Eu fiz uma denúncia sobre o porquê foi feita a aquisição desse material. Eu não estou discutindo se ele é capaz ou não é capaz de gerir a Secretaria de Educação. Eu estou discutindo o porquê foi feita a aquisição de tanto material, material pedagógico, num volume de valor que chega a quase R$ 80 milhões. No início de janeiro, por exemplo, quando a gente iniciou o ano letivo, antes de iniciar, a gente repassou um recurso para a Secretaria de Educação que era para ser repassado para as escolas municipais, para que elas pudessem comprar material de limpeza, etc., preparar as escolas para o retorno às aulas, e foi priorizado o pagamento de R$ 21 milhões”, justificou. A visita ocorre após o prefeito ter denunciado o suposto superfaturamento de quase R$ 80 milhões e que iria encaminhar a denúncia ao próprio TCE e Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
Por RepórterMT 29 de maio de 2026
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), defendeu que, para solucionar o impasse com o estado do Pará em relação aos municípios situados na região da Cachoeira das Sete Quedas, o ideal é a realização de um plebiscito entre os moradores dos seis municípios em disputa, para que decidam a qual estado desejam pertencer.  Em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (28), o governador destacou que Mato Grosso é o estado que tem prestado serviços de saúde, educação e mobilidade à região. “ Se não houver outra solução, com as pessoas que moram nessa região, para que eles decidam em qual estado eles querem participar, se é o Pará ou se é o Mato Grosso ”, declarou o republicano. O impasse territorial se arrastou por cerca de 20 anos e foi encerrado em 2020, quando o STF decidiu manter o limite entre Mato Grosso e Pará. Na ocasião, Mato Grosso buscava o reconhecimento, como parte de seu território, de uma extensão de terra incorporada ao Pará em 1922. No entanto, o estado voltou a questionar o entendimento em uma nova ação protocolada em maio de 2023, na qual reivindica novamente o reconhecimento de parte da área. A disputa envolve uma área equivalente ao território do estado de Sergipe e abrange seis municípios paraenses: Jacareacanga, Novo Progresso, Altamira, São Félix do Xingu, Cumaru do Norte e Santana do Araguaia. Diante do embate, a governadora Hana Ghassan (MDB) afirmou que “não cederia um palmo de terra” a Mato Grosso. Ao ser questionado sobre como avaliava a fala da chefe do Executivo paraense, Pivetta tratou o posicionamento com indiferença e frisou que Mato Grosso é quem tem acolhido a população da região e garantido os serviços básicos. “Para falar a verdade eu tratei isso com pouca importância. Esse assunto está judicializado. Quem cuida dessa região de Mato Grosso é o governo de Estado de Mato Grosso, nós que damos assistência, estrada, saúde. Nós que dispomos os lugares para que esse povo que mora nessa região encontra para a suas necessidades”, pontuou. Ficou marcada para o dia 10 de junho a primeira audiência no STF, na tentativa de buscar uma conciliação entre os estados.
Por Gazeta Digital 28 de maio de 2026
Os senadores Wellington Fagundes (PL) e Jayme Campos (União) assinam uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para que os patrões e funcionários decidam sobre a escala de trabalho que será utilizada, criando uma alternativa legal para a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A medida é uma resposta ao avanço do projeto de lei que acaba com a jornada de trabalho de 44 horas no Brasil, que foi encaminhado para análise do Senado após aprovação na Câmara. "Trata-se de uma PEC de iniciativa do senador Rogério Marinho, assinada por mim como líder do Bloco Vanguarda. Esse projeto de emenda à constituição vai justamente nessa linha: ampliar direitos e opções para o trabalhador, respeitando a realidade de cada setor da economia e permitindo uma transição responsável para o Brasil", disse o senador Wellington ao . Segundo a proposta, na prática, o trabalhador vai receber por hora trabalhada e não um valor fixo mensal, como estabelece a CLT. Os autores dizem textualmente que o empregador e o trabalhador poderão escolher “entre o regime tradicional da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou uma jornada flexível baseada em horas trabalhadas”. Além disso, não está previsto nenhum impedimento para que o empregador exija uma jornada de 44 horas, como é a praticada atualmente na chamada escala 6 por 1, tema de debate e derrubada pela Câmara dos Deputados. O texto fala em “acordo individual, convenção coletiva de trabalho ou livre pactuação contratual” feita diretamente entre funcionário e empregador, sendo que o acordo prevalecerá sobre as negociações coletivas. Além disso, o projeto prevê que o valor mínimo da hora trabalhada será o equivalente ao salário mínimo nacional ou ao piso da respectiva categoria profissional. O mesmo critério de definição do valor da hora trabalhada será usado para o cálculo dos demais direitos trabalhistas, como férias, décimo terceiro salário, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), dentre outros. "Eu defendo que qualquer mudança nessa área seja feita com muita responsabilidade, pensando no trabalhador, mas também nos impactos sobre a produtividade, a geração de empregos e o custo de vida da população. Precisamos encontrar um equilíbrio para avançar sem provocar aumento de preços, inflação ou insegurança para quem emprega e para quem trabalha", concluiu o parlamentar. Na justificativa, os parlamentares signatários alegam que a ideia é “ampliar a liberdade e autonomia do trabalhador”, permitindo que ele escolha a sua jornada de trabalho e a proporção da sua remuneração conforme as suas necessidades. “A PEC, portanto, promove a liberdade de escolha e o poder de decisão para o trabalhador, permitindo que ele determine sua jornada e remuneração proporcional. Essa abordagem moderniza as relações de trabalho, respeitando a autonomia do trabalhador e proporcionando maior flexibilidade para adaptar-se a diferentes contextos e necessidades”, conclui.