Hospital terá 1,6 mil funcionários e custo mensal de R$ 30 milhões

Gazeta Digital • 30 de novembro de 2025

Corredores que por décadas foram apenas ruínas, labirintos escuros, ocupados por lixo, mato, infiltrações e morcegos, simplesmente esquecidos. Hoje, estão tomados pela tinta fresca e clara, pelas luzes, pelo barulho dos equipamentos que são instalados e dos passos rápidos dos trabalhadores que dão os últimos retoques. O prédio, que por décadas foi o retrato do descaso dentro do Centro Político Administrativo, da ineficiência da gestão pública, uma promessa de 10 homens que assumiram o posto mais alto do Poder Executivo, agora tem data certa para abrir as portas e prestar um serviço muito mais amplo que o prometido em 1984, quando nem o Sistema Único de Saúde (SUS) existia.


O Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso, em Cuiabá, sai do papel e passará a fazer parte da vida da população que depende do SUS e que sonha com um tratamento digno, com atendimentos 100% gratuitos. Uma promessa do atual governo, responsável pela retomada das obras em 2020, para ser concretizada a partir do dia 19 de dezembro deste ano, data confirmada da inauguração. E, definitivamente, a partir do dia 19 de janeiro de 2026, quando a primeira etapa dos serviços - cirurgia geral pediátrica, cirurgia ortopédica pediátrica, cirurgia urológica, cirurgia oncológica e hemodinâmica (cateterismo cardíaco e angioplastia) - começa a ser realizada na unidade.

 

No espaço Garden - um espaço de convivência -, o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, segurando uma foto feita no mesmo local há quase 10 anos, no dia 21 de janeiro de 2016, que demonstra o tamanho da transformação, afirma: Não tem como dizer que não tem a mão de Deus aqui. Respira fundo e conclui: milhões de pessoas poderiam ter sido atendidas e salvas neste hospital.

 

Com a adrenalina lá em cima, como o secretário mesmo descreve, por todos os setores há gente trabalhando. Últimos ajustes em portas, tetos, equipamentos instalados e outros ainda que precisam ser retirados das caixas. A decoração que começa a chegar, quadros que são esperados, as flores e folhagens que já começam a ocupar seus espaços. O contraste da delicadeza da ala pediátrica com a magnitude de toda a obra. Cada detalhe, desde a ampliação da obra, o novo projeto, às aquisições de móveis e equipamentos, à decoração e toques finais, tudo feito pelas equipes da própria secretaria de Estado de Saúde. Vai ser um dia de muita emoção para todos nós, afirma Gilberto, lembrando que estes dias que antecedem a inauguração serão de trabalhos ininterruptos.

 

Ele, que calcula já ter ido mais de duas mil vezes ao prédio, com visitas diárias, às vezes até mais de uma vez ao dia, afirma que o hospital é um misto de sentimentos. O resgate de um sonho da população, que ficou abandonado por mais de três décadas, mas também a concretização de um juramento que ele mesmo fez quando, acometido pela covid-19, foi transferido para o Hospital Albert Einsten, em São Paulo, e chegou a imaginar que não voltaria para casa.

 

Não é só a entrega de um prédio, de um hospital, mas é de um conjunto de decisões tomadas no governo, que tem, no meu caso pessoal, uma promessa contida dentro dele. Quando eu fui acometido pela pandemia, pela covid, acabei sendo transferido para São Paulo. Eu praticamente não imaginava que eu voltaria para casa e eu fiz um juramento: que eu ia dar a minha vida não só na construção do hospital, mas para que a gente pudesse dar a possibilidade ao cidadão de Mato Grosso de ter o mesmo atendimento que eu tive, se Deus me concedesse a graça de eu sair com vida. E, graças a Deus, eu estou conseguindo fazer as duas coisas: entregar o melhor hospital e o melhor hospital administrado pelo Einstein (Hospital Albert Einstein), que é onde eu fiz o juramento.

 

Figueiredo enfatiza que não se trata do mesmo hospital de 41 anos atrás, que tinha apenas 9 mil metros quadrados. Trata-se de um hospital edificado no mesmo local daquele marcado por tantos descasos, no mesmo lugar que foi abandonado, mas com um projeto totalmente novo e 32 mil metros quadrados e com capacidade para ser ampliado.

 

Dentro de todos os investimentos na saúde, com cinco hospitais regionais sendo construídos e o Hospital Universitário Júlio Müller, que serão entregues até o final da gestão, e mais um que será lançado e construído em Pontes e Lacerda, o secretário de saúde é enfático ao dizer que o Hospital Central será o carro-chefe do Estado e o melhor hospital público do país. Vai tratar da alta complexidade, com tecnologia de ponta e cirurgia robótica.

 

Não será um hospital de portas-abertas, pois todos os pacientes serão regulados. Então, não é o paciente que escolhe o que ele quer fazer aqui. É aquilo que estiver planejado para ser feito aqui, até porque esse hospital não consegue absorver sozinho toda a demanda, por exemplo, cirúrgica do estado de Mato Grosso. Mas será aqui, nesse hospital que com certeza vai ter uma alta complexidade, o que tem de melhor em tecnologia para que a gente não faça mais nenhum cidadão precisar ir para fora do estado para ser atendido.

 

Um projeto concreto e uma pandemia no meio


A retomada das obras do Hospital Central foi anunciada no final de dezembro de 2019 pelo governador Mauro Mendes (União). As obras iniciaram em janeiro de 2020, com previsão de serem entregues em setembro de 2022. Mas, logo no início, surgiu o improvável, o inimaginável, a pandemia da covid-19, que paralisou o mundo e empurrou projetos essenciais para anos de atraso. E não foi diferente com o Hospital Central.

 

É justamente a pandemia que Gilberto Figueiredo destaca como o maior obstáculo. Durante a entrevista, o secretário, inclusive, teve que dar pausas por causa da tosse intensa, reflexo da quarta pneumonia que tem após a covid. Você tem um plano que você pensa, elabora e começa a colocar em operação. Nós assumimos em 2019 um governo que estava devendo todo mundo e o nosso primeiro ano foi administrar a dívida e pagar a conta e planejar. Quando nós partimos para começar a operacionalizar o nosso plano, veio a pandemia e tirou dois anos preciosos de nós, porque o nosso foco, a prioridade foi logicamente cuidar da população. Então, isso atrapalhou todas as obras.

 

Fora isso, Gilberto afirma que não faltou determinação por parte do governo, não faltou recurso para que o projeto planejado fosse executado. A área da saúde foi tratada no governo do Mauro com prioridade. Tudo aquilo que nós planejamos, nós já executamos ou estamos em fase final de execução e é lógico que finaliza no ano que vem, quando a gente entrega todos os hospitais.

 

Ainda sobre a pandemia, o secretário admite que teve dias que não sabiam mais o que fazer para enfrentar o desafio. Então, é uma realização de um sonho, além de um desafio mensurado de ter tido energia para suportar. Eu sou o secretário mais duradouro, mais longevo dos últimos 20 anos da saúde do estado de Mato Grosso. E, logicamente, que teve momentos que a gente perdeu a força, a gente quase jogou a toalha, mas tem uma força Divina aí que não deixou isso acontecer.

Investimentos

 

Todos os dias é preciso refazer a conta, afirma o secretário de Estado de Saúde e todos os investimentos são do governo do Estado.

 

Em infraestrutura, a estimativa final é na ordem de R$ 330 milhões que, somados a cerca de R$ 200 milhões em equipamentos, chegará a um total de aproximadamente R$ 550 milhões de investimento.

 

Serão quatro etapas até o funcionamento total. A primeira começa no dia 19 de janeiro e as outras serão implementadas a cada 30 dias. Quando o hospital estiver na sua capacidade total, serão aproximadamente 1.600 profissionais atuando, todos contratados pelo Albert Einsten.

 

E, neste momento full, o secretário estima um custeio aproximado de R$ 30 milhões por mês. Contanto com os demais hospitais reformados e os que serão inaugurados, são bilhões de reais anualmente falando. Dentro deste contexto, ao ser questionado se o Hospital Central será administrável pelos próximos governos, Gilberto Figueiredo é enfático em afirmar que se o próximo governo não priorizar a saúde, pode haver problemas.

 

Toda gestão é opção estratégica. O governador Mauro Mendes decidiu na campanha fazer a saúde funcionar e sabia que para fazer isso funcionar teria que investir. Ao final da gestão do governador, nós vamos mais do que quintuplicar a despesa na área da saúde. Então, logicamente, se o governo que vier a suceder Mauro Mendes não tratar a saúde com prioridade, pode ocorrer isso (problemas na administração do hospital).

 

Reforça que o faturamento de um hospital público em um ano não dá para cobrir mais do que dois meses. Então, eu espero que quem venha a suceder tenha competência, pelo menos, para manter em funcionamento o que nós vamos deixar pronto. Porque nós não vamos apenas deixar novos hospitais prontos para funcionar, nós vamos deixar os hospitais antigos modernizados, porque estavam sucateados e abandonados. E eu espero estar vivo, inclusive, para cobrar, seja onde eu estiver, que o governo continue tratando a saúde com prioridade.

 

4 décadas de espera e sofrimento


A conclusão do Hospital Central é assunto de mais de 4 décadas, principalmente antes da construção e inauguração do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). As denúncias feitas no antigo Pronto-Socorro da Capital eram constantes e a cobrança pelo Hospital Central permanente. Falta de materiais básicos, de medicamentos e de profissionais se uniam ao cenário quase de guerra, com os corredores superlotados. Em cada vistoria, uma constatação absurda, como de pacientes com tuberculose no meio de vários outros.

 

Constatei uma situação absurda. Onde houvesse um cantinho livre nos corredores, havia um paciente. Não dava nem pra caminhar, relatou a então presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso, Evelyn Bidigaray, após uma vistoria na unidade em dezembro de 2017.

 

Em 2015, a unidade realizava cerca de 1,1 mil internações por mês e a proposta de interdição foi ventilada várias vezes. Em julho daquele ano, o então presidente do Conselho Regional de Medicina, Gabriel Felsk, afirmou: A interdição não seria um remédio, seria realmente um veneno ainda pior. Afinal, não haveria outro local para tantos pacientes.

 

Médico da família e pós-graduado em psiquiatra, Werley Peres foi secretário de Saúde de Cuiabá em 2014, num dos momentos em que a capital enfrentava uma das situações mais críticas da saúde. Ele afirma que uma das grandes expectativas era de que o Hospital Central desafogasse a saúde de Cuiabá.

 

Naquela época, vivíamos um déficit muito grande de leitos, em especial na alta complexidade e se tivesse o Hospital Central cuidando de alta complexidade, não teria, por exemplo, problema na ortopedia. 60% das pessoas que ficavam no corredor do pronto-socorro eram do interior. Muitos dos pacientes viajavam até 1.300 quilômetros para serem operados e, infelizmente, ficavam naquele corredor, relembra.

 

Peres avalia que, se há 10 anos tivessem inaugurado o Hospital Central, teria uma solução maior e diminuiria a fila do SUS da alta complexidade. Esses leitos, há 10 anos, teriam um resultado até melhor do que hoje. Mas, com a inauguração do Hospital Central, sem dúvida vai desafogar muito o sistema e isso vai ter um resultado gigante.

 

Oferta de leitos de UTI está entre grandes avanços


Titular da 7ª Promotoria de Justiça Cível da Capital - Defesa da Cidadania (Saúde), o promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto afirma que além de atender a alta complexidade, o Hospital Central será essencial com a oferta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A demanda por leitos de UTI é um dos principais assuntos da judicialização da saúde e a expectativa é que os 60 leitos de UTI do novo hospital possam melhorar a oferta.

 

O hospital será muito importante para a Rede SUS de Mato Grosso, porque vai ser referência para a realização de cirurgias de alta complexidade, de várias especialidades. Então, as pessoas que precisam de cirurgias cardíacas e de várias especialidades vão ter um lugar com um corpo clínico de primeira, toda a estrutura. Também serão 60 leitos de UTI, e somados às UTIs que já existem na rede, vai melhorar também bastante a oferta. Sem falar que vai mudar o patamar do atendimento, avaliou Milton Mattos. 


Por ascom 31 de agosto de 2026
Depois de muitos anos, uma das festas mais tradicionais de Nobres está de volta. A 1ª FIAGRO Exponobres 2026 marca um novo capítulo na história do município e chega ainda maior, reunindo agronegócio, negócios, entretenimento, cultura e grandes shows em uma programação preparada para toda a família. O retorno da Exponobres representa mais do que a realização de uma festa. O evento resgata uma tradição que há anos não fazia parte do calendário da cidade e devolve à população um importante espaço de encontro, geração de oportunidades e valorização de Nobres e de toda a região. Para receber o público, o Parque de Exposições de Nobres está sendo construído e contará com estrutura para expositores, praça de alimentação, parque de diversões e diferentes atrações ao longo dos dias de evento. 1ª FIAGRO EXPONOBRES 2026 fortalece o agronegócio e gera oportunidades A proposta é transformar a Exponobres também em uma grande vitrine de negócios, conhecimento e relacionamento, valorizando quem produz, investe e contribui diariamente para o crescimento da região. Grandes shows nacionais e entrada gratuita! Além da programação voltada ao agronegócio, a Exponobres contará com grandes atrações musicais durante suas quatro noites. A programação reúne Amado Batista, Edy Brito & Samuel, Paula Fernandes e João Neto & Frederico, levando ao palco diferentes gerações e estilos da música brasileira. E um dos grandes destaques é que a festa será realizada com entrada gratuita, ampliando o acesso da população a toda essa estrutura e programação. Mais do que relembrar a história da festa, a edição de 2026 nasce com o propósito de construir uma nova fase para o evento e consolidá-lo novamente entre os grandes acontecimentos do calendário regional. A tradição está de volta, maior, mais forte e pronta para fazer história novamente em Nobres.
Por Assessoria 31 de agosto de 2026
O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) e a JBS S.A. celebraram acordo no valor de R$ 3,9 milhões para encerrar a execução de uma Ação Civil Pública (ACP) ajuizada em 2014, a qual apurou graves irregularidades relacionadas à saúde e à segurança dos trabalhadores da unidade da empresa em Alta Floresta (a 791 km de Cuiabá). O acordo foi homologado pela Justiça do Trabalho em 12 de agosto de 2026, após mais de 12 anos de tramitação do processo. A ACP é acompanhada pela procuradora do Trabalho Cristiane Leonel Moreira da Silva, e o acordo foi construído a partir de tratativas conduzidas pelo procurador do Trabalho Danilo Nunes Vasconcelos. Os recursos serão destinados a projetos sociais, por meio da Comissão Interinstitucional de Ações Afirmativas do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT), com preferência para iniciativas que beneficiem a população de Alta Floresta. A ACP foi ajuizada pelo MPT em agosto de 2014, após a constatação de uma série de irregularidades nas condições de trabalho da unidade. Entre os pedidos apresentados pelo Ministério Público estavam a implementação do Plano de Respostas a Emergências (PRE) e do Projeto de Segurança contra Incêndio e Pânico (PSCIP), além de medidas relacionadas ao setor de desossa. Irregularidades envolviam segurança contra incêndio e condições no setor de desossa A atuação do MPT teve como um dos focos a situação do setor de desossa, onde trabalhavam aproximadamente 270 empregados. Segundo provas produzidas no processo, a empresa havia instalado duas esteiras adicionais no setor produtivo sem a correspondente adequação do espaço físico e do layout. A situação comprometia a circulação dos trabalhadores e poderia dificultar uma eventual evacuação em situações de emergência, como incêndios ou vazamentos de gases. O MPT também identificou problemas relacionados à prevenção e ao combate a incêndios. Na época do ajuizamento da ação, o PSCIP ainda estava em elaboração, conforme documento apresentado pela própria empresa. A JBS informou ao MPT, em julho de 2014, que o projeto de prevenção contra incêndio estava em fase de elaboração e apresentou um Plano de Atendimento a Emergências. O MPT requereu, em caráter liminar, a interdição da unidade até que houvesse a adequação às normas de segurança, além da retirada das duas esteiras adicionais do setor de desossa e da implementação do PSCIP e do Plano de Respostas a Emergências. Entre as irregularidades apontadas na documentação técnica estavam problemas relacionados a máquinas e equipamentos, dispositivos de acionamento, passarelas e rampas, fiações expostas, manutenção e procedimentos de trabalho e segurança. Vazamento de amônia levou 17 trabalhadores ao hospital Em 4 de setembro de 2014, já durante o curso da ação, um vazamento de amônia no setor de desossa levou 17 trabalhadores ao Hospital Regional de Alta Floresta. O processo reúne documentos do atendimento médico e depoimentos de empregados sobre o episódio. O vazamento ocorreu em meio às irregularidades de saúde e segurança que já eram objeto da atuação do MPT na unidade e reforçou a preocupação com as condições de emergência e evacuação dos trabalhadores. O episódio, contudo, não foi o único fundamento das condenações por dano moral coletivo e dumping social — prática de descumprimento reiterado de direitos trabalhistas para reduzir custos e obter vantagem econômica —, que também considerou o conjunto de irregularidades constatadas no ambiente de trabalho. Justiça reconheceu dano moral coletivo e dumping social Em 2015, a Justiça do Trabalho condenou a JBS ao pagamento de R$ 500 mil por dano moral coletivo e R$ 500 mil por dumping social, além de determinar o cumprimento de obrigações de saúde e segurança. A empresa recorreu da decisão, que foi mantida pelo TRT-MT. O caso chegou ao TST, onde os recursos foram analisados e as condenações foram mantidas. Ao julgar o caso, o TST ratificou o reconhecimento de irregularidades como a instalação de duas esteiras sem adequação do espaço físico, situação que expunha a riscos os 270 trabalhadores do setor de desossa, além de falhas na implementação das medidas de segurança contra incêndio e do plano de resposta a emergências. As condenações totalizaram R$ 1 milhão. Execução e destinação dos recursos Em julho de 2026, a Contadoria Judicial calculou em R$ 5,7 milhões o valor da execução, considerando indenizações e multas processuais decorrentes do não cumprimento pela JBS das obrigações fixadas na sentença (também denominadas astreintes). Após as tratativas, MPT e JBS chegaram ao acordo de R$ 3,9 milhões, homologado em audiência realizada em 12 de agosto de 2026. O acordo não impede a aplicação de novas multas caso haja descumprimento das obrigações judiciais.
Por TREMT 31 de agosto de 2026
O estado de Mato Grosso conta com 2.638.230 pessoas aptas ao voto para as Eleições Gerais de 2026. Os dados foram atualizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta segunda-feira (20.07) e resultam da conclusão do processamento das operações do Cadastro Eleitoral, cujo fechamento ocorreu no dia 06 de maio deste ano. A evolução do eleitorado, em comparação com as últimas Eleições Gerais, realizadas em 2022, foi de 7%, já que naquele ano o total de pessoas aptas ao voto era de 2.469.414. Deste total, 2.474.297, ou seja, 93,79% do eleitorado total no estado, estão com a biometria cadastrada, um resultado acima da média nacional. Em todo o Brasil, o número de eleitores e eleitoras aptos ao voto é 158.745.463, sendo que 141.301.540, o equivalente a 89,01%, possuem a biometria cadastrada. Todos os dados estão disponíveis no Portal de Estatísticas do TSE. Clique aqui para acessar. A presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), desembargadora Serly Marcondes Alves, os números consolidados do eleitorado mato-grossense reforçam a dimensão da responsabilidade da Justiça Eleitoral na organização das Eleições Gerais de 2026. “Mato Grosso contará com mais de 2,6 milhões de eleitoras e eleitores aptos a exercer o direito ao voto, o que demonstra o comprometimento da população e o sucesso do trabalho permanente realizado pela Justiça Eleitoral”. Ela também reforça que este resultado é fruto de um planejamento iniciado muito antes do período eleitoral. “Ao longo dos últimos meses, promovemos mutirões, ampliamos os pontos de atendimento e intensificamos ações em todas as regiões do estado para facilitar o acesso da população aos serviços eleitorais. Agora, seguimos avançando em outra etapa igualmente importante: a preparação de toda a estrutura necessária para garantir eleições seguras, transparentes e eficientes. Isso inclui a organização logística, a preparação das urnas eletrônicas, a capacitação de magistrados, magistradas, servidores, servidoras, colaboradores, colaboradoras, mesários e mesárias, além do fortalecimento do diálogo com instituições parceiras”, acrescenta. Perfil do eleitorado A maioria do eleitorado continua sendo feminina, já que do total de pessoas aptas ao voto em Mato Grosso em 2026, 51% (1.355.774) são formados por este público. Já o eleitorado masculino soma 49%, ou seja, 1.282.435. Apenas 493 pessoas informaram o nome social no Cadastro Eleitoral. Quanto à faixa etária, o maior público votante tem entre 40 e 44 anos de idade (278.333), seguido da faixa etária de 30 a 34 anos de idade (272.941).
Por RepórterMT 31 de agosto de 2026
Sinop foi o município de Mato Grosso que mais ganhou habitantes entre 2025 e 2026, segundo as estimativas populacionais divulgadas nessa sexta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A cidade passou de 223.780 moradores em 2025 para 231.452 neste ano. Na prática, Sinop ganhou 7.672 habitantes em apenas um ano, o equivalente a um crescimento de 3,43% na população. O cálculo considera a diferença entre as estimativas divulgadas pelo IBGE para os dois anos. Com o novo número, Sinop também aparece como a quarta cidade mais populosa de Mato Grosso, atrás apenas de Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis. A Capital lidera o ranking estadual, com 698.917 habitantes, seguida por Várzea Grande, com 323.172, e Rondonópolis, com 268.202 moradores. O crescimento de Sinop chama atenção porque supera, em números absolutos, o avanço registrado por Cuiabá no mesmo período. A capital ganhou 7.042 moradores em um ano, passando de 691.875 para 698.917 habitantes, alta de 1,02%. Mato Grosso O crescimento de Sinop ocorre em um cenário de expansão populacional de Mato Grosso. O Estado chegou a 3.950.330 habitantes em 2026, contra 3.893.659 no ano anterior. Ao todo, foram 56.671 novos moradores, o que representa crescimento de 1,46%.  Com esse resultado, Mato Grosso registrou o terceiro maior crescimento populacional do Brasil entre 2025 e 2026, atrás apenas de Roraima e Santa Catarina. Os números têm como referência 1º de julho de 2026. O levantamento do IBGE também revelou movimentos diferentes entre os municípios mato-grossenses. Enquanto Sinop apresentou o maior avanço em números absolutos, General Carneiro registrou a maior perda populacional, passando de 6.319 moradores em 2025 para 5.913 em 2026. A redução foi de 406 habitantes, equivalente a 6,42%. Os dados fazem parte da estimativa populacional anual do IBGE e não representam a realização de um novo Censo. Para chegar aos números, o instituto considera os resultados do Censo 2022, além de registros de nascimentos e mortes, migração e outras informações populacionais. As estimativas são utilizadas no planejamento de políticas públicas e no cálculo de repasses da União aos municípios.
Por Gazeta Digital 31 de agosto de 2026
Principais candidatos ao Governo de Mato Grosso apresentam propostas pontuais, mas não aprofundam objetivos, metas e critérios para utilização dos programas de incentivos fiscais, apesar das vultosas quantias envolvidas na política tributária. Entre 2019 e 2025, o volume de benefícios tributários concedidos às empresas - em sua maioria ligadas ao agronegócio -mais que quadruplicou, com alta de 356%, passando de R$ 3,42 bilhões para R$ 15,6 bilhões. Ao todo, foram R$ 65,5 bilhões em renúncia fiscal no período, segundo dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). O governador e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), defende em seu plano de governo que a reorganização dos incentivos estaduais, como o Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic), o Programa de Desenvolvimento Rural de Mato Grosso (Proder) e o Programa de Incentivo à Cultura do Algodão de Mato Grosso (Proalmat), foi fundamental para fomentar a industrialização. O documento classifica a reorganização dos benefícios como pilar da transição de uma economia baseada na exportação de matéria-prima para um modelo que visa gerar valor dentro do território mato-grossense. Na proposta, Pivetta prevê a manutenção e o aperfeiçoamento do Prodeic, com submódulos voltados à indústria alimentícia, biocombustíveis, mineração, reciclagem e setores fabris, além do Proder e do Proalmat. A concessão dos benefícios deverá ser condicionada à geração direta de empregos, realização de investimentos e processamento em Mato Grosso. O plano também prevê a criação de um polo têxtil ligado à cadeia do algodão, estímulo a negócios em regiões menos desenvolvidas e ampliação de linhas de crédito e garantias para as empresas. O senador Wellington Fagundes (PL) propõe a criação de um sistema de monitoramento dos resultados dos incentivos fiscais concedidos pelo Estado. O plano também prevê o programa Fisco Amigo, com benefícios para contribuintes considerados bons pagadores, modernização da Secretaria de Fazenda de Mato Grosso (Sefaz) com inteligência artificial para detectar fraudes e canais de autorregularização, além de uma política de responsabilidade fiscal baseada em projeções de receitas. Entre as medidas, Fagundes também prevê simplificação tributária, digitalização de processos e apoio técnico às prefeituras. Na área de incentivos, propõe ainda a concessão de benefícios tributários para instalação de parques solares e usinas de biomassa. Já a candidata Natasha Slhessarenko (PSD) propõe preparar Mato Grosso para o fim dos benefícios de ICMS, previstos para deixar de existir entre 2029 e 2033. O plano prevê mapear a exposição do Estado, construir um novo modelo de atração de investimentos baseado em crédito, logística e qualificação da mão de obra e criar um fundo estadual de empreendedorismo com prioridade para municípios mais pobres. A candidata também defende uma pauta fiscal própria, com o envio de uma proposta fiscal e tributária à Assembleia Legislativa e prestação periódica de contas sobre o resultado das contas públicas, para além da arrecadação bruta.
Por Agência Brasil 30 de agosto de 2026
O Congresso Nacional deve analisar nesta semana cinco propostas de grande repercussão social, como o fim da jornada 6x1 e a isenção de impostos para as compras de até US$ 50 em plataformas digitais, conhecida como "taxa das blusinhas". As pautas fazem parte do esforço concentrado da Câmara dos Deputados e do Senado antes das eleições de outubro. Fim da escala 6x1 O texto que prevê o fim da jornada de trabalho de seis dias para um de descanso deve ser analisado na quarta-feira (2) pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O relator da proposta, senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou na última quinta-feira (27) parecer favorável e rejeitou as doze emendas apresentadas pelos senadores. A estratégia é manter o mesmo texto aprovado pela Câmara e, assim, evitar que a proposta precise voltar para análise dos deputados. >> Veja o que prevê o texto: - Dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos - Salário não poderá ser reduzido por causa diminuição da jornada - Dois meses após a promulgação da PEC, a jornada máxima passa das atuais 44 para 42 horas semanais. - Um ano depois do fim desse primeiro período, cai definitivamente para 40 horas.  Se for aprovada na CCJ, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ainda precisa passar por dois turnos de votação no Plenário do Senado, com pelo menos 49 votos favoráveis em cada um. Fim da "taxa das blusinhas" Outro assunto de forte repercussão é o fim da chamada “taxa das blusinhas”, o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50. A Medida Provisória começa a semana na comissão mista de deputados e senadores, que se reúne nesta segunda-feira (31), às 16h. A relatora, senadora Leila Barros (PDT-DF), deve apresentar o parecer e há expectativa de votação na própria comissão. A MP perde a validade no dia 8 de setembro. Se aprovada na comissão, ainda precisa passar pelos plenários da Câmara e do Senado. Mototaxistas e entregadores de aplicativo Na Câmara, a primeira sessão de votação está marcada para esta segunda-feira (31), às 18h. Além da "taxa das blusinhas", estão previstas outras duas medidas provisórias ligadas aos trabalhadores de aplicativos: uma simplifica as regras para mototaxistas e profissionais de motofrete; e outra cria uma linha de financiamento para entregadores comprarem motos e bicicletas elétricas. Entre os outros projetos que podem ser analisados pelos deputados estão a manutenção dos incentivos fiscais para doações aos programas de atenção oncológica e de saúde da pessoa com deficiência, a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica e o Plano Nacional de Cultura para os próximos dez anos. PEC da Segurança Pública No Senado, outra prioridade é a PEC da Segurança Pública, que também está na Comissão de Constituição e Justiça. A proposta amplia a integração entre as forças de segurança, o compartilhamento de informações e altera regras de financiamento do setor. Na pauta econômica, os senadores devem tentar avançar no Redata, que cria incentivos para a instalação de data centers no Brasil, e no marco dos minerais críticos e estratégicos, matérias-primas essenciais para setores como tecnologia, energia limpa, carros elétricos e defesa. Orçamento de 2027 Além das votações, o Congresso recebe uma das propostas mais importantes para a economia no próximo ano: o Orçamento de 2027. O governo precisa encaminhar ao Congresso o Projeto de Lei Orçamentária Anual, o PLOA, com as estimativas de receitas e despesas da União para o ano que vem. A proposta abre uma nova rodada de negociações sobre as prioridades do governo, o cumprimento das metas fiscais e os recursos destinados às políticas públicas e aos investimentos federais. O texto ainda será analisado pela Comissão Mista de Orçamento antes de seguir para votação no Congresso Nacional.
Por Gazeta Digital 30 de agosto de 2026
Quando o eleitor mato-grossense for às urnas em outubro, precisará lidar com dois métodos de contabilização de votos distintos, sendo eles o sistema majoritário e o proporcional. Compreender essas diferenças e como o Poder Executivo atua lado a lado com o Poder Legislativo é a chave para uma decisão consciente e para o fortalecimento da representatividade do estado no cenário nacional. Nas eleições majoritárias para o governo do Estado e o Senado, a lógica é que o vencedor será aquele que receber mais votos e obter maioria absoluta. É o caso da disputa ao Palácio Paiaguás, que conta com seis candidatos: Maurício Coelho (Mobiliza), Natasha Slhessarenko (PSD), Otaviano Pivetta (Republicanos), Rafaell Milas (Missão), Sargento Laudicério Machado (Agir) e Wellington Fagundes (PL). As votações para a presidência também são calculadas dessa forma e, atualmente, contam com 13 candidatos: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Pablo Marçal (PRTB), Escritor Augusto Cury (Avante), Samara Martins (UP), Hertz Dias (PSTU), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO) e Veterinário Wilson Grassi (Democrata). Para que um deles seja vencedor, é necessário alcançar a maioria absoluta dos votos válidos (50% mais um voto) no primeiro turno ou, caso nenhum concorrente atinja essa marca, disputar o segundo turno seguindo a mesma regra. Esse mesmo padrão se repete para a disputa presidencial, governo e para o Senado Federal, em que o eleitor de Mato Grosso escolherá duas cadeiras em 2026, com mandatos de oito anos. Entretanto, a dinâmica muda ao escolher quem ocupará as 24 cadeiras da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e as oito vagas do estado na Câmara dos Deputados em Brasília. Para deputados estaduais e federais, o sistema adotado é o proporcional. Nesse modelo, o voto dado ao candidato também conta para o partido ou federação partidária. Assim, o que vai definir quantos deputados de cada partido ocuparão as cadeiras depende do cálculo do Quociente Eleitoral (total de votos válidos dividido pelo número de vagas). Em seguida, a votação total do partido é dividida pelo quociente eleitoral para descobrir o quociente partidário. É esse mecanismo que faz surgir os chamados “puxadores de votos”, que são candidatos com forte apelo eleitoral que atraem grande soma de votos para a legenda, ajudando a eleger colegas de chapa com votações menores. Porém, não é somente essa “puxada” que garante a vaga. Para evitar distorções, existe uma cláusula de barreira individual que exige que o candidato alcance pelo menos 10% do quociente eleitoral por conta própria, além de critérios específicos para a distribuição das sobras entre as legendas. Cooperação entre Executivo e Legislativo O governador de Mato Grosso e o presidente da República eleitos não administram sozinhos. A viabilização das grandes propostas de governo, seja para a infraestrutura, a logística, a saúde, o agronegócio ou a preservação ambiental. Todos os assuntos dependem fundamentalmente da articulação política com o Legislativo. Os deputados estaduais, federais e senadores são responsáveis por apreciar, votar e alterar o orçamento público, aprovar leis e fiscalizar o Executivo. Um governador sem apoio no parlamento enfrenta graves impasses de governabilidade, enquanto parlamentares distantes das demandas da população travam projetos estratégicos para a região.
Por Gazeta Digital 30 de agosto de 2026
Infiltradas na economia e na política, ditando regras de “convivência” em regiões, as facções criminosas expandem territorialmente e aumentam a sensação de insegurança. O medo se expressa no cidadão comum, que deixa de denunciar um crime para não sofrer represálias, e no comerciante que, para continuar vendendo, precisa pagar “mensalinho”. Quem vive na pele a “governança criminal” e o controle social das facções espera, do próximo governo, uma segurança pública que dê respostas. Já especialistas afirmam que o combate às organizações criminosas está entre as medidas mais necessárias a serem adotadas pelos novos representantes eleitos e um dos principais focos de ataque tem que ser o sistema prisional. Comerciante em Várzea Grande, J.C. conta que, por anos, sofreu terror psicológico exercido pelo Comando Vermelho. Ele era dono de um mercado em um bairro periférico do município e era obrigado a pagar uma “taxa de funcionamento” de até 5% sobre o faturamento mensal, sob a ameaça de incendiarem o estabelecimento. O local também tinha que funcionar como ponto de divulgação de uma “raspadinha da sorte”, que era desenvolvida pela organização criminosa. “Não tinha saída, eu era ameaçado e essa ameaça se estendia para toda a minha família. Sabe o que não é conseguir dormir direito? Eu vivia aterrorizado, tinha que vender para pagar fornecedores, funcionários, para sobreviver e ainda para custear uma facção. Minha mulher entrou em depressão”. Segundo o comerciante, a saída foi fechar as portas. “Começaram a cobrar um valor, depois passaram a monitorar o faturamento e aumentaram. Foi ficando inviável, não só pelo valor, mas pelo terror a que estávamos sujeitos. Eu espero de verdade que tenhamos uma resposta do poder público para não ficarmos reféns dos criminosos”. Dono de uma distribuidora, A.R.S. diz que a extorsão vivenciada deixou reflexos emocionais e financeiros. Ele confirma que a organização criminosa cobrava uma taxa compulsória de R$ 1 por cada garrafão de 20 litros vendido. Também era determinado que o produto fosse adquirido exclusivamente de empresas ligadas ao grupo criminoso. “Eu era obrigado a mostrar notas das águas que adquiria, também tinha que repassar valores de tudo que saía de venda. Outra exigência é que vendesse determinadas marcas de cigarros, contrabandeados. Eu ficava com medo deles por conta das ameaças e também ficava com medo de ser preso pelos produtos. Você vive sem paz. Não desejo que ninguém passe pelo que passei”. O cenário de terror também foi vivenciado por um motorista de uma empresa de embalagens. B.M.S. confirma que passa a maior parte do tempo viajando e que, na casa, ficam apenas a esposa e um filho menor de idade. Em um dos dias em que estava de folga, foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta que o chamaram para conversar. “Eles disseram que os moradores com melhores condições no bairro tinham que pagar uma taxa mensal de R$ 100 para a segurança da região. E aqueles que não concordassem com a taxa teriam a casa sinalizada como sem proteção, ou seja, poderia ser alvo de roubo. Achei que era brincadeira, mas fui conversar com alguns vizinhos, que também disseram a mesma coisa. A que ponto a gente chega. Ficar refém de criminosos que ditam regras. Precisamos de uma segurança pública de verdade, para que não tenhamos medo de sair de casa, de ser morto, roubado. A polícia precisa dar uma resposta”.
Por Agência Brasil 30 de agosto de 2026
Prorrogado no início de agosto, o Novo Desenrola Brasil, programa do governo federal voltado à renegociação de dívidas bancárias, termina na próxima segunda-feira (31). A iniciativa permite que pessoas físicas com débitos em atraso tenham acesso a descontos e condições de pagamento diferenciadas para regularizar a situação financeira. O programa atende consumidores com renda mensal de até cinco salários mínimos, atualmente equivalente a R$ 8.105, e tenham dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 91 dias e dois anos. O prazo, que terminaria em 2 de agosto, foi prorrogado até o fim deste mês. Não há previsão de uma nova extensão. A modalidade voltada às famílias renegociou, até o início da última semana de agosto, cerca de 5,03 milhões de dívidas. Os débitos somavam originalmente R$ 26,33 bilhões e, após os acordos, foram reduzidos para aproximadamente R$ 5,27 bilhões. Quem pode participar A modalidade Desenrola Famílias é destinada a pessoas físicas com renda mensal de até cinco salários mínimos. Além do critério de renda, a dívida precisa atender às regras do programa. Podem ser incluídos débitos: Contratados até 31 de janeiro de 2026; Com atraso entre 91 dias e dois anos; Registrados em instituição financeira participante. A própria instituição financeira verifica se o consumidor e a dívida atendem aos critérios, utilizando informações disponíveis em seus sistemas e no Sistema de Informações de Crédito (SCR) do Banco Central. Quais dívidas entram O programa contempla modalidades de crédito que costumam apresentar taxas de juros elevadas. Entre as operações que podem ser renegociadas estão: Cartão de crédito rotativo ou parcelado; Cheque especial; Crédito pessoal sem consignação em folha; Empréstimos pessoais utilizados para consolidar outras dívidas. A inclusão do débito, porém, depende da análise e da participação da instituição financeira responsável pela operação. Condições Quando a renegociação é feita por meio de uma nova operação de crédito, o programa estabelece condições específicas: Juros máximos de 1,99% ao mês; Prazo de até 48 meses; Parcela mínima de R$ 50; Limite de até R$ 15 mil por beneficiário em cada instituição financeira; Primeira parcela em até 35 dias; Possibilidade de desconto sobre a dívida original; Garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO). Na prática, o novo crédito substitui os débitos elegíveis por uma operação com condições definidas dentro dos limites do programa. Como fazer Não existe uma plataforma única do governo para formalizar a renegociação. O consumidor deve procurar diretamente a instituição financeira onde a dívida está registrada. O atendimento pode ser feito, conforme os canais disponibilizados por cada banco, pelo aplicativo, internet banking, site, telefone, WhatsApp ou agência física. Durante a negociação, a instituição informa se o débito é elegível e apresenta as condições disponíveis. Entre as instituições que participam da iniciativa estão Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e Nubank. Nome sai do cadastro A retirada da dívida dos cadastros de inadimplentes não ocorre simplesmente com a assinatura do acordo. Nas renegociações realizadas por meio da nova operação de crédito, a instituição financeira deve providenciar a retirada da dívida após o pagamento da primeira parcela. O consumidor, portanto, precisa cumprir as condições previstas no contrato para manter a regularização. FGTS pode ser usado Uma das possibilidades previstas no programa é usar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para amortizar ou quitar a dívida renegociada. Podem ser usados recursos de contas ativas e inativas, com prioridade para as contas inativas. O trabalhador pode utilizar o valor que for maior entre: Até R$ 1 mil; ou Até 20% do saldo disponível no FGTS. A utilização depende da contratação da operação e da autorização do trabalhador, além dos procedimentos com a instituição financeira. Para autorizar o uso do saldo, o trabalhador deve acessar o aplicativo FGTS, consultar o valor disponível e permitir o compartilhamento da quantia com o banco responsável pela dívida. Depois da autorização, os bancos têm prazo de até 30 dias para formalizar o contrato com a Caixa Econômica Federal, que fará a transferência do valor diretamente à instituição financeira. Banco é obrigado a renegociar? Não. A participação das instituições financeiras é voluntária. Mesmo quem atende aos critérios de renda e tem uma dívida que se enquadra nas regras só poderá renegociá-la pelo programa se o banco ou financeira responsável tiver aderido à iniciativa e oferecer a operação. E quem está em dia? O Novo Desenrola também possui uma modalidade diferente para consumidores que não estão inadimplentes. O Desenrola Adimplente é destinado a pessoas que mantêm os pagamentos em dia, mas desejam reduzir o custo de empréstimos já contratados. A proposta é substituir operações mais caras por um novo crédito com condições mais favoráveis antes que o consumidor entre em atraso. O programa também contempla regras específicas para outros públicos, como estudantes com dívidas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), produtores rurais e micro e pequenas empresas. Formalização O prazo de 31 de agosto vale para a formalização do acordo, não para a entrada do pedido. Como a instituição financeira precisa verificar a elegibilidade da dívida e apresentar as condições da operação, a recomendação é iniciar o atendimento antes do último dia do prazo. O consumidor também deve comparar as condições oferecidas, conferir o valor total a ser pago, a taxa de juros, o número de parcelas e as consequências de eventual novo atraso antes de concluir a renegociação.
Por BandaB 29 de agosto de 2026
A Casas Bahia conseguiu nesta sexta-feira (28) uma proteção temporária da Justiça de São Paulo contra ações de cobrança e execuções. A medida vale por 180 dias e foi determinada antes mesmo da análise definitiva do pedido de recuperação judicial apresentado pela empresa. A decisão foi tomada pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais. O objetivo é evitar uma busca de credores pelo patrimônio da varejista enquanto a empresa tenta reorganizar as finanças. As informações são do Metrópoles. A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial em 16 de agosto. De acordo com as informações apresentadas no processo, as dívidas do grupo são estimadas em R$ 17,3 bilhões. Na prática, a medida impede que os credores façam determinadas cobranças ou iniciem execuções durante o período de proteção definido pela Justiça. A decisão, no entanto, não significa o encerramento da recuperação judicial. Em meio à recuperação judicial, medida busca preservar operações da Casas Bahia A decisão da Justiça paulista também estabelece uma série de restrições para evitar que a crise financeira comprometa o funcionamento das Casas Bahia. A avaliação é de que a proteção temporária dá à empresa tempo para organizar as informações financeiras e avançar no processo de recuperação judicial. Segundo a defesa da empresa, credores e parceiros comerciais ficam impedidos de antecipar cobranças ou reter valores da varejista. A determinação também alcança fornecedores e serviços considerados essenciais para a operação. Casas Bahia terá prazo para apresentar documentos à Justiça Além da suspensão das cobranças, o Poder Judiciário determinou que a empresa corrija eventuais falhas e apresente documentos que ainda não foram entregues no processo. Salário mínimo pode chegar a R$ 1.741 em 2027, prevê o Governo Federal A rede de lojas terá o prazo de 10 dias para cumprir as determinações. Caso não atendam às exigências, o processo poderá sofrer consequências, inclusive com possibilidade de cancelamento da medida. Quem descumprir a decisão judicial poderá ser multado em R$ 50 mil por dia.