Golpe do falso advogado já soma 4.388 denúncias e acende alerta em todo o país
O golpe do falso advogado tem feito milhares de vítimas no Brasil e segue em crescimento. Somente no estado de São Paulo, a Ordem dos Advogados do Brasil Seção São Paulo (OAB SP) já contabilizou 4.388 denúncias relacionadas a esse tipo de crime, registrado em pouco mais de um ano e meio.
Na prática, criminosos se passam por advogados ou integrantes de escritórios de advocacia e entram em contato com pessoas que realmente possuem processos em andamento. Utilizando dados verdadeiros, como número do processo, nome das partes e até fotos do advogado, os golpistas informam, de forma falsa, que houve ganho de causa ou liberação de valores.
Os criminosos criam um clima de urgência e solicitam que a vítima deposite parte do dinheiro para liberar o suposto valor judicial, sob o pretexto de custas, taxas ou “validação financeira”. Os depósitos, no entanto, são sempre direcionados a contas de terceiros, o que não é permitido na atuação profissional da advocacia.
Investigações recentes da Polícia Civil do Distrito Federal e de São Paulo resultaram na prisão de integrantes de quadrilhas especializadas nesse golpe. Em um dos casos, as vítimas chegaram a perder R$ 80 mil. Em outra investigação, ao menos 35 pessoas transferiram cerca de R$ 8 milhões aos criminosos.
Diante do avanço do crime, a OAB SP criou uma força-tarefa para enfrentamento do golpe do falso advogado. A entidade já ingressou com ações judiciais para exigir que operadoras de telefonia implementem medidas protetivas digitais contra números utilizados em fraudes e lançou um manual de orientação, já disponível, com dicas práticas para evitar cair no golpe.
Segundo o presidente da Comissão da Força-Tarefa para Enfrentamento do Golpe do Falso Advogado, Eduardo Ferrari, a principal recomendação é que a pessoa confirme sempre a informação diretamente com seu advogado de confiança, preferencialmente por canais já conhecidos ou de forma presencial.
Ele alerta que há sinais claros de fraude. O primeiro é o contato feito por um número de telefone que não pertence ao advogado ou ao escritório, ainda que o golpista utilize fotos reais do profissional ou do ambiente de trabalho para dar credibilidade à abordagem.
O segundo ponto de atenção é o pedido de pagamento para liberação de valores, o que não existe na prática da advocacia. Por fim, o golpe se confirma quando há a solicitação de depósito em conta de terceiros, conduta que não é adotada por advogados.
“Se o contato vier de um número diferente, a orientação é interromper a conversa, não atender às solicitações e não dar sequência ao contato”, reforça Ferrari.










