Câmara de VG livra Flávia de cassação por irregularidades em uniformes escolares

Gazeta Digital • 25 de fevereiro de 2026

A Câmara de Várzea Grande encaminhou ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) o relatório produzido pela Comissão Processante (CP) que investigava a prefeita Flávia Moretti (PL). Ela é acusada por uso irregular de slogan da gestão em uniformes escolares de estudantes do município. O parecer da CP determinou que a prefeitura promova a exclusão do manual de identidade visual para que futuras gestões não incluam nos uniformes qualquer tipo de slogan.


“Diante do conjunto probatório, concluiu-se que não restou comprovado o crime de responsabilidade e não há provas de prejuízo ao erário. Conforme depoimento da empresa contatada, não há provas de promoção pessoal nos moldes exigidos para caracterizar infração político-administrativa, ocorreu violação formal à lei municipal. Recomenda-se à denunciada que determine a exclusão do manual de identidade visual do município de qualquer menção ao slogan irregular para evitar interpretações equivocadas futuras”, leu a 1ª secretária da mesa diretora, vereadora Rosy Prado (União).

 
O relatório agora será remetido ao Ministério Público, que deve adotar as providências que entender cabíveis no caso. Ao longo da investigação, a defesa de Flávia Moretti alegou falta de tipificação específica da denúncia. Contudo, a Comissão informou que realizou vistorias in loco no dia 15 de dezembro de 2025, nas escolas municipais de ensino básico Emeb Manoel Correia de Almeida, Cemei Aurelia Correia de Almeida, Cemei Caetano da Costa, e constatou a inserção do slogan nas camisetas conforme relatado pelo denunciante e por fotografia nos documentos.


Sobre o impacto financeiro da conduta, em audiência no dia 19 de fevereiro deste ano, a dona da empresa responsável pela confecção dos uniformes, Flávia Fortes, afirmou que não houve aditivo financeiro ou cobrança extra para inclusão do slogan. 


Já o atual secretário de Educação, Igor Cunha, informou que a “identidade visual prezava pelos bens públicos e não a gestão ou pessoa da prefeita” e que novos uniformes estão sendo adequados à legislação. Já o ex-secretário Cleyton Marinho, disse que os uniformes foram confeccionados conforme o manual de orientação e identidade visual do município e não sabe precisar se tal padronização vem de gestão anterior e informou que, ao ser alertado, solicitou à empresa a retirada do slogan.


Por fim, a Comissão ponderou por “inexistência de prejuízo ao erário”.


“A prova testemunhal da empresa contratada afasta qualquer alegação de má utilização de recursos. Tratou-se de adesão à ata de ente público com valores já fixados, se o preço pago estava de acordo com o mercado e a inserção da frase não gerou custos adicionais, o patrimônio público permanece incólume. O prejuízo não deve ser presumido de modo genérico, deve estar quantificado, e vinculado à conduta imputada”, leu a vereadora Rosy.


Foi ressaltado ainda que a frase utilizada “não contém foto ou símbolo vinculado à prefeita”, tratando-se de slogan genérico, ainda que em desacordo com a legislação, sem indícios de “promoção pessoal”.

 

Outro lado


A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Várzea Grande para solicitar informações sobre possíveis encaminhamentos a partir da conclusão da CP e questionamento sobre a possível substituição de uniformes que foram produzidos com o slogan, quantos seriam e se haveria processo de troca gradual. A gestão informou que não há informações sobre quantidade de uniformes até o momento e não foi notificada para recolhimento ou troca das peças. Confira na íntegra.

 

Em atenção aos questionamentos sobre os uniformes da rede municipal de ensino, a Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande informa que a apuração mencionada é de competência da comissão processante instalada no âmbito da Câmara Municipal de Várzea Grande, cabendo a esse colegiado deliberar sobre o encaminhamento de seu relatório ao Ministério Público de Mato Grosso.

 

Conforme informado publicamente durante sessão legislativa, não foi constatado dano ao erário nem custo adicional decorrente da inserção de slogan nos uniformes escolares.

 

No que se refere à eventual substituição dos uniformes já produzidos, a Secretaria esclarece que, até o momento, não há determinação administrativa para recolhimento ou troca das peças, uma vez que não foi apontada irregularidade que justifique tal medida.

 

Sobre a quantidade de uniformes distribuídos desde o ano passado até o presente exercício, a Secretaria informa que os dados estão em fase de consolidação junto aos setores responsáveis, para posterior prestação oficial das informações solicitadas.

 

A Prefeitura Municipal de Várzea Grande reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos.


Por RepórterMT • 1 de outubro de 2026
A Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) negou, por unanimidade, o pedido para colocar em liberdade Ryan Carlos dos Santos , apontado pela Polícia Civil como um dos integrantes de um esquema que teria desviado aproximadamente 701,8 toneladas de soja, avaliadas em cerca de R$ 1,1 milhão, da Fazenda Rincão, em Campo Novo do Parecis (a 402 km de Cuiabá). O acórdão foi publicado hoje (1º).  Ryan está preso preventivamente desde 18 de março de 2026 e responde a uma ação penal que reúne 11 acusados. A defesa alegava excesso de prazo na tramitação do processo e sustentava que ele possui endereço fixo, trabalho lícito e seria arrimo de família. O habeas corpus, entretanto, foi rejeitado pela Câmara Criminal. O relator, desembargador Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, destacou que o processo é considerado complexo por envolver vários réus, diferentes acusações, necessidade de localização e citação de corréus e análise de provas digitais. Para os magistrados, não houve paralisação ou demora injustificada atribuível ao Judiciário. Segundo o acórdão, a denúncia foi oferecida e recebida após a prisão, houve apresentação de resposta à acusação e reavaliação da custódia, além do prosseguimento dos atos processuais. O colegiado também entendeu que condições pessoais favoráveis, por si só, não são suficientes para revogar a prisão preventiva. Esquema teria retirado 14 cargas A investigação da Polícia Civil aponta que o esquema funcionou entre 2 e 9 de maio de 2025, período em que teriam sido retirados aproximadamente 701.820 quilos de soja, divididos em 14 carregamentos, sem autorização regular. O prejuízo calculado pela empresa vítima, a GGF Agro Ltda., proprietária da Fazenda Rincão, foi estimado em R$ 1,1 milhão. Pelo procedimento normal, os caminhões somente poderiam entrar na propriedade e carregar os grãos mediante autorização da compradora, a Bunge Alimentos S.A., com informações sobre contrato, veículo, motorista, peso e destino. A Polícia Civil sustenta, porém, que veículos não autorizados conseguiram acessar a fazenda e sair carregados. Ryan trabalhava como balanceiro e era responsável pelo controle da entrada e saída dos caminhões. Segundo a investigação, ele teria permitido o ingresso de veículos que não constavam nas autorizações, deixado de realizar conferências obrigatórias, anotado manualmente placas adulteradas e lançado no sistema classificações de cargas que não teriam sido feitas. A apuração também atribui participação a classificadores de grãos, motoristas e pessoas responsáveis pela movimentação financeira do suposto esquema. Emerson Cerqueira Gomes é apontado pela Polícia Civil como articulador externo, responsável por coordenar motoristas, providenciar ordens falsas de carregamento e realizar pagamentos. Os investigadores ainda apuram o uso de contas de terceiros para movimentar valores e ocultar a origem do dinheiro. Os acusados respondem, em tese, por crimes como furto qualificado, associação criminosa, falsificação de documento particular, uso de documento falso e lavagem de dinheiro. O TJMT ressaltou que a decisão sobre o habeas corpus não representa julgamento definitivo sobre a responsabilidade dos investigados. O processo segue em tramitação em Campo Novo do Parecis.
Por Gazeta • 1 de outubro de 2026
A poucas horas do primeiro turno das Eleições 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu início à etapa mais rigorosa do calendário eleitoral. Entre a proibição de comícios e o veto ao impulsionamento de conteúdos digitais, as campanhas enfrentam um verdadeiro cerco legal. O descumprimento das normas não só compromete a lisura do pleito, como pune candidatos, coligações e plataformas as sanções financeiras severas e até à perda de registro ou mandato. O aperto das regras começa nesta quinta-feira, 1º de outubro, limite para a realização de comícios e o uso de aparelhagem de som fixa (permitidos entre 8h e 24h, com extensão de duas horas apenas para a festa de encerramento). O dia marca também o fim dos debates no rádio e na TV, autorizados até as 7h de 2 de outubro, e o encerramento da propaganda paga na internet. Nesse ponto, a responsabilidade recai diretamente sobre os provedores, que devem interromper o impulsionamento até 5 de outubro. Na sexta-feira (2), esgota-se o prazo para propaganda em jornais impressos e a reprodução digital das edições. Já na véspera da eleição, sábado (3), concentra restrições operacionais nas ruas. Das 8h às 22h, é permitido o uso de amplificadores de som, passeatas e entrega de panfletos, desde que observada a distância mínima de 200 metros de prédios públicos, hospitais, escolas, igrejas e tribunais. A data marca ainda a proibição do transporte de armas e munições por caçadores, atiradores e colecionadores (CACs) em todo o território nacional até o dia seguinte ao pleito. Especialistas alertam que o descumprimento de prazos e normas de propaganda sujeita os infratores a multas expressivas e representações por propaganda irregular ou abuso de poder. No domingo da votação (4/10), encerra-se o prazo para arrecadar recursos e contrair dívidas, salvo para a quitação de débitos anteriores. Outras normas previstas é com relação à venda de bebidas alcoólicas pelo comércio, que passam a ser proibidas em alguns municípios do estado, conforme portarias do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT). As restrições variam os dias e horários pelos juízes eleitorais. Em cidades como São Félix do Araguaia, Novo Santo Antônio, Luciara e Alto Boa Vista, por exemplo, a comercialização ou distribuição passa a ser vedada a partir das 20hs de sábado (3) até às 18hs de domingo (4), horários de Brasília. Já nos municípios de Vila Rica, Santa Terezinha e Santa Cruz do Xingu o fornecimento se restringe a apenas domingo, das 0h às 18 hs. Mirassol D'Oeste, Curvelândia, Porto Espiridião e Glória DOeste não poderão vender bebidas das 22 hs de sábado até 16h30min de domingo. Outras cidades como Canabrava do Norte, Confresa, Porto Alegre do Norte, São José do Xingu, Peixoto de Azevedo, Matupá, Terra Nova do Norte, Nova Guarita, Guiratinga, São José do Povo e Tesouro também estão sob restrição da Justiça Eleitoral.
Por Terra • 30 de setembro de 2026
Conversas localizadas pela Polícia Federal (PF) no celular de Daniel Vorcaro mostram que o dono do Banco Master tinha uma relação comercial próxima com o apresentador Luciano Huck, da TV Globo. Segundo reportagem da revista Veja, os contatos ocorreram enquanto o banqueiro buscava manter seu império de corrupção e fraudes de pé. A aproximação entre os dois teve início em 2023, cerca de dois anos antes da prisão de Vorcaro, apontado pela PF como líder da maior fraude financeira da história do País. As mensagens não indicam ilegalidades. Os registros, porém, mostram que o banqueiro procurava apoio dentro da emissora para seus empreendimentos, ao mesmo tempo em que espionava e articulava ações violentas contra jornalistas do Grupo Globo que expunham seus esquemas. Em um encontro entre os dois que ocorreu em 5 de novembro de 2023, Huck mandou a seguinte mensagem a Vorcaro: “Bom te encontrar pessoalmente hoje. Nos devemos um papo. Abração”. O banqueiro respondeu: “Fala, amigo. Bom demais te ver. Foi bacana hoje”. Em seguida, Huck afirmou: “Muito”. Quase dois anos depois, em 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso pela PF quando tentava deixar o Brasil pelo Aeroporto de Guarulhos. Conforme mensagens trocadas com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ele já tinha conhecimento da ordem de prisão. No mesmo dia, o banqueiro anunciou uma suposta venda do Banco Master para um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos. A notícia da suposta venda do banco motivou uma nova mensagem de Huck a Vorcaro. Às 21h47, poucos minutos antes de o banqueiro ser preso em Guarulhos, o apresentador escreveu: “Vi a boa notícia da compra do Master agora no JN [Jornal Nacional]. Muito bom. Congrats. Você merece sair inteiro desta turbulência toda”. Em nota, a assessoria do apresentador afirma que "toda a interação entre Luciano Huck e Daniel Vorcaro se deu em torno da captação e da gestão do patrocínio do Will Bank. Não houve sociedade, como um veículo erradamente chegou a alegar. O acordo comercial teve contrato assinado, notas emitidas, impostos recolhidos e serviços devidamente prestados. Os contratos de imagem e publicidade foram rescindidos antes da intervenção no Will Bank pelo Banco Central.” Amizade, negócios e parcerias Ao longo do período registrado nas mensagens, a relação entre Huck e Vorcaro vai além dos contatos profissionais. O material apreendido pela PF indica uma proximidade de amizade, marcada por encontros e jantares no Brasil e no exterior, além de parcerias comerciais e uma troca frequente de favores pessoais.  Os registros também citam conversas com executivos e negociações envolvendo acordos de mídia com a Globo. Em mensagens, o próprio apresentador detalha que os contratos representaram R$ 83 milhões em mídia para a emissora e outros R$ 26 milhões para ele, em um “contrato pessoal”. Parte desses valores estava relacionada ao patrocínio do Will Bank, de Vorcaro, ao Domingão com Huck, programa dominical da Globo. Os dois também mantiveram uma sociedade em uma aeronave e chegaram a se encontrar com o ex-jogador da Seleção Brasileira Ronaldo Nazário para discutir a candidatura frustrada do ex-atacante à presidência da CBF, no ano passado. A parceria envolvendo o avião aparece em uma mensagem enviada por Huck a Vorcaro em fevereiro de 2024. “Daniel, na paz? Valeu hoje pelo apoio. Salvou o dia. Nosso avião já volta na segunda. Sigo esperando poder retribuir as gentilezas. Estou buscando um sócio para o G550 (o avião Gulfstream G550). Se te interessar, bora falar”, escreveu o apresentador. “Vamos conversar”, respondeu Vorcaro. A parceria envolvendo o Will Bank começou a ser discutida em abril de 2024, depois de um encontro entre Huck e Vorcaro. “Boa conversa ontem. Cabeça pensando muito aqui. Bora seguir construindo ideias”, escreveu o apresentador. O banqueiro respondeu: “Gostei demais também! Vamos avançar!” Poucas semanas depois, Huck voltou a procurar Vorcaro, desta vez para convidá-lo para um evento relacionado ao show de Madonna em Copacabana, no Rio de Janeiro. Em 4 de maio de 2024, o apresentador perguntou: “Belê? Você tá no Rio? Vem ao show da Madonna? Pergunto porque tô organizando um after show para ela”. Vorcaro recusou o convite e disse que estava a caminho dos Estados Unidos para acompanhar o GP de Fórmula 1 em Miami. As negociações comerciais continuaram nos meses seguintes, com Huck demonstrando entusiasmo com a parceria. “Vai dar samba. Vamos fazer muito barulho”, escreveu o apresentador ao banqueiro ainda no primeiro semestre daquele ano. Em meio às tratativas, Huck chegou a orientar Vorcaro sobre a condução das negociações com a Globo. Em uma das mensagens, o apresentador recomendou transparência no processo, inclusive nas conversas com o setor de compliance da emissora, para viabilizar o acordo. A parceria avançou depois de um novo jantar entre os dois, realizado em outubro. Em 29 de outubro de 2024, quando o negócio foi fechado, Huck escreveu ao banqueiro: “Valeu pelo jantar e, principalmente, pela conversa e confiança. Tenho certeza que estamos começando um capítulo relevante na construção de uma marca que os brasileiros vão admirar. E, mais do que isso, uma amizade que irá gerar excelentes frutos em muitas frentes. Te mando notícias ao longo do dia sobre a Globo”. Segundo a revista Veja, apesar do acerto naquele momento, o contrato entre as partes só seria assinado em dezembro de 2024. Favores, viagens e contatos na Globo A proximidade entre Huck e Vorcaro também envolveu favores pessoais. Durante a tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024, o apresentador pediu emprestado um dos aviões do banqueiro para viajar a Canoas, já que estava sem sua própria aeronave. No mesmo ano, Vorcaro disponibilizou um avião para levar Huck a Varsóvia, na Polônia, onde o apresentador entrevistou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Como forma de compensação pelo uso das aeronaves, Huck propôs trocar as horas de voo pelo período correspondente à aeronave G550, da qual os dois eram sócios. As mensagens também registram situações em que Huck utilizou seus contatos para ajudar Vorcaro em questões pessoais. Entre elas estão a obtenção de atendimento VIP, passeios e reservas em restaurantes de Orlando para a família do banqueiro durante uma viagem à Disney. O apresentador também atuou para aproximar Vorcaro de integrantes de maior escalão da emissora. Em dezembro de 2024, Huck voltou a dizer ao banqueiro que estava tentando abrir portas dentro da Globo. “Hoje testei mais uma vez seu nome em alto escalão. Quando der me da um toque e falamos”, escreveu. O apresentador também aconselhou Vorcaro a assumir o controle da própria imagem. Após o banqueiro procurá-lo para pedir sua opinião sobre um assunto que não aparece na conversa, Huck respondeu: “Sigo insistindo que você tem que tomar as redes da sua narrativa. Senão farão isso por você e não é bom”. A relação também envolvia encontros sociais. Em uma ocasião, Huck convidou Vorcaro para uma noite de pizza em sua casa, no Rio de Janeiro, com a presença de Ronaldo Fenômeno. “Tudo bele? Na segunda o Ronaldo (fenômeno) vai estar no Rio. Vou fazer uma pizza em casa para ele. Se animar e quiser se juntar à mesa. Será mega bem-vindo. Precisamos começar a construir esta candidatura à CBF”, escreveu. Vorcaro não respondeu à mensagem. Apoio enquanto o Banco Master entrava em crise Com o início da parceria entre o Domingão e o Will Bank, Vorcaro chegou a visitar os estúdios da Globo, no Rio de Janeiro, onde os dois foram fotografados. Ao longo de 2025, as mensagens indicam uma aproximação ainda maior entre Huck e o banqueiro, justamente quando os problemas envolvendo o Banco Master começaram a ganhar força. Em uma das conversas, o apresentador procurou saber como Vorcaro estava e se colocou à disposição para ajudá-lo. “Tudo em paz? Como estão as coisas por aí? Quando puder, vamos falar. Quero entender como as coisas estão andando e onde está sua cabeça. E, obviamente, se posso ajudar em alguma frente”, escreveu. Em meio às turbulências no mercado e às repercussões negativas na imprensa, Huck continuou enviando mensagens de apoio ao banqueiro. Em uma delas, reforçou: “E, só pra reforçar, estou com você em qualquer frente”. Por volta de meados de 2025, o apresentador voltou a procurar Vorcaro para saber como ele estava. Os dois também trocaram informações sobre uma viagem de barco que o banqueiro fazia pela Indonésia. Nesse mesmo período, Vorcaro articulava a espionagem da jornalista Malu Gaspar e até um possível ato de violência contra Lauro Jardim, ambos do Grupo Globo. A insatisfação do banqueiro com jornalistas do grupo, porém, aparece apenas de forma pontual nas conversas com Huck. Em uma delas, o apresentador elogiou uma entrevista concedida à GloboNews pelo ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, preso sob suspeita de envolvimento em fraudes bilionárias no banco. “Bom dia. Paulo Henrique muito bem na GloboNews. Bom esclarecimento”, escreveu Huck. Vorcaro respondeu: “Também achei. Globo caiu pesado pra cima”.
Por RepórterMT • 30 de setembro de 2026
A ex-primeira-dama de Cuiabá Márcia Pinheiro passou por uma cirurgia de aproximadamente seis horas, nessa terça-feira (29), em São Paulo, para retirada de uma malformação arteriovenosa cerebral (MAV), apontada pela família como a causa do Acidente Vascular Cerebral (AVC) sofrido por ela no último dia 13. A atualização foi feita pelo ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro, marido de Márcia, em vídeo publicado no Instagram na manhã de hoje (30). A gravação, no entanto, foi feita na noite de terça, por volta das 23h, após o término do procedimento.  Segundo Emanuel, a cirurgia foi bem-sucedida e teve como objetivo corrigir e retirar a malformação congênita localizada no cérebro. “Márcia passou por um procedimento cirúrgico que durou cerca de seis horas e foi um sucesso absoluto, graças a Deus. Esse procedimento corrigiu e retirou a MAV” , afirmou. O ex-prefeito explicou que, conforme as informações médicas repassadas à família, a MAV foi responsável pelo AVC que atingiu Márcia. “A MAV é a malformação congênita arteriovenosa cerebral que originou, ocasionou o AVC que a atingiu” , disse. Com a conclusão da cirurgia, Emanuel afirmou que o tratamento entra agora em uma nova fase, concentrada na recuperação da ex-primeira-dama. No vídeo, o deputado federal Emanuelzinho, filho de Márcia, também agradeceu as manifestações de carinho e as orações recebidas pela família. Ele classificou o resultado da cirurgia como mais uma vitória no tratamento e pediu que as orações continuem. Márcia sofreu o AVC na noite de 13 de setembro e precisou passar por uma cirurgia de urgência ainda em Cuiabá. Nos dias seguintes, permaneceu sob cuidados intensivos e em coma induzido controlado, enquanto a equipe médica iniciou gradualmente a redução da sedação para avaliar a resposta neurológica. No dia 24, após 11 dias de internação, ela foi transferida de Cuiabá para São Paulo para dar continuidade ao tratamento. Na ocasião, Emanuel informou que a primeira etapa realizada em Mato Grosso havia sido concluída e que começaria uma nova fase do acompanhamento médico. A família não informou, no vídeo divulgado nesta quarta-feira, previsão de alta ou prazo para a recuperação completa de Márcia.
Por Agência Brasil • 30 de setembro de 2026
A rápida evolução de dispositivos eletrônicos tem levado a Justiça Eleitoral a atualizar orientações e procedimentos para garantir o sigilo do voto, um direito assegurado pela Constituição Federal. A preocupação é evitar que equipamentos capazes de registrar, transmitir ou divulgar informações sejam utilizados para revelar a escolha feita pelo eleitor dentro da cabine de votação. Embora a proibição de portar aparelhos eletrônicos na cabine não seja novidade, o avanço de tecnologias cada vez mais discretas e conectadas tem exigido adequações nas normas eleitorais. Nesse contexto, tribunais regionais eleitorais vêm detalhando procedimentos relativos a equipamentos que, há alguns anos, não faziam parte da rotina dos eleitores. Foi o que fez o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), ao publicar resolução que especifica a aplicação das regras para celulares, relógios inteligentes, óculos inteligentes, pulseiras conectadas, fones de ouvido, câmeras corporais, microcâmeras e até acessórios dotados de câmeras, microfones ou recursos de comunicação. Segundo o tribunal, a medida não cria uma nova proibição, mas adapta a regulamentação às transformações tecnológicas, detalhando como devem ser tratados equipamentos que podem comprometer o caráter secreto da votação. TSE Já o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adota uma abordagem mais ampla. Em suas normas e orientações ao eleitorado, a Corte estabelece a vedação ao ingresso na cabine de votação com celular, máquina fotográfica, filmadora ou qualquer equipamento capaz de comprometer o sigilo do voto. O foco, portanto, não é listar dispositivos específicos, mas impedir o uso de qualquer tecnologia que permita registrar, transmitir ou divulgar a escolha do eleitor. De acordo com o TSE, a regra busca assegurar que o voto permaneça secreto e impedir práticas como a compra de votos, em que o eleitor pode ser pressionado a apresentar alguma forma de comprovação da opção registrada na urna. O que o eleitor deve fazer O celular pode ser utilizado para apresentar o e-Título ou outro documento digital aceito pela Justiça Eleitoral durante a identificação na seção eleitoral. Após essa etapa, porém, o aparelho deve ser desligado e entregue à mesa receptora de votos, que ficará responsável por sua guarda até o fim da votação. O mesmo cuidado vale para outros equipamentos eletrônicos capazes de registrar, transmitir ou divulgar imagens, sons ou dados. O que não é permitido O eleitor não pode entrar na cabine de votação portando celular, câmera fotográfica, filmadora, relógio inteligente, óculos inteligentes ou qualquer outro equipamento que possa ser utilizado para registrar o voto. Também devem permanecer fora da cabine dispositivos conectados e acessórios equipados com câmeras, microfones ou recursos de comunicação. Quem se recusar a desligar e deixar o equipamento no local indicado não poderá votar enquanto persistir a recusa. A ocorrência pode ser registrada pelos mesários e, se necessário, a força policial poderá ser acionada. O que continua permitido As regras não impedem o uso de recursos de acessibilidade e de tecnologias assistivas por pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Esses equipamentos podem ser utilizados normalmente, desde que não sirvam para registrar, transmitir ou divulgar o conteúdo do voto. Em caso de dúvida sobre determinado aparelho, a mesa receptora poderá solicitar esclarecimentos ao eleitor ou verificar as características externas do equipamento. Como se preparar para votar A orientação da Justiça Eleitoral é simples: levar apenas os documentos necessários e, se desejar, uma cola em papel com os números dos candidatos. Antes de entrar na cabine, o eleitor deve desligar o celular ou qualquer equipamento eletrônico que possa comprometer o sigilo do voto e deixá-lo sob a guarda da mesa receptora. Depois de concluir a votação, os pertences serão devolvidos. Com essas medidas, a Justiça Eleitoral busca garantir que o avanço tecnológico não comprometa um dos princípios centrais das eleições brasileiras: o voto livre, individual e secreto.
Por Gazeta Digital • 30 de setembro de 2026
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou nesta quarta-feira (30) que a Polícia Federal instaure um inquérito policial para investigar a destruição da imagem de Nossa Senhora Aparecida no monumento da Cruz do Chilão, localizado no bairro Santa Helena, em Cuiabá. A medida foi tomada no âmbito de uma apuração mais ampla sobre uma série de atos de vandalismo e intolerância religiosa registrados em diferentes estados do país. No despacho, Dino ressaltou que as informações colhidas até o momento apontam para um quadro preocupante de ataques coordenados ou sistemáticos a símbolos de fé de diversas matrizes religiosas. "Chegaram ao Gabinete, por vários meios, notícias de várias partes do Brasil demonstrando uma aparente onda de ataques nos últimos meses contra imagens religiosas", escreveu o ministro em trecho da decisão. Dino acrescentou que "temos um quadro bastante grave, em que existem indícios de crimes variados, tais como: ultraje a culto, na modalidade vilipêndio; preconceito religioso; violência contra práticas religiosas; injúria qualificada por elemento religioso; ameaça, furto, dano, incêndio e violação de domicílio". A inclusão da Polícia Federal no caso baseia-se no artigo 144 da Constituição Federal, dada a repercussão interestadual dos episódios e a necessidade de uma repressão uniforme a violações de direitos humanos e à liberdade de crença. Cópia do despacho também foi enviada à Procuradoria-Geral da República (PGR). O caso que motivou a inclusão da capital mato-grossense no despacho do Supremo ocorreu no último dia 25 de setembro. A imagem de Nossa Senhora Aparecida, instalada ao pé do histórico monumento da Cruz do Chilão, foi encontrada quebrada e decapitada. O local é um dos marcos mais antigos da religiosidade e da memória cultural cuiabana. Situado no bairro Santa Helena, o espaço carrega forte valor simbólico por aglutinar tanto a devoção católica quanto tradições de povos de matriz africana, estando associado à história popular da região e à preservação da memória local. Em nota oficial, a Arquidiocese de Cuiabá expressou forte repúdio ao ato de vandalismo, classificando o episódio como manifestação de intolerância religiosa. Assinado pelo administrador arquidiocesano, padre Deusdedit Monge de Almeida, o posicionamento destacou que a liberdade de consciência, de crença e o livre exercício dos cultos são direitos fundamentais assegurados pela Constituição. A Igreja Católica na capital cobrou a identificação e a responsabilização rigorosa dos autores.  “A Arquidiocese de Cuiabá reforça que a liberdade de consciência e de crença, bem como o livre exercício dos cultos religiosos, são direitos assegurados pela Constituição Federal. Atos de intolerância, discriminação e violência motivados pela religião podem configurar crimes e devem ser devidamente apurados e responsabilizados pelas autoridades competentes”, diz nota. O ato em Cuiabá e a subsequente intervenção do STF ocorrem em meio a um ambiente de acirrada polarização política nacional, no qual a figura de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, tornou-se centro de disputas e retórica ideológica no debate público. Nas últimas semanas, episódios envolvendo o uso de símbolos religiosos e contestações em torno do título de padroeira nacional tensionaram o diálogo entre lideranças políticas e a hierarquia eclesiástica. A própria Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) precisou vir a público para repudiar o uso de desinformação e a instrumentalização da fé católica no cenário político-partidário, reafirmando o compromisso com a neutralidade institucional e a defesa da dignidade humana. Além do caso de Mato Grosso, o despacho de Flávio Dino reúne relatos de ataques recentes a templos e símbolos sagrados em estados como Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Alagoas e Minas Gerais, englobando desde igrejas católicas e lojas de artigos religiosos até terreiros de umbanda e candomblé.
Por Gazeta Digital • 29 de setembro de 2026
O candidato a senador Mauro Mendes (União) negou que tenha sido responsável pelo pedido de voto que o locutor Cuiabano Lima fez para ele em evento realizado na Arena Pantanal, em Cuiabá, no sábado (26). Ele disse que foi surpreendido e só soube do fato porque foi avisado. O festival Histórias – O Show do Século na Arena Pantanal foi promovido pela Ditado Produções, de propriedade de Elson Ramos (Podemos), suplente de Mauro na corrida pelo Senado. Em conversa com a imprensa, Mauro disse que cumpriu agenda no interior do estado e que chegou ao evento por volta das 23h. Afirmou que estava cansado e que soube da fala porque alguém no local o avisou. “Eu sou responsável pelos atos que eu pratico. E eu não pratiquei nenhum ato [irregular], não pedi para fazer. Na hora lá, nem vi. Alguém falou: 'o cara falou o seu nome’, eu estava conversando”, afirmou o ex-governador do estado em conversa com a imprensa. “Eu não posso ser responsabilizado por um ato que eu não fiz e nem pedi para fazer. Senão seria fácil cassar alguém? É só contratar um locutor de qualquer um desses eventos aí, o cara ia lá, pedia voto, regaçava lá e pronto, estava cassado o candidato. Não é assim. Então, quem fala algo nessa linha aí, está falando uma grande bobagem ou está delirando”, declarou. O caso foi noticiado inicialmente pelo jornal A Gazeta desta terça-feira (29). De acordo com a reportagem, o palco das apresentações de artistas da música sertaneja se transformou em palanque eleitoral, com pedidos de votos também para a ex-primeira-dama Virginia Mendes (União), além de outros candidatos à Câmara Federal e ao Senado. Entre os políticos citados pelo locutor estão o ex-senador Cidinho Santos (PP) e o empresário Elson Ramos (Podemos), suplentes de senador na chapa com Mauro. Também foi feita manifestação de apoio ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Max Russi (Podemos), que disputa a reeleição. “Elson Ramos, você é o cara. Cidinho Santos, você é o cara. Max Russi, você é o cara. Nós precisamos de outros homens e mulheres que fazem a diferença. Não tem conversa, não tem história, a não ser a história real da música, do coração, do sentimento, da emoção, do agronegócio, de quem trabalha, de quem dá emprego, de quem produz, de quem gera renda, de quem gera riqueza para esse país”, disse o locutor do evento. “Domingo que vem é o dia”, acrescentou Cuiabano Lima, em alusão do dia 4 de outubro, dia do primeiro turno da eleição geral de 2026.
Por Consultor Jurídico • 29 de setembro de 2026
O Superior Tribunal de Justiça definiu, por meio de resolução, a cobrança de custas judiciais nos processos de competência originária e recursal a partir de percentuais sobre o valor da causa. A mudança obedece a uma previsão da Lei 15.498/2026 , sancionada em setembro para atualizar um modelo vigente e congelado há mais de duas décadas. A alteração entrará em vigor em 1º de janeiro de 2027. Até lá, ações originárias e recursos continuarão tendo como custas valores fixos. A partir de então, custarão entre 2% e 4% do valor atualizado da causa. A diferença para o jurisdicionado é sensível porque, também autorizado pela lei, o STJ definiu valores mínimos que ultrapassam em muito o montante atualmente cobrado de quem acessa o tribunal. Há também valores máximos. Tabela atualizada O ajuizamento de um recurso especial (REsp), que hoje tem custo fixo R$ 270,12, passará a custar entre R$ 1.325,45 e R$ 107.332,80. Dentro dessa janela, será cobrado o equivalente a 2% do valor da causa. Esse percentual mínimo também foi observado para recurso em mandado de segurança (RMS), recurso ordinário (RO), mandado de segurança (MS), petição e pedido de tutela antecipada ou cautelar. No caso do mandado de segurança, se houver mais de um impetrante, cada parte excedente pagará R$ 668,56. Há duas classes processuais em que o STJ decidiu cobrar o percentual máximo de 4% sobre o valor da causa: ação rescisória e reclamação. O caso da reclamação é sensível porque o tribunal recentemente abriu seu cabimento , para garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de recurso especial sob o recém- inaugurado o regime de relevância. Por fim, classes processuais como conflito de competência (CC), exceções (de impedimento suspeição ou verdade), homologação de sentença estrangeira (HDE), suspensão de liminar e sentença (SLS) e embargos de divergência (ED) seguem com custas em valores fixos. Custas processuais renovadas A alteração foi aprovada pela Corte Especial do STJ e já era esperada. Quando houve a sanção da Lei 15.498/2026 em evento no Palácio do Planalto, o presidente do tribunal, ministro Luis Felipe Salomão, falou sobre o tema. “As custas da Justiça Federal estavam congeladas desde 2001. Uma causa de R$ 200 mil e uma causa de R$ 200 milhões pagavam exatamente o mesmo valor: R$ 1.915. Não há justiça nisso. Há um subsídio invertido: o contribuinte comum financiava o litígio de alto valor”, afirmou. Além da adoção do cálculo proporcional das custas, a resolução publicada pelo STJ exige a indicação do valor da causa devidamente corrigido no preenchimento do formulário eletrônico de recolhimento. Com a medida, o STJ deixa claro que os valores que permaneceram fixos serão anualmente atualizados pela Selic — até agora, essa atualização se dava pelo IPCA. A resolução também adicionou uma forma de pagamento: via GRU Intra-SIAFI para recolhimentos realizados por órgãos e entidades do Governo Federal. Clique aqui para ler a resolução
Por RepórterMT • 29 de setembro de 2026
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) pediu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) a suspensão de audiências e de outros atos jurisdicionais enquanto persistirem as instabilidades no Processo Judicial Eletrônico (PJe). O pedido foi encaminhado nessa segunda-feira (28) ao presidente da Corte, desembargador José Zuquim Nogueira.  Segundo a presidente da OAB-MT, Gisela Cardoso, a entidade recebeu diversas reclamações de advogados que não conseguiam acessar normalmente o sistema, protocolar e distribuir processos e, em alguns casos, nem mesmo apresentar medidas consideradas urgentes. A instabilidade também estaria dificultando a participação em audiências. A Ordem argumenta que manter audiências sem que os advogados tenham acesso efetivo ao PJe pode prejudicar o exercício da defesa e do contraditório. Por isso, requereu que as atividades sejam suspensas até que o funcionamento do sistema esteja completamente normalizado. Além da suspensão das audiências, a OAB pediu a ampliação dos canais para recebimento de demandas urgentes, como habeas corpus, mandados de segurança, pedidos de liminar, revogações de prisão e antecipações de tutela. A entidade sugere que essas medidas possam ser encaminhadas por e-mail ou por outros meios enquanto houver dificuldade de acesso ao sistema.
Por Agência Brasil • 29 de setembro de 2026
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a decisão do ministro Flávio Dino, também do STF, que havia derrubado uma ordem do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para que fossem tiradas do ar publicações na internet associando o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) a um suposto ataque à Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Na decisão assinada na noite desta segunda-feira (28), Fux determinou que a ordem de Dino, que havia mandado manter os posts no ar, fique suspensa ao menos até que o plenário do STF analise o caso. Entre as postagens derrubadas por Mendonça está uma do humorista Antonio Tabet, que em uma rede social veiculou uma foto de imagem religiosa com a legenda: “a família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”. Dino atendeu a um recurso de Tabet e derrubou a decisão de Mendonça, sob a justificativa de proteger a liberdade de expressão e com o argumento de que a publicação do humorista não fazia menção ao nome do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. A defesa do candidato então recorreu a Fux, que é relator de uma ação sobre o Marco Civil da Internet em que o STF decidiu que as plataformas têm a obrigação ativa de retirar do ar conteúdos que ameacem a democracia. Em sua decisão, Fux disse que não fez juízo de valor a respeito da suposta violação da liberdade de expressão e disse que tal julgamento deve ser feito pelo plenário. O ministro destacou a gravidade de se suspender uma decisão do TSE às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial, marcado para o próximo domingo (4). "Faz sentido que este Supremo Tribunal Federal determine a veiculação de notícia comprovadamente falsa? Não!”, escreveu Fux. Entenda O caso veio à tona após surgirem, na semana passada, informações segundo as quais grupos evangélicos ligados à campanha de Flávio Bolsonaro defendiam a destituição de Nossa Senhora Aparecida de Padroeira do Brasil. O candidato do PL nega. Flávio Bolsonaro acionou a Justiça Eleitoral com a alegação de que o fato era “inverídico” e trazia “discurso de ódio e imputação de crime”. Na condição de ministro do TSE, Mendonça ordenou a retirada da postagem e de conteúdos semelhantes sob pena de multa diária de R$ 30 mil. O ministro também havia determinada que as plataformas de redes sociais retirassem do ar qualquer conteúdo correlato que fizesse menção a Flávio e Nossa Senhora Aparecida. Na segunda (28), o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, enviou ofício ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, para reclamar sobre interferências indevidas sobre decisões da Justiça Eleitoral.