Afastado por 60 dias, vereador Chico 2000 vai continuar a receber salário de R$ 26 mil

RepórterMT • 27 de janeiro de 2026

O vereador Chico 2000 foi afastado do cargo hoje (27) por determinação de uma ordem judicial cumprida pela Polícia Civil durante a Operação Gorjeta, que investiga um esquema de desvio de emendas parlamentares. O afastamento deve durar 60 dias e o salário mensal do parlamentar, de aproximadamente R$ 26 mil, será mantido. De acordo com as investigações, Chico fazia o direcionamento das emendas parlamentares a um instituto e uma empresa, e o recurso era parcialmente “devolvido” a ele. 


Essa é a segunda vez que o parlamentar é afastado do mandato atual em razão de operação policial e, de acordo com o procurador-geral da Casa Legislativa, Eustáquio Inácio de Noronha Neto, a manutenção do salário segue o entendimento de uma decisão anterior, que garantiu a remuneração de Chico 2000 durante quatro meses sem trabalhar.


“O que a Procuradoria-Geral da Câmara pode adiantar, com base em decisões que ocorreram no ano passado, decisões oriundas da própria Justiça de Mato Grosso, é que quanto a essa parte de remuneração, será adotado o mesmo posicionamento das outras decisões anteriores, ou seja, permanece por enquanto”, disse o procurador-geral nesta manhã. 


No ano passado, Chico 2000 foi alvo de duas operações policiais. Em abril, ele esteve na mira da Operação Perfídia, deflagrada pela Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor) para desarticular um esquema de recebimento de propina em troca de apoio à aprovação de projetos de lei. A mesma operação também afastou o vereador Sargento Joelson (PSB). Ambos ficaram fora da Câmara durante quatro meses e continuaram recebendo o salário de R$ 26 mil.


Em junho, enquanto ainda estava afastado do cargo, Chico 2000 foi alvo da Operação Rescaldo, deflagrada pela Polícia Federal, na qual o parlamentar foi investigado por tentar comprar votos de apoiadores da presidente da Câmara Municipal, Paula Calil (PL), durante a campanha eleitoral de 2024.


Agora, durante o período em que estiver afastado, pelo menos dois salários devem ser depositados na conta de Chico 2000, totalizando R$ 52 mil.


Por Compre Rural 7 de agosto de 2026
Setor registrou 517 pedidos de recuperação judicial no agro no primeiro trimestre de 2026, envolvendo R$ 38 bilhões em passivos; avanço mostra que a pressão financeira deixou de ser um problema restrito ao produtor rural. A recuperação judicial deixou de ser um problema concentrado dentro das propriedades rurais. Depois de atingir produtores pressionados por quebras de safra, margens menores, juros elevados e dívidas acumuladas, a dificuldade financeira começou a avançar sobre empresas que vendem insumos, recebem grãos, industrializam matérias-primas, armazenam a produção e transportam cargas. No primeiro trimestre de 2026, o agronegócio brasileiro registrou 517 pedidos de recuperação judicial, crescimento de 33% em relação aos 389 processos contabilizados no mesmo período do ano anterior. Juntos, os produtores e as empresas envolvidos acumulavam aproximadamente R$ 38 bilhões em passivos, segundo levantamento da NEOT Tecnologia e Informação. Os dados confirmam que o recorde observado em 2025 não representou o fim do ciclo de deterioração. No ano passado, a Serasa Experian contabilizou 1.990 solicitações de recuperação judicial ligadas ao agronegócio, alta de 56,4% em relação a 2024 e o maior resultado desde o início da série histórica, em 2021. Mais do que uma sequência de empresas recorrendo à Justiça, os números funcionam como um termômetro antecipado da saúde financeira de toda a economia do agronegócio. Quando o produtor perde capacidade de pagamento, o problema não permanece dentro da fazenda. Ele aparece posteriormente no caixa de revendas, cooperativas, tradings, agroindústrias, transportadoras e instituições financeiras. O efeito dominó começou no produtor Os produtores rurais ainda concentram a maior parcela dos novos processos. Dos 517 pedidos registrados entre janeiro e março de 2026, 305 foram apresentados por produtores, equivalentes a 59% do total. Na sequência aparecem as revendas e distribuidoras de insumos, com 83 processos. Agroindústrias e usinas somaram 62 casos, enquanto empresas de logística, armazenagem e transporte responderam por outros 41 pedidos. A distribuição revela como a crise financeira atravessa os diferentes elos da cadeia. Uma lavoura que produz menos do que o esperado reduz a capacidade do produtor de pagar financiamentos, fornecedores, arrendamentos e contratos de troca. A revenda que não recebe perde liquidez para cumprir seus compromissos com a indústria. A indústria reduz prazos, limita vendas financiadas e passa a exigir mais garantias. Bancos e cooperativas, por sua vez, tornam-se mais seletivos na concessão de novos recursos. O resultado é um ambiente de crédito mais caro e restrito justamente quando o setor precisa financiar uma nova safra. “O produtor deixa de pagar primeiro. Depois de cerca de três trimestres, esse efeito aparece nas empresas que dependem dele”, afirmou Claudio Damasceno, sócio sênior da RGF, ao analisar o avanço da crise para além das propriedades. A defasagem ajuda a entender por que as recuperações judiciais continuam crescendo mesmo quando há melhora pontual na produção ou nos preços agrícolas. O pedido protocolado hoje pode refletir uma perda ocorrida vários meses ou até anos antes. R$ 31,5 bilhões estão concentrados nas maiores dívidas O passivo de R$ 38 bilhões também mostra que os processos não possuem o mesmo peso econômico. Do total identificado pela NEOT, R$ 31,5 bilhões estavam concentrados em operações com dívidas superiores a R$ 30 milhões. Os outros R$ 6,5 bilhões pertenciam a produtores e empresas com passivos abaixo desse valor. Apenas dez companhias possuíam dívidas superiores a R$ 300 milhões. Embora representassem uma parcela pequena dos processos, esses grupos concentravam parte significativa da exposição financeira. A recuperação judicial de uma grande empresa rural ou agroindustrial pode envolver centenas de credores, propriedades em diferentes estados, contratos de arrendamento, máquinas financiadas, Cédulas de Produto Rural, garantias sobre safras e operações cruzadas entre pessoas físicas e empresas do mesmo grupo econômico. Por isso, contar apenas o número de pedidos não é suficiente. Também é necessário observar o tamanho das dívidas e a posição ocupada pelo devedor dentro da cadeia. Uma cerealista pode ser devedora de bancos e, ao mesmo tempo, credora de produtores. Uma revenda pode dever à indústria enquanto ainda aguarda o pagamento de agricultores. Quando um desses elos perde liquidez, o impacto tende a ser transferido para os demais. Clima, preços baixos e juros formaram uma combinação perigosa Os eventos climáticos e as frustrações de safra foram mencionados em 85% das petições analisadas pela NEOT. A queda no preço das commodities apareceu em 75% dos processos, enquanto o descasamento entre o custo dos insumos e o valor recebido pela produção foi citado em 68%. Os juros elevados aparecem em 60% das ações. Dívidas relacionadas a investimentos realizados anteriormente, como compra de terras, máquinas, estruturas de armazenagem ou expansão de área, foram mencionadas em 52%. Os percentuais demonstram que raramente existe uma única causa para a recuperação judicial. Em muitos casos, produtores e empresas ampliaram seus investimentos durante períodos de preços mais favoráveis e maior disponibilidade de crédito. Posteriormente, encontraram custos financeiros maiores, redução das cotações e problemas climáticos que limitaram a produtividade. Como parte relevante das despesas é contratada antes do plantio, o resultado financeiro depende de uma produtividade e de um preço que ainda não são conhecidos. Quando ambos ficam abaixo das projeções, a receita pode não ser suficiente para cobrir os compromissos já assumidos. Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, afirma que o ambiente restritivo de crédito, os custos elevados e o nível de alavancagem continuaram pressionando o caixa das operações rurais. “A recuperação judicial deve ser o último recurso a ser utilizado”, declarou o executivo ao defender planejamento financeiro e renegociação das dívidas antes do agravamento da situação. Barter ampliou a exposição das revendas O crescimento das recuperações entre revendas de insumos também chama atenção para um dos principais modelos de financiamento das lavouras brasileiras: as operações de barter. Nesse tipo de negociação, o produtor recebe sementes, fertilizantes e defensivos antes do plantio e se compromete a pagar com uma quantidade previamente definida de grãos depois da colheita. O modelo reduz a necessidade de desembolso imediato na propriedade, mas transfere parte do risco da produção para revendas, cooperativas e tradings. Quando a safra fica abaixo do esperado ou o produtor não consegue cumprir o contrato, a empresa que antecipou os insumos deixa de receber os grãos ou o valor correspondente. A perda afeta diretamente seu capital de giro. O crescimento dos pedidos entre revendas indica que uma parcela do risco, antes concentrada nos bancos, passou a ser dividida por toda a estrutura de financiamento do agronegócio. Bancos aparecem como credores na maioria dos processos. Também estão expostas cooperativas de crédito, empresas de insumos, tradings, fundos de direitos creditórios e Fiagros. O avanço das recuperações tende, portanto, a produzir uma consequência adicional: fornecedores e financiadores passam a restringir limites, revisar garantias e cobrar mais pelo risco. Mesmo produtores financeiramente organizados podem encontrar condições mais duras no próximo ciclo. Soja lidera em quantidade; usinas preocupam proporcionalmente A cadeia da soja concentrou 45,1% dos processos registrados no primeiro trimestre de 2026. A pecuária de corte apareceu com 16,5%, enquanto a cadeia da cana-de-açúcar respondeu por 9,1%. A liderança da soja em números absolutos está relacionada ao tamanho da atividade, à extensão da área cultivada e à quantidade de produtores, revendas, cerealistas e prestadores de serviço envolvidos. O setor sucroenergético, entretanto, merece uma leitura específica. Embora reúna menos pedidos em números absolutos, usinas e destilarias continuam aparecendo entre as maiores incidências proporcionais de insolvência quando o número de empresas em recuperação é comparado ao universo de companhias em atividade. Dados da RGF Analytics apontam que a cadeia sucroalcooleira encerrou o segundo trimestre de 2026 com 125 empresas em recuperação judicial, aumento de 5,9% em relação ao trimestre anterior. A vulnerabilidade está ligada à própria estrutura do setor. Uma usina precisa financiar simultaneamente a produção agrícola, a renovação dos canaviais, a manutenção industrial e a compra de matéria-prima. O desempenho financeiro depende da produtividade da cana, da eficiência da indústria, dos preços do açúcar e do etanol, do câmbio e do custo do capital. Uma empresa pode possuir ativos valiosos e capacidade produtiva, mas ainda enfrentar falta de caixa para cumprir dívidas contratadas em outro cenário econômico. Por isso, o sucroenergético funciona como um dos pontos mais sensíveis da atual crise de liquidez. Transporte rodoviário pode ser o próximo elo pressionado A próxima etapa da deterioração financeira pode aparecer com maior intensidade em setores que nem sempre são classificados formalmente como parte do agronegócio, mas dependem diretamente da produção rural. O transporte rodoviário de cargas é um dos principais exemplos. Quando o produtor reduz a compra de fertilizantes e defensivos, diminui o volume de insumos transportados até as propriedades. Se há quebra de safra, menos grãos seguem para armazéns, indústrias e portos. Quando uma usina, cerealista ou agroindústria reduz suas operações, também cai a demanda por fretes. Além disso, transportadoras podem ter pagamentos a receber de empresas que ingressaram em recuperação judicial, transformando serviços já realizados em créditos sujeitos a renegociação. Os 41 pedidos registrados entre empresas de logística, armazenagem e transporte no primeiro trimestre indicam que parte desse movimento já começou. A queda da renda rural também reduz a renovação de caminhões, máquinas e implementos, afeta o consumo de combustível e limita a contratação de serviços nos municípios dependentes do agronegócio. O problema deixa, assim, de ser apenas financeiro e passa a interferir na atividade econômica regional. Recuperação judicial não significa falência A recuperação judicial foi criada para permitir que empresas economicamente viáveis reorganizem suas dívidas, preservem a atividade produtiva e negociem coletivamente com os credores. O pedido, portanto, não significa necessariamente que a empresa encerrará suas operações. Mas a proteção da Justiça não cria receita, não recupera produtividade e não corrige uma estrutura de custos desequilibrada. Sem ajustes operacionais, venda de ativos, renegociações possíveis de cumprir e recuperação das margens, o processo pode apenas adiar o problema. Diante do aumento dos casos, o Conselho Nacional de Justiça estabeleceu em 2026 novas diretrizes para a análise das recuperações envolvendo produtores rurais. Entre as exigências estão a comprovação do tempo de atividade, a organização das informações patrimoniais e a apresentação de dados que permitam avaliar a viabilidade da operação. “O produtor rural que busca a recuperação judicial precisa encontrar um Judiciário que compreenda o ciclo da safra”, afirmou o ministro do Superior Tribunal de Justiça Raul Araújo. Um termômetro da economia do agronegócio As recuperações judiciais registradas hoje refletem, em muitos casos, investimentos e dívidas assumidos anos atrás. Mesmo uma safra positiva pode não ser suficiente para eliminar passivos acumulados. O produtor pode colher mais e continuar pressionado por financiamentos antigos. A revenda pode aumentar as vendas e ainda carregar créditos de difícil recebimento. A agroindústria pode operar normalmente, mas enfrentar vencimentos incompatíveis com sua geração de caixa. É por isso que o crescimento das recuperações deve ser observado como um indicador mais amplo. Os processos mostram onde a liquidez diminuiu, quais setores perderam capacidade de investimento e até que ponto as dificuldades surgidas dentro das propriedades foram transferidas para outros participantes da cadeia.  A crise financeira já atravessou a porteira. O desafio agora é evitar que a reorganização das dívidas resulte em uma restrição prolongada ao crédito, à compra de insumos, à movimentação de cargas e à capacidade produtiva do agronegócio brasileiro.
Por Agência Brasil 7 de agosto de 2026
Há exatos 20 anos, era sancionada a Lei Maria da Penha, um dos principais marcos no combate à violência contra as mulheres no Brasil. Ao definir a violência doméstica, a lei nº 11.340/2006 enfrentou à naturalização das agressões que aconteciam, em geral, entre quatro paredes. Embora o país tenha alcançado avanços importantes a partir dessa lei, ainda há desafios como a subnotificação, a dificuldade no acesso à Justiça e os altos índices de feminicídio. Só em 2025, foram 1.568 mulheres vítimas de feminicídio no Brasil, um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Desde a tipificação desse crime, em março de 2015, ao menos 13.703 mulheres já foram assassinadas por sua condição de ser mulher. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Para a advogada Luciane Mezarobba, que atende exclusivamente mulheres, a Lei Maria da Penha é uma ferramenta avançada de enfrentamento à violência. “Ela elevou o combate à violência contra a mulher, nos âmbitos familiares, doméstico e amoroso, a um problema público, superando aquela velha e obtusa máxima de que ‘em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher’.” A lei reconheceu ainda que essa violência não é apenas física, ela pode ser psicológica, sexual, patrimonial, moral e vicária. “Com isso, condutas até então normalizadas e mesmo socialmente aceitas, como constranger, humilhar, manipular, ridicularizar, insultar e explorar, inclusive financeiramente a mulher, nos contextos doméstico, amoroso e familiar, constituem violência e serão punidas”, disse Luciane, em entrevista à Agência Brasil. Ela mencionou que a lei seguiu sendo aprimorada ao longo dos anos. A violência vicária, por exemplo, foi incluída na lei em 2026. Ela acontece quando o agressor utiliza terceiros — como filhos, familiares ou pessoas da rede de apoio — a fim de atingir a vítima. “São avanços consistentes e que seguramente já salvaram muitas vidas, apesar dos terríveis números de feminicídio e violência contra a mulher que nos assombram diariamente.” Para a socióloga e cientista política Bruna Camilo, uma das principais contribuições de uma lei é dar nome àquilo que está acontecendo. “Antes da lei, era uma agressão como qualquer outra. As mulheres não tinham a quem recorrer nem ao que recorrer. Elas achavam que era o destino delas, era uma naturalização absurda da violência contra as mulheres”, disse. Ela ressaltou que não basta a existência da lei, é preciso que ela seja aplicada em todo o sistema de justiça. “Se [as disposições] fossem todas seguidas, certamente seria uma lei extremamente forte no nosso país. Ela é muito importante, é inegável, traz um norte para o nosso país, só que infelizmente ela não é cumprida em todo o seu teor.” Descumprimento de medida protetiva O sistema de proteção à mulher falhou no caso de Júlia*, que denunciou uma agressão do ex-companheiro e pai de seu filho. Acompanhada pela Defensoria Pública no processo de pensão e guarda, a vítima solicitou também a medida protetiva de urgência contra o agressor, o que foi concedido pela Justiça paulista. No entanto, a aplicação desse dispositivo da lei nunca aconteceu. “A medida de manter o ex-companheiro longe acaba não sendo monitorada de forma alguma. Não é só comigo. Várias mulheres pedem a medida protetiva, ela é registrada, só que ela não é praticada”, relatou Júlia. O limite mínimo de distância fixado pelo juiz, em que o agressor fica proibido de ultrapassar em relação à vítima, não foi cumprido. Isso porque o agressor morava há menos de 1 quilômetro de Júlia e fazia trajetos pelo bairro em que passava em frente à casa da vítima com frequência, mesmo sabendo que ele precisava manter distância. “Ninguém fiscaliza, ninguém faz nada, é como se não tivesse [a medida protetiva]. Tanto que eu até larguei de mão, por mais que ele tenha me ameaçado e tudo mais, eu larguei de mão porque não adianta. E aí eu estou correndo só com a [ação de] pensão mesmo”, acrescentou Júlia. No primeiro semestre desse ano, houve descumprimento de 13.301 medidas protetivas de urgência no estado de São Paulo. O resultado representa um aumento de 18,7% em relação ao mesmo período de 2025, quando 11.209 medidas foram descumpridas. Os dados são da Secretaria da Segurança Pública do estado (SSP). Um desses casos levou ao feminicídio de Carla Carolina Miranda da Silva, esfaqueada pelo agressor em via pública, na capital paulista, em janeiro deste ano. A vítima já havia denunciado o agressor por violência doméstica e tinha medida protetiva determinando que ele não se aproximasse. Desafios para aplicação da lei Bruna Camilo avalia que as medidas para o combate à violência doméstica vão além da sanção da lei. Segundo ela, as delegacias precisam acolher as mulheres de forma que se sintam seguras para denunciar. Além disso, juízes e promotores devem considerar que a punição da violência doméstica é importante e não pode ser minimizada. “Nossa sociedade é patriarcal, ela é construída [com base] na misoginia e no machismo. A sociedade precisa se reeducar em relação à violência contra as mulheres. Então, muita coisa tem que melhorar”, disse Bruna, em relação aos desafios para o combate à violência doméstica. Um caso de grande repercussão, exemplo do machismo e da misoginia, foi o atropelamento de Tainara Souza Santos, arrastada - presa embaixo do veículo - por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê, em novembro do ano passado. Na ocasião, a vítima teve as pernas severamente mutiladas. Ela chegou a ser socorrida, passou por cirurgias, mas morreu na noite de 24 de dezembro, aos 31 anos, deixando dois filhos. De acordo com a investigação, a vítima teve um relacionamento breve com o autor da agressão, que não aceitou o término. Segundo o delegado do caso, na ocasião, havia “sensação de posse, em um total desprezo à condição de gênero e de mulher, autêntica tentativa de feminicídio”. A advogada Luciane avalia que a lei está bem assimilada e absorvida na rotina forense. No entanto, um desafio para a aplicação da lei é a grande demanda diante de um sistema sobrecarregado. “Vejo os atores jurídicos ocupados, em regra, em viabilizar sua efetivação, com o acolhimento às vítimas e a punição aos agressores”, relatou.  “Todavia, não é raro encontrar equipamentos públicos desatualizados, desequipados, com poucos funcionários, e alguns deles sem a sensibilidade e o preparo necessários. Há um volume grande de trabalho e um contingente insuficiente para atendê-lo”, ponderou Luciane. A advogada relatou que uma cliente recentemente passou pelo constrangimento de aguardar por cinco horas para ser ouvida sobre uma denúncia. “[Esse tempo todo] vendo outras mulheres em situação de extremo sofrimento e desespero chegando, o que a fez, inclusive, minimizar a própria dor e violência que sofreu.” Quem é Maria da Penha? Ativista pelos direitos da mulher, Maria da Penha Maia Fernandes deu nome à lei que criou mecanismos para combater a violência doméstica e familiar, da qual ela foi vítima. Em 1983, Maria da Penha sofreu dupla tentativa de feminicídio por parte do marido, Marco Antonio Heredia Viveros. Primeiro, ele deu um tiro pelas costas enquanto ela dormia, o que a deixou paraplégica. O agressor declarou à polícia, na época, que teria sido uma tentativa de assalto, versão que foi posteriormente desmentida pela perícia. Quatro meses depois, quando ela voltou para casa após cirurgias e tratamento, o agressor a manteve em cárcere privado por 15 dias e tentou eletrocutá-la durante o banho. Apesar de dois julgamentos, em 1991 e 1996, e duas sentenças, o criminoso seguiu em liberdade. Em 1998, o caso ganhou uma dimensão internacional com uma denúncia na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (CIDH/OEA). Em 2001, após receber quatro ofícios da comissão, o Estado brasileiro foi responsabilizado por negligência, omissão e tolerância em relação à violência doméstica praticada contra as mulheres. Uma das recomendações era completar, rápida e efetivamente, o processamento penal do responsável pela agressão. Viveros foi preso em 29 de outubro de 2002 em Natal. Em março de 2004, ele conseguiu ir para o regime semiaberto e, em fevereiro de 2007, conseguiu a liberdade condicional, segundo informações do Ministério Público do Ceará. Violência digital A violência digital, que tem ganhado maior alcance com a tecnologia, pode ser entendida como uma extensão da violência contra as mulheres. As agressões que estavam concentradas “entre quatro paredes” tomaram também as redes sociais e podem acontecer por meio de mensagens por aplicativo. O objetivo, no entanto, é o mesmo: intimidar, humilhar, ameaçar ou controlar as mulheres. “A violência digital pode sim ser enquadrada na Lei Maria da Penha, porque existe ali a violência moral, que fere a dignidade da mulher, embora já tenha alguns projetos de lei e algumas leis que falem sobre segurança digital e punição de pessoas que cometem violência digital contra mulheres”, afirmou a cientista política Bruna Camilo . Ela citou a Lei Lola, a Lei Carolina Dieckmann e o ECA digital. Este último não trata de mulheres especificamente, mas de crianças, e isso envolve meninas. “Já existem iniciativas importantes, mas a gente precisa da aplicabilidade dessas leis, para que a gente consiga iniciar a mudança cultural da nossa sociedade.” * A fonte preferiu não se identificar.
Por RepórterMT 6 de agosto de 2026
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) sancionou a lei que institui em Mato Grosso a criação do cadastro estadual de pessoas condenadas por crimes contra idosos. O cadastro irá conter as características físicas e os dados de identificação datiloscópica e fotos dos condenados. As informações serão compartilhadas com os municípios em termo de cooperação. O acesso às informações da base de dados e atualização do cadastro fica a cargo da Secretaria Estadual de Segurança Pública. A lei é de autoria do deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo) e visa fortalecer a atuação dos órgãos de segurança pública e padronizar o compartilhamento de informações entre Estado e municípios. Dados da Segurança Pública indicam que entre janeiro e maio deste ano, Cuiabá registrou 250 denúncias de crimes contra idoso. O número corresponde a cerca de 66% dos 380 casos registrados durante todo o ano de 2025 e indica que, mantido o ritmo, o total de ocorrências poderá superar o do ano passado.  Diante do aumento de casos, a criação do cadastro amplia os mecanismos de enfrentamento à violência contra idosos. A lei entra em vigor na data de hoje (06), conforme publicação no Diário Oficial do Estado.
Por Agência Brasil 6 de agosto de 2026
As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets no ano passado. O montante corresponde ao valor líquido, ou seja, à diferença entre o dinheiro apostado e o devolvido em forma de prêmio. Este valor equivale a uma média de R$ 4,7 bilhões por mês, considerando o período de outubro de 2024 a março de 2026. As perdas equivalem a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias e consideram as transferências feitas por Pix para as casas de apostas. No mesmo período, as bets movimentaram quase R$ 351 bilhões em transações via Pix. Os dados constam do Boletim Fiscal dos Estados, divulgado nesta quinta-feira (6) pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), com base em estatísticas de pagamentos do Banco Central.  O estudo mostra que, desde a regulamentação das bets, em janeiro do ano passado, houve mudança no volume de transferências via Pix destinadas ao setor de artes, cultura, esporte e recreação, indicando maior comprometimento da renda das famílias com as apostas. A lei que regulamentou as bets determina que as empresas bloqueiem o acesso de usuários identificados como compulsivos. Segundo o advogado Júlio Leone, porém, isso não tem ocorrido. "Quando é detectado que a pessoa tem ludopatia, que é viciada, compulsiva em apostas, o algoritmo deveria travar a conta dela. Mas faz o contrário: manda mais bônus, mais vouchers, mais incentivos para que ela continue apostando. É aí que ela perde todo o capital." O boletim mostra ainda que, desde outubro do ano passado, quando entrou em vigor a proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família, houve desaceleração no ritmo das transações. Segundo o Comsefaz, o resultado indica que a medida teve efeitos concretos sobre o volume agregado de transações, sugerindo que as famílias de menor renda tinham participação significativa no mercado de apostas.
Por Agência Brasil 6 de agosto de 2026
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) lançaram nesta quinta-feira (6) uma mobilização nacional conjunta contra o assédio eleitoral de patrões sobre os empregados. Com o slogan No meu voto mando eu, a campanha Aliança pelo Voto Livre e Secreto é voltada a prevenir e combater atos de empregadores, superiores e colegas que busquem influenciar o voto livre e secreto de funcionários. O assédio eleitoral ocorre quando alguém utiliza sua posição de poder no ambiente de trabalho para influenciar, constranger ou pressionar trabalhadores a votar, deixar de votar ou apoiar determinado candidato, partido ou posicionamento político. “É a prática do empregador que gera esse constrangimento e cerceia a liberdade dos empregados quanto à manifestação de pensamento”, explica o procurador Igor Sousa Gonçalves, coordenador nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho do MPT, em entrevista à Agência Brasil. Em muitas situações, patrões ou pessoas em posição de poder agem para induzir o trabalhador a votar em determinado político, às vezes com promessas de benefícios ou mesmo com ameaças à continuidade do emprego. A prática é proibida e pode ter consequências judiciais nas esferas trabalhista, eleitoral e, a depender da gravidade, criminal. Para aderir à Aliança pelo Voto Livre e Secreto basta acessar a página da campanha, baixar os materiais de divulgação e registrar o compromisso com a iniciativa. O conteúdo está disponível para uso gratuito e pode ser personalizado por empresas, órgãos públicos e demais organizações com a inclusão de suas marcas, ampliando o alcance da mobilização. Além disso, os participantes poderão compartilhar registros da adesão nas redes sociais, marcando o perfil do Tribunal Superior do Trabalho (@tstjus), fortalecendo a mensagem em defesa da democracia e da liberdade de escolha. Como identificar?  A campanha traz orientações sobre como identificar o assédio eleitoral no ambiente de trabalho. Entre as práticas mais comuns estão: - ameaças de demissão ou de prejuízos profissionais em razão da opção eleitoral do empregado; - promessas de benefícios ou vantagens em troca de apoio político; - exigência de participação em atos de campanha; - fiscalização ou cobrança sobre o voto de trabalhadores; - intimidações, constrangimentos ou humilhações relacionadas às preferências políticas.
Por Gazeta Digital 6 de agosto de 2026
Mato Grosso reúne diversas oportunidades em concursos públicos, processos seletivos e programas de estágio neste mês de agosto. São pelo menos 975 vagas confirmadas, além de seleções com quantitativo ainda não divulgado. Há postos para profissionais dos níveis fundamental, médio, técnico e superior, com salários que podem chegar a R$ 16.346,38. As oportunidades estão distribuídas entre prefeituras, Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e Ministério Público Federal (MPF). Os candidatos devem ficar atentos aos prazos, já que algumas inscrições terminam nos próximos dias. Concurso Prefeitura de Primavera do Leste Vagas: 33 Cargos: Agente de Monitoramento, Assistente Social, Auxiliar de Consultório Dentário, Cirurgião Dentista 20H - Paciente PNE, Cirurgião Dentista 20H – Periodontia, Controlador Interno (Ciências Contábeis), Enfermeiro Padrão, Fonoaudiólogo, Fonoaudiólogo Educacional, Médico 20H - Cirurgia Oncológica, Médico 20H – Endocrinologia, Médico 20H – Ginecologia, Médico 20H – Mastologia, Médico 20H – Neurologia, Médico 20H - Oncologia Clínica, Médico 20H – Ortopedia, Médico 20H – Psiquiatria, Médico 20H – Urologia, Médico 40H - Clínico Geral, Monitor Serviços Educacionais, Monitor Social, Procurador Municipal, Professor de Educação Física, Professor Pedagogo, Psicólogo, Técnico de Manutenção, Técnico em Higiene Dental, Técnico em Laboratório, Técnico Esportivo – Atletismo, Técnico Esportivo – Canoagem, Técnico Esportivo - Jiu-Jitsu, Terapeuta Ocupacional. Salário: até R$ 16.346,38 Inscrições: de 08/07/2026 até 09/08/2026. Edital: https://www.acheconcursos.com.br/edital-concurso/edital-primavera-do-leste-mt-2026 Prefeitura de Cáceres Vagas: 81 Cargos: Agente Comunitário de Saúde (ACS) e Agente de Combate às Endemias (ACE). Salário: R$ 3.242,00 Inscrições: de 01/08/2026 até 31/08/2026. Edital: https://www.acheconcursos.com.br/edital-concurso/edital-caceres-mt-2026 Prefeitura de Novo São Joaquim Vagas: 44 Cargos: Agente Comunitário de Saúde (ACS) e Agente de Combate às Endemias (ACE). Salário: R$ 4.688,33 Inscrições: de 20/07/2026 até 10/08/2026. Edital: https://www.acheconcursos.com.br/edital-concurso/edital-processo-seeltivo-novo-sao-joaquim-mt-2026 Prefeitura de Confresa Vagas: 780 Cargos: Fonoaudiólogo, Professor de Licenciatura Plena em Pedagogia, Professor de Licenciatura Plena em Educação Física, Professor de Licenciatura Plena em Letras/Língua Inglesa, Auxiliar em Desenvolvimento Infantil (ADI) 15+Cr, Técnico Administrativo Educacional (TAE), Técnico em Documentação Escolar (TDE), Técnico em Desenvolvimento Infantil (TDI), Apoio Administrativo Educacional. Salário: R$ 7.994,88 Inscrições: 29/07/2026 até 10/08/2026 Edital: https://www.acheconcursos.com.br/edital-concurso/edital-processo-seletivo-confresa-mt-2026 Prefeitura de Serra Dourada Vagas: 15 Cargos: Professor Pedagogo (Substituto), Professor de Educação Infantil (Substituto), Professor de Matemática, Profissional de Apoio à Inclusão Escolar, Monitor de Transporte Escolar, Técnico de Enfermagem e Psicólogo. Salário: R$ 5.600,37 Inscrições: 24/07/2026 até 08/08/2026 Edital: https://www.acheconcursos.com.br/edital-concurso/edital-processo-seletivo-prefeitura-de-serra-nova-dourada-mt-2026 IFMT Vagas: 22 Cargos: Assistente de Alunos, Técnico de Laboratório (Área Ciências), Administrador, Auditor (Governança, riscos e compliance), Contador, Enfermeiro, Engenheiro Agrônomo, Nutricionista, Pedagogo, Psicólogo, Zootecnista. Salário: R$ 6.407,39 Inscrições: de 20/07/2026 até 10/08/2026 Edital: https://www.acheconcursos.com.br/edital-concurso/edital-ifmt-02-2026 TJMT Vagas: a divulgar Cargos: psicólogo Salário: a divulgar Inscrições: 03/08/2026 até 21/08/2026 Edital: https://www.acheconcursos.com.br/edital-concurso/edital-processo-seletivo-tj-mt-12-2026 MPF MT Vagas: a divulgar Cargos: Administração e cursos correlatos, Arquitetura e Urbanismo, Arquivologia, Ciências Contábeis, Comunicação Social (Jornalismo e Publicidade e Propaganda), Direito, Secretariado. Salário: a divulgar Inscrições: 30/07/2026 até 20/08/2026 Edital: https://www.acheconcursos.com.br/concursos-mato-grosso/estagio-mpf-mt-inscricoes-abertas-nivel-superior-92198#google_vignette 
Por Gazeta Digital 6 de agosto de 2026
A Latam Airlines Brasil confirmou ao governo de Mato Grosso mais duas novas rotas para o Estado dentro do plano de expansão da malha aérea com as aeronaves Embraer E195-E2. A companhia passará a operar voos diários entre Rondonópolis e Guarulhos, a partir de dezembro de 2026, e entre Cuiabá e Curitiba, a partir de março de 2027. O anúncio foi feito nesta terça-feira (4). Para a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, o anúncio representa mais do que o aumento da oferta de voos. Segundo ela, a ampliação da conectividade fortalece a competitividade de Mato Grosso, impulsiona o turismo, facilita o ambiente de negócios e aproxima o Estado dos mercados nacional e internacional. “Cada novo voo representa mais oportunidades para Mato Grosso. Melhorar a conectividade aérea significa facilitar o deslocamento de investidores, empresários e turistas, além de aproximar nossos destinos dos principais centros econômicos do país. Também é importante essa retomada de voos diretos para capitais do Sul do país; atualmente, só é possível chegar por meio de conexões. Estamos felizes com esse investimento na malha aérea e nos impulsiona ainda mais a lutar por um voo internacional partindo do Aeroporto Internacional Marechal Rondon”, afirmou. A companhia incorporará até 14 aviões entre o fim de 2026 e o início de 2027, alcançando 67 destinos domésticos. Além de Rondonópolis, outras três cidades passarão a receber operações inéditas: Ji-Paraná (RO), Cabo Frio (RJ) e Macaé (RJ). A Latam utilizará o Embraer E195-E2 para inaugurar ligações entre Brasília e Ribeirão Preto, Curitiba e Londrina, Porto Alegre e Viracopos, além de ampliar frequências em mercados já atendidos, como Palmas, Uberlândia, Cascavel, Uberaba, Curitiba e Porto Alegre. A companhia informou ainda que já estuda uma segunda fase de expansão para 2027, quando pretende avaliar até 18 novos destinos, conforme a entrega de novas aeronaves pela Embraer. Desde 2019, a LATAM ampliou sua presença no Brasil de 44 para 63 aeroportos atendidos. Com a entrada das novas operações, a empresa passará a conectar 67 cidades brasileiras e reforçará sua estratégia de expansão da aviação regional, utilizando aeronaves de menor porte e maior eficiência para ligar mercados em crescimento aos principais hubs do país.
Por Gazeta Digital 6 de agosto de 2026
O presidente da Associação Mato-grossense de Municípios (AMM), Hemerson Maninho, conseguiu a aprovação de uma série de alterações no estatuto da entidade, em Assembleia Geral Extraordinária realizada nessa terça-feira (04). Entre as mudanças estão a ampliação do mandato da diretoria de dois para três anos, antecipação da eleição para o último mês da gestão e a reforma da sede da entidade. A nova versão do estatuto ainda não foi divulgada porque está passando pelo processo de revisão junto ao departamento jurídico. “Saímos desta assembleia unidos e fortalecidos. As deliberações aprovadas representam um avanço para a AMM, promovem a atualização do estatuto, reforçam a segurança jurídica da associação e criam condições para que possamos continuar prestando um atendimento cada vez mais eficiente aos municípios mato-grossenses”, disse Maninho. Até então, as eleições eram em janeiro, período que coincidia com as poses dos eleitos nas eleições. Além disso, prefeitos recém-eleitos não participavam das discussões internas, limitando-se a votar em algum dos candidatos. Além disso, a eleição passa a ser durante o último ano do mandato da diretoria em exercício. A ideia é facilitar a transição, tendo acesso aos processos internos e à estrutura da entidade, possibilitando um mapeamento das ações a serem tomadas. Outro ponto aprovado na Assembleia foi a reforma e modernização na sede da AMM. Para os prefeitos presentes, foi alegado que era necessário readequar e revitalizar os espaços do edifício, localizado no Centro Político e Administrativo, modernizando a estrutura. Ao , a assessoria da entidade afirmou que não há projeto dessa reforma nem previsão orçamentária. Esse levantamento ainda estaria sendo realizado. A AMM completa 44 anos de fundação em maio do ano que vem. Sua atuação visa dar apoio técnico às prefeituras e representar os interesses dos municípios junto aos governos estadual e federal.
Por Globo Rural 5 de agosto de 2026
O quadro de endividamento de produtores e empresas do agronegócio continua piorando no Brasil e tudo indica que vai se agravar em 2027. A conclusão é do mais recente “Monitor RGF-Bizdoc”, levantamento feito pelas consultorias RGF e Bizdoc, de reestruturação organizacional, que acompanha a evolução das recuperações judiciais no país. De acordo com o documento, o agronegócio é “o epicentro do ciclo de insolvência” no Brasil, com 1.263 CNPJs de agricultores em recuperação judicial ao fim do primeiro semestre deste ano. O número é 21,4% maior que o registrado no encerramento de 2025 e 66% superior ao “estoque” de recuperações judiciais no setor no fim do primeiro semestre do ano passado. Também é muito superior ao estoque de 539 recuperações reportadas no levantamento do primeiro trimestre, pois passou a incluir os microempreendedores rurais. “Somando a cadeia de insumos, agroindústria e comercialização, o total chega a 1.575 CNPJs, cerca de 20% de todo o estoque de recuperações judiciais do país”, afirma Claudio Damasceno, sócio sênior da RGF e da Bizdoc e coordenador do Monitor. A proporção de recuperações judiciais no agro em relação ao total, 1,8 para cada mil, é seis vezes a média nacional. Na chamada “porteira para dentro”, ou seja, das fazendas, a cadeia da soja é a que registra mais casos. Eram 589 produtores em recuperação judicial ao fim do primeiro semestre, pouco menos da metade do total, 26,7% acima do fim de 2025 e quase o dobro de um ano antes. Só no primeiro semestre, 124 sojicultores entraram em recuperação, após duas safras vendidas abaixo do custo, dívidas acumuladas e ausência de lucro no ciclo 2025/26 para amortizar débitos, segundo Damasceno. Mas o levantamento identificou acréscimos em praticamente todas as cadeias produtivas. Foram 19 recuperações judiciais no semestre na pecuária de corte, segunda cadeia do ranking do setor. Entre as que registraram maior crescimento de recuperações judiciais no primeiro semestre, destacam-se a de arroz (+53,8% em relação a dezembro de 2025), milho (+45,2%) e café (+44,4%). No período, as recuperações judiciais de produtores de leite aumentou 257%, para 50. “As causas [das dificuldades] são diferentes para cada cultura, mas há uma regra padrão: o que estamos colhendo resulta de algo que aconteceu seis meses, um ano ou até dois anos antes”, diz o coordenador do Monitor.  As recuperações judiciais dos produtores já contagiam os três elos da “porteira para fora”, ou seja, os segmentos que giram em torno da produção, como os de insumos, agroindústria e comercialização. Com exceção da indústria de suínos e aves e de moagem de trigo, houve aumento de casos em todos os segmentos — atacado de insumos, rações, máquinas agrícolas, usinas, laticínios, frigoríficos de bovinos, comercialização de grãos e café. No topo estão as revendas de fertilizantes e defensivos, com 48 processos, seguidas por fábricas de rações (24) e concessionárias de máquinas agrícolas (17). No recorte regional, Sul, puxado pelo Rio Grande do Sul, e Centro-Oeste, com impulso de Mato Grosso, contabilizam mais recuperações, 392 e 391, respectivamente. Mato Grosso é o Estado com mais produtores na situação no país, 196 CNPJs, seguido do Rio Grande do Sul com 194. Recorte O levantamento traz outro dado preocupante para o agro nacional: o crescimento mais acentuado das recuperações judiciais entre produtores de micro e pequeno porte — que atuam com CNPJ ou como pessoa física. De 874 em recuperação judicial ativa, 54% são microempresários, 26% pequenos e 20% médios. Desde o primeiro trimestre de 2023, o estoque de recuperações de microempresas do setor cresceu dez vezes e de pequenas, quase nove vezes. Damasceno avalia que houve uma popularização da recuperação judicial. “O pequeno e médio produtor que antes tentava pagar a dívida passou a ser estimulado a buscar recuperação judicial, porque ela protege o patrimônio”. Olhando para o futuro, o especialista diz que “o pior dos pedidos de recuperação judicial ainda está por vir”, no segundo semestre de 2026 e em 2027, refletindo margens de lucro apertadas nas safras 2024/25 e 2025/26. A navegação comprometida no Estreito de Ormuz, com o conflito no Oriente Médio, região de onde sai boa parte dos fertilizantes, é mais um complicador, ao elevar os custos para produzir a safra. Fatores de alívio, como o esperado recuo gradual da Selic, a exclusão de setores estressados, como carne bovina, café e açúcar, das tarifas dos Estados Unidos, só devem se refletir entre 2027 e 2028. Há ainda perspectiva de contínua transferência do risco dos produtores para as revendas de insumos, comercializadoras de grãos e o mercado de capitais, tendo em vista que, com crédito bancário mais restritivo, agricultores buscam financiar a safra com esses agentes. “Há várias nuances possíveis, nenhuma na direção da paz”, afirma Cláudio Damasceno.
Por Gazeta Digital 5 de agosto de 2026
O Avante oficializou, na noite desta terça-feira (4), a candidatura do produtor rural Antônio Galvan ao Senado nas eleições de 2026 e apresentou os nove nomes que disputarão vagas na Câmara dos Deputados por Mato Grosso. A convenção estadual da sigla foi realizada no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá. Principal aposta do partido para a disputa majoritária, Galvan tenta retornar às urnas após conquistar mais de 337 mil votos na eleição de 2022, quando terminou em segundo lugar na corrida pelo Senado. Desde então, segundo o partido, intensificou agendas no interior do Estado, com encontros voltados ao setor produtivo, empresários e lideranças políticas. "O Avante construiu um projeto sólido, com pessoas preparadas e comprometidas com Mato Grosso. Nossa convenção marca o início de uma caminhada ainda mais organizada, com responsabilidade e diálogo com a população. Queremos ampliar a voz de quem produz, trabalha e empreende", afirmou Galvan durante o evento. Além da candidatura ao Senado, o Avante homologou nove candidatos à Câmara Federal. São eles: Charles Fernando, Ivina da Enfermagem, Jamilson Moura, Lidiane Aburad, Luís Costa, Maicon Pereira, Mirão, Paula Boaventura e Pr. Neviton. De acordo com a legenda, os nomes representam diferentes regiões de Mato Grosso e fazem parte da estratégia para ampliar a bancada do partido no Congresso Nacional.